Mails para a minha Irmã

"Era uma vez um jovem vigoroso, com a alma espantada todos os dias com cada dia."


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A Paixão de Madalena – Capítulo 29 (Excerto)

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O presente texto constitui um excerto do capítulo 29 do Romance “A Paixão de Madalena” que publicaremos em breve.

A PAIXÃO DE MADALENA
LIVRO V – FIAT LUX

29. Manuel Paixão baixou ao hospital em situação de emergência e risco de vida. O homem secara todo o terreno dos afetos à sua volta e era, por isso, uma criatura isolada e só. O pai, Toino Madeireiro, falecera debaixo de um trator que se virara quando ele andava a lavrar terrenos e deixou a Manuel o negócio das madeiras. Era tudo o que tinha. O negócio. A mãe morrera velhinha e entrevada a balbuciar umas palavras que ninguém entendia, a não ser Maria de Jesus, e que diziam qualquer coisa como Faz as pazes com o teu irmão.

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[O presente texto constitui um excerto do Capítulo 29 de “A Paixão de Madalena” a publicar em breve em livro. Boas leituras!]


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A Paixão de Madalena – Capítulo 28 (Excerto)

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O presente texto constitui um excerto do capítulo 28 do Romance “A Paixão de Madalena” que publicaremos em breve.

A PAIXÃO DE MADALENA

LIVRO V – FIAT LUX

28. Notou ela que, recentemente, as saídas dele são mais frequentes e por menos tempo. Exatamente como se, em vez de serem fugas à rotina, aventuras de retomar forças, fossem agora visitas de acompanhamento. Até aqui, Pablo saía por duas ou três semanas, uma ou duas vezes por ano. Foi impossível não reparar que nos últimos dois meses saíra quatro vezes por dois dias. Seguiu-o de táxi. E não teve surpresas. O que viu magoou-a profundamente, mas não pode dizer-se que a tenha surpreendido. Era um prédio de meia dúzia de andares. Pablo entrou. Demorou-se pouco. Saiu com uma moça substancialmente mais nova do que ele. Até aqui, tudo normal, dentro do combinado…

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[O presente texto constitui um excerto do Capítulo 28 de “A Paixão de Madalena” a publicar em breve em livro. Boas leituras!]

 


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A Paixão de Madalena – Capítulo 27 (Excerto)

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O presente texto constitui um excerto do capítulo 27 do Romance “A Paixão de Madalena” que publicaremos em breve.

 A PAIXÃO DE MADALENA

LIVRO V – FIAT LUX

27. E Cristo ordenou aos empregados que não ficassem ali parados, que agarrassem nas ânforas e fossem à fonte na beira da estrada que pouco distava dali e as enchessem com água e as vazassem nos copos dos convivas. E os empregados olhavam incrédulos o viajante como que desconfiando da possibilidade de cumprir aquela ordem porquanto não percebiam como enchendo âs ânforas de água, delas jorraria o vinho a servir. Ide! Disse-lhes o viajante e eles foram com passo incerto e não se aperceberam como sucedeu o que os seus olhos presenciaram pois que enchiam as ânforas de água na fonte e as vazam de vinho à mesa.

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[O presente texto constitui um excerto do Capítulo 27 de “A Paixão de Madalena” a publicar em breve em livro. Boas leituras!]


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A Paixão de Madalena – Capítulo 26 (Excerto)

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O presente texto constitui um excerto do capítulo 26 do Romance “A Paixão de Madalena” que publicaremos em breve.

 

A PAIXÃO DE MADALENA

LIVRO IV – ASCENÇÃO E QUEDA

26. Em nossa pequenez e em nossa grande ignorância, procuramos, nós, humanos, a estabilidade na constância e fugimos da errância por ser fonte de instabilidade. E contudo, nossa natureza intrínseca é errante. E é nesse divagar pelo mundo, pelas pessoas e pelo conhecimento, que crescemos e enriquecemos e fortalecemos para a vida. E cremos, até, controlar os nossos passos, as nossas opções, o curso da nossa vida e a nossa presença no Universo. E tudo isso é tão vulnerável, tão mutável como a própria vida. A notícia chegou num sobrescrito branco, de janela, com o nome de Albertina a espreitar e o símbolo da República Portuguesa no canto superior esquerdo.

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[O presente texto constitui um excerto do Capítulo 26 de “A Paixão de Madalena” a publicar em breve em livro. Boas leituras!]


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A Paixão de Madalena – Capítulo 21 (Excerto)

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O presente texto constitui um excerto do capítulo 21 do Romance “A Paixão de Madalena” que publicaremos em breve.

A PAIXÃO DE MADALENA

LIVRO III – CAIM E ABEL

21. Um mês antes. Exatamente um mês antes, em 24 de março de 1973, Manuel Paixão regressou. Vinha farto de África, queimado do sol, com a alma gasta, o corpo mal tratado e o nome sujo, cansado de andar de impresso em impresso. Quando finalmente pisou solo português, era um homem agastado, zangado com a vida, cheio de vícios no corpo e impaciências na alma. Não avisou que chegaria e quando o autocarro o largou na aldeia, a notícia correu as ruas à velocidade da luz, propagou-se de porta em porta, de postigo em postigo, e ninguém se importou com o seu estado ou mesmo com o que poderia fazer quando reencontrasse o irmão ou a mulher que, segundo rumores, estava grávida, quase a parir. Deolinda Paixão, sua mãe, mulher de públicas lágrimas e mandar dizer missas