
Foto por jpv. Leiria.
Pensamos a vida numa outra perspetiva
Por vezes, há um certo tom de acalmia, Vê lá tens de viver com calma, é preciso distinguir entre estas duas coisas. Uma é viver com mais, como se fossemos uns colecionadores de tempo, outra é viver melhor, no sentido de que cada momento contar. Nós, vítimas de AVC, queremos viver melhor.
Entre a minha casa e o mar distam quatro quilómetros e às vezes vamos ver o mar, mas é tanta coisa até chegar junto dele. Uma infinidade de pássaros que conta, o sol, as nuvens, a companhia, tudo tem de ser mais lento para que se viva, efetivamente, mais.
Há, sobretudo nos jovens, uma ânsia de conquistar. Conquistar uma paisagem não vista e um animal raro. Isso será bom, não duvido, mas há muito que perdemos o gosto pelo conquistado. Aquilo que já é nosso e nos resta saborear. Assim, como uma sombra no meu quintal.
Depois, há a emergência dos projetos. Tantos planos se fazem. E esgota-se, por entre as mãos, num instante miraculoso, só no momento. Tudo é mais urgente, se for vivido com calma. A pressa não é uma urgência. Porque é um desperdício. Urgente é viver um momento de cada vez isso e saboreá-lo até não poder mais.
jpv