Mails para a minha Irmã

"Era uma vez um jovem vigoroso, com a alma espantada todos os dias com cada dia."


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Visões de uma Escola – 10/12

Alunos

Os alunos ocupam um lugar central na escola porque a instituição existe, em última análise, para lhes proporcionar crescimento intelectual, emocional e social. Ser aluno é, portanto, ao mesmo tempo um estatuto formal e um processo interno de construção de identidade.

Foto por jpv. Aluno rezando antes das aulas. Moçambique.

No nível mais imediato, o papel geral do aluno implica responsabilidade para com a própria aprendizagem. Desenvolver hábitos de estudo, gerir o tempo, procurar clarificar dúvidas e transformar a curiosidade, ou a inércia, em projetos concretos de progressão.

Mas há uma dimensão mais profunda. Ser aluno significa viver uma tensão permanente entre dependência e autonomia. Dependência, porque precisas de orientação, estrutura e recursos. Autonomia, porque a aprendizagem genuína só acontece quando se assume a iniciativa de pôr à prova ideias, de errar e de refletir sobre os erros. Reconhecer essa tensão e aprendê‑la é parte do crescimento ético e cognitivo que a escola deve fomentar.

Quando se fala de indisciplina, não basta enumerar comportamentos. É preciso escavar as razões internas e contextuais. Indisciplina pode ser sintoma de desmotivação face a conteúdos irrelevantes, de frustração por não acompanhar o ritmo, de busca de poder quando o ambiente reprime a voz do aluno, ou de questões pessoais que desviam energia para a sobrevivência emocional. Assim, o papel do aluno perante a indisciplina deveria ser duplo. Evitar atitudes que prejudiquem a aprendizagem coletiva e, simultaneamente, responsabilizar‑se por compreender e remediar as causas do seu comportamento. Isso implica vontade de auto-observação, perguntar‑se por que age assim, que necessidades não estão satisfeitas, e disposição para aceitar intervenções restaurativas que promovam aprendizagem social, não apenas punição.

A verdadeira mudança exige que o aluno participe conscientemente no processo de reparação, reconhecendo o impacto das suas ações sobre os outros e comprometendo‑se com novos comportamentos.

Alunos que me contactaram pelo meu AVC.

Quanto aos espaços e equipamentos da escola, BECRE, laboratórios, salas polivalentes, o papel do aluno ultrapassa o de mero consumidor, deve ser um guardião e um co‑criador do ambiente comum. Isso significa práticas concretas, cuidar do material, respeitar regras de uso, e atitudes intelectuais. Frequentar a BECRE com objetivos de investigação, aprender a usar fontes, a avaliar a qualidade da informação e a produzir conhecimento ético, citar fontes, evitar plágio. Mais ainda, o aluno tem aquí uma responsabilidade cívica. Por opor recursos que satisfaçam necessidades da comunidade, organizar círculos de leitura ou clubes, e incitar à democratização do acesso aos saberes.

Quando os alunos assumem esses papéis, transformam espaços passivos em ecossistemas vivos de aprendizagem. Na turma, o papel do aluno é essencialmente relacional.

A turma é uma micro‑sociedade onde se praticam regras de convivência, solidariedade e negociação. Ser membro responsável da turma implica contribuir com trabalho cooperativo, respeitar compromissos coletivos e assumir papéis de liderança quando necessário, não só na frente, mas também nos bastidores. Ajudar colegas com dificuldades, moderar conflitos e zelar pelo clima. Existe aqui um exercício contínuo de inteligência social. Compreender quando intervir, quando escutar, quando ceder.

Aprender a colaborar torna‑se, portanto, treino para a vida democrática. Negociar diferenças, aceitar contradições e construir decisões partilhadas.

Na aula, o seu papel é epistemológico e prático. Participar ativamente no processo de produção de conhecimento. Isso envolve presença cognitiva, atenção orientada, questionamento crítico, tentativa de explicitar pressupostos, e responsabilidade afetiva. Respeito pelos colegas e pelo docente. A aula é o terreno para experimentar hipóteses, prestar e receber feedback e desenvolver a resiliência intelectual. Aceitar que a compreensão profunda exige esforço estratégico, rever estratégias de estudo, e saber pedir ajuda específica. Aluno ativo é aquele que não se limita a responder por instinto, mas procura entender o porquê das soluções e das estratégias propostas.

Foto por jpv. Pormenor da ESDS.

