Mails para a minha Irmã

"Era uma vez um jovem vigoroso, com a alma espantada todos os dias com cada dia."


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Visões de uma Escola – 8/12

Conselho de Assistentes Operacionais

Os Assistentes Operacionais desempenham um papel essencial e multifacetado na vida escolar, funcionando como quotidiano atores-chave na execução prática das políticas e rotinas definidas pela Direção e como ponto de contacto quotidiano com a comunidade educativa.

Foto por jpv. Pormenor da ESDS.

Junto da Direção, os Assistentes Operacionais são operadores de implementação. Materializam decisões organizativas, horários, circulação de alunos, vigilância de intervalos, logística de material e manutenção de espaços, garantindo que a escola funcione de forma segura, ordenada e eficiente.

A Direção conta com eles para recolher informação prática do terreno, anomalias de infraestruturas, padrões de comportamento nos corredores, necessidades de limpeza e reposição de materiais, e para traduzir essas observações em propostas ou alertas que orientem intervenções administrativas.

Assim, os Assistentes Operacionais contribuem para a gestão de risco e para a continuidade pedagógica ao assegurarem condições físicas e de segurança que permitem aos docentes concentrar‑se na sua atividade formativa.

Além de executar tarefas técnicas, os Assistentes Operacionais desempenham tarefas de natureza organizativa que exigem autonomia e bom relacionamento com a equipa diretiva. Organizam salas e espaços comuns para atividades e exames, coordenam entradas e saídas em dias de maior afluência, colaboram na gestão de emergência, evacuações, primeiros socorros até à chegada dos serviços especializados, e participam na logística de eventos escolares.

Foto por jpv. Pormenor da ESDS.

A Direção beneficia deste contributo prático não apenas pela execução, mas também porque os Assistentes Operacionais frequentemente conhecem rotinas informais e fluxos humanos que escapam a registos formais, informação valiosa para ajustar horários, fluxos e intervenções pedagógicas.

Para funcionar bem, esta relação exige canais claros de comunicação, registos de reporte e reconhecimento formal de responsabilidades e horários, bem como formação adequada em segurança, primeiros socorros, gestão de conflitos e conservação de espaços.Para a comunidade educativa, alunos, professores, pais e demais funcionários.

Os Assistentes Operacionais são muitas vezes a face mais visível da escola no quotidiano. Velam pela segurança física, zelam pela higiene e cuidam da organização dos espaços onde se dá a aprendizagem e a convivência.

Nos corredores, no refeitório, nas entradas e saídas, cumprem um papel preventivo e de proximidade. Orientam alunos, regulam circulações, alertam para comportamentos de risco e intervêm para evitar situações que possam comprometer a segurança ou o bem‑estar coletivo. A sua presença contribui para a sensação de ordem e cuidado, criando um ambiente propício ao ensino e à aprendizagem.

Quando atuam com cortesia, firmeza e consistência, fortalecem o clima de confiança entre a escola e as famílias, que percebem na manutenção dos espaços e na gestão quotidiana um sinal de profissionalismo e preocupação com os alunos.

Os Assistentes Operacionais também assumem um papel educativo indireto. A sua intervenção em aspetos da disciplina e da convivência, por exemplo, sinalização de comportamentos inadequados, encaminhamento de conflitos ou registo de ocorrências, apoia a ação pedagógica dos professores e dos Diretores de Turma.

Ao reportarem episódios ou padrões de comportamento, colaboram na identificação precoce de necessidades socioemocionais e na articulação com serviços de apoio. Nesta perspetiva, a escuta ativa, o saber comunicar e a capacidade de reconhecer sinais de risco social ou de aprendizagem tornam‑se competências tão importantes quanto as técnicas de manutenção.

Outro aspeto relevante é a sua contribuição para a inclusão e para a equidade. Assistentes Operacionais frequentemente ajudam alunos com mobilidade reduzida, acompanham crianças mais novas em transições dentro do estabelecimento e garantem que espaços e recursos estejam acessíveis. Em situações de vulnerabilidade económica, podem também ser interlocutores na gestão de auxílios materiais, entrega de material, organização de espaços de estudo, mantendo confidencialidade e sensibilidade. Estes gestos práticos têm grande impacto na experiência escolar de muitos alunos, reforçando sentido de pertença e dignidade.

