Mails para a minha Irmã

"Era uma vez um jovem vigoroso, com a alma espantada todos os dias com cada dia."


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Visões de uma Escola – 6/12

Direção Intermédia: Biblioteca Escolar

O Conselho da Biblioteca Escolar e do Centro de Recursos Educativos assume um papel estratégico e operativo que liga diretamente a Direção às práticas quotidianas de ensino, aprendizagem e mediação cultural, funcionando como instância de planeamento, articulação e legitimação de políticas de leitura, literacia informacional, recursos digitais e serviços de apoio pedagógico.

Foto por jpv. Pormenor da Biblioteca Escolar.

Junto da Direção, o Conselho traduz as orientações do projeto educativo em programas concretos. Formula planos de aquisição e conservação do acervo físico e digital, propõe orçamentos e calendários de atividade, define políticas de empréstimo e acesso, e sugere critérios para a integração curricular dos recursos.

Fornece à Direção diagnósticos fundamentados sobre necessidades materiais e humanas, indicadores de utilização e impacto, e propostas de ação que permitem tomar decisões informadas sobre investimentos, horários e parcerias.

Ao oficializar protocolos com instituições externas, bibliotecas públicas, universidades, centros de investigação, entidades culturais, o Conselho facilita a obtenção de serviços complementares e recursos especializados, potenciando a capacidade da escola de responder a desafios pedagógicos e sociais.

Na escola, o Conselho atua como catalisador da integração entre biblioteca/centro de recursos e comunidade educativa. Promove projetos de animação da leitura, literacia mediática e competências digitais que articulam professores, alunos, famílias e técnicos; organiza formações para docentes sobre utilização pedagógica de fontes, avaliação de projetos de investigação e inclusão de recursos multimodais nas secções curriculares; e fomenta atividades participativas, clubes de leitura, oficinas de informação, exposições temáticas, pares tutores, que transformam o espaço num laboratório de aprendizagem transversal.

Foto por jpv. Pormenor da Biblioteca Escolar.

Ao coordenar a oferta de recursos e serviços, o Conselho garante que a biblioteca e o centro sejam mais do que depósitos de material. Sejam ambientes activos de ensino, pesquisa e cidadania, acessíveis a diferentes idades, níveis e necessidades educativas.

O papel pedagógico do Conselho é também de mediação técnica. Harmoniza critérios de seleção e descarte do acervo, assegura políticas de preservação e catalogação, promove o acesso ético à informação e orienta práticas de referência bibliográfica e direitos de autor.

Em contexto de sobrecarga informacional, é responsável por promover a literacia crítica, ensinar a avaliar fontes, a combater desinformação e a trabalhar com diversos formatos mediáticos, reforçando competências transversais essenciais ao século XXI.

Paralelamente, coordena o desenvolvimento e a manutenção de infraestruturas digitais, bases de dados, repositórios, plataformas de empréstimo e de recursos educativos abertos, garantindo acessibilidade e continuidade educativa em contextos presenciais e remotos.

Na relação com a comunidade escolar, o Conselho assume um papel de inclusão e equidade. Desenha estratégias para diminuir barreiras de acesso, empréstimo domiciliário adaptado, horários alargados, serviços de apoio a alunos com necessidades específicas, articula ações com famílias, sessões de mediação de leitura, guias de apoio ao estudo, e aproxima a escola ao território, envolvendo instituições culturais e sociais em projetos colaborativos.

Foto por jpv. Pormenor da ESDS.

A sua presença contribui para fortalecer a imagem da escola como espaço cultural, fomentando participação parental e parcerias que enriquecem oportunidades de aprendizagem.

Avaliação e formação são componentes centrais da sua função. O Conselho organiza-se de forma representativa, técnicos de biblioteca/centro, Direção, docentes de várias áreas, alunos, encarregados de educação e parceiros externos, estabelece mecanismos formais de reporte à Direção, define indicadores de avaliação, utilização, impacto na literacia, projetos implementados, e promove formação contínua da equipa técnica e dos docentes em literacia informacional, curadoria de recursos e gestão de espaços educativos.

Estas condições garantem que recomendações não fiquem apenas em papel, mas se transformem em práticas sustentáveis e mensuráveis.

Quando eficaz, o Conselho fortalece a coerência entre projeto educativo, práticas de sala de aula e recursos disponíveis, elevando a qualidade pedagógica, promovendo inclusão e formando cidadãos críticos e autónomos.