Perante problemas nas aulas, seja confusão metodológica, falta de clareza, ou desconfortos relacionais, o papel do aluno é de interveniente reflexivo. Em vez de permanecer passivo ou reagir impulsivamente, deverás sinalizar problemas com precisão, o que não entendi? quando ocorreu?, propor alternativas e participar na construção de soluções. Essa atitude transforma‑o de consumidor da aula em parceiro do processo educativo. Contribui para melhorar o design instrucional e, simultaneamente, aprendes a negociar expectativas e a gerir frustrações.

Relacionando-o com os professores, o papel do aluno combina respeito pela autoridade académica com coragem crítica. Os professores trazem conhecimento, experiência e estrutura, merecem respeito e disciplina nas interações. Mas o diálogo crítico é igualmente necessário. Questionar de forma respeitosa, fornecer feedback sobre o que facilita a tua aprendizagem e colaborar na co‑construção de atividades mais eficazes. Essa dinâmica exige maturidade. Saber expressar discordância com argumentos, não com agressividade, saber aceitar críticas e transformá‑las em planos de melhoria. Assim, a relação aluno‑professor é uma aliança epistemológica em que ambos têm responsabilidades morais e cognitivas.

Face ao Diretor de Turma, o aluno tem um papel mais institucional e de mediação. O Diretor de Turma funciona como coordenador das dinâmicas coletivas e elo entre escola e família. Portanto, deve recorrer a essa figura para problemas sistémicos, conflitos persistentes, questões de integração, necessidades específicas, participar nas reuniões convocadas e colaborar na implementação de medidas. Há aqui também uma dimensão de confiança. Informar com honestidade e aceitar orientações que visem o bem‑estar coletivo. Ao fazê‑lo, contribui para o governo ético da escola.

No fundo, o papel do aluno é ético antes de ser técnico. Pressupõe a construção de uma identidade de aprendiz responsável, capaz de equilibrar autocuidado e compromisso social.

Foto por jpv. Pormenor da ESDS.

A escola exige que cada um desenvolva autonomia intelectual e empatia social. Quando cumprimos esse papel, contribuímos não apenas para o sucesso académico, mas para a formação de cidadãos capazes de dialogar, inovar e cuidar do comum.

Concluir que o aluno é protagonista é pouco. É preciso reconhecer que ele é também praticante de cidadania quotidiana, aprendiz de si mesmo e do outro, e agente transformador dos ambientes onde aprende. Assumir esse papel exige honestidade, coragem para mudar e disciplina, não só na rotina, mas no pensamento. Reflectir sobre como aprendes, por que reagiste de determinada forma e o que podes fazer amanhã para ser melhor aprendiz e companheiro.

jpv


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Visões de uma Escola – 9/12

Professores

Os professores exercem um papel central e multifacetado na vida escolar, funcionando simultaneamente como planeadores, mediadores, avaliadores, gestores de relações e agentes de transformação social.

Foto por jpv. Dois professores.

No plano pedagógico, cabem‑lhes a responsabilidade de desenhar percursos de aprendizagem coerentes e significativos, partindo de objectivos curriculares, organizam sequências didácticas que articulam conteúdos, competências e métodos, seleccionam recursos adequados, incluindo tecnologias e materiais de apoio, e adaptam actividades para responder às heterogeneidades da turma.

Essa planificação não é estática. Exige revisão contínua à luz da observação formativa, dos resultados das avaliações e das necessidades emergentes dos alunos, pelo que o professor combina pensamento estratégico com flexibilidade prática.

Como mediadores da aprendizagem, os professores transformam saberes abstractos em experiências de compreensão ativa. Não se trata apenas de transmitir conteúdos, mas de provocar questões, modelar raciocínios, fomentar o pensamento crítico e criar oportunidades para que os alunos construam sentido por si próprios. Para isso, utilizam uma variedade de metodologias, ensino explícito, trabalho por projectos, aprendizagem cooperativa, problemas autênticos, e desenvolvem estratégias de diferenciação que permitem respeitar ritmos diversos, estilos de aprendizagem e necessidades educativas especiais.

Foto por jpv. Três professores.

A sua acção mediadora inclui também a promoção de competências transversais. Autonomia, literacia informacional, resolução de problemas e competências socioemocionais, que se tornam objetivos tão relevantes quanto os conhecimentos disciplinares.

A avaliação é outro domínio nuclear da sua função. Para além de atribuir notas, o professor deve conceber sistemas de avaliação formativa que informem o ensino e apoiem o progresso individual. Feedback claro e orientador, rubricas compreensíveis para alunos e famílias, autoavaliação orientada e registos que permitam traçar trajectórias de aprendizagem.

A avaliação eficaz serve não só para certificar, mas para intervir pedagogicamente, identificar lacunas e planear apoios específicos.

