Mails para a minha Irmã

"Era uma vez um jovem vigoroso, com a alma espantada todos os dias com cada dia."


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Visões de uma Escola – 4/12

Direçao Intermédia: Conselho de Grupo

Os Conselhos de Grupo e Departamentais assumem um papel estratégico e operativo determinante na governação pedagógica da escola, funcionando como estruturas de mediação entre a Direção e os docentes, espaços de construção coletiva do currículo e motores da coerência científico‑didática.

Foto por jpv. Castelo de Leiria.

Junto da Direção, estes Conselhos transformam orientações institucionais em planos curriculares concretos e exequíveis: analisam as diretrizes do projeto educativo, traduzem‑nas em objetivos de ensino por disciplina ou área, propõem ajustes de organização curricular (sequências didáticas, cargas horárias, prioridades temáticas) e apresentam diagnósticos sustentados por evidências sobre desempenho, necessidades de formação e recursos materiais.

Exercem um papel consultivo qualificado, sugerem políticas de avaliação, critérios de promoção e instrumentos de monitorização, e, simultaneamente, um papel de execução: colaboram com a Direção na calendarização de atividades, na articulação interturmas e na implementação de projetos transversais, garantindo que as decisões estratégicas tenham correspondência com a prática de sala de aula.

Para a Direção são também interlocutores privilegiados na identificação de problemas e oportunidades pedagógicas. Os Conselhos sistematizam informação sobre resultados, lacunas de aprendizagem e tendências disciplinares, propondo intervenções específicas (mesas redondas, ações de recuperação, projetos de enriquecimento curricular) e delineando indicadores de sucesso. Essa capacidade analítica reduz a assimetria informativa entre gestão e sala de aula, conferindo maior legitimidade às decisões e favorecendo uma liderança partilhada.

Foto por jpv. Pormenor de livro.

Em contextos de mudança, revisão de currículo, adoção de novas metodologias, integração de recursos digitais, os Conselhos desempenham a função crítica de planear fases de implementação, prever impactos sobre organização e formação docente, e desenhar mecanismos de avaliação e ajuste.

Na relação com os outros docentes, os Conselhos são núcleos de coordenação pedagógica e profissionalização coletiva. Promovem a coerência interna: articulam conteúdos e competências entre anos e disciplinas, harmonizam critérios de avaliação e asseguram progressões curriculares que evitem repetições desorganizadas ou lacunas.

Constituem também fórum de partilha de práticas, onde se debatem sequências didáticas, instrumentos de avaliação e estratégias de diferenciação para responder à diversidade. Ao institucionalizar momentos de trabalho colaborativo, elaboração conjunta de planos de turma, observação entre pares, análise de provas comuns, fomentam cultura de melhoria contínua e responsabilidade coletiva sobre os resultados de aprendizagem.

Os Conselhos têm ainda papel central na formação contínua dos docentes. Identificam necessidades formativas a partir de evidências do terreno e planeiam ações concretas, sessões temáticas, oficinas de metodologia, grupos de estudo, projetos de investigação‑ação, que respondem a problemas reais da prática. Ao envolver docentes na conceção e avaliação dessas ações, promovem apropriação e sustentabilidade das mudanças pedagógicas.

Foto por jpv. Pormenor de Leiria.

Atuam como instâncias de supervisão pedagógica não hierárquica: monitorizam a aplicação de metodologias inovadoras, recolhem evidências de impacto e propõem ajustes, equilibrando autonomia profissional e responsabilidade institucional.

No domínio da avaliação e da qualidade, os Conselhos elaboram e uniformizam instrumentos avaliativos, discutem critérios de classificação e promovem análises coletivas de provas e tarefas. Essa prática contribui para maior justiça e fiabilidade nos processos de avaliação e permite intervenções calibradas para melhorar aprendizagens.

