
Entras sem aviso,
Como quem muda a cor do ar
Só para nos ver.
Rimos porque é impossível não rir,
Tu és a graça sagrada que me salva.
Teu corpo é um argumento
Que refuta o mundo.
Cada toque uma hipótese.
Culpado pela ternura,
Culpa que me confessa e me absolve
Ao mesmo tempo.
A loucura aqui é simples,
Amar-te sem condições,
Aceitar que nada faça sentido além de ti.
É fé sem templo.
É não ter medo
De ser inteiro em algo
Que não precisa de razão.
Vem, que eu celebro esse absurdo limpo.
Fazemos da noite um acerto de contas
Com o céu.
Se o amor é um erro,
Que seja perfeito.
Se é verdade, que seja sem cálculo,
Só nós dois.
jpv