Mails para a minha Irmã

"Era uma vez um jovem vigoroso, com a alma espantada todos os dias com cada dia."


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Visões de uma Escola – 1/12

Direção e Estruturas Adjuntas

A escola contemporânea vive um momento de complexidade crescente que exige da direção não só visão pedagógica, mas também competência organizacional e capacidade de resposta rápida a múltiplos desafios. Num quadro em que políticas públicas mudam com frequência, os recursos financeiros são limitados, a diversidade das necessidades dos alunos aumenta e a pressão por resultados externos se intensifica, a fórmula da direção isolada mostra‑se insuficiente. A constituição de equipas adjuntas da direção surge, assim, como uma solução estratégica que permite repartir responsabilidades, aprofundar competências técnicas e garantir uma maior resiliência institucional. Para que esta solução funcione plenamente, porém, é necessário um desenho intencional das funções, uma cultura de trabalho colaborativo e processos claros de comunicação e avaliação.

Foto por jpv. Pormenor da ESDS.

Primeiro, é importante delinear com precisão que papéis as equipas adjuntas podem assumir. Para além do adjunto para o currículo, responsável pela coerência curricular, articulação entre ciclos e acompanhamento de práticas pedagógicas, convém prever adjuntos para gestão de recursos humanos (formação, horários, integração de novos docentes), para disciplina e bem‑estar (mediação de conflitos, apoio socioemocional e políticas de inclusão), para inovação e tecnologia (implementação de soluções digitais, formação em literacia digital), para relações externas (parcerias com autarquias, empresas e comunidade), e para uma dimensão, cada vez mais emergente, as relações internacionais. Por outro lado, teremos em conta a EMAEI e a equipa que organiza a avaliação externa. Cada uma destas funções deve ter descrições de competências e responsabilidades bem definidas, limites de autonomia e mecanismos de reporte à direção. Uma distribuição clara reduz sobreposições e evita que tarefas burocráticas consumam o tempo que deveria ser dedicado à liderança pedagógica.

Os constrangimentos contemporâneos apresentam várias frentes que condicionam o trabalho da direção e das equipas adjuntas. A sobrecarga administrativa, com plataformas digitais, relatórios obrigatórios e exigências de prestação de contas, tende a tornar a gestão reativa. Para mitigar esse efeito, é imprescindível simplificar fluxos de trabalho. Identificar tarefas que podem ser automatizadas ou agregadas, delegar formalmente responsabilidades administrativas a um adjunto ou secretariado e estabelecer procedimentos padrão com filtros de prioridade. A limitação orçamental impõe escolhas e prioridades, aqui, o papel da equipa adjunta de recursos humanos e de relações externas é crucial para captar parcerias, gerir horários e potenciar a formação interna de baixo custo, bem como para desenhar candidaturas a fundos externos.

Foto por jpv. Escola Secundária Domingos Sequeira

Outra dimensão crítica é a pressão por resultados imediatos, frequentemente medida por avaliações externas que privilegiam indicadores quantitativos. A liderança partilhada permite contrabalançar essa pressão com uma estratégia que valorize processos e progressos. A equipa adjunta do currículo pode implementar avaliações formativas, desenvolver indicadores intermédios de progresso e documentar práticas eficazes que expliquem os resultados, transformando exigência de prestar contas em oportunidade de desenvolvimento profissional. A crescente complexidade das necessidades dos alunos, desde questões de saúde mental a lacunas de aprendizagem, requer respostas individualizadas. Uma equipa adjunta dedicada ao bem‑estar tem condições de coordenar redes de apoio com serviços externos, desenhar protocolos de intervenção e formar docentes em estratégias de diferenciação pedagógica.

A transformação digital, por sua vez, é tanto uma oportunidade quanto um constrangimento: sem literacia digital suficiente e sem infraestruturas adequadas, a tecnologia aumenta desigualdades e frustra iniciativas. Uma estratégia eficaz passa por nomear um adjunto responsável pela integração tecnológica, elaborar um plano de formação escalonado, priorizar ferramentas que respondam a necessidades pedagógicas concretas e estabelecer indicadores simples de utilização e impacto. É igualmente necessário prever contingências para crises externas, pandemias, tempestades , catástrofes económicas ou rupturas comunitárias, através de planos de continuidade que distribuam responsabilidades à equipa adjunta e garantam comunicação clara com pais e parceiros.

