Mails para a minha Irmã

"Era uma vez um jovem vigoroso, com a alma espantada todos os dias com cada dia."


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Testes, ou não?

A Metodologia da testagem é muito antiga. Recorre aos testes tipo resposta única que Henry Ford implementou nas suas fábricas de automóveis. Além do mais, eram muito mais fáceis de corrigir. Com uma régua deixavam-so só as quadrículas assinaladas visíveis. Estando todas as outras incorretas.

Isto veio dar resposta a um problema sentido no meio da escola. O da massificação e o da necessidade da padaronização. Ora, entrando no tempo e espaço, ocidente e desde o início do século XXI.

No passado temos três grandes escolas. chinesa que recorria a testes para funcionários públicos, a grega e a romana, onde se faziam declarações e demonstrações práticas do saber organizado.

Ou seja os nossos testes nasceram para avaliar mecânicos de automóvel. Com algumas adaptações e recurso a muitas desculpas, chegámos à testagem dos dias de hoje, que não é moderna, nem eficiente, nem avalia nada.

Que fazer então? Cada aula deve ser um motor de conhecimento e aproveitando o currículo, como está, tentar ao máximo diluí-lo dentro das áreas do saber.

E os pais onde são tidos na escola? Para escutar os verdadeiros sabedores das matérias. Há coisas que quando funcionam não se mexe. Uma equipa que joga com o futebol e uma escola que tem bons profissionais.

E é na bondade destes profissionais que vai ser preciso investir. Ao contrário do que se está a fazer completamente. Num país em que a minha forma de avaliar o pão deve ser se ele é bom à mesa, do mesmo modo, a minha forma de avaliar um bom aluno deve ser se ele é bom no que faz.

Dixit.

jpv


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Do AVC – 9/9

Foto por Cláudia. Maputo.

O que um AVC pode ter de bom.

Ter um AVC tem as suas vantagens ou, se quisermos melhor, tem as coisas que são certo fazer desde que tenhamos uma pessoa com AVC à frente, isto quer dizer que as vantagens, às vezes, não são vantagens, são o mínimo que a sociedade pode fazer pelo AVC.

No meu caso, o que eu mais notei como vantagens foi o seguinte:

Em primeiro lugar, eu pude servir exemplo. Uma vez recuperado, eu disse a muita gente o que não deviam fazer, quais eram as principais causas de AVC e a propósito disto dei um conjunto de palestras. Isto é uma vantagem e que acho que se torna normal as pessoas ouvirem-me.

Em segundo lugar, há coisas muito simples como por exemplo ficar à frente nas filas porque de facto o AVC é uma coisa que gera alguma impaciência e como tal é bom poder passar à frente.

Também fiquei com um papelinho de prioridade quando as filas não são filas são os números que nos atribuem quando chegamos um sítio com várias pessoas para atender.

Em terceiro lugar, estaciona-se onde se quiser. Naqueles locais com os lugares marcados, é evidente que as pessoas têm rapidamente como estacionar.

Em quarto lugar, tive vantagens nos impostos ao nível do IVA e ao nível do IRS.

Em quinto lugar, eu tive que dizer sempre que que tive um AVC, mas isto tem uma vantagem é que as pessoas esperarem que eu acabe de falar e, de facto, não costumam interromper.

Em quinto lugar, tive a simpatia dos portugueses, isto é muito importante, um grupo de doentes ter a simpatia dos seus homólogos.

Em sexto lugar, quando entramos num hospital e tivemos um AVC, todas as portas se abrem rapidamente e todos os serviços ficam disponíveis.

Sétimo, muito importante, mesmo muito importante, a empatia dos médicos foi crucial. Esta empatia, este fazer para que eu me senti-se bem, esta nota de não culpa, porque não é culpa de ninguém que eu tenha tido um AVC.

Por fim, adorei, e repito adorei, a admiração dos meus alunos pela forma como me receberam.