Para maximizar o contributo dos Assistentes Operacionais, é imprescindível que a Direção lhes assegure formação contínua, segurança, primeiros socorros, comunicação, gestão de conflitos, noções básicas de proteção de jovens, atribua responsabilidades bem definidas e reconheça formalmente o seu trabalho, disponibilizando tempos de coordenação, mecanismos de reporte e incentivos.

A integração destes profissionais nas reuniões relevantes, por exemplo, simulações de emergência, briefings sobre eventos ou alterações de fluxo, melhora a coordenação operacional e evita lacunas entre decisão e execução.

Foto por jpv. Pormenor da ESDS.

Também é importante garantir canais de comunicação respeitosos entre Assistentes Operacionais, docentes e família, definindo procedimentos claros para registo de ocorrências, encaminhamento de problemas e solicitações de intervenção.

Existem riscos quando o papel dos Assistentes Operacionais é subestimado ou mal articulado. Falta de resposta a problemas de infraestrutura, descoordenação em exercícios de segurança, esgotamento por carga excessiva de tarefas e falhas na gestão de comportamento e convivência.

Por outro lado, quando são valorizados, coordenados e formados, tornam‑se pilares da vida escolar, promovendo segurança, higiene, inclusão e um ambiente onde a atividade pedagógica pode desenvolver‑se com qualidade.

Os Assistentes Operacionais são muito mais do que pessoal de manutenção dos corredores. São agentes operacionais e relacionais que ligam a Direção à realidade quotidiana da escola e que, pela sua presença e ação, contribuem de forma decisiva para a segurança, o bem‑estar, a inclusão e a organização funcional do estabelecimento.

Uma política escolar que reconheça, forme e integre estes profissionais com clareza de funções ganha em eficácia organizativa e em qualidade educativa.

jpv


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Visões de uma Escola – 6/12

Direção Intermédia: Biblioteca Escolar

O Conselho da Biblioteca Escolar e do Centro de Recursos Educativos assume um papel estratégico e operativo que liga diretamente a Direção às práticas quotidianas de ensino, aprendizagem e mediação cultural, funcionando como instância de planeamento, articulação e legitimação de políticas de leitura, literacia informacional, recursos digitais e serviços de apoio pedagógico.

Foto por jpv. Pormenor da Biblioteca Escolar.

Junto da Direção, o Conselho traduz as orientações do projeto educativo em programas concretos. Formula planos de aquisição e conservação do acervo físico e digital, propõe orçamentos e calendários de atividade, define políticas de empréstimo e acesso, e sugere critérios para a integração curricular dos recursos.

Fornece à Direção diagnósticos fundamentados sobre necessidades materiais e humanas, indicadores de utilização e impacto, e propostas de ação que permitem tomar decisões informadas sobre investimentos, horários e parcerias.

Ao oficializar protocolos com instituições externas, bibliotecas públicas, universidades, centros de investigação, entidades culturais, o Conselho facilita a obtenção de serviços complementares e recursos especializados, potenciando a capacidade da escola de responder a desafios pedagógicos e sociais.

Na escola, o Conselho atua como catalisador da integração entre biblioteca/centro de recursos e comunidade educativa. Promove projetos de animação da leitura, literacia mediática e competências digitais que articulam professores, alunos, famílias e técnicos; organiza formações para docentes sobre utilização pedagógica de fontes, avaliação de projetos de investigação e inclusão de recursos multimodais nas secções curriculares; e fomenta atividades participativas, clubes de leitura, oficinas de informação, exposições temáticas, pares tutores, que transformam o espaço num laboratório de aprendizagem transversal.

Foto por jpv. Pormenor da Biblioteca Escolar.

Ao coordenar a oferta de recursos e serviços, o Conselho garante que a biblioteca e o centro sejam mais do que depósitos de material. Sejam ambientes activos de ensino, pesquisa e cidadania, acessíveis a diferentes idades, níveis e necessidades educativas.

O papel pedagógico do Conselho é também de mediação técnica. Harmoniza critérios de seleção e descarte do acervo, assegura políticas de preservação e catalogação, promove o acesso ético à informação e orienta práticas de referência bibliográfica e direitos de autor.