Se negligenciado, corre‑se o risco de subutilização dos recursos, fragmentação de iniciativas e perda de potencial educativo. Por isso, a Direção deve reconhecer-lhe autonomia operacional suficiente, dotá‑lo de tempo e recursos e integrá‑lo nas decisões estratégicas da escola, de modo que a biblioteca e o centro de recursos deixem de ser meros espaços e passem a ser motores de inovação pedagógica, coesão comunitária e democratização do acesso ao conhecimento.

jpv


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Visões de uma Escola – 1/12

Direção e Estruturas Adjuntas

A escola contemporânea vive um momento de complexidade crescente que exige da direção não só visão pedagógica, mas também competência organizacional e capacidade de resposta rápida a múltiplos desafios. Num quadro em que políticas públicas mudam com frequência, os recursos financeiros são limitados, a diversidade das necessidades dos alunos aumenta e a pressão por resultados externos se intensifica, a fórmula da direção isolada mostra‑se insuficiente. A constituição de equipas adjuntas da direção surge, assim, como uma solução estratégica que permite repartir responsabilidades, aprofundar competências técnicas e garantir uma maior resiliência institucional. Para que esta solução funcione plenamente, porém, é necessário um desenho intencional das funções, uma cultura de trabalho colaborativo e processos claros de comunicação e avaliação.

Foto por jpv. Pormenor da ESDS.

Primeiro, é importante delinear com precisão que papéis as equipas adjuntas podem assumir. Para além do adjunto para o currículo, responsável pela coerência curricular, articulação entre ciclos e acompanhamento de práticas pedagógicas, convém prever adjuntos para gestão de recursos humanos (formação, horários, integração de novos docentes), para disciplina e bem‑estar (mediação de conflitos, apoio socioemocional e políticas de inclusão), para inovação e tecnologia (implementação de soluções digitais, formação em literacia digital), para relações externas (parcerias com autarquias, empresas e comunidade), e para uma dimensão, cada vez mais emergente, as relações internacionais. Por outro lado, teremos em conta a EMAEI e a equipa que organiza a avaliação externa. Cada uma destas funções deve ter descrições de competências e responsabilidades bem definidas, limites de autonomia e mecanismos de reporte à direção. Uma distribuição clara reduz sobreposições e evita que tarefas burocráticas consumam o tempo que deveria ser dedicado à liderança pedagógica.

Os constrangimentos contemporâneos apresentam várias frentes que condicionam o trabalho da direção e das equipas adjuntas. A sobrecarga administrativa, com plataformas digitais, relatórios obrigatórios e exigências de prestação de contas, tende a tornar a gestão reativa. Para mitigar esse efeito, é imprescindível simplificar fluxos de trabalho. Identificar tarefas que podem ser automatizadas ou agregadas, delegar formalmente responsabilidades administrativas a um adjunto ou secretariado e estabelecer procedimentos padrão com filtros de prioridade. A limitação orçamental impõe escolhas e prioridades, aqui, o papel da equipa adjunta de recursos humanos e de relações externas é crucial para captar parcerias, gerir horários e potenciar a formação interna de baixo custo, bem como para desenhar candidaturas a fundos externos.

Foto por jpv. Escola Secundária Domingos Sequeira

Outra dimensão crítica é a pressão por resultados imediatos, frequentemente medida por avaliações externas que privilegiam indicadores quantitativos. A liderança partilhada permite contrabalançar essa pressão com uma estratégia que valorize processos e progressos. A equipa adjunta do currículo pode implementar avaliações formativas, desenvolver indicadores intermédios de progresso e documentar práticas eficazes que expliquem os resultados, transformando exigência de prestar contas em oportunidade de desenvolvimento profissional. A crescente complexidade das necessidades dos alunos, desde questões de saúde mental a lacunas de aprendizagem, requer respostas individualizadas. Uma equipa adjunta dedicada ao bem‑estar tem condições de coordenar redes de apoio com serviços externos, desenhar protocolos de intervenção e formar docentes em estratégias de diferenciação pedagógica.

A transformação digital, por sua vez, é tanto uma oportunidade quanto um constrangimento: sem literacia digital suficiente e sem infraestruturas adequadas, a tecnologia aumenta desigualdades e frustra iniciativas. Uma estratégia eficaz passa por nomear um adjunto responsável pela integração tecnológica, elaborar um plano de formação escalonado, priorizar ferramentas que respondam a necessidades pedagógicas concretas e estabelecer indicadores simples de utilização e impacto. É igualmente necessário prever contingências para crises externas, pandemias, tempestades , catástrofes económicas ou rupturas comunitárias, através de planos de continuidade que distribuam responsabilidades à equipa adjunta e garantam comunicação clara com pais e parceiros.