Por outro lado, os Conselhos articulam com serviços de apoio (psicologia, orientação, inclusão) para desenhar respostas integradas a necessidades específicas, assegurando que estratégias pedagógicas e medidas de suporte caminhem em conjunto.

A dimensão relacional e ética também é central: os Conselhos mediam conflitos profissionais e pedagógicos, promovem normas de colaboração e definem práticas de comunicação com a comunidade educativa.

Ao estabelecer procedimentos claros para elaboração de provas, recuperação, registos e comunicados, reduzem ambiguidades que poderiam gerar fricções entre docentes e entre escola e famílias. Essa regulação colectiva favorece um clima de trabalho mais previsível e profissionalizado.

Foto por jpv. Pormenor de Leiria.

Para que os Conselhos de Grupo e Departamentais cumpram plenamente estas funções, são necessárias condições organizativas e culturais claras: tempo estruturado para trabalho colaborativo; reconhecimento formal das suas decisões pela Direção; acesso a dados relevantes (resultados, relatórios de turmas); formação para os membros em liderança pedagógica, análise de dados e condução de reuniões produtivas; e mecanismos de responsabilização e acompanhamento que transformem recomendações em planos de ação com prazos e responsáveis.

A representatividade equitativa, o respeito pelas especificidades disciplinares e a abertura a contributos interdisciplinares são igualmente cruciais para evitar compartimentações e potenciar sinergias.

Quando fracos ou meramente procedimentais, os Conselhos tornam‑se caixas de ressonância sem impacto real. Decisões desconectadas da prática, avaliações inconsistentes e fragmentação pedagógica.

Pelo contrário, quando bem estruturados, são instrumentos de governação que elevam a qualidade educativa: promovem coerência curricular, sustentam inovação prática, fortalecem a formação docente e aproximam a Direção da realidade das salas de aula.

Em última análise, os Conselhos de Grupo e Departamentais não são apenas órgãos consultivos, são o coração técnico‑pedagógico da escola, onde se forjam as políticas didáticas que determinam resultados de aprendizagem, inclusão e clima escolar.

jpv


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Visões de uma Escola – 3/12

Direção Intermédia: Diretores de Turma

Os Diretores de Turma exercem uma função central de mediação pedagógica, organizativa e relacional que articula a ação da Direção com a vida quotidiana das turmas e com as famílias.

Foto por jpv. Bandeira de Portugal na ESDS.

Junto da Direção, o Diretor de Turma é um parceiro operacional e informativo: traduz para o nível da sala de aula as orientações estratégicas definidas pela liderança, contribui com diagnóstico realista sobre necessidades pedagógicas e de recursos, e apoia a implementação de políticas escolares. Esse papel começa pela recolha e sistematização de informação sobre o desempenho académico, comportamento, assiduidade e indicadores socioemocionais dos alunos. O Diretor de Turma faz chegar esses dados à Direção com propostas concretas de intervenção, priorização e acompanhamento, ajudando a transformar decisões estratégicas em planos de ação exequíveis.

Ao mesmo tempo, atua como agente de monitorização, acompanha a execução de programas e projetos aprovados pela Direção, sinaliza obstáculos emergentes, sugere ajustes e verifica impactos, garantindo que as medidas administrativas, horários, distribuição de turmas, recursos, tenham efeito pedagógico real.

No plano relacional e organizativo interno, o Diretor de Turma é um fulcro de coordenação entre colegas. Promove a coerência curricular e metodológica dentro da turma, facilita a articulação entre disciplinas, organiza reuniões de equipa pedagógica e encoraja partilha de práticas. Esse trabalho coletivo fortalece a qualidade do ensino e reduz a fragmentação de ações que prejudica a aprendizagem.

Além disso, o Diretor de Turma exerce liderança pedagógica informal ao acompanhar metodologias, propor estratégias de diferenciação e estimular práticas de avaliação formativa, servindo muitas vezes como primeiro interlocutor para questões que exigem intervenção da Direção ou dos serviços de apoio.