Em contexto de sobrecarga informacional, é responsável por promover a literacia crítica, ensinar a avaliar fontes, a combater desinformação e a trabalhar com diversos formatos mediáticos, reforçando competências transversais essenciais ao século XXI.

Paralelamente, coordena o desenvolvimento e a manutenção de infraestruturas digitais, bases de dados, repositórios, plataformas de empréstimo e de recursos educativos abertos, garantindo acessibilidade e continuidade educativa em contextos presenciais e remotos.

Na relação com a comunidade escolar, o Conselho assume um papel de inclusão e equidade. Desenha estratégias para diminuir barreiras de acesso, empréstimo domiciliário adaptado, horários alargados, serviços de apoio a alunos com necessidades específicas, articula ações com famílias, sessões de mediação de leitura, guias de apoio ao estudo, e aproxima a escola ao território, envolvendo instituições culturais e sociais em projetos colaborativos.

Foto por jpv. Pormenor da ESDS.

A sua presença contribui para fortalecer a imagem da escola como espaço cultural, fomentando participação parental e parcerias que enriquecem oportunidades de aprendizagem.

Avaliação e formação são componentes centrais da sua função. O Conselho organiza-se de forma representativa, técnicos de biblioteca/centro, Direção, docentes de várias áreas, alunos, encarregados de educação e parceiros externos, estabelece mecanismos formais de reporte à Direção, define indicadores de avaliação, utilização, impacto na literacia, projetos implementados, e promove formação contínua da equipa técnica e dos docentes em literacia informacional, curadoria de recursos e gestão de espaços educativos.

Estas condições garantem que recomendações não fiquem apenas em papel, mas se transformem em práticas sustentáveis e mensuráveis.

Quando eficaz, o Conselho fortalece a coerência entre projeto educativo, práticas de sala de aula e recursos disponíveis, elevando a qualidade pedagógica, promovendo inclusão e formando cidadãos críticos e autónomos.

Se negligenciado, corre‑se o risco de subutilização dos recursos, fragmentação de iniciativas e perda de potencial educativo. Por isso, a Direção deve reconhecer-lhe autonomia operacional suficiente, dotá‑lo de tempo e recursos e integrá‑lo nas decisões estratégicas da escola, de modo que a biblioteca e o centro de recursos deixem de ser meros espaços e passem a ser motores de inovação pedagógica, coesão comunitária e democratização do acesso ao conhecimento.

jpv


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Visões de uma Escola – 4/12

Direçao Intermédia: Conselho de Grupo

Os Conselhos de Grupo e Departamentais assumem um papel estratégico e operativo determinante na governação pedagógica da escola, funcionando como estruturas de mediação entre a Direção e os docentes, espaços de construção coletiva do currículo e motores da coerência científico‑didática.

Foto por jpv. Castelo de Leiria.

Junto da Direção, estes Conselhos transformam orientações institucionais em planos curriculares concretos e exequíveis: analisam as diretrizes do projeto educativo, traduzem‑nas em objetivos de ensino por disciplina ou área, propõem ajustes de organização curricular (sequências didáticas, cargas horárias, prioridades temáticas) e apresentam diagnósticos sustentados por evidências sobre desempenho, necessidades de formação e recursos materiais.

Exercem um papel consultivo qualificado, sugerem políticas de avaliação, critérios de promoção e instrumentos de monitorização, e, simultaneamente, um papel de execução: colaboram com a Direção na calendarização de atividades, na articulação interturmas e na implementação de projetos transversais, garantindo que as decisões estratégicas tenham correspondência com a prática de sala de aula.

Para a Direção são também interlocutores privilegiados na identificação de problemas e oportunidades pedagógicas. Os Conselhos sistematizam informação sobre resultados, lacunas de aprendizagem e tendências disciplinares, propondo intervenções específicas (mesas redondas, ações de recuperação, projetos de enriquecimento curricular) e delineando indicadores de sucesso. Essa capacidade analítica reduz a assimetria informativa entre gestão e sala de aula, conferindo maior legitimidade às decisões e favorecendo uma liderança partilhada.

Foto por jpv. Pormenor de livro.