E os meus colegas foram insubstituíveis, foram o máximo no facto de me receberem e de me considerarem um seu igual. Isto não tem preço, se calhar tem a ver com esta escola, se calhar não, mas o certo é que se comportaram como pessoas sensíveis.

Os cuidados prestados pela família, em particular a Cláudia, para quem o AVC também foi uma forma de aprendizagem.

Eu acho que ter um AVC é uma coisa má, muito má, mas se soubermos estar atentos conseguimos tirar muitas vantagens dessa coisa má. À partida, o facto ter um AVC permitiu-me de alguma forma estar no centro do mundo e explicar aos outros o que era um AVC. Isto pode ter um efeito preventivo, como pode ter um efeito pedagógico.

Eu sinto-me bem como um ex-AVC e espero que as pessoas me continuem a compreender e me continuem a amar.

jpv


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Do AVC – 8/9

Foto por Jafete. Composição.

Mudamos o nosso olhar sobre os outros

Os mais novos são tidos com o sendo mais impacientes, é como se fossem uma versão de nós há muitos séculos atrás.

É preciso dar-lhes essa atenção, mas conjugá-la com paciência. Ás vezes, não têm razão só porque estão muito apressados, ou demasiado à frente.

É preciso ter a dor de dar a vez em vez de tomar a luz para os corrigir. E, assim, eventualmente, marcamos um calendário.

E é preciso ter paciência para com os que nos tratam mal. Não acredito que haja alguém com a intenção de fazer mal a um AVC. Mas o desconhecimento e a incompreensão do que se passa em determinada situação pode levar isso.

Os AVC tem o dom da paciência porque já viram tudo, em particular, a morte a bater à porta

jpv


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Do AVC – 7/9

Foto por jpv. Leiria.

Pensamos a vida numa outra perspetiva

Por vezes, há um certo tom de acalmia, Vê lá tens de viver com calma, é preciso distinguir entre estas duas coisas. Uma é viver com mais, como se fossemos uns colecionadores de tempo, outra é viver melhor, no sentido de que cada momento contar. Nós, vítimas de AVC, queremos viver melhor.

Entre a minha casa e o mar distam quatro quilómetros e às vezes vamos ver o mar, mas é tanta coisa até chegar junto dele. Uma infinidade de pássaros que conta, o sol, as nuvens, a companhia, tudo tem de ser mais lento para que se viva, efetivamente, mais.

Há, sobretudo nos jovens, uma ânsia de conquistar. Conquistar uma paisagem não vista e um animal raro. Isso será bom, não duvido, mas há muito que perdemos o gosto pelo conquistado. Aquilo que já é nosso e nos resta saborear. Assim, como uma sombra no meu quintal.

Depois, há a emergência dos projetos. Tantos planos se fazem. E esgota-se, por entre as mãos, num instante miraculoso, só no momento. Tudo é mais urgente, se for vivido com calma. A pressa não é uma urgência. Porque é um desperdício. Urgente é viver um momento de cada vez isso e saboreá-lo até não poder mais.

jpv


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Do AVC – 6/9

Foto por Cláudia. Pedrógão.

Estamos, para sempre, doentes.

Não vale a pena lutar contra isto. Não vai valer a pena. Vale mais afirmar-se pelo que se é capaz de fazer, do que tentar provar que não está doente. Uma vítima de AVC é para sempre um doente. Ele pode fazer o pino, tocar piano, enquanto joga a bola e joga xadrez, ele será, sempre, um doente de AVC. Aquilo pega-se à pele, como uma outra pele.

O afastamento de que somos alvo, para nosso bem, a notícia que ficou para que o fim, aquele acertar de passo que os colegas têm no corredor, Estás melhor? Como tu estás a sentir-te, hoje? Estás cansadito, não é? Façamos o que façamos, há está reposta que está por detrás destas perguntas que vão surgindo no cotidiano? O AVC.