Em situações de mudança, implementação de projetos, reorganização de turmas, introdução de novas práticas avaliativas, o Diretor de Turma facilita a transição, prepara colegas e alunos, e assegura que a execução siga as orientações da Direção com fidelidade e sentido crítico.

Foto por jpv. Cláudia segura pela primeira vez o livro.

Junto dos pais e encarregados de educação, o Diretor de Turma assume um papel de ponte, confiança e orientação. É frequentemente o principal contacto da família com a escola, responsável por estabelecer canais de comunicação claros, regulares e empáticos. Essa relação começa com a criação de um clima de confiança. O Diretor de Turma informa sobre objetivos educativos, critérios de avaliação, rotina da turma e expectativas, mas também escuta preocupações familiares, contextualiza comportamentos dos alunos e esclarece procedimentos da escola. Ao fazer essa mediação, traduz as políticas e decisões da Direção em linguagem acessível, explicando razões e implicações de mudanças, o que fortalece a legitimidade das opções pedagógicas e reduz mal-entendidos.

No apoio direto às famílias, o Diretor de Turma orienta sobre estratégias de apoio ao estudo em casa, sinais de alerta sobre dificuldades de aprendizagem ou socioemocionais e caminhos formais para solicitar apoios especializados. Quando surgem conflitos, dificuldades de comportamento ou questões disciplinares, cabe-lhe gerir a primeira abordagem, promover reuniões de esclarecimento e propor acordos de intervenção partilhados entre escola e família. Nesses momentos, a sua capacidade de escuta ativa, de comunicação não acusatória e de mediação é decisiva para construir soluções conjuntas e sustentáveis.

Além disso, o Diretor de Turma promove a participação dos encarregados na vida escolar, incentivando envolvimento em atividades, reuniões periódicas e projetos, contribuindo para uma ação educativa mais integrada entre casa e escola.

O papel do Diretor de Turma é ainda essencial na identificação precoce de necessidades de inclusão e na articulação com serviços de apoio, psicopedagógicos, de orientação, ou externos. Ao sinalizar à Direção e aos serviços competentes as necessidades individuais, acompanhando recomendações e garantindo o seu cumprimento no plano quotidiano da turma, assegura-se que alunos com dificuldades recebam respostas rápidas e coordenadas. Isto implica manter registos organizados, partilhar informação relevante com confidencialidade e garantir que as adaptações curriculares e estratégias de diferenciação sejam efetivamente aplicadas pelos docentes.

Para desempenhar bem estas funções, o Diretor de Turma precisa de autonomia operacional, reconhecimento formal do seu tempo de trabalho e formação específica em gestão de turma, comunicação com famílias e intervenção socioemocional.

Foto por jpv. Escola Secundária Domingos Sequeira.

Boas práticas incluem estabelecer rotinas de reunião com a Direção, relatórios regulares e sucintos sobre a turma, horários fixos de atendimento às famílias, uso de instrumentos de comunicação claros, plataformas, agendas, sumários, e procedimentos estabelecidos para acompanhamento de casos.

A colaboração estreita com coordenadores curriculares e com os serviços de apoio fortalece a sua ação e evita sobrecarga isolada.

Em síntese, os Diretores de Turma são elo estratégico entre Direção e comunidade.

Junto da Direção traduzem necessidades da sala de aula em informação e propostas acionáveis, monitorizam a implementação de políticas e promovem coerência pedagógica. Junto das famílias estabelecem comunicação de confiança, orientam, mediam conflitos e mobilizam apoios. Quando bem apoiados pela escola, são agentes decisivos para a melhoria da aprendizagem, da inclusão e da convivência escolar.

jpv


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Visões de uma Escola – 2/12

Estrutura Primordial: Conselho Pedagógico

O Conselho Pedagógico é o órgão coletivo de orientação pedagógica da escola, com funções consultivas e decisórias sobre currículo, organização didática, avaliação, formação docente e projetos educativos.