As vantagens de uma equipa adjunta bem estruturada são numerosas e concretas: reduz a sobrecarga da direção, permite decisões mais célere e contextualizadas, assegura continuidade institucional em transições de liderança e amplia a capacidade de inovação por via de equipas multidisciplinares. Na prática, uma equipa adjunta que dispõe de autonomia para executar projetos piloto (com critérios claros de avaliação) promove cultura de experimentação e disseminação de boas práticas. Além disso, a liderança partilhada melhora o clima organizacional, ao criar percursos de desenvolvimento para docentes com vontade de assumir funções de coordenação, diminuindo riscos de esgotamento e rotatividade.

Para maximizar essas vantagens, recomendo um conjunto de medidas operacionais: desenhar organogramas e descrições de função detalhadas, com metas anuais e critérios de avaliação; instituir reuniões de coordenação regulares, curtas e orientadas por pauta, com sínteses e decisões registadas; criar plataformas de partilha documental para protocolos, planos e recursos, garantindo acesso controlado e atualizações; priorizar formação contínua alinhada com as necessidades identificadas no diagnóstico anual, por exemplo, módulos sobre avaliação formativa, gestão de conflitos, liderança distribuída e literacia digital; adotar indicadores mistos, quantitativos e qualitativos, que permitam monitorizar progresso pedagógico, clima escolar, eficácia dos projetos e impacte das ações da equipa adjunta; implementar processos de delegação formal, com definição de níveis de autonomia e mecanismos de reporte à direção; desenvolver um plano de sucessão e de retenção que valorize a experiência sénior e integre estratégias de mentoring para novos líderes; reservar tempo no calendário para reflexão estratégica e avaliação de projetos, não apenas para operacionalidade.

Foto por jpv. Escola Secundária Domingos Sequeira.

Alguns exemplos práticos ajudam a concretizar estas recomendações. Num agrupamento com turmas heterogéneas, o adjunto do currículo pode coordenar um programa de diferenciação que combine turmas flexíveis para línguas e matemática, avaliações formativas trimestrais e formação específica para os docentes envolvidos; os resultados são monitorizados por indicadores de progresso por grupo e por reflexão qualitativa em reuniões pedagógicas. Numa escola com recursos tecnológicos limitados, o adjunto de inovação pode organizar um plano por fases: primeiro, formação básica para docentes em ferramentas gratuitas, depois criação de recursos partilhados e, finalmente, avaliação do impacto através de evidências de utilização e depoimentos de professores e alunos. Em situações de crise por exemplo, confinamento, um plano de continuidade preparado pela equipa adjunta define quem comunica com pais, quem organiza conteúdos online, e como monitorizar presença e aprendizagem, reduzindo improvisação.

Por fim, a dimensão cultural é determinante: equipas adjuntas só produzem ganho real se co-existirem com uma cultura de confiança, transparência e reconhecimento. A direção deve cultivar práticas de comunicação aberta, reconhecer publicamente contributos individuais e coletivos, e garantir espaço para discussão crítica e proposição de melhorias. A avaliação das equipas adjuntas deve privilegiar desenvolvimento, usar feedback formativo, autoavaliações e revisões anuais que conduzam a ajustamentos incrementais.

Em suma, as equipas adjuntas da direção não são apenas um arranjo organizativo; são um inlvestimento estratégico que permite à escola responder melhor aos constrangimentos contemporâneos e, simultaneamente, potenciar inovação, desenvolvimento profissional e continuidade institucional. O sucesso depende, contudo, de desenho funcional rigoroso, formação orientada, processos de comunicação e avaliação claros, e de uma cultura que valorize a liderança partilhada como caminho para uma escola mais eficaz, equitativa e resiliente.

jpv


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Do AVC – 4/9

Universidade de Coimbra

Os outros mudam o olhar sobre nós

Indulgência. Condescendência. Tolerância.

