
Nada.
Só nada.
Não é por bem,
Nem por mal.
É uma constatação.
Nada.
A menos que haja uma salvação,
Um Deus com cabelos crispados,
E tão cheio e erros,
Uma amálgama de equívocos,
Mortes desnecessárias
E sofrimentos avulsos.
Temos tanto que nos zangar.
Que regras são estas
Que nos punem sempre.
Hei-de bater-lhe
Se tiver oportunidade.
Como pode haver misercórdia.
Se o juíz tem duas varas
É cego dum olho
Coxo de uma perna
E sofre de demência.
E, contudo,
Não me deito
Sem pôr-lhe a vida nas mãos.
jpv