Para a Direção, o Conselho Pedagógico é um parceiro estratégico insubstituível. Ao produzir diagnósticos pedagógicos sustentados por dados, resultados de aprendizagem, observações de prática, relatórios de turmas, o Conselho fornece à Direção informações cruciais para priorizar intervenções, definir metas e alocar recursos.

Foto por jpv. Castelo de Leiria.

Em vez de decisões administrativas tomadas isoladamente, a Direção ganha recomendações construídas coletivamente que aumentam a legitimidade das opções e reduzem resistências internas. Essa articulação é especialmente valiosa quando se tratam de mudanças sistémicas, por exemplo, introdução de avaliação formativa, adoção de práticas de ensino diferenciado ou integração de ferramentas digitais, visto que o Conselho pode preparar planos de implementação, prever necessidades de formação e propor fases de monitorização.

Além disso, o Conselho assegura coerência entre medidas administrativas, como horários, cargas lectivas, distribuição de professores e calendário de atividades, e os objetivos pedagógicos, evitando desconexões que prejudiquem a prática docente e a experiência de aprendizagem.

A dimensão de responsabilização e transparência também é central para a Direção. Registos formais das decisões pedagógicas, atas e planos com prazos e responsáveis permitem justificar opções perante órgãos superiores, inspeção e encarregados de educação, fortalecendo a prestação de contas.

Ao envolver ativamente professores e coordenadores nas decisões, o Conselho promove liderança distribuída: isso não só aumenta a corresponsabilização pela execução das políticas, como também enriquece as decisões com diversidade de pontos de vista, experiências e saberes de sala de aula. Para a Direção, isto traduz‑se numa gestão de mudança mais eficaz e numa escola mais resiliente perante desafios da comunidade e do contexto educativo.Para a comunidade escolar, docentes, alunos e encarregados, o Conselho Pedagógico assume um papel transformador no quotidiano pedagógico.

Em primeiro lugar, atua como motor do desenvolvimento profissional docente: identifica lacunas e necessidades formativas, propõe ações contínuas e organiza trocas de prática que elevam a qualidade do ensino. Quando o Conselho promove estudo de casos, observação entre pares e sessões de formação alinhadas com problemas concretos da escola, os professores sentem‑se apoiados e ganham instrumentos práticos para melhorar a aprendizagem.

Foto por jpv. Pormenor da ESDS.

Em segundo lugar, o Conselho influencia diretamente a qualidade da prática educativa ao decidir e acompanhar projetos pedagógicos, metodologias e critérios de avaliação que estruturam o trabalho em sala de aula. Estas decisões têm impacto imediato sobre como os alunos aprendem, sobre a coerência das sequências didáticas e sobre a justiça e transparência dos processos de acreditação e promoção.

A aproximação entre escola e família é outra área onde o Conselho faz a diferença. Quando comunica de forma clara as suas recomendações, metas e critérios, contribui para que os encarregados compreendam o projeto educativo, participem de forma informada e apoiem as rotinas de estudo e as expectativas pedagógicas em casa. O envolvimento da comunidade diminui o fosso entre ambientes de aprendizagem e potencia estratégias conjuntas para apoiar alunos com dificuldades.

Paralelamente, o Conselho funciona como espaço de defesa dos interesses dos alunos: avaliando necessidades de inclusão, propondo adaptações curriculares e medidas de apoio, gera respostas mais sensíveis às diferenças individuais e contextuais. Também ocupa-se de questões de convivência e ética escolar, definindo normas de disciplina, protocolos contra o bullying, e orientações sobre cidadania, o que contribui para um clima escolar mais seguro e pedagógico.