Estão a ver aquelas placazinhas que as pessoas trazem ao peito, eu acho que deveria haver uma que dissesse AVC e pusesse na lapela. Muitas questões havia de evitar. Pelo menos, para quem gosta de fingir as questões.

jpv


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Do AVC – 5/9

Foto por Cláudia. Coimbrão.

Nunca mais seremos dignos de confiança

As pequenas coisas que marcam o nosso dia a dia. Os outros confiam como se percebêssemos muito de um assunto mas, na verdade, são só coisas que pautam a nossa existência. Ora, quando passamos por um AVC é como se tivessemos de fazer um exame sobre essas pequenas coisas

Conduzir um automóvel? Quem vem connosco? Quem tem coragem de vir connosco? E quando dizemos que tivemos um AVC durante a viagem agarram-se muito agarradinhos.

Ele esqueceu-se ou é mesmo assim? Nós, doentes do AVC, podemos ter perdas de memória, mas não nos tornamos uns desmemoriados. Eu tive uma a fazia grave. É normal que me esqueça de uma outra palavra, mas no discurso fluente que eu diria que ninguém nota diferença.

Passwords? Seja numa escola, seja no multibanco, às vezes hesitamos. É só darem-nos um pouco mais de tempo. Elas vão vir.

Quem é? Deixamos de ter um cuidado tão grande com as folhas de Excel, e com as listas de alunos. Nós sabemos quem eles são. Sem problemas mas não nos peçam para identificar os todos.

Para já, ficam aqui algumas das experiências quanto à memória. Quando passo por estas coisas, fico sempre a pensar que num AVC ninguém confia.

jpv


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Do AVC – 4/9

Universidade de Coimbra

Os outros mudam o olhar sobre nós

Indulgência. Condescendência. Tolerância.

É isto. É só uma coisa. Uso as três palavras porque são as mais usadas, parecidas pelo menos. Não ao pé de nós. Nunca dizem. A primeira forma de condescendência é, Coitado nunca mais será o mesmo. Ou pior. Há mesmo os que vão mais longe, Coitado nunca mais será o mesmo qualquer dia dá-lhe um enfarte. Diz-se tanta coisa. Pensa-se tanta coisa. E quase todas são erradas. Precipitadas. Mesmo quando feitas por bem.

Há os que não estão contra nós. Ignoram-nos. Por exemplo, há pessoas que nem sabem o que quer dizer AVC. E é a doença que mais mata em Portugal. Estão ocupados com as suas vidas. Há outras pessoas que sabem muito bem. Tão bem que até querem distância. Tive uma série de amigos que deixaram de o ser. Deixaram de me visitar. Fizeram de conta que estava morto. Depois há os que nos discriminam porque se o tivemos é porque comíamos demais. E eu a apetecer-me dizer que, É um AVC provocado pelo sono, palerma.

Muitas pessoas também me deram distância. E houve outras que até um processo disciplinar me abriram. Por acaso, eu não sabia bem o que era um processo disciplinar. Mas em frente. Depois há os que não entendem porque é que tenho menos turmas, considerando menos turmas a três que tenho. E eu não disse nada. Fui recuperando e desejando que tudo melhorasse. Assim como melhorou. E, por fim, há quem não compreenda o tempo que não tenho mais aulas. Estranham o facto de só ter três turmas. Como se fosse a mesma coisa. Como se o meu cérebro respondesse à mesma velocidade. É preciso descansar entre aulas. E o estar cansado é muito mais fácil de conseguir. É uma incapacidade que sentimos e nos corrói a alma. É algo que não se anuncia.

Num determinado dia, não interessa qual, eu fico muito cansado. Mas o corpo resiste. Quando chego a casa, só quero é dormir. E durmo. Nós somos vítimas de nada. Mas cansamo-nos. Uma TV ligada, às vezes, é o suficiente. Assim como uma pessoa. Um tom de voz. Não são vinte e quatro. É só uma. Mas somos fortes.