No que toca ao clima da sala de aula, os professores são gestores de relações e de ambientes. Criam rotinas, definem expectativas e normas partilhadas, promovem um contexto seguro onde o erro é visto como oportunidade de aprendizagem e onde há respeito mútuo.

Foto por jpv. Uma professora.

A gestão do comportamento, quando bem entendida, combina prevenção, estrutura, tarefas motivadoras, regras claras, com intervenção educativa, restauração, mediação de conflitos, aprendizagem de competências sociais.

Relações positivas professor‑aluno, baseadas em empatia e rigor, aumentam a motivação, reduzem a resistência e potenciam o engajamento cognitivo.

Além da sala de aula, o professor é interlocutor da comunidade educativa. Comunica com as famílias, partilha informações relevantes sobre o progresso e envolve‑as em estratégias de apoio.

Articula‑se com a Direção para alinhar práticas ao projeto educativo e participa em equipas multidisciplinares, orientação, psicologia, serviços sociais, para responder a situações complexas. Essa dimensão colaborativa exige competências de comunicação, negociação e trabalho em equipa, assim como a capacidade de respeitar limites profissionais e confidencialidade.

A profissionalidade docente também se manifesta na formação contínua e na reflexão sobre a prática.

Foto por jpv. O Professor.

Professores eficazes procuram evidência científica, actualizam saberes pedagógicos e instrumentais, experimentam novas abordagens e valorizam a observação recíproca e a partilha entre pares. Essa atitude investigativa transforma a escola num espaço dinâmico de aprendizagem para todos.

Finalmente, os professores desempenham um papel ético e cívico. Defendem a equidade, reconhecem e valorizam a diversidade cultural e social dos alunos, e contribuem para a formação de cidadãos críticos e responsáveis.

Em contextos de restrições ou desafios sociais, tornam‑se, muitas vezes, agentes de estabilidade e esperança, identificando recursos comunitários e promovendo inclusão.

Ser professor implica competências técnicas, sensibilidade relacional, capacidade de organizar e inovar, compromisso ético e vontade contínua de aprender — um conjunto complexo que sustenta, no dia a dia, a missão educativa.

Face à Direção, o seu papel é cooperativo e profissional, devem traduzir as orientações do projeto educativo em ações concretas na sala de aula, comunicar necessidades e resultados com dados e evidências, participar na elaboração e execução de planos e projetos escolares, e assumir responsabilidade pela aplicação de normas e rotinas. Essa relação exige transparência, proatividade e capacidade de negociar recursos, formação e tempo para atividades letivas. Quando bem feita, a colaboração com a Direção resulta em apoio institucional, reconhecimento das práticas eficazes e alinhamento entre objetivos estratégicos e práticas pedagógicas.

Muitos professores.

Perante os pais, o professor é interlocutor educativo e mediador entre a escola e a família. Informa sobre progressos e dificuldades, orienta estratégias de apoio ao estudo em casa, esclarece critérios de avaliação e abre canais de participação. A comunicação deve ser regular, clara, empática e baseada em evidências, valorizando o conhecimento e as preocupações das famílias sem delegar-lhes totalmente a responsabilidade educativa.

Entre professores, espera‑se uma cultura de colaboração profissional, partilha de recursos e metodologias, planeamento conjunto de projetos interdisciplinares, observação e retroação entre pares, e trabalho em equipas para responder a necessidades específicas dos alunos. Esse trabalho coletivo enriquece práticas, evita isolamento e promove coerência curricular e pedagógica em toda a escola.

Os Serviços Administrativos desempenham funções essenciais de suporte. Garantem a legalidade e a organização documental, registos de alunos, processamentos administrativos, matrículas, contratos, gerem finanças e logística, coordenam calendários e comunicados oficiais, e prestam contas às entidades externas. São a interface operacional da Direção, disponibilizando informações úteis para decisão e assegurando que procedimentos burocráticos não impeçam a atividade pedagógica. A sua ação é imprescindível para a continuidade do serviço educativo. Desde o processamento de bolsas e autorizações até à organização de exames e fornecimentos.

Já os assistentes operacionais (ou auxiliares de ação educativa) têm um papel prático e relacional no dia a dia escolar. Zelam pela higiene e funcionamento dos espaços, apoiam a circulação e supervisão de alunos em intervalos, colaboram em atividades de apoio à aprendizagem, sob orientação dos professores, assistem alunos com necessidades específicas em rotinas e ajudam a criar um ambiente seguro e acolhedor.