Na prática quotidiana, o Conselho cumpre um conjunto de funções concretas: aprova o projeto educativo e o plano anual de atividades pedagógicas; define políticas de avaliação e critérios de promoção; propõe e monitora ações de formação docente; analisa resultados de aprendizagem e recomenda intervenções específicas; e acompanha medidas de inclusão. Para que estas funções tenham impacto real, é essencial que as decisões sejam acompanhadas por planos operacionais com responsáveis, prazos e indicadores de monitorização. Sem esse seguimento, as decisões ficam no papel e perdem a sua força transformadora.Existem boas práticas que potenciam o funcionamento do Conselho Pedagógico.

Foto por jpv. Pormenor da ESDS.

Uma agenda orientada por evidências, dados de avaliação, relatórios de ensino e resultados de projetos, deve orientar as reuniões; a representatividade deve ser real, incluindo docentes de diferentes ciclos e áreas, coordenadores e, quando previsto, representantes de alunos e encarregados; a comunicação deve ser transparente, com atas e sumários divulgados de forma acessível; e deve haver reconhecimento do tempo e da disponibilidade dos membros, com períodos de trabalho e formação específicos. Avaliar periodicamente a própria atuação do Conselho ajuda a ajustar processos e a incrementar eficácia. Além disso, o estabelecimento de mecanismos de avaliação e feedback, por exemplo, consultas à comunidade sobre medidas implementadas, reforça a legitimidade e aprimora o ciclo de decisão.

O risco de ter um Conselho fraco ou inoperante é considerável: pode resultar em decisões desalinhadas com a prática pedagógica, resistência dos professores, implementação inconsistente de políticas e perda de confiança por parte da comunidade escolar. Por outro lado, um Conselho funcional, representativo, baseado em evidências e com seguimento operacional, transforma a governação pedagógica em melhoria concreta da aprendizagem, promove uma cultura de colaboração e inovação e fortalece a relação entre Direção, professores, famílias e alunos.

Em suma, o Conselho Pedagógico é muito mais do que um órgão consultivo: é um motor de coesão pedagógica e liderança partilhada. Para a Direção, é fonte de diagnóstico, legitimidade e suporte na gestão de mudanças; para a comunidade escolar, é espaço de desenvolvimento profissional, de defesa dos alunos e de aproximação entre escola e família. Se o Conselho for bem estruturado, transparente e orientado por evidências, contribui decisivamente para que as decisões se convertam em práticas eficazes e sustentáveis, elevando a qualidade educativa e o bem‑estar escolar.

jpv


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Visões de uma Escola – 1/12

Direção e Estruturas Adjuntas

A escola contemporânea vive um momento de complexidade crescente que exige da direção não só visão pedagógica, mas também competência organizacional e capacidade de resposta rápida a múltiplos desafios. Num quadro em que políticas públicas mudam com frequência, os recursos financeiros são limitados, a diversidade das necessidades dos alunos aumenta e a pressão por resultados externos se intensifica, a fórmula da direção isolada mostra‑se insuficiente. A constituição de equipas adjuntas da direção surge, assim, como uma solução estratégica que permite repartir responsabilidades, aprofundar competências técnicas e garantir uma maior resiliência institucional. Para que esta solução funcione plenamente, porém, é necessário um desenho intencional das funções, uma cultura de trabalho colaborativo e processos claros de comunicação e avaliação.

Foto por jpv. Pormenor da ESDS.

Primeiro, é importante delinear com precisão que papéis as equipas adjuntas podem assumir. Para além do adjunto para o currículo, responsável pela coerência curricular, articulação entre ciclos e acompanhamento de práticas pedagógicas, convém prever adjuntos para gestão de recursos humanos (formação, horários, integração de novos docentes), para disciplina e bem‑estar (mediação de conflitos, apoio socioemocional e políticas de inclusão), para inovação e tecnologia (implementação de soluções digitais, formação em literacia digital), para relações externas (parcerias com autarquias, empresas e comunidade), e para uma dimensão, cada vez mais emergente, as relações internacionais. Por outro lado, teremos em conta a EMAEI e a equipa que organiza a avaliação externa. Cada uma destas funções deve ter descrições de competências e responsabilidades bem definidas, limites de autonomia e mecanismos de reporte à direção. Uma distribuição clara reduz sobreposições e evita que tarefas burocráticas consumam o tempo que deveria ser dedicado à liderança pedagógica.

