Morrer é mais do que isto. Tem de ser.
As pessoas mencionam o que Luís Represas representou para o seu, na altura presente, e rasgam-lhe elogios como se fosse a única coisa possível. E rasgam-nos, e alguns, nem sequer sabem do que falam.
Com a morte de Luís Represas, vai também a enterrar um estilo de música, uma busca pela arte, um perfeccionismo, que não permitiria a muitos dos que hoje o elogiam serem, sequer, artistas. Com ele morre esse autoconceito de que a música é mais do que rimar, de que essas palavras têm de viver para sempre. Cada canção obriga-nos a um esforco que ela tem para além do significado das letras.
Ele que me perdoe, mas foi um dos últimos representantes desse tipo de exigência, desse tipo de pessoa que publica um disco e o seu foco vira-se imediatamente para o que não ficou tão bem.
É um dos últimos a pegar num poema da Florbela Espanca e a fazer esquecer quem foi o autor do texto. Muitos acham que é dele! É um dos últimos representantes dessa coisa que se chama “fazer bem e depois voltar a olhar para ver se está tudo bem feito.”
Até sempre, Luís Represas.
jpv