A articulação entre professores, serviços administrativos e assistentes operacionais é determinante. Cada grupo deve conhecer competências e limites dos outros, partilhar informação relevante, respeitando confidencialidade, e atuar coordenadamente para que decisões pedagógicas possam ser efetivadas sem entraves logísticos.

Foto por Cláudia. Um professor.

Na gestão da indisciplina, a abordagem mais eficaz combina prevenção, regras claras, intervenção consistente e práticas restaurativas. Em primeiro lugar, prevenir através de rotinas previsíveis, normas participadas e projetos que valorizem motivação e sentido das tarefas; quando os alunos percebem propósito e voz, o comportamento problemático tende a diminuir. Regras e consequências devem ser explícitas, justas e conhecidas por todos, construídas com a participação de alunos e docentes para aumentar o compromisso coletivo, e aplicadas com coerência pela equipa docente, com suporte da Direção quando necessário. A resposta à indisciplina deve ser proporcional e focada na aprendizagem do comportamento adequado. Intervenções pedagógicas, releitura de expectativas, atribuição de tarefas que reforcem responsabilidade, mediação entre partes quando há conflitos, e utilização de estratégias restaurativas que promovam reparação, reflexão e reintegração, em vez de punições meramente repressivas.

É crucial diferenciá‑las. Comportamentos resultantes de necessidades educativas, problemas socioemocionais ou condições de aprendizagem exigem avaliação e respostas individualizadas, envolvendo serviços de orientação, psicologia escolar e, se necessário, encaminhamentos externos. A comunicação com as famílias é central. Informar cedo e colaborar na construção de estratégias conjuntas evita escalonamentos e fortalece a aliança educativa.

Do ponto de vista organizativo, a Direção deve promover políticas claras de gestão da disciplina que integrem formação contínua para professores, estratégias de gestão de sala, técnicas de diferenciação e intervenção socioemocional, definir protocolos de atuação multidisciplinar, quando envolver serviços administrativos, assistentes, orientadores e famílias, e garantir recursos para apoio aos alunos com necessidades específicas. É importante também monitorizar e avaliar as medidas adotadas através de indicadores, incidência de ocorrências, evolução do clima escolar, perceções de alunos e professores, ajustando práticas com base em evidência.

Os professores exercem papéis pedagógicos, comunicacionais e colaborativos. Os serviços administrativos asseguram a infraestrutura legal e logística. Os assistentes operacionais mantêm o funcionamento quotidiano e o cuidado direto. E a gestão da indisciplina exige um modelo sistémico que privilegie prevenção, justiça educativa, intervenção pedagógica e a participação de toda a comunidade escolar.

jpv


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Que tipo de aulas?

Quando tinha uma aula para preparar, ou um conjunto de aulas, tinha sempre pela frente diversas opções. Agora, já não perco tempo. É uma mistura saudável das opções disponíveis. Assim…

Foto por Cláudia. Pedrógão.

Aula expositiva: útil para introduzir conceitos, clarificar definições e modelar pensamento. Usar de forma focada e curta, não como único método. Mas não esqueça, a arte de ser um bom apresentador é fundamental.

Aula com apresentação: bom suporte visual e organizacional, vulgo, PowerPoint, serve muito bem para destacar pontos-chave, imagens e esquemas. Evita excesso de texto. Deve ser usado como apoio, não como roteiro.

Aula com recurso ao manual: importante para alinhamento curricular, exercícios e referência. Bom quando combinado com actividades que promovam compreensão ativa. Por outro lado, é um recurso que uniformiza as opções. Já fui muito contra os manuais. Agora, não os largo.

Misturar: Exposição direta (introdução), atividades ativas, discussões, resolução de problemas, microensino, uso de materiais, manual, leituras, e uma síntese ou avaliação.

Princípio: alterna momentos de explicação, aplicação e reflexão.

Avaliação formativa constante: microaulas, feedback e portfólios.

Bem se vê que sou mais pelas aulas mistas! Satisfeitos??

Aceitam-se comentários …

jpv


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Testes, ou não?

A Metodologia da testagem é muito antiga. Recorre aos testes tipo resposta única que Henry Ford implementou nas suas fábricas de automóveis. Além do mais, eram muito mais fáceis de corrigir. Com uma régua deixavam-so só as quadrículas assinaladas visíveis. Estando todas as outras incorretas.

Isto veio dar resposta a um problema sentido no meio da escola. O da massificação e o da necessidade da padaronização. Ora, entrando no tempo e espaço, ocidente e desde o início do século XXI.

No passado temos três grandes escolas. chinesa que recorria a testes para funcionários públicos, a grega e a romana, onde se faziam declarações e demonstrações práticas do saber organizado.