Os constrangimentos contemporâneos apresentam várias frentes que condicionam o trabalho da direção e das equipas adjuntas. A sobrecarga administrativa, com plataformas digitais, relatórios obrigatórios e exigências de prestação de contas, tende a tornar a gestão reativa. Para mitigar esse efeito, é imprescindível simplificar fluxos de trabalho. Identificar tarefas que podem ser automatizadas ou agregadas, delegar formalmente responsabilidades administrativas a um adjunto ou secretariado e estabelecer procedimentos padrão com filtros de prioridade. A limitação orçamental impõe escolhas e prioridades, aqui, o papel da equipa adjunta de recursos humanos e de relações externas é crucial para captar parcerias, gerir horários e potenciar a formação interna de baixo custo, bem como para desenhar candidaturas a fundos externos.

Foto por jpv. Escola Secundária Domingos Sequeira

Outra dimensão crítica é a pressão por resultados imediatos, frequentemente medida por avaliações externas que privilegiam indicadores quantitativos. A liderança partilhada permite contrabalançar essa pressão com uma estratégia que valorize processos e progressos. A equipa adjunta do currículo pode implementar avaliações formativas, desenvolver indicadores intermédios de progresso e documentar práticas eficazes que expliquem os resultados, transformando exigência de prestar contas em oportunidade de desenvolvimento profissional. A crescente complexidade das necessidades dos alunos, desde questões de saúde mental a lacunas de aprendizagem, requer respostas individualizadas. Uma equipa adjunta dedicada ao bem‑estar tem condições de coordenar redes de apoio com serviços externos, desenhar protocolos de intervenção e formar docentes em estratégias de diferenciação pedagógica.

A transformação digital, por sua vez, é tanto uma oportunidade quanto um constrangimento: sem literacia digital suficiente e sem infraestruturas adequadas, a tecnologia aumenta desigualdades e frustra iniciativas. Uma estratégia eficaz passa por nomear um adjunto responsável pela integração tecnológica, elaborar um plano de formação escalonado, priorizar ferramentas que respondam a necessidades pedagógicas concretas e estabelecer indicadores simples de utilização e impacto. É igualmente necessário prever contingências para crises externas, pandemias, tempestades , catástrofes económicas ou rupturas comunitárias, através de planos de continuidade que distribuam responsabilidades à equipa adjunta e garantam comunicação clara com pais e parceiros.

As vantagens de uma equipa adjunta bem estruturada são numerosas e concretas: reduz a sobrecarga da direção, permite decisões mais célere e contextualizadas, assegura continuidade institucional em transições de liderança e amplia a capacidade de inovação por via de equipas multidisciplinares. Na prática, uma equipa adjunta que dispõe de autonomia para executar projetos piloto (com critérios claros de avaliação) promove cultura de experimentação e disseminação de boas práticas. Além disso, a liderança partilhada melhora o clima organizacional, ao criar percursos de desenvolvimento para docentes com vontade de assumir funções de coordenação, diminuindo riscos de esgotamento e rotatividade.

Para maximizar essas vantagens, recomendo um conjunto de medidas operacionais: desenhar organogramas e descrições de função detalhadas, com metas anuais e critérios de avaliação; instituir reuniões de coordenação regulares, curtas e orientadas por pauta, com sínteses e decisões registadas; criar plataformas de partilha documental para protocolos, planos e recursos, garantindo acesso controlado e atualizações; priorizar formação contínua alinhada com as necessidades identificadas no diagnóstico anual, por exemplo, módulos sobre avaliação formativa, gestão de conflitos, liderança distribuída e literacia digital; adotar indicadores mistos, quantitativos e qualitativos, que permitam monitorizar progresso pedagógico, clima escolar, eficácia dos projetos e impacte das ações da equipa adjunta; implementar processos de delegação formal, com definição de níveis de autonomia e mecanismos de reporte à direção; desenvolver um plano de sucessão e de retenção que valorize a experiência sénior e integre estratégias de mentoring para novos líderes; reservar tempo no calendário para reflexão estratégica e avaliação de projetos, não apenas para operacionalidade.

