
Voltei à biblioteca
Passados uns quinze dias.
Tinha saudades
E continuarei com elas.
Uma biblioteca escolar,
E suponho que qualquer
Biblioteca,
Não é nada
Sem os seus leitores.
Sem o seu
Fingido de haver
Silêncio.
Agora sim, há silêncio,
Ouve-se uma música
Dos anos oitenta
Na rádio.
Devagarinho,
Quase sem se escutar.
Só a senhora da biblioteca
E mais nada.
E eu a pensar
Que o silêncio
Trazia personalidade…
Não.
O silêncio traz morte.
O que traz personalidade
É um ruído muito específico
Dos alunos a marulhar
Informações.
Estou aqui.
E não tenho
Nada para ver.
Foram todos embora.
E deixaram-nos aqui.
Sozinhos.
E ao silêncio.
jpv