As vantagens de uma equipa adjunta bem estruturada são numerosas e concretas: reduz a sobrecarga da direção, permite decisões mais célere e contextualizadas, assegura continuidade institucional em transições de liderança e amplia a capacidade de inovação por via de equipas multidisciplinares. Na prática, uma equipa adjunta que dispõe de autonomia para executar projetos piloto (com critérios claros de avaliação) promove cultura de experimentação e disseminação de boas práticas. Além disso, a liderança partilhada melhora o clima organizacional, ao criar percursos de desenvolvimento para docentes com vontade de assumir funções de coordenação, diminuindo riscos de esgotamento e rotatividade.

Para maximizar essas vantagens, recomendo um conjunto de medidas operacionais: desenhar organogramas e descrições de função detalhadas, com metas anuais e critérios de avaliação; instituir reuniões de coordenação regulares, curtas e orientadas por pauta, com sínteses e decisões registadas; criar plataformas de partilha documental para protocolos, planos e recursos, garantindo acesso controlado e atualizações; priorizar formação contínua alinhada com as necessidades identificadas no diagnóstico anual, por exemplo, módulos sobre avaliação formativa, gestão de conflitos, liderança distribuída e literacia digital; adotar indicadores mistos, quantitativos e qualitativos, que permitam monitorizar progresso pedagógico, clima escolar, eficácia dos projetos e impacte das ações da equipa adjunta; implementar processos de delegação formal, com definição de níveis de autonomia e mecanismos de reporte à direção; desenvolver um plano de sucessão e de retenção que valorize a experiência sénior e integre estratégias de mentoring para novos líderes; reservar tempo no calendário para reflexão estratégica e avaliação de projetos, não apenas para operacionalidade.

Foto por jpv. Escola Secundária Domingos Sequeira.

Alguns exemplos práticos ajudam a concretizar estas recomendações. Num agrupamento com turmas heterogéneas, o adjunto do currículo pode coordenar um programa de diferenciação que combine turmas flexíveis para línguas e matemática, avaliações formativas trimestrais e formação específica para os docentes envolvidos; os resultados são monitorizados por indicadores de progresso por grupo e por reflexão qualitativa em reuniões pedagógicas. Numa escola com recursos tecnológicos limitados, o adjunto de inovação pode organizar um plano por fases: primeiro, formação básica para docentes em ferramentas gratuitas, depois criação de recursos partilhados e, finalmente, avaliação do impacto através de evidências de utilização e depoimentos de professores e alunos. Em situações de crise por exemplo, confinamento, um plano de continuidade preparado pela equipa adjunta define quem comunica com pais, quem organiza conteúdos online, e como monitorizar presença e aprendizagem, reduzindo improvisação.

Por fim, a dimensão cultural é determinante: equipas adjuntas só produzem ganho real se co-existirem com uma cultura de confiança, transparência e reconhecimento. A direção deve cultivar práticas de comunicação aberta, reconhecer publicamente contributos individuais e coletivos, e garantir espaço para discussão crítica e proposição de melhorias. A avaliação das equipas adjuntas deve privilegiar desenvolvimento, usar feedback formativo, autoavaliações e revisões anuais que conduzam a ajustamentos incrementais.

Em suma, as equipas adjuntas da direção não são apenas um arranjo organizativo; são um inlvestimento estratégico que permite à escola responder melhor aos constrangimentos contemporâneos e, simultaneamente, potenciar inovação, desenvolvimento profissional e continuidade institucional. O sucesso depende, contudo, de desenho funcional rigoroso, formação orientada, processos de comunicação e avaliação claros, e de uma cultura que valorize a liderança partilhada como caminho para uma escola mais eficaz, equitativa e resiliente.

jpv


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Testes, ou não?

A Metodologia da testagem é muito antiga. Recorre aos testes tipo resposta única que Henry Ford implementou nas suas fábricas de automóveis. Além do mais, eram muito mais fáceis de corrigir. Com uma régua deixavam-so só as quadrículas assinaladas visíveis. Estando todas as outras incorretas.

Isto veio dar resposta a um problema sentido no meio da escola. O da massificação e o da necessidade da padaronização. Ora, entrando no tempo e espaço, ocidente e desde o início do século XXI.

No passado temos três grandes escolas. chinesa que recorria a testes para funcionários públicos, a grega e a romana, onde se faziam declarações e demonstrações práticas do saber organizado.