Foto por jpv. Escola Secundária Domingos Sequeira.

Alguns exemplos práticos ajudam a concretizar estas recomendações. Num agrupamento com turmas heterogéneas, o adjunto do currículo pode coordenar um programa de diferenciação que combine turmas flexíveis para línguas e matemática, avaliações formativas trimestrais e formação específica para os docentes envolvidos; os resultados são monitorizados por indicadores de progresso por grupo e por reflexão qualitativa em reuniões pedagógicas. Numa escola com recursos tecnológicos limitados, o adjunto de inovação pode organizar um plano por fases: primeiro, formação básica para docentes em ferramentas gratuitas, depois criação de recursos partilhados e, finalmente, avaliação do impacto através de evidências de utilização e depoimentos de professores e alunos. Em situações de crise por exemplo, confinamento, um plano de continuidade preparado pela equipa adjunta define quem comunica com pais, quem organiza conteúdos online, e como monitorizar presença e aprendizagem, reduzindo improvisação.

Por fim, a dimensão cultural é determinante: equipas adjuntas só produzem ganho real se co-existirem com uma cultura de confiança, transparência e reconhecimento. A direção deve cultivar práticas de comunicação aberta, reconhecer publicamente contributos individuais e coletivos, e garantir espaço para discussão crítica e proposição de melhorias. A avaliação das equipas adjuntas deve privilegiar desenvolvimento, usar feedback formativo, autoavaliações e revisões anuais que conduzam a ajustamentos incrementais.

Em suma, as equipas adjuntas da direção não são apenas um arranjo organizativo; são um inlvestimento estratégico que permite à escola responder melhor aos constrangimentos contemporâneos e, simultaneamente, potenciar inovação, desenvolvimento profissional e continuidade institucional. O sucesso depende, contudo, de desenho funcional rigoroso, formação orientada, processos de comunicação e avaliação claros, e de uma cultura que valorize a liderança partilhada como caminho para uma escola mais eficaz, equitativa e resiliente.

jpv


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A Escola

Este será um aspecto que tratarei em breve. Será um conjunto de dez capítulos sobre outros tantos intervenientes que, me parece, fazem sentido.

Se puder, publicarei um por dia. Mas sabem como é, eu sou professor. Três já estão escritos. Os restantes ainda não. Falhas podem acontecer.

Até já!

jpv


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Cavadela

Foto por jpv. Coimbrão.

No cimo, o castelo,

Como que vigiando,

Se estava tudo a acontecer

Conforme devia.

Depois, eu, na biblioteca.

E por fim, ele.

Tinha uma idade

Indecifrável,

Por entre as cavadelas

Que ajeitava

E outras que lhe

Saiam ao lado.

Tinha tudo o que se pede

A um cavador.

Às vezes, sem sabermos como,

Nem porquê,

Ficava a olhar o trabalho.

E, com o pé,

Vai vendo se o terreno

Queda direito.

Tudo tem o seu tempo

E a sua medida.

Por vezes, entre cavadelas,

dava uma ao contrário

Como se quisesse sacudir

O que estava a mais.

E, abria as pernas,

Porque, só quem lá andou,

É que sabe,

Assim se acerta

Um eixo de terra.

E, por fim,

Dava uma ou duas caneladas

Com com o pé direito na enxada,

A direito.

E ali andava ele

Como se fosse sua,

Só sua,

A enxada, o terreno,

E a mesura

Daquelas pancadas.

Nem de mais

Nem de menos.

Com autorização do castelo

Caíram umas bátegas

De água, a lembrar bons tempos.

