Mails para a minha Irmã

"Era uma vez um jovem vigoroso, com a alma espantada todos os dias com cada dia."


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Amor absurdo

Foto por Ângela. Coimbrão.

Entras sem aviso,

Como quem muda a cor do ar

Só para nos ver.

Rimos porque é impossível não rir,

Tu és a graça sagrada que me salva.

Teu corpo é um argumento

Que refuta o mundo.

Cada toque uma hipótese.

Culpado pela ternura,

Culpa que me confessa e me absolve

Ao mesmo tempo.

A loucura aqui é simples,

Amar-te sem condições,

Aceitar que nada faça sentido além de ti.

É fé sem templo.

É não ter medo

De ser inteiro em algo

Que não precisa de razão.

Vem, que eu celebro esse absurdo limpo.

Fazemos da noite um acerto de contas

Com o céu.

Se o amor é um erro,

Que seja perfeito.

Se é verdade, que seja sem cálculo,

Só nós dois.

jpv


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O que fica…

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Fica só a dor.
No fim do amor.
Fica só o desespero
Da indiferença
E da rejeição.
No fim da paixão.
Fica só essa viagem
longa e interminável
Pela noite escura.
Fica só a sepultura
Das palavras todas
E de todos os abraços.
Fica o timbre da tua voz.
Fica a impotência,
Absurdo inexplicável,
Dor atroz.
Fica só a cinza.
Do lume,
Nem chama,
Nem calor.
Fica só a memória distante
Do amor.
Fica o muro
Intransponível
E escuro
Onde rebento os punhos.
Fica a folha branca,
refém do vazio
E de imperfeitos rascunhos.
Não conheço esse traço, já!
Não sei porque vives sem mim,
Se em mim nasceste
E em mim cresces
Despudorado.
Tem travo a fim
Este fim desenhado
Nos teus gestos.

Fica só…

jpv