Ou seja os nossos testes nasceram para avaliar mecânicos de automóvel. Com algumas adaptações e recurso a muitas desculpas, chegámos à testagem dos dias de hoje, que não é moderna, nem eficiente, nem avalia nada.

Que fazer então? Cada aula deve ser um motor de conhecimento e aproveitando o currículo, como está, tentar ao máximo diluí-lo dentro das áreas do saber.

E os pais onde são tidos na escola? Para escutar os verdadeiros sabedores das matérias. Há coisas que quando funcionam não se mexe. Uma equipa que joga com o futebol e uma escola que tem bons profissionais.

E é na bondade destes profissionais que vai ser preciso investir. Ao contrário do que se está a fazer completamente. Num país em que a minha forma de avaliar o pão deve ser se ele é bom à mesa, do mesmo modo, a minha forma de avaliar um bom aluno deve ser se ele é bom no que faz.

Dixit.

jpv


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AVALIAR NÃO É ISTO!

DE RERUM NATURA
Avaliar não é isto!

O Excel é uma praga na Educação. Um cancro. O Excel é a subversão consciente de um processo reflexivo e de uma tomada de decisão pedagógica. É  a conversão de algo sério numa conta. Numa coisa que qualquer tabuada faz. Ao usarem o Excel, os docentes autodestituem-se de uma das mais importantes, complexas, e difíceis tarefas da sua profissão: a avaliação. E substituem-na por classificar. O recurso à folha de cálculo é um ato de cobardia pernicioso. É assumir que temos de comprovar objetivamente um processo que não é, nunca foi, objetivo, que nunca se quis objetivo porque é, na sua essência, subjetivo.

Usar a folha de cálculo é destituirmo-nos da responsabilidade de darmos uma nota porque sim, porque quisemos, porque assim decidimos à luz dos critérios estabelecidos e da observação feita.

Um professor com o Excel em punho é um impotente, um desautorizado, um tipo que abdicou do seu conhecimento e da sua preparação para desempenhar a sua profissão com as regras dos outros. É um perdido a tentar justificar o injustificável a quem não tem de justificar coisa nenhuma. Não são os professores que têm de justificar perante os pais as notas que os filhos têm. É exatamente o oposto. São os pais que têm de dizer aos professores porque é que os filhos têm as notas que têm.

Pior do que um professor que usa a folha de cálculo, só um professor que usa a folha de cálculo e dá testes! Os testes não avaliam nada, a não ser um conjunto de condicionalismos falíveis. Os testes focam-se, mal, num produto, tal como a folha de cálculo se foca numa súmula de produtos. O processo avaliativo foca-se numa progressão, na caracterização e na descrição de um percurso. Inclui dados não plasmáveis em Excel nenhum e formas de recolha não previstas em grelha alguma.

Um professor informado, atento, e não domesticado pela ditadura dos testes e das folhas de cálculo, sabe sempre que nota um aluno merece. E, normalmente, é a mesma nota que o próprio aluno considera que merece. Os alunos ainda não tiraram cursos superiores, não aprenderam pedagogia, nem didática, nunca fizeram pós-graduações, nem mestrados, em avaliação pedagógica e, contudo, sabem, com uma precisão impressionante, a nota que merecem. Porquê? Porque, tal como o professor, participaram no processo. No caso deles, com a virtude de não serem reféns dessa parafernália inútil de instrumentos de registo e cálculo. Cálculo de quê? Na avaliação pedagógica, não há lugar a cálculos. Há lugar a tomadas de decisão incalculáveis. É por isso que precisamos de cursos superiores e formação pedagógica especializada. Não é para transmitir conhecimentos que já estão em todo o lado. Nós servimos para orientar e acompanhar o processo de aprendizagem e para tomar as decisões avaliativas que melhor descrevam o percurso dos alunos.

Em Educação, a utilização de folhas de cálculo para avaliar e, até, para classificar, representa o triunfo da ignorância. O triunfo do primado da quantificação sobre o da qualificação. E não me venham com a conversa dos exames. Isso é uma treta. Os alunos mais bem preparados para fazer exames são aqueles que tiveram as experiências de aprendizagem mais ricas, mais desafiantes e mais exigentes. Não são os que fizeram mais testes ou passaram em mais filtros do Excel.

Não há Educação sem seres humanos, como não há avaliação justa e eficaz que não seja humanizada e a decisão tem de ser sempre subjetiva, construída, processual, progressiva e… humana.

Neste processo, tudo o que sucumba ao frémito de objetivar, à febre de quadricular, é espúrio. É um estorvo. Contribui para a destruição da avaliação pedagógica e não para a sua melhoria.

Tenho dito!
jpv