Em contextos de mudança, revisão de currículo, adoção de novas metodologias, integração de recursos digitais, os Conselhos desempenham a função crítica de planear fases de implementação, prever impactos sobre organização e formação docente, e desenhar mecanismos de avaliação e ajuste.

Na relação com os outros docentes, os Conselhos são núcleos de coordenação pedagógica e profissionalização coletiva. Promovem a coerência interna: articulam conteúdos e competências entre anos e disciplinas, harmonizam critérios de avaliação e asseguram progressões curriculares que evitem repetições desorganizadas ou lacunas.

Constituem também fórum de partilha de práticas, onde se debatem sequências didáticas, instrumentos de avaliação e estratégias de diferenciação para responder à diversidade. Ao institucionalizar momentos de trabalho colaborativo, elaboração conjunta de planos de turma, observação entre pares, análise de provas comuns, fomentam cultura de melhoria contínua e responsabilidade coletiva sobre os resultados de aprendizagem.

Os Conselhos têm ainda papel central na formação contínua dos docentes. Identificam necessidades formativas a partir de evidências do terreno e planeiam ações concretas, sessões temáticas, oficinas de metodologia, grupos de estudo, projetos de investigação‑ação, que respondem a problemas reais da prática. Ao envolver docentes na conceção e avaliação dessas ações, promovem apropriação e sustentabilidade das mudanças pedagógicas.

Foto por jpv. Pormenor de Leiria.

Atuam como instâncias de supervisão pedagógica não hierárquica: monitorizam a aplicação de metodologias inovadoras, recolhem evidências de impacto e propõem ajustes, equilibrando autonomia profissional e responsabilidade institucional.

No domínio da avaliação e da qualidade, os Conselhos elaboram e uniformizam instrumentos avaliativos, discutem critérios de classificação e promovem análises coletivas de provas e tarefas. Essa prática contribui para maior justiça e fiabilidade nos processos de avaliação e permite intervenções calibradas para melhorar aprendizagens.

Por outro lado, os Conselhos articulam com serviços de apoio (psicologia, orientação, inclusão) para desenhar respostas integradas a necessidades específicas, assegurando que estratégias pedagógicas e medidas de suporte caminhem em conjunto.

A dimensão relacional e ética também é central: os Conselhos mediam conflitos profissionais e pedagógicos, promovem normas de colaboração e definem práticas de comunicação com a comunidade educativa.

Ao estabelecer procedimentos claros para elaboração de provas, recuperação, registos e comunicados, reduzem ambiguidades que poderiam gerar fricções entre docentes e entre escola e famílias. Essa regulação colectiva favorece um clima de trabalho mais previsível e profissionalizado.

Foto por jpv. Pormenor de Leiria.

Para que os Conselhos de Grupo e Departamentais cumpram plenamente estas funções, são necessárias condições organizativas e culturais claras: tempo estruturado para trabalho colaborativo; reconhecimento formal das suas decisões pela Direção; acesso a dados relevantes (resultados, relatórios de turmas); formação para os membros em liderança pedagógica, análise de dados e condução de reuniões produtivas; e mecanismos de responsabilização e acompanhamento que transformem recomendações em planos de ação com prazos e responsáveis.

A representatividade equitativa, o respeito pelas especificidades disciplinares e a abertura a contributos interdisciplinares são igualmente cruciais para evitar compartimentações e potenciar sinergias.

Quando fracos ou meramente procedimentais, os Conselhos tornam‑se caixas de ressonância sem impacto real. Decisões desconectadas da prática, avaliações inconsistentes e fragmentação pedagógica.

Pelo contrário, quando bem estruturados, são instrumentos de governação que elevam a qualidade educativa: promovem coerência curricular, sustentam inovação prática, fortalecem a formação docente e aproximam a Direção da realidade das salas de aula.