É isto. É só uma coisa. Uso as três palavras porque são as mais usadas, parecidas pelo menos. Não ao pé de nós. Nunca dizem. A primeira forma de condescendência é, Coitado nunca mais será o mesmo. Ou pior. Há mesmo os que vão mais longe, Coitado nunca mais será o mesmo qualquer dia dá-lhe um enfarte. Diz-se tanta coisa. Pensa-se tanta coisa. E quase todas são erradas. Precipitadas. Mesmo quando feitas por bem.

Há os que não estão contra nós. Ignoram-nos. Por exemplo, há pessoas que nem sabem o que quer dizer AVC. E é a doença que mais mata em Portugal. Estão ocupados com as suas vidas. Há outras pessoas que sabem muito bem. Tão bem que até querem distância. Tive uma série de amigos que deixaram de o ser. Deixaram de me visitar. Fizeram de conta que estava morto. Depois há os que nos discriminam porque se o tivemos é porque comíamos demais. E eu a apetecer-me dizer que, É um AVC provocado pelo sono, palerma.

Muitas pessoas também me deram distância. E houve outras que até um processo disciplinar me abriram. Por acaso, eu não sabia bem o que era um processo disciplinar. Mas em frente. Depois há os que não entendem porque é que tenho menos turmas, considerando menos turmas a três que tenho. E eu não disse nada. Fui recuperando e desejando que tudo melhorasse. Assim como melhorou. E, por fim, há quem não compreenda o tempo que não tenho mais aulas. Estranham o facto de só ter três turmas. Como se fosse a mesma coisa. Como se o meu cérebro respondesse à mesma velocidade. É preciso descansar entre aulas. E o estar cansado é muito mais fácil de conseguir. É uma incapacidade que sentimos e nos corrói a alma. É algo que não se anuncia.

Num determinado dia, não interessa qual, eu fico muito cansado. Mas o corpo resiste. Quando chego a casa, só quero é dormir. E durmo. Nós somos vítimas de nada. Mas cansamo-nos. Uma TV ligada, às vezes, é o suficiente. Assim como uma pessoa. Um tom de voz. Não são vinte e quatro. É só uma. Mas somos fortes.

E depois, quem tem uma escola como eu tenho, onde impera a camaradagem e as pessoas fazem questão de saber, questão, efetivamente, de saber, como estou, tudo fica mais fácil. Sim.

Os outros mudam o olhar sobre nós, mas não há muito a fazer quando isso. É assim. Tenho de me inteirar que agora não sou o professor João Paulo Videira. Agora, sou só o professor João Paulo Videira. Houve tempos em que as pessoas abriam alas para eu passar. Agora, sou só mais um. Provavelmente, nem deveria de o ter deixado de ser.

jpv


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Do AVC – 3/9

Foto por Cláudia. Hydra. Grécia.

Diz-se o que se pensa

Literalmente. Durante algum tempo. Mas há coisas politicamente incorretas que vieram para ficar. Que se lixe!

Era uma espécie de falta de paciência à mistura com aquela espécie de medo, que não era só espécie, de estarmos a demorar muito para nos lembrar o que dizer. Houve um dia que a Dr.a Marta disse, Tem de dizer com calma, eu sou um paciente de AVC, e vai ver que as pessoas ficam mais calmas. Duplo erro. Dizer às pessoas que eu tenho um AVC só as faz fingir que têm calma. Segundo erro, agora tenho de aturar este mais o AVC dele. A Dr.a Marta era bem intencionada. Mas foi das pessoas que mais sofreu comigo. Por um lado, porque eu falava muito com ela, em segundo lugar se não te queres queimar afasta-te de lume.

Eu acho, mas desconfio, que fui sempre simpático com ela. Mas lembro-me, remotamente, como eu lhe atirava com umas coisas muito específicas sobre os gregos e os romanos ou como os problemas de língua eram sempre tão problemáticos. A senhora, dona de uma paciência de gigante, metia-a vezes sem conta em becos sem saída.

