Mails para a minha Irmã

"Era uma vez um jovem vigoroso, com a alma espantada todos os dias com cada dia."


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Citação da Mudança

Mudanças“Não, não foi a mudança que foi mágica, mas sim tudo o que aprendi com ela.”

MC, 14 anos.


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Citação do Sexo Perfeito

Sexo Perfeito

“Vamos os dois para a cama e sentamo-nos, eu com o meu livrinho e ele com o laptop. No fim, eu pergunto-lhe: Foi tão bom, não foi, meu querido?!”

LQ


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De Rerum Natura

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Sempre fui um tipo pacato. Já em criança cresci como um miúdo sereno. Sempre fui organizado, diligente e voluntarioso. E era mais duas coisas: Inteligente e ingénuo. Acho que era inteligente porque me diziam. A vida ensinou-me que era ingénuo. Estas caraterísticas foram fazendo de mim um homem exigente consigo próprio e com os outros. E foram, ao longo dos anos, tornando-me um pouco intolerante para com a ignorância e a incompetência. Ora, apesar de ser simpático e afável, à medida que fui ficando mais velho e assumindo mais responsabilidades, o meu gosto pelo rigor e pelas coisas bem feitas, ao contrário do que eu esperaria, não me trouxe facilidades nem amigos.

Percebi, com o tempo, que a maioria das pessoas que diz ser frontal ou gostar da frontalidade, nem é, nem gosta.

Claro que aprendi a fazer compromissos e muitas vezes a calar o que penso. Mas a frontalidade é uma espécie de segunda pele, um tipo de dignidade com que se trata os outros e de que se não deve abdicar. Arrependo-me pouco, mas se há momentos em que me arrependo de alguma coisa, foi de não ter dito ou feito algo clara e frontalmente.

Hoje fiz 48 anos. Várias centenas de pessoas vieram ao FB felicitar-me. Percebi que algumas o fizeram por ritual digital, o FB lembra e nós fazemos, mas também percebi que muitas pessoas foram genuínas e atenciosas. E isso foi reconfortante. Cometi a insanidade de tentar responder individualmente a cada um de vós. Espero ter conseguido!

E pronto, esta foi a minha retorcida forma de vos agradecer a todos por me terem dedicado algum do vosso tempo e atenção. Da vossa generosidade. De vos dizer que o meu dia foi mais especial graças às vossas palavras, laiques, flores, beijos e abraços.

Todos aqueles que não se esquecem de nós pertencem à comunidade dos nossos afetos, roubam-nos à definitiva morte do esquecimento e constituem uma constelação de emoções a que chamamos vida.

MUITO OBRIGADO!

João Paulo Videira
Texto publicado no Facebook no dia 4 de outubro de 2015.


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Evidência

Evidência

Vieste, sorrindo,
E desconsertaste
Meu conserto
Mesmo antes
Da primeira palavra.
Teu olhar
É um arado
Que lavra
O chão do meu peito.
E a tua mão
No meu ombro
É um sonho desfeito
E uma ilusão acabada.
Melhor do que tu, aqui,
Só a evidência do nada.

jpv


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Aniversários

ap-e-jp

11 de setembro de 2015.

Tu estás, aqui, a meu lado, como acontece, já, desde o começo do Mundo. E o nosso menino, aniversariante como nós, está noutro continente. E nenhum de nós está em casa. Mas isso importa pouco. Importa que, faz hoje 27 anos, começámos juntos uma caminhada. E cá estamos, caminhando. Superando barreiras, calcorreando o Destino como se o nosso destino fosse um só. Queria fugir ao lugar comum dos momentos bons e maus e queria dizer-te o quanto significa para mim estares aqui: uma vida. Não sei, já, como era a vida antes de ti. E não consigo conceber no horizonte uma paisagem onde não estejas. Tens o amor em ti, aquele puro amor de que falava o poeta. E a generosidade. E a resiliência.

E o nosso menino faz anos hoje, também. 25! Ninguém tem vinte e cinco anos. Nem mesmo ele. Homem alto e grande e independente como no tempo em que se morria pela independência.

São dois aniversários num dia. A nossa vida toda num dia. Que se repita. Sempre!

jpv


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Retrato Impreciso

Retrato Impreciso

A esperança tem o desenho
Do teu sorriso.
E o futuro nasce
Na doçura do teu olhar
Vago e impreciso.
As tuas formas
Imperfeitas
São a perfeita dimensão
Do meu desejo.
O meu mundo
Não vive para além
Do que vejo,
E o que vejo
Começa e acaba
Em tua diáfana
Figura.
E assim,
Como quem me tortura,
És meu chão
E meu horizonte.
A linha traçada,
A barricada,
E a ponte.

jpv


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Ainda e Já.

