Mails para a minha Irmã

"Era uma vez um jovem vigoroso, com a alma espantada todos os dias com cada dia."


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Do AVC – 5/9

Foto por Cláudia. Coimbrão.

Nunca mais seremos dignos de confiança

As pequenas coisas que marcam o nosso dia a dia. Os outros confiam como se percebêssemos muito de um assunto mas, na verdade, são só coisas que pautam a nossa existência. Ora, quando passamos por um AVC é como se tivessemos de fazer um exame sobre essas pequenas coisas

Conduzir um automóvel? Quem vem connosco? Quem tem coragem de vir connosco? E quando dizemos que tivemos um AVC durante a viagem agarram-se muito agarradinhos.

Ele esqueceu-se ou é mesmo assim? Nós, doentes do AVC, podemos ter perdas de memória, mas não nos tornamos uns desmemoriados. Eu tive uma a fazia grave. É normal que me esqueça de uma outra palavra, mas no discurso fluente que eu diria que ninguém nota diferença.

Passwords? Seja numa escola, seja no multibanco, às vezes hesitamos. É só darem-nos um pouco mais de tempo. Elas vão vir.

Quem é? Deixamos de ter um cuidado tão grande com as folhas de Excel, e com as listas de alunos. Nós sabemos quem eles são. Sem problemas mas não nos peçam para identificar os todos.

Para já, ficam aqui algumas das experiências quanto à memória. Quando passo por estas coisas, fico sempre a pensar que num AVC ninguém confia.

jpv