Em última análise, os Conselhos de Grupo e Departamentais não são apenas órgãos consultivos, são o coração técnico‑pedagógico da escola, onde se forjam as políticas didáticas que determinam resultados de aprendizagem, inclusão e clima escolar.

jpv


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Visões de uma Escola – 1/12

Direção e Estruturas Adjuntas

A escola contemporânea vive um momento de complexidade crescente que exige da direção não só visão pedagógica, mas também competência organizacional e capacidade de resposta rápida a múltiplos desafios. Num quadro em que políticas públicas mudam com frequência, os recursos financeiros são limitados, a diversidade das necessidades dos alunos aumenta e a pressão por resultados externos se intensifica, a fórmula da direção isolada mostra‑se insuficiente. A constituição de equipas adjuntas da direção surge, assim, como uma solução estratégica que permite repartir responsabilidades, aprofundar competências técnicas e garantir uma maior resiliência institucional. Para que esta solução funcione plenamente, porém, é necessário um desenho intencional das funções, uma cultura de trabalho colaborativo e processos claros de comunicação e avaliação.

Foto por jpv. Pormenor da ESDS.

Primeiro, é importante delinear com precisão que papéis as equipas adjuntas podem assumir. Para além do adjunto para o currículo, responsável pela coerência curricular, articulação entre ciclos e acompanhamento de práticas pedagógicas, convém prever adjuntos para gestão de recursos humanos (formação, horários, integração de novos docentes), para disciplina e bem‑estar (mediação de conflitos, apoio socioemocional e políticas de inclusão), para inovação e tecnologia (implementação de soluções digitais, formação em literacia digital), para relações externas (parcerias com autarquias, empresas e comunidade), e para uma dimensão, cada vez mais emergente, as relações internacionais. Por outro lado, teremos em conta a EMAEI e a equipa que organiza a avaliação externa. Cada uma destas funções deve ter descrições de competências e responsabilidades bem definidas, limites de autonomia e mecanismos de reporte à direção. Uma distribuição clara reduz sobreposições e evita que tarefas burocráticas consumam o tempo que deveria ser dedicado à liderança pedagógica.

Os constrangimentos contemporâneos apresentam várias frentes que condicionam o trabalho da direção e das equipas adjuntas. A sobrecarga administrativa, com plataformas digitais, relatórios obrigatórios e exigências de prestação de contas, tende a tornar a gestão reativa. Para mitigar esse efeito, é imprescindível simplificar fluxos de trabalho. Identificar tarefas que podem ser automatizadas ou agregadas, delegar formalmente responsabilidades administrativas a um adjunto ou secretariado e estabelecer procedimentos padrão com filtros de prioridade. A limitação orçamental impõe escolhas e prioridades, aqui, o papel da equipa adjunta de recursos humanos e de relações externas é crucial para captar parcerias, gerir horários e potenciar a formação interna de baixo custo, bem como para desenhar candidaturas a fundos externos.

Foto por jpv. Escola Secundária Domingos Sequeira

Outra dimensão crítica é a pressão por resultados imediatos, frequentemente medida por avaliações externas que privilegiam indicadores quantitativos. A liderança partilhada permite contrabalançar essa pressão com uma estratégia que valorize processos e progressos. A equipa adjunta do currículo pode implementar avaliações formativas, desenvolver indicadores intermédios de progresso e documentar práticas eficazes que expliquem os resultados, transformando exigência de prestar contas em oportunidade de desenvolvimento profissional. A crescente complexidade das necessidades dos alunos, desde questões de saúde mental a lacunas de aprendizagem, requer respostas individualizadas. Uma equipa adjunta dedicada ao bem‑estar tem condições de coordenar redes de apoio com serviços externos, desenhar protocolos de intervenção e formar docentes em estratégias de diferenciação pedagógica.

A transformação digital, por sua vez, é tanto uma oportunidade quanto um constrangimento: sem literacia digital suficiente e sem infraestruturas adequadas, a tecnologia aumenta desigualdades e frustra iniciativas. Uma estratégia eficaz passa por nomear um adjunto responsável pela integração tecnológica, elaborar um plano de formação escalonado, priorizar ferramentas que respondam a necessidades pedagógicas concretas e estabelecer indicadores simples de utilização e impacto. É igualmente necessário prever contingências para crises externas, pandemias, tempestades , catástrofes económicas ou rupturas comunitárias, através de planos de continuidade que distribuam responsabilidades à equipa adjunta e garantam comunicação clara com pais e parceiros.