E depois, quem tem uma escola como eu tenho, onde impera a camaradagem e as pessoas fazem questão de saber, questão, efetivamente, de saber, como estou, tudo fica mais fácil. Sim.

Os outros mudam o olhar sobre nós, mas não há muito a fazer quando isso. É assim. Tenho de me inteirar que agora não sou o professor João Paulo Videira. Agora, sou só o professor João Paulo Videira. Houve tempos em que as pessoas abriam alas para eu passar. Agora, sou só mais um. Provavelmente, nem deveria de o ter deixado de ser.

jpv


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Do AVC – 3/9

Foto por Cláudia. Hydra. Grécia.

Diz-se o que se pensa

Literalmente. Durante algum tempo. Mas há coisas politicamente incorretas que vieram para ficar. Que se lixe!

Era uma espécie de falta de paciência à mistura com aquela espécie de medo, que não era só espécie, de estarmos a demorar muito para nos lembrar o que dizer. Houve um dia que a Dr.a Marta disse, Tem de dizer com calma, eu sou um paciente de AVC, e vai ver que as pessoas ficam mais calmas. Duplo erro. Dizer às pessoas que eu tenho um AVC só as faz fingir que têm calma. Segundo erro, agora tenho de aturar este mais o AVC dele. A Dr.a Marta era bem intencionada. Mas foi das pessoas que mais sofreu comigo. Por um lado, porque eu falava muito com ela, em segundo lugar se não te queres queimar afasta-te de lume.

Eu acho, mas desconfio, que fui sempre simpático com ela. Mas lembro-me, remotamente, como eu lhe atirava com umas coisas muito específicas sobre os gregos e os romanos ou como os problemas de língua eram sempre tão problemáticos. A senhora, dona de uma paciência de gigante, metia-a vezes sem conta em becos sem saída.

Um dia visitou-me um primo que tinha vendido a casa em Sesimbra, e comprado outra em Leiria e feito a mudança, e eu, sem quê nem para quê, vai de mostrar-lhe que as vantagens de mudar de agência. Fez-se um silêncio ao que eu percebi que talvez tivesse falado demais. E foram tantas as vezes que eu passei os limites que, às tantas, reparei que Cláudia repetia muito, Sabe, ele ficou assim desde o AVC, parece que não tem filtros.

Não é falta de educação. De forma alguma. É um fenómeno que apanha algumas vítimas da afasia e que consiste quando se recupera parcialmente a voz, os atos de fala não são tão controlados. E há depois um fenómeno que está relacionado diretamente com afasia. Para uma pessoa que esteve sem falar, fazê-lo sabe a conquista. Ora, por vezes, nessa ânsia de dizer, surgem palavras que não são exatamente iguais ao que se queria dizer. É claro que quem ouve percebe, mas percebe também, que foi uma escolha vocabular ao lado.

Daí ser importante dizer no início que se é afásico, na sequência de um AVC. Ora, quando um AVC diz o que se pensa ele pode estar a dizer parecido com o que se pensa, e expressar-se ou, simplesmente, a dizer exatamente o que pensa.

Portanto, já sabem, Têm de dizer com calma, eu sou um paciente de AVC.

jpv


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Do AVC – 2/9

Universidade de Coimbra

Nunca mais se é o mesmo

As pessoas mudam. Embora haja muita gente, talvez demasiada gente, que acredite que as pessoas não mudam, as pessoas mudam mesmo. Não sei se por se tratar de uma experiência quase morte, ou, então, para um ser humano ver a morte a aproximar-se, fá-lo mudar as suas perspectivas, e depois destas, há peças do puzzle que mudam de sítio. Ou então, como um mestre de xadrez, tem o artifício de mudar pequenas grandes coisas como um cérebro humano.