Ainda e Já.

Ainda amanhecem azuis,
Os céus.
Ainda doura o sol,
Pela manhã.
Ainda são verdejantes
As imensas copas das árvores.
Ainda cantam, as aves,
Em voos acrobáticos.
Ainda correm os rios,
Para o mar.
E esse mesmo mar,
Ainda fustiga a areia
Com estrondo.
Só o meu olhar mudou.
Já te não vejo como dantes,
Já me não queres
Como os amantes
Se querem na praia.
Já desisto.
Já me abandono aos dias.
E já morro.

jpv


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jp-o-homem-do-pau

É só para informar os meus amigos, em geral, e os cidadãos portugueses, em particular, que não serei candidato à Presidência da República.

Peço desculpa por não convocar conferência de imprensa, mas tenho trabalho.

João Paulo Videira


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Tempo

Tempo

Tempo

O verdadeiro Deus

É o Tempo.

Sempre certo,

Sempre isento.

De leis simples

E universais.

Sempre justas,

Sempre benévolas,

E sempre fatais.

Sem piedade, consome

O espírito e o corpo do homem.

E aceita uma única e singular

Oferenda de adoração

Em seu magnânimo altar:

Exige, em regime exclusivo e absoluto,

A entrega do crente

E o seu usufruto.

Não tem catedrais,

Nem mesquitas,

Nem sinagogas.

O templo do Tempo

É a praia

E a sombra generosa

De uma pinheira mansa.

É esta cadeira em que me sento

E a minha pele

Como palco da dança

Da brisa leve que me acaricia.

É o sorriso de uma criança,

E o olhar meigo

De um idoso

Que teve o que quis:

Morreu tranquilo e feliz

E primeiro que os seus.

A esta regra e a esta ordem

Obedecemos todos.

Até mesmo Deus,

Seja qual for o seu credo,

A sua fé,

Ou a sua raça,

Observa o tempo que passa

E curva-se ao seu passar.

Já foram os dias

De não ter consciência.

Já foram as horas

De conquistar a independência.

Já foi o tempo

Das impetuosidades todas.

Já foram as certezas.

Já quis consertar o mundo.

Já foi o tempo

De saber o que quero.

Agora, só e resignado,

Espero.

É o tempo de cada minuto.

É o tempo de descontar.

É o tempo

Do Tempo absoluto.

É o tempo

Do Tempo passar,

Cortante,

Por mim.

É o tempo das rugas.

São os dias do fim.

Não dobram, já, os joelhos,

Como costumavam.

As raparigas que passam,

Não olham

Como olhavam.

Estão mais longe, as distâncias,

Mais pequeninas, as letras impressas.

Não há razão para ter pressas.

Deixa-O passar… devagar.

Evitam-se os espelhos

Que nada têm para espelhar

Que não seja decadência.

Perdi a fé na Ciência

E no Homem também.

Recordo meu pai

E minha mãe

No tempo de antes de mim.

E sei

Que já nem eu

Sou assim.

Esta cadeira, de novo.

O papel.

A tinta deslizando

O desenho das palavras

Como um arado

A rasgar a terra.

Sou mais um capítulo

Que se encerra

Neste poço sem fundo.

Já pouco me resta.

Já só me falta

Erguer

E conquistar o Mundo.

jpv


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A Pensar em Ti

A Pensar em Ti

A Pensar em Ti

A pensar em ti
Fiz os poemas apaixonados
Da juventude…
Os versos arrebatados
Do amor
E da incompletude.

E foi a pensar em ti
Que rimei rimas
Sem nexo
De luxúria e sexo
Exposto
Ao vento e ao luar.
A pensar em ti
Meu coração
Aprendeu a rimar.

A pensar em ti
Escrevi
Sobre o desespero
E a desilusão,
Sobre grandes projetos
E o espectro da separação.

E vieram outras mulheres
Doces e belas
Partilhar meus braços.
Escrevi imenso sobre elas,
E tudo o que escrevi
Foi a pensar em ti.

A pensar em ti
Escrevi palavras de paciência,
De fulgor sem fulgor nenhum.
A pensar em ti
Escrevi a resiliência
Do amor especial e comum.

E agora,
Que se anuncia
Outra meninice
Que não é pujança
Nem velhice,
Penso em ti
E na força dos afetos.
Traço duas linhas de ternura,
Penso em ti
E escrevo sobre nossos netos.

jpv