
As noites,
Aqui,
Têm tudo o que lhes pertence.
O piar de uma coruja,
Um cão a latir ao longe,
Um carro que passa
E uma moto noturna,
Esquecida.
Duas mulheres
Que não se calam,
E julgam que ninguém as ouve,
Um gato procurando
Uma fêmea teimosa,
E o mar.
Sim, daqui ouvimos o mar.
Não é como se vivêssemos
Ao longe,
Na Suiça ou na Bélgica,
Ou lá onde vivem
Os desmareados.
É aqui.
O mar ouve-se daqui.
Um dia
Hei-de contar a um neto
Que o avô
Vive onde se pode ouvir
O mar.
jpv
