Agora, parece-me que persiste uma situação onde os alunos são prejudicados, onde os professores são prejudicados, onde as Direções são prejudicadas, onde os pais dos alunos são prejudicados, e o Ministro não pode ser aquele que segue a marchar certo e os outros todos estão errados. Há que tirar responsabilidades e essas são, em última análise, do Ministro da Educação, Dr. Fernando Alexandre.
É preciso que se vá. E é preciso que de entre tanta coisa boa que quis fazer, e algumas fez, o certo é que, malogradamente, será lembrado como o Ministro da salganhada das provas.
Afinal estas provas que mereciam o maior respeito, onde a capacidade de ao menos calcular quantas seriam era o mínimo, e sob uma capa de processo infalível, temos caixotes e caixotes de provas amontoadas num armazém.
Um fenómeno dantesco, cuja comparação com a Idade Média é um abuso para com a Idade Média e a sua capacidade de organização.
Este ministro já não é. Só ele ainda não sabe, mas efetivamente já não é.
Foi interessante conhecê-lo, mas devia olhar à sua volta e pensar que os testes, como os concebeu, foram primeiro desenhados e implementados por Henry Ford. Mas nesse tempo corrigiam-se com uma régua de soluções. Não se pode andar para a frente quando o processo gera soluções antigas e trabalhosas, mais do que as que temos. A nossa ambição pessoal não pode exceder as capacidades dos serviços. As imagens que circulam na internet são, no mínimo, grotescas. Pessoas a fazer algo que não está nas suas atribuições, separar provas, como se disso dependesse a sua vida.
Os homens medem-se pelo tamanho da sua arte. Quem te visse, diria que ia ali um homem normal. Mas não era normal o cérebro que imaginava as coisas que tu imaginavas e oferecia às tintas como se fosse uma dádiva. Tu amavas dar-te. Mas amavas outra coisa também: as crianças. E foi por causa de uma criança que eu conheci aquilo a que chamavas casa. Longe de Maputo, das mulheres que apregoavam fruta, e dos homens indolentes, que eu vi a tua verdadeira casa. Desenhada por se entrar. As tuas coleções privadas de amigos satisfeitos. Foi no Bilene que nos deixaste mais triste. Uma tristeza como a tua passagem pela vida.
Mas não haverá choros. Nem as velhas se sentarão à sua volta chorando a sua morte.
Quatro crianças e um adulto. Não serão precisos muitos matemáticos para prova de que o acidente vai acontecer. Olhai lá, tende cuidado uns com os outros, ecoava a voz da mãe. Mulher de armas que suportara o marido, os filhos, e se esquecera da sua existência. E ali estavam, como todos os dias, dias de brincar, com o tempo todo do mundo para o que desse e viesse. E veio a morte.
Mas sabem como eram os dias nos anos sessenta, sobretudo na África do Sul, as regras éramos nós que as fazíamos. Era engraçada a forma como brincávamos, uns atrás dos outros, à apanhada, corridas por fora e dentro da casa, sobretudo, para as duas meninas e o rapaz. A mais pequenina tinha somente dezassete meses, donde se adivinha, a já não era pouco, seguia os outros gatinhando pelo chão. E era no chão, ou junto a ele, que se encontravam as suas brincadeiras. E a mãe por ali, nos seus afazeres, ocupada com as roupas, as de vestir, e as das camas, o jantar para preparar, ia deitando um olho às crianças. Neste meio de harmonia, espreitava o diabo, ou a morte, ou lá quem fosse, aquele que olha a harmonia para estragá-la. E enquanto brincavam, o rapaz dava ordens, e as irmãs desobedeciam-lhe, e a mãe tirava a sopa, a bebé caminhava para trás de um sofá, onde estava um aquecedor, e ela com curiosidade infantil mexeu naquela coisa e nada lhe aconteceu, até meter a mão por baixo, encontrou fios descarnados, mas isso sou eu a dizer porque a pequenita já não notou. Cruzando a sala a mãe viu-a. Morta. No chão. Deitada. Foi tão forte a sua dor, o seu desespero, que pronunciou uma frase que ficaria nas histórias dos pedidos de ajuda ao criador. God help this helpless fool. Deus, ajuda esta tola que não merece a tua ajuda. E num repente, com uma criança morta entre as mãos, uma entidade abriu os olhos, e decidiu que a morte nem o seu amigo levariam a melhor.
É uma família pobre, informação sobre como uma criança que morrera há pouco, não havia. Não havia ainda. Nem nets, nem telefones que piscam as informações, nem TV para além das notícias que passavam à noite não diziam nada sobre o assunto. Olhe, se tiver uma criança com dezassete meses e ela enfiar a mão num aquecedor e apanhar fios descarnados à solta, faça assim e assim. Imaginação. Tinha a criança morta nas suas mãos e só lhe ocorreu aquele pedido de ajuda que era ao mesmo tempo uma assunção de culpa, God help this heplees fool… E levantou uma mão, não sabia se para pedir ajuda, que ajudassem, ou em última análise para bater-lhe, quem sabe, ela acordasse como se um Deus lhe dissesse vai e vive. E fechou a mão, e zás. Atingiu-a com quanta força pode. Nada. Outra vez a mão no ar, com mais força ainda, e nada… está morta, pensou. Mas as coisas cruzaram-lhe a mente e como se diz, à terceira é de vez, e ela encheu o seu punho com quanta vida conseguiu encontrar, com quanta esperança, com quanto desespero, e tudo o que tinha na vontade para que aquela criança sobrevivesse, e deu-lhe um terceiro soco, em cheio no peito. A menina não acordou devagar. Foi mesmo como se tivesse recebido um soco, tivesse recebido um sopro de vida. Ahh, ahh, ahh… e abriu os olhos, olhou em volta e só depois decidiu chorar.
Ficou-lhe um coto. Do dedo eletrocutado. Foi mudando de nome à medida que o tempo passava. A mãe puxou-o para si e de imediato o dedo caiu-lhe. Durante um tempo tinha uma pequena unha. Sue, com o seu humor mordaz, Vê lá se eu te apanho com o meu dedinho do diabo. E apontava-o em tom de ameaça.
E contada a história, penso que talvez, seja uma história divina. God helped this helplees fool.
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