
Author Archives: mailsparaaminhairma
O Virtuosismo do Cinema Português

Mesmo quando tenta ser comercial, o cinema português não escapa à alma poetisa do nosso povo. Nem todo o nosso cinema é bom, mas, mesmo quando as produções deixam a desejar, há (quase) sempre um traço lírico, uma moral, uma mensagem, algo para dizer… como se, mesmo sucumbindo à vertigem comercial, o cinema português lutasse sempre por ser arte.
Depende dos produtores, claro. E dos realizadores. E dos elencos. António-Pedro Vasconcelos é um excelente realizador. Um contador de histórias. Um romântico e um indefetível apaixonado pelos finais felizes. Mas fica das suas películas o perfume de uma história contada ao borralho. Fica, sempre, uma incontornável esperança no melhor que a Humanidade consegue ser…
Recentemente vi o filme de 2013 “Os gatos não têm vertigens”. E considero, arriscando aqui a minha morte social, que é melhor do que o Star Wars e o 007 e o Senhor dos Anéis e tanto outro lixo tóxico que consumimos frequentemente…
Aí ficam umas citações a ver se ides vê-lo…
————————-
“Escrever é o melhor remédio contra a solidão e o desespero.”
Joaquim citado por Rosa em “Os gatos não têm vertigens” de António-Pedro Vasconcelos.
“O problema de hoje é que há cada vez mais putas e cada vez menos clientes.”
Mãe do Fintas citada por Rosa em “Os gatos não têm vertigens” de António-Pedro Vasconcelos.
“-Demoraste tanto tempo.
– Foi só um instante.
– Um instante sem ti é uma eternidade.”
Diálogo de Joaquim e Rosa em “Os gatos não têm vertigens” de António-Pedro Vasconcelos.
“A Paixão de Madalena” – Recensão de Marisa Luna

A bloguer Marisa Luna leu “A Paixão de Madalena” e redigiu uma recensão que podemos ler na íntegra no seu blogue. Aqui fica o endereço:
http://simplesmentemarisa.blogspot.pt/2015/12/a-paixao-de-madalena-de-joao-paulo.html
Só um cheirinho:
“Confesso-vos já que há muito que não devorava um livro em tão pouco tempo. As diversas histórias que vão sendo contadas em torno de Madalena constituem um enredo absolutamente cativante, arrebatador e absorvente, de uma grande riqueza cénica e com personagens diversificadas e marcantes.”
De Rerum Natura

O facto é incontornável. Faz hoje 17 anos que o meu pai foi sepultado. De resto, a sequência 2, 3 e 4 de janeiro é muitíssimo significativa na vida do homem que mais admiro. E, por razões que não interessam mesmo nada, desilusões intrínsecas e saudades avulsas, lembrei-me dele e de quais teriam sido, na minha perspetiva, porque na dele não temos como saber, as datas mais significativas da sua vida.
1934 – 3 de janeiro. Nasceu.
1951 – Embarcou para Angola com 17 anos. Foi sozinho. Era já um homem.
1967 – 21 de janeiro. Casou com a minha mãe que era 13 anos mais nova.
1967 – 4 de outubro. Foi pai pela primeira vez.
1972 – 4 de novembro. Foi pai pela segunda vez.
1975 – Regressou, definitivamente, a Portugal. Era um homem revoltado.
1986 – Teve o primeiro enfarte. Este episódio mudou completamente a sua vida.
1990 – 11 de setembro. Foi avô.
1999 – 2 de janeiro. Faleceu.
1999 – 4 de janeiro. Foi a sepultar.
Pelo meio ficam datas como a conclusão dos cursos dos filhos, o casamento de um deles, as suas conquistas pessoais, o falecimento dos pais e mais um número significativo de eventos importantes na sua vida e na sua perspetiva.
E, contudo, ainda que não saiba, foi depois de morrer que a importância da sua vida se revelou mais amiudadamente. Diariamente. Na vida dos que privaram com ele. Não passa um dia que não lhe sinta a falta. A sabedoria, o bom senso, a integridade, a justiça e o tempo exato do julgamento. A tolerância.
Tenho pena que a maioria de vós o não tenha conhecido. Não sou meio homem do que foi o meu pai. Mas penso nele todos os dias e tento fazer como ele faria. Dizer o que diria, calar o que calaria, decidir o que decidiria… não é fácil. Fica-me sempre tudo pela metade da estatura de meu pai.
João Paulo Videira
2016!

jpv
A Paixão de Madalena: Um Romance, Duas Apresentações
Em Lisboa, a 20 de dezembro de 2015, pelas 15h, no Clube Literário da Chiado Editora, Av. da Liberdade, nº 188, Galeria Comercial Tivoli Forum.
https://www.facebook.com/events/527307534102570/
—————————
No Porto, a 9 de janeiro de 2016, pelas 15h, na Casa de Allen, Rua António Cardoso, nº175.
https://www.facebook.com/events/1538142943162965/
A Paixão de Madalena Também no Porto
Caros Amigos e Leitores,
Para aqueles que não puderem estar na apresentação de “A Paixão de Madalena”, já no próximo domingo, 20 de dezembro, pelas 15 no Clube Literário da Chiado Editora, teremos muito prazer gosto em recebê-los na Casa De Allen, no Porto, dia 9 de janeiro pelas 15h.
Eis o cartaz e o convite do evento.
João Paulo Videira

A Paixão de Madalena – Lançamento.
De Negro Vestida – 2ª Edição
Caros Amigos e Leitores,
Este será um fim de semana de muitas surpresas! Prometo!
A primeira delas é anunciar-vos a 2ª Edição do meu primeiro romance, “De Negro Vestida”
Dava uma boa prenda de Natal….
Os locais de compra física e online são os que estão anunciados na página do livro em https://www.facebook.com/denegrovestida/ e neste blogue, clicando na foto do livro mesmo aqui ao lado.
Boas leituras e muitos presentes no sapatinho!
João Paulo Videira
Limiar

Não há mais palavras
Nem vontade,
Nem desejo.
Há só a calma aceitação
Do que sinto
E do que vejo.
Era tão bom
Quando ainda me importava.
Quando havia luxúria no meu corpo.
Quando a energia me arrepiava as carnes
E o cheiro do teu corpo
Bloqueava os outros sentidos.
E o sentido era único.
Já não quero a eternidade.
Não me diz nada o tempo todo.
Tinha uma só vida…
E adiei-a.
Tinha uma só voz
E poupei-a.
Tinha um só corpo
E preservei-o.
E nada me resta mais
Que a condição miserável
De morrer conservado
E saudável.
Bebam o álcool todo!
Fumem todo o tabaco!
A vida é um barco
E não há terra.
Deleitem-se com todos os corpos,
Possuam todos os sexos!
E caminhem nus pela praia da vida
Na aurora de cada dia.
Nada mais existe do que o momento.
Cada momento
É todo o tempo
Que temos.
Cada dia é a hora de ser vivido.
Amanhã é tempo perdido.
E quando olhardes para trás,
Contemplai
Um lastro de vida vivida,
Um rasto de experiência
E desperdício.
Os verdadeiros despojos
Do exercício
De sentir-se único e vivo.
E pagai para ver!
Correi todos os riscos!
Só no limiar do azar
Abunda a sorte.
A vida inteira e única
Só se conhece nas fronteiras da morte.
jpv