

As coisas
À minha volta
Parecem ter de dia
Uma luz que lhes falta
À noite.
Não é defeito,
É só um negativo.
De dia, sorriem.
À noite, estão caladas.
De dia, exibem cores,
À noite, mostram o aconchego,
De dia, florescem,
À noite, descansam.
E é neste mudar
Constante
Que passamos
Os dias
E as noites.
Como obstáculos,
Ou como fronteiras.
Eu vivo
Dois
Por cada um que passa.
Quem sabe
Foram desenhados
Assim…
Em vez de
Vinte um mil
Quatrocentos e quarenta e dois dias,
Tenha vivido o dobro.
Teria agora
Quarenta e dois mil
Oitocentos e oitenta e quatro dias.
Ou então,
Não há como
Contá-los.
O tempo
É um infinito,
Geral.
E particular.
E cada um de nós
Vive o seu
Infinito.
E os infinitos
Cruzam-se
De tempos
A tempos
E chamam-se
Amor.
jpv