As vantagens de uma equipa adjunta bem estruturada são numerosas e concretas: reduz a sobrecarga da direção, permite decisões mais célere e contextualizadas, assegura continuidade institucional em transições de liderança e amplia a capacidade de inovação por via de equipas multidisciplinares. Na prática, uma equipa adjunta que dispõe de autonomia para executar projetos piloto (com critérios claros de avaliação) promove cultura de experimentação e disseminação de boas práticas. Além disso, a liderança partilhada melhora o clima organizacional, ao criar percursos de desenvolvimento para docentes com vontade de assumir funções de coordenação, diminuindo riscos de esgotamento e rotatividade.

Para maximizar essas vantagens, recomendo um conjunto de medidas operacionais: desenhar organogramas e descrições de função detalhadas, com metas anuais e critérios de avaliação; instituir reuniões de coordenação regulares, curtas e orientadas por pauta, com sínteses e decisões registadas; criar plataformas de partilha documental para protocolos, planos e recursos, garantindo acesso controlado e atualizações; priorizar formação contínua alinhada com as necessidades identificadas no diagnóstico anual, por exemplo, módulos sobre avaliação formativa, gestão de conflitos, liderança distribuída e literacia digital; adotar indicadores mistos, quantitativos e qualitativos, que permitam monitorizar progresso pedagógico, clima escolar, eficácia dos projetos e impacte das ações da equipa adjunta; implementar processos de delegação formal, com definição de níveis de autonomia e mecanismos de reporte à direção; desenvolver um plano de sucessão e de retenção que valorize a experiência sénior e integre estratégias de mentoring para novos líderes; reservar tempo no calendário para reflexão estratégica e avaliação de projetos, não apenas para operacionalidade.

Foto por jpv. Escola Secundária Domingos Sequeira.

Alguns exemplos práticos ajudam a concretizar estas recomendações. Num agrupamento com turmas heterogéneas, o adjunto do currículo pode coordenar um programa de diferenciação que combine turmas flexíveis para línguas e matemática, avaliações formativas trimestrais e formação específica para os docentes envolvidos; os resultados são monitorizados por indicadores de progresso por grupo e por reflexão qualitativa em reuniões pedagógicas. Numa escola com recursos tecnológicos limitados, o adjunto de inovação pode organizar um plano por fases: primeiro, formação básica para docentes em ferramentas gratuitas, depois criação de recursos partilhados e, finalmente, avaliação do impacto através de evidências de utilização e depoimentos de professores e alunos. Em situações de crise por exemplo, confinamento, um plano de continuidade preparado pela equipa adjunta define quem comunica com pais, quem organiza conteúdos online, e como monitorizar presença e aprendizagem, reduzindo improvisação.

Por fim, a dimensão cultural é determinante: equipas adjuntas só produzem ganho real se co-existirem com uma cultura de confiança, transparência e reconhecimento. A direção deve cultivar práticas de comunicação aberta, reconhecer publicamente contributos individuais e coletivos, e garantir espaço para discussão crítica e proposição de melhorias. A avaliação das equipas adjuntas deve privilegiar desenvolvimento, usar feedback formativo, autoavaliações e revisões anuais que conduzam a ajustamentos incrementais.

Em suma, as equipas adjuntas da direção não são apenas um arranjo organizativo; são um inlvestimento estratégico que permite à escola responder melhor aos constrangimentos contemporâneos e, simultaneamente, potenciar inovação, desenvolvimento profissional e continuidade institucional. O sucesso depende, contudo, de desenho funcional rigoroso, formação orientada, processos de comunicação e avaliação claros, e de uma cultura que valorize a liderança partilhada como caminho para uma escola mais eficaz, equitativa e resiliente.

jpv


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Testes, ou não?

A Metodologia da testagem é muito antiga. Recorre aos testes tipo resposta única que Henry Ford implementou nas suas fábricas de automóveis. Além do mais, eram muito mais fáceis de corrigir. Com uma régua deixavam-so só as quadrículas assinaladas visíveis. Estando todas as outras incorretas.

Isto veio dar resposta a um problema sentido no meio da escola. O da massificação e o da necessidade da padaronização. Ora, entrando no tempo e espaço, ocidente e desde o início do século XXI.

No passado temos três grandes escolas. chinesa que recorria a testes para funcionários públicos, a grega e a romana, onde se faziam declarações e demonstrações práticas do saber organizado.