Eu acho que nunca mais fui o mesmo. Uma paisagem é um dom, ter água é uma benção, ter a liberdade de abraçar os que ama, fazer amor com toda a força. Dizer o que se pensa, sem rodeios. Tudo isso são coisas que mudam. O dinheiro deixa de ter a importância que tinha. Tudo pode mudar. Quando se vive assim um fenómeno, tudo aquilo a que damos importância é revalorizado e empilhado nas nossas gavetinhas destinadas às coisas importantes. Gostamos dos outros. Claro. Mas passamos a apreciarmo-nos melhor. Como se o deusinho do egoísmo fizesse um truque mágico e qualquer coisa de dentro se transformasse. Não ficamos egoístas. Mas temos uma noção diferente dos outros e das nossas vidas. É como olhar um avião e dizer Tanta gente que corre o risco de morrer ou dizer exatamente a mesma coisa e acrescentar viver em em vez de morrer.

E chorar. Choras até não poder mais quando reparas que acompanham o nosso sofrer. Lembro a Cláudia. O que ela sofreu para se ajustar a uma nova realidade e eu a dizer-lhe que não havia nova realidade coisa nenhuma. O que ela teve de adaptar-se. Eu não posso falar pelos outros, e não farei. Mas assumiria que quem nos ama também muda por dentro.

Eu fui à terra dos que não falam e voltei. Quando lá cheguei era como todas as outras. Não falava. Depois, quando regressei, reparei que tinha estado sem falar, e o que dizia agora tinha um tom diferente. Tinha uma intenção diferente. A Cláudia assistiu a isso. A Isabel também. E a Dr.a Marta também, só esta última sabia que eu não voltaria a ser o mesmo. Nunca mais.

jpv


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Do AVC – 1/9

Foto por Ângela. Livraria Arquivo. Leiria.

INTRODUÇÃO

Dois anos e sete meses passaram desde que tive o AVC.

Tenho alguns poemas escritos sobre o assunto. E tenho um texto em prosa. Fadas e Gnomos.

Agora, resolvo abrir-vos as portas para vos aperceberdes do que passa uma vítima de um AVC. As esperanças de recuperação, a violência do que não é para recuperar, os saltos que se tenta dar e as vezes que se tem de andar para trás, e a autossuperação. Sem avisos. Umas vezes recupera-se, e julgamo-nos heróis, outras vezes parece que o problema veio para ficar. Estas coisas têm maior rigor do que pensávamos. Nem somos heróis numas, nem uns desgraçados noutras.

O meu AVC foi em Cabo Verde. Com as consequências que isso traz. As pessoas foram muito simpáticas, mas não podiam fazer mais. As máquinas estavam aqui, em Portugal, e também a medicação. Esperei os dez dias. E finalmente voei. Estive, então, seis dias internado, e quatro dias à espera. Um doente de AVC deve ser atendido até um máximo de três horas. Em Cabo Verde esperei dez horas e em Portugal esperaram onze dias por mim.

Fiquei com uma afasia total. Não era capaz de dizer nada. Nem mesmo o meu nome. Eu sabia-o, mas quando mo perguntavam saía nada. Fiquei com o lado esquerdo da cara parado. Daí aquela coisa estúpida de estar a comer e a babar-me. E por dentro, o cérebro, teve mais umas quantas coisas. Tomo sete medicamentos por dia. E sou um homem feliz.

O que agora retiro desta experiência, e que publicarei, são só impressões, coisas do dia. Para ciências, falem com um médico.

  1. Introdução.
  2. Nunca mais se é o mesmo.
  3. Diz-se o que se pensa.
  4. Percebemos que os outros mudam em relação a nós.
  5. Nunca mais somos dignos de confiança.
  6. Estamos para sempre doentes.
  7. Pensamos a vida numa outra perspetiva .
  8. Mudamos o nosso olhar sobre os outros.
  9. O que um AVC pode ter de bom.

jpv