Ou seja os nossos testes nasceram para avaliar mecânicos de automóvel. Com algumas adaptações e recurso a muitas desculpas, chegámos à testagem dos dias de hoje, que não é moderna, nem eficiente, nem avalia nada.

Que fazer então? Cada aula deve ser um motor de conhecimento e aproveitando o currículo, como está, tentar ao máximo diluí-lo dentro das áreas do saber.

E os pais onde são tidos na escola? Para escutar os verdadeiros sabedores das matérias. Há coisas que quando funcionam não se mexe. Uma equipa que joga com o futebol e uma escola que tem bons profissionais.

E é na bondade destes profissionais que vai ser preciso investir. Ao contrário do que se está a fazer completamente. Num país em que a minha forma de avaliar o pão deve ser se ele é bom à mesa, do mesmo modo, a minha forma de avaliar um bom aluno deve ser se ele é bom no que faz.

Dixit.

jpv


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Da Educação para as Pontes


Não há maus alunos, nem alunos maus.
Há jovens que ainda não encontraram o seu caminho e o seu lugar.
E há jovens saudavelmente selvagens que recusam a formatação social e educativa que violentamente lhes queremos  impor.

Onde não houver afeto significativo, não ocorrerá aprendizagem significativa.

De pouco importa saber o que é necessário saber para construir uma ponte sem que caia, se não soubermos, antes de mais, porque é que as pessoas querem atravessar pontes.

joão paulo videira


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FILHOS

Na altura de lançar ao futuro mais uma leva de meninos com quem cresci e ajudei a crescer, recebo, de presente e partilha, por parte de uma encarregada de educação, o poema de Kahlil Gibran que transcrevo abaixo. Uma pérola, uma visão lúcida e brilhante do que são os nossos filhos!

Muito obrigado, CP.

Filhos

Então uma mulher que segurava um bebé contra o peito disse:
«Fala-nos dos filhos.»
E ele disse:


Os vossos filhos não são os vossos filhos.
São os filhos e as filhas da saudade que a vida tem de si mesma.
Eles vêm através de vós, mas não a partir de vós,
E apesar de estarem convosco, eles não vos pertencem.
Podeis dar-lhes o vosso amor, mas não os vossos pensamentos.
Pois eles têm os seus próprios pensamentos.
Podeis abrigar os seus corpos, mas não as suas almas,
Pois as suas almas habitam na casa do amanhã, que não podeis
visitar, nem mesmo em sonhos.
Podeis esforçar-vos para ser como eles, mas não procureis torná-los iguais a vós.
Pois a vida não anda para trás, nem se demora com o dia de ontem.
Vós sois os arcos dos quais os vossos filhos são lançados, quais
flechas vivas, para diante.
O arqueiro vê o alvo no sentido do infinito, e Ele dobra-vos com a
Sua força, para que a Sua flecha voe veloz e para lá do longe.
Deixai que a mão do arqueiro vos dobre como se desenhasse um
sorriso;
Pois assim como Ele ama a flecha que voa e vai, também ama o
arco que é firme e fica.


Kahlil Gibran, in ‘O Grande Livro do Amor


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“A Vida Delas Importa”

Hoje, um aluno de há muitos, muitos anos, publicou um texto que considero oportuno, incisivo e de uma grande lucidez.
O aluno, o Ricardo Rodrigues, menciona-me no seu texto. Não senti orgulho. Ou melhor, senti, mas não foi isso o mais importante.

O que realmente senti foi a responsabilidade do que é ser educador e professor. Nas outras profissões, dão-se respostas imediatas com resultados imediatamente observáveis. Na docência, nada é imediato, mas tudo é estrutural e fundamental.
Naturalmente, este antigo aluno era já, por contexto familiar e dotação pessoal, um jovem com valores e princípios muito bons, contudo, foi o professor, naquele momento, que moldou um traço do pensamento. Algo quer viria a ser importante na construção do pensamento futuro. Os professores fazem isso, moldam o pensamento e constroem a massa crítica das sociedades.

É nestas situações que se vê claramente a relevância de uma profissão muito sacrificada, muito maltratada e muito desvalorizada na nossa sociedade.

O texto do Ricardo Rodrigues vale muito a pena ser lido. Por isso mesmo deixo aqui a ligação!

jpv

Leia o texto do Ricardo aqui:
https://saudeefraternidade.blogs.sapo.pt/a-vida-delas-importa-12841


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Citação de Teor Otorrinoftalmológico

oculos-glasses

“Não me posso esquecer dos óculos, senão não oiço os meus alunos!”

APC