Um dia visitou-me um primo que tinha vendido a casa em Sesimbra, e comprado outra em Leiria e feito a mudança, e eu, sem quê nem para quê, vai de mostrar-lhe que as vantagens de mudar de agência. Fez-se um silêncio ao que eu percebi que talvez tivesse falado demais. E foram tantas as vezes que eu passei os limites que, às tantas, reparei que Cláudia repetia muito, Sabe, ele ficou assim desde o AVC, parece que não tem filtros.

Não é falta de educação. De forma alguma. É um fenómeno que apanha algumas vítimas da afasia e que consiste quando se recupera parcialmente a voz, os atos de fala não são tão controlados. E há depois um fenómeno que está relacionado diretamente com afasia. Para uma pessoa que esteve sem falar, fazê-lo sabe a conquista. Ora, por vezes, nessa ânsia de dizer, surgem palavras que não são exatamente iguais ao que se queria dizer. É claro que quem ouve percebe, mas percebe também, que foi uma escolha vocabular ao lado.

Daí ser importante dizer no início que se é afásico, na sequência de um AVC. Ora, quando um AVC diz o que se pensa ele pode estar a dizer parecido com o que se pensa, e expressar-se ou, simplesmente, a dizer exatamente o que pensa.

Portanto, já sabem, Têm de dizer com calma, eu sou um paciente de AVC.

jpv


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Do AVC – 2/9

Universidade de Coimbra

Nunca mais se é o mesmo

As pessoas mudam. Embora haja muita gente, talvez demasiada gente, que acredite que as pessoas não mudam, as pessoas mudam mesmo. Não sei se por se tratar de uma experiência quase morte, ou, então, para um ser humano ver a morte a aproximar-se, fá-lo mudar as suas perspectivas, e depois destas, há peças do puzzle que mudam de sítio. Ou então, como um mestre de xadrez, tem o artifício de mudar pequenas grandes coisas como um cérebro humano.

Eu acho que nunca mais fui o mesmo. Uma paisagem é um dom, ter água é uma benção, ter a liberdade de abraçar os que ama, fazer amor com toda a força. Dizer o que se pensa, sem rodeios. Tudo isso são coisas que mudam. O dinheiro deixa de ter a importância que tinha. Tudo pode mudar. Quando se vive assim um fenómeno, tudo aquilo a que damos importância é revalorizado e empilhado nas nossas gavetinhas destinadas às coisas importantes. Gostamos dos outros. Claro. Mas passamos a apreciarmo-nos melhor. Como se o deusinho do egoísmo fizesse um truque mágico e qualquer coisa de dentro se transformasse. Não ficamos egoístas. Mas temos uma noção diferente dos outros e das nossas vidas. É como olhar um avião e dizer Tanta gente que corre o risco de morrer ou dizer exatamente a mesma coisa e acrescentar viver em em vez de morrer.

E chorar. Choras até não poder mais quando reparas que acompanham o nosso sofrer. Lembro a Cláudia. O que ela sofreu para se ajustar a uma nova realidade e eu a dizer-lhe que não havia nova realidade coisa nenhuma. O que ela teve de adaptar-se. Eu não posso falar pelos outros, e não farei. Mas assumiria que quem nos ama também muda por dentro.

Eu fui à terra dos que não falam e voltei. Quando lá cheguei era como todas as outras. Não falava. Depois, quando regressei, reparei que tinha estado sem falar, e o que dizia agora tinha um tom diferente. Tinha uma intenção diferente. A Cláudia assistiu a isso. A Isabel também. E a Dr.a Marta também, só esta última sabia que eu não voltaria a ser o mesmo. Nunca mais.

jpv


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Sobre o AVC…


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Benfiquista

Foto por Cláudia. Maputo.

Sou. Mas um benfiquista que não precisa de mais ninguém para ferver, como um sonhador, ao mais pequeno passe, a mais um excêntrico golo.

Não sou como aqueles benfiquistas que ficam muito alegres e depois muito tristes. Ser benfiquista, neste caso, é ver sempre as coisas positivas. O Benfica pode estar a apanhar 3-0 e eu estar alegre por ver as camisolas vermelhas a rolar sobre o relvado.