Ou seja os nossos testes nasceram para avaliar mecânicos de automóvel. Com algumas adaptações e recurso a muitas desculpas, chegámos à testagem dos dias de hoje, que não é moderna, nem eficiente, nem avalia nada.

Que fazer então? Cada aula deve ser um motor de conhecimento e aproveitando o currículo, como está, tentar ao máximo diluí-lo dentro das áreas do saber.

E os pais onde são tidos na escola? Para escutar os verdadeiros sabedores das matérias. Há coisas que quando funcionam não se mexe. Uma equipa que joga com o futebol e uma escola que tem bons profissionais.

E é na bondade destes profissionais que vai ser preciso investir. Ao contrário do que se está a fazer completamente. Num país em que a minha forma de avaliar o pão deve ser se ele é bom à mesa, do mesmo modo, a minha forma de avaliar um bom aluno deve ser se ele é bom no que faz.

Dixit.

jpv


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2.ª edição, boa companhia e uma avaliação

2.ª Edição e Boa Companhia
A segunda edição de “Quem Lixou Isidro Castigo” já está disponível nas livrarias MABUKO, ESCOLAR EDITORA e LIVRARIA DO AEROPORTO, em Maputo.
Também se pode encontrar no restaurante DHOW para se ler com aquela paisagem fabulosa e um belo gin a acompanhar.

Tem a cara lavadinha e vem numa edição muito distinta, repleta de pormenores requintados. A capa é diferente, mas também do artista moçambicano Samuel Djive.

No caso da LIVRARIA DO AEROPORTO estamos muito bem acompanhados. Nada mais, nada menos do que Ondjaki, Ungulani Ba Ka Khosa, Álvaro Taruma e também Samora Machel e Marcelino dos Santos.

Em junho, estaremos em Portugal. A seu tempo, diremos onde.

O nosso muito obrigado a todos os leitores.

jpv

Avaliação
Entretanto, um leitor nosso teve a amabilidade de nos fazer chegar a sua avaliação, que transcrevemos abaixo. Sintam-se à vontade para fazer o mesmo para jpvideira@gmail.com

Caro João Paulo Videira,

Em primeiro lugar agradecer a simpática dedicatória com que me brindou no seu livro “Quem lixou Isidro Castigo?”, que me foi trazido pela Clara Almeida, professora na Escola Portuguesa de Moçambique, a quem solicitei o favor de o adquirir, confesso, porque o título me pareceu tentador e inteligente e suscitou curiosidade no meio de diversos outros que pesquisei ao acaso no google, alguns já conhecidos e lidos, por exemplo, Mia Couto, Paulina Chiziane, Craveirinha, Suleiman Cassamo, etc…

A verdade é que a minha intuição e o seu livro não me traíram, tendo sido um gosto lê-lo na viagem de regresso a Lisboa, por um lado porque nem dei pelo tempo passar, por outro porque a sua escrita é muito sincera, verdadeira e até sentimental, não só ao nível do conteúdo como da forma, percebendo-se uma enorme generosidade perante a sociedade moçambicana, no entanto sem deixar de evidenciar todas as contradições existentes, bem típicas dos PALOP ou PLOP, incluindo Portugal!

Digamos que, após três semanas de Maputo bastante preenchidas e socialmente ecléticas, a minha opinião jamais seria tão informada sem a leitura do seu livro e do personagem Isidro Castigo. Sei que tem outros publicados e já pedi à Clara para os comprar se ainda estiverem disponíveis…. De resto, renovo os meus agradecimentos e espero conhecê-lo quando voltar a Maputo.

Atenciosamente,

Victor Camarneiro


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Satisfaz… Pouco!

satisfaz - satisfactionSatisfaz… Pouco!

O teste da foto foi classificado com Satisfaz!

Com Satisfaz Pouco ficou classificado o meu domingo, inteiramente dedicado à correção de testes de avaliação. A empreitada começou pelas sete da manhã, intervalou para um breve frango no Piri-Piri, e continuou tarde dentro até ser noite. Entre testes e fichas, corrigi cerca de oitenta documentos de avaliação!

Agora ia dormir… mas fiz uma promessa de trabalho e vou cumpri-la!

Se eu podia passar um domingo sem corrigir testes? Podia! 🙂

jpv