Mails para a minha Irmã

"Era uma vez um jovem vigoroso, com a alma espantada todos os dias com cada dia."


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Casa & Jardim – Antúrios

Sempre à procura de prestar um serviço público de qualidade, sempre na senda de dois dedos de prosa, MPMI apresenta, a partir de hoje, conselhos práticos para cuidar da sua casa, do seu jardim, das suas plantas, da sua decoração de interior e exterior e, porque não, da sua saúde.

Antúrios

São plantas enganadoras. Por trás de um aspeto apelativo, comportam ilusões e desilusões e carecem de um cuidado quotidiano e aprimorado, talvez mesmo, vigilância, para que não deteriorem qualquer ecossistema à sua volta.

O antúrio dá-se bem em ambientes húmidos e viscosos, pantanosos e lamacentos. Alimenta-se de nutrientes que resultam da putrefação do solo. A zona atraente e vermelha não é a sua flor. É de facto uma eflorescência, ou seja, uma espécie de anti-flor. A flor é aquela formação amarela. A parte vermelha atrai os insetos que são depois desiludidos porque o que parecia não era e sobra só o pauzinho amarelo.

Fica bem numa sala ampla ou numa entrada, mas atenção, o antúrio consome imenso oxigénio e a partir de um período curto de tempo em jarra, começa logo a poluir a água e larga um cheiro fétido. Em suma, o melhor, mesmo, é mantê-lo no exterior. Dentro de casa é ideal quando vêm visitas indesejadas e queremos despachá-las rapidamente.

Enfim, a beleza inquestionável do antúrio não compensa os riscos e as desvantagens que comporta.

jpv


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Prece à Deusa do Amor

Amor meu, que te expões na cama,
Sacrificado seja o teu corpo
À minha chama.
Venha a mim a tua carícia,
Seja feita a nossa vontade
Com luxúria e perícia,
Assim no leito como no chão.
Perdoa-me as minhas ausências
Assim como perdoo
A quem me tem cativo
Da mais doce tentação.

jpv


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Da Educação para as Pontes


Não há maus alunos, nem alunos maus.
Há jovens que ainda não encontraram o seu caminho e o seu lugar.
E há jovens saudavelmente selvagens que recusam a formatação social e educativa que violentamente lhes queremos  impor.

Onde não houver afeto significativo, não ocorrerá aprendizagem significativa.

De pouco importa saber o que é necessário saber para construir uma ponte sem que caia, se não soubermos, antes de mais, porque é que as pessoas querem atravessar pontes.

joão paulo videira


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Citação Antiga e Desatualizada

Gil Vicente

“Todo o Mundo é mentiroso e Ninguém diz a verdade.”

Berzebu in “Auto da Lusitânia”, Gil Vicente, 1531.


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Memory

I still recall
Coming to this
Very same beach,
Seeing you
Lay down in the sand
Soaking the Sun,
And dying inside
From an absolute envy,
A silent anger,
Because you weren’t mine.

jpv


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VERDADE?

Quando quiseres saber uma verdade,
Não perguntes a quem a saiba.
Pergunta aos ignorantes,
Aos pobres de espírito,
E aos humildes de coração.
O seu olhar não tem cortinas.
É sempre uma genuína revelação.

jpv


2 comentários

Não Quero!

Morre-se de abandono…
As mãos ao longo do corpo abandonadas.
Abandonado o olhar ao ponto longínquo da desistência.
Os argumentos e os contra-argumentos abandonados ao ouvido alheio.

Morre-se de abandono…
O desapego da ignara prepotência.
A desconfiança da religião e da ciência.
A vida escorre lenta e difusa como um sonho no sono.

Morre-se de desumanidade…
Não creio, já, em poetas e profetas.
Não creio na marcha dos líderes nem dos falsos exegetas.
Não creio no Homem nem na Humanidade. Abjuro a Pólis, a Urbe e a Cidade.

Assisto, consciente e incrédulo,
Como se, ao morrer, soubesse que ia de facto morrer,
Sem luz nem esperança, nem a salvação que todos alcança,
Só o pensamento falido e austero de uma alma em desespero,
Ao triunfo sonoro e ruidoso da ignorância e da inércia sobre o estudo e o esmero.

Em tudo sinto saudade de como foi.
Não quero querelas, já, que não valem a pena.
Não quero o Saber construído a pulso e suor de pensar para além do já pensado,
Na mesma cama que a jactante e falaciosa opinião. A mesma que rebola pelo chão vazio de uma ideia.

Fico.
Não parto, sequer.
A partida, é já uma corrida perdida.

jpv


1 Comentário

Click Moçambique (4)

Andar por Moçambique e… fotografar. Uma combinação inevitável, quase obrigatória e viciante. Aqui colocaremos os nossos cliques por terras e gentes de Moçambique.

A foto foi tirada junto à ponte da Macaneta e representa o velhinho batelão que tantas vezes atravessou tantos de nós para lá e para cá. Pessoas, bens, animais, automóveis, oito de cada a vez… tudo, tudo. Quem nunca esteve uma hora à espera dele? Quem nunca ficou preso no meio do rio com o batelão avariado ou sem combustível? E depois, lá aparecia alguém do nada e sem se saber como, com um pedaço de tubo, um arame, um jerricã com combustível… Tudo tão precário e tudo tão bom! Este batelão não devia apodrecer ali, o seu lugar é num museu. Um museu de histórias!

Fotografia feita com Samsung Note 10 sem filtros.

Foto de João Paulo Videira


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Click Moçambique (3)

Andar por Moçambique e… fotografar. Uma combinação inevitável, quase obrigatória e viciante. Aqui colocaremos os nossos cliques por terras e gentes de Moçambique.

A foto foi tirada na Marginal de Maputo, praia da Costa do Sol. Há uma geração nova de moçambicanos que, vencidas as dificuldades que o país atravessou nas últimas décadas, começa a ter tempo e condições para usufruir do seu país. A cidade moderniza-se, a educação evolui e, ainda com muitos desafios pela frente, começa a chegar o tempo de olhar o horizonte e… tirar uma selfie romântica.

Fotografia feita com Samsung Note 10 sem filtros em modo monocromático.

Foto de João Paulo Videira com resolução reduzida