Eu sou benfiquista. E isso não é contra nada nem contra  ninguém. É a favor da melhor jogada ou da pior. Não é comparar nada com ninguém.

Tanto me interessa que o treinador seja A ou B. Não me interessa. Os treinadores são só pessoas. E os jogadores do Benfica são deuses na Terra.

Por exemplo, não gosto quando o Benfica não usa o equipamento principal. Não é a mesma coisa. E não gosto quando joga fora. Eu sei que é obrigatório, mas não gosto.

Eu sou daqueles que põem os comandos numa certa posição, e faço sinais místicos durante o jogo e não atendo o telefone.

Ser do Benfica não é só por um jogo. Pode ser uma final, ou um jogo de um campeonato improvavelmente perdido. Tenho de sofrer da mesma forma.

Nunca sei quem é o próximo adversário e respeito-os sempre. Só tenho pena que não sejam do Benfica.

Ir ao Estádio da Luz é como ir estar com a família. É como ver ao vivo uma comunhão.

Isto, ser benfiquista, começou muito cedo. O meu avô ligava o rádio, eu riscava num papel o nome dos dois e a assinalava o evoluir do resultado. Nesse tempo meu avô tinha um galo benfiquista por cima de outro sportinguista e o irmão também tinha um, com as cores ao contrário. E eu celebrava cada vez que o meu avô colocava o galo por cima do irmão sportinguista.

Ver um jogo ao pé de mim, é preciso ter os ouvidos preparados. Pelo volume. E pelo conteúdo.

Nunca participei numa briga, porque para mim o futebol e o Benfica em particular, não era sobre brigas. Era uma festa. E é.

Costumo dizer que quando for dormir, o sono profundo, ponham-me uma bandeira do Benfica e um cachecol  e uma camisola das minhas sobre o caixão…

Viva o BENFICA.

jpv


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Fotobiografia de Ti

Foto por jpv. Hydra

“O vento trocou-me as voltas, trouxe-me depois, quem amo imensamente. Indefinidamente.”

jpv


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AMOR

Essa coisa indefenível
Como as coisas
Que se chamam coisas.
Essa impressão
Que fica no ar
Mesmo quando já não se nota
O teu passar.
Essa coisa que me traz preocupado
Com as simples tarefas
Do universo.
Essa coisa que deixa um perfume
Em prosa,
Ou em verso.
Essa coisa a que não quero chamar Amor
E que rodeio com perífrases
Do mesmo tipo.
Esse longo amar
Na cabana do Tofo,
Ou um beijo trocado
No Dhow ao chegar.
Passou continentes
E olhou-te de surpresa
Após o AVC.
Essa coisa que ainda
Ontem fizemos,
Sem vergonha nem pudor.
Essa coisa,
Assim pura,
Chama-se Amor.

jpv


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12 anos de MPMI

Mails para a minha Irmã foi fundado em 12 de maio de 2009. Nesse dia, publicou-se o texto “O meu ET“.

Desde então, milhares de publicações, emoções, confissões, poesia prosa, contos, romances, apontamentos, imagens, vídeos… sempre as pessoas como pano de fundo, sempre a Humanidade como paisagem preferida. Sempre com os leitores. Sempre a persistir no exercício da escrita. Já não escrevo para ser escritor. Já nem escrevo para publicar. Escrevo para partilhar convosco. Escrevo porque sinto que tenho coisas para dizer.

Agradeço a todos os leitores, a todos os amigos e familiares, a todos os apoiantes e aos críticos também. Agradeço por estes 12 anos de palavras sentidas…

NOVIDADE:
Vi hoje em papel… físico… já existe, portanto, algo de que já vos posso falar: está para muito breve o próximo romance!
Dar-vos-ei todos os pormenores…

GRATIDÃO!
João Paulo Videira

12 anos de MPMI!


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Multiculturalidade

Mails para a minha Irmã tem muito, e cada vez mais, orgulho nos seus leitores, na sua multiculturalidade.

Este quadro reflete a localização de quem leu MPMI num dia desta semana.

Obrigado, Amigos e Leitores.

jpv