Mails para a minha Irmã

"Era uma vez um jovem vigoroso, com a alma espantada todos os dias com cada dia."


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Quatro Quadras Marinhas

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No fundo do teu olhar marinho
Há um coral de promessas.
Brilham cristais de inocência,
Deslizam emoções sem pressas.

Nesse oceano de tentações
Com que iluminas o passar dos dias,
Perco-me no tumultuo das rebentações,
Acho-me na contemplação das calmarias.

Teu olhar tem palavras
E tem jeitos de sedução.
É com ele que cravas
Âncoras em meu coração.

Há uma nuvem escura,
E há lágrimas nesse cristalino azul.
Em teu corpo me perco à procura
Da Estrela do Norte, dos Ventos do Sul.

jpv


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Verbo Trazer

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Trago um novelo no peito,
Uma esperança sem jeito,
Um desespero sem razão.
Trago um novelo no peito
À volta de meu coração.

Trago um suspiro fundo e cavo,
Uma emoção reprimida,
Um doce com travo amargo,
Uma limpidez fingida…
No rosto
E nas entranhas.

Trago zagaias na voz
E, no olhar,
O sangue das façanhas.
Trago os dias presos
Sob os dedos acesos
Da revolta.

Trago a liberdade na passada,
A vontade certa,
A marcha errada.

Trago um povo perdido
E entregue à sorte,
Trago notícias de violência
E de morte.

Trago, enfim, a paz.
A paz dos esmorecidos,
A paz dos corações vencidos.

Trago um novelo no peito,
Uma esperança sem jeito.

jpv


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Na Rua da Minha Vida

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Na rua da minha vida
Há sete entradas
E uma saída.
Entram mulheres em corrupio.
É estreita a saída
Para tanto mulherio.

Na rua da minha vida
Há sete entradas
E uma saída.
Entra a dor, sem bater,
Sai devagar,
Entrou a correr.

Na rua da minha vida
Há sete entradas
E uma saída.
Rígido e isento,
Sai, célere, o tempo.
E ri-se ao sair.
Chora minh’alma
Ao vê-lo partir.

Na rua da minha vida
Há sete entradas
E uma saída.
Saem os desejos
De ter-te em meus braços.
E entram outros braços
Desejados de mim.
Saem, por fim…

Na rua da minha vida
Há sete entradas
E uma saída.
Saem os afetos e as ilusões.
Saem sempre,
Sem contemplações.

Na rua da minha vida
Há sete entradas
E uma saída.
Saem as forças e a energia,
Sai a luz
Que iluminou o dia.
E entra a noite escura.
Na rua da minha vida
Há prenúncios de tortura.

Na rua da minha vida
Há sete entradas
E uma saída.
Sai a própria vida
E deixa a porta aberta.
Minha vida é uma rua deserta.

jpv


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O Melhor do Mundo

Feliz Dia da Criança


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E…

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ALEA JACTA EST!


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Opinião: “A Paixão de Madalena”

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Amigos, eis a opinião da leitora Graça Fernandes que teve a generosidade e a gentileza de a partilhar connosco.

“Terminei com alguma dificuldade, porque não queria despedir-me desta história apaixonante que nos fala de liberdade, amor e sobretudo de laços inquebráveis.
Este livro é tão bom que apetece ler e reler várias vezes.
Não há como não nos apaixonarmos por estas personagens tão intensas e surpreendentes.
Nunca vi ninguém escrever tanto e tão bem 🙂
Os meus parabéns e que venha logo o próximo romance.”

 

Muito obrigado, Graça… a sua generosidade deixa-me sem palavras. Escrevo para contar histórias e com elas tocar as pessoas. Quando tenho o privilégio de saber que isso aconteceu, a alma comove-se. Estou-lhe muito grato por estas palavras!

Um beijinho, João Paulo Videira


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As Faces de Marisa sobre “De Negro Vestida”

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A Bloguer Marisa Luna, autora do blogue “AS FACES DE MARISA”, que já havia lido e produzido um texto crítico sobre o nosso segundo romance, “A Paixão de Madalena”, foi à procura do primeiro, “De Negro Vestida”, leu-o e surpreendeu-nos hoje com uma recensão que, além da generosidade no elogio, demonstra um profundo conhecimento da obra.

Deixamos aqui um pequeno excerto da sua crítica que pode ser lida na íntegra neste endereço: http://simplesmentemarisa.blogspot.pt/2016/05/de-negro-vestida-de-joao-paulo-videira.html

“Este é um livro que guardarei com o máximo carinho e que não me cansarei de aconselhar, não só às pessoas de quem gosto, como prova do meu afeto, mas também a todas aquelas que precisam de um estímulo para se olharem por dentro e descobrirem se o que vivem é o que realmente querem viver.”


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7º Aniversário

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“Mails para a minha Irmã” faz hoje sete anos. Sete anos sem outras pretensões nem desejos que não fossem dar a conhecer o que vamos escrevendo àqueles que, por uma razão ou por outra, vão lendo o que aqui se publica.

Sete anos de cumplicidade e compromisso tácito para com os meus leitores.

Sete anos e já três romances, dezenas de contos, centenas de poesias, centenas de crónicas e inúmeras parvoíces.

Sete anos que são meus, mas que são, sobretudo, vossos. Nenhum texto existe sem um leitor e cada leitor é um autor, também.

Grato a todos, imensamente grato, pela vossa atenção, pelo vosso carinho, pelas vossas leituras que são o meu sopro de vida.

Dessa vida que continua…

Até já!

jpv


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E Depois…

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Pois…
Houve um momento lindo
E depois
Perdeu-se a chama,
Perdeu-se toda a glória
E morreu à nascença
A nossa história.

Pois…
Houve um momento lindo
E depois
O meu coração batia
Do lado em que o teu fingia.
E a mim me faltou
O rumo e o remo,
A vela e a quilha,
E o barco naufragou.
E restei só eu
Preso e perdido
Na ilha.

Pois…
Houve um momento lindo
E depois
Quis mais do que podias dar-me,
Quis a ilusão e a promessa,
Quis o tempo e a tua mão.
Mas tu tinhas pressa.
Não te acompanhei,
E não há para a tua liberdade
Amor, nem prisão.

jpv


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Chão de Vida

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Chão de Vida

Estes são os meus dias,
As minhas cores,
Os meus pássaros,
Os meus animais selvagens,
Os meus ritmos,
As minhas manhãs,
Os meus perigos,
O meu peito cheio de esperança,
A minha paisagem,
A minha música
E a minha dança.

É aqui que pertenço em vida.

Cada hora vivida,
Doce ou amarga,
De chegada
Ou de partida,
É aqui o seu tempo.

É aqui o Paraíso
E a falta dele.
A liberdade
E o medo.
A revelação
E o segredo.

São daqui os momentos
Que vale a pena viver.
A minha família é este chão.
Este sentir que há tempo
Para além do tempo.
Este ir e voltar,
Partir e regressar
Sob a pele marcado.
Minha vida é uma viagem
E este é o porto
Que vê chegar o nauta cansado.

jpv