E ele lá continuava

A sua labuta.

Tinha-lhe dado aquela ordem.

E ele cumpriu-a.

Como se cumpriam

Antigamente.

Do sol nascer

Até ao pôr do sol.

Não saiu dali,

Enquanto não visse

Toda a terra baldeada

E direita.

Pode um homem

Faltar-lhe muita coisa

Mas não lhe pode

Escapar o jeito

De baldear e endireitar

A terra.

Depois, Deus não quis

Que se brincasse mais

E enviou uma

Senhora chuvada,

Que até os homens antigos

Se abrigariam dela.

Deixei de o ouvir.

E o castelo continuou

A sua magia.

jpv


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Amor absurdo

Foto por Ângela. Coimbrão.

Entras sem aviso,

Como quem muda a cor do ar

Só para nos ver.

Rimos porque é impossível não rir,

Tu és a graça sagrada que me salva.

Teu corpo é um argumento

Que refuta o mundo.

Cada toque uma hipótese.

Culpado pela ternura,

Culpa que me confessa e me absolve

Ao mesmo tempo.

A loucura aqui é simples,

Amar-te sem condições,

Aceitar que nada faça sentido além de ti.

É fé sem templo.

É não ter medo

De ser inteiro em algo

Que não precisa de razão.

Vem, que eu celebro esse absurdo limpo.

Fazemos da noite um acerto de contas

Com o céu.

Se o amor é um erro,

Que seja perfeito.

Se é verdade, que seja sem cálculo,

Só nós dois.

jpv


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Ordem…

Foto por jpv. Pedrógão.

No silêncio, estrelas alinham-se ao mar,
Um fio de tempo prende céu e chão,
Cada corpo obedece a uma canção,
Num acorde antigo que insiste em ficar.

Há leis sem rosto que ensinam a girar,
Um mapa manso traçado pela mão,
A matéria curva-se ao mesmo refrão,
E o acaso aprende onde pode pousar.

Olhos que buscam ler essa medida,
Encontram na pausa o ritmo do viver,
A ordem não sufoca, é guarida,

Que deixa o erro florir e aprender.
Assim o universo escreve e convida:
Ser inteiro no traço de todo ser.

jpv


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Como vamos tendo leitores

Como temos vindo a anunciar, o nosso blogue vai tendo as leituras possíveis. Para nós são ótimas. Quer pela dispersão do público, quer pela sua persistência em regressar. Estamos muitíssimo gratos.

Foto em 11/05/26 sobre dados de 11/05/26


2 comentários

Que tipo de aulas?

Quando tinha uma aula para preparar, ou um conjunto de aulas, tinha sempre pela frente diversas opções. Agora, já não perco tempo. É uma mistura saudável das opções disponíveis. Assim…

Foto por Cláudia. Pedrógão.

Aula expositiva: útil para introduzir conceitos, clarificar definições e modelar pensamento. Usar de forma focada e curta, não como único método. Mas não esqueça, a arte de ser um bom apresentador é fundamental.

Aula com apresentação: bom suporte visual e organizacional, vulgo, PowerPoint, serve muito bem para destacar pontos-chave, imagens e esquemas. Evita excesso de texto. Deve ser usado como apoio, não como roteiro.

Aula com recurso ao manual: importante para alinhamento curricular, exercícios e referência. Bom quando combinado com actividades que promovam compreensão ativa. Por outro lado, é um recurso que uniformiza as opções. Já fui muito contra os manuais. Agora, não os largo.

Misturar: Exposição direta (introdução), atividades ativas, discussões, resolução de problemas, microensino, uso de materiais, manual, leituras, e uma síntese ou avaliação.

Princípio: alterna momentos de explicação, aplicação e reflexão.

Avaliação formativa constante: microaulas, feedback e portfólios.

Bem se vê que sou mais pelas aulas mistas! Satisfeitos??

Aceitam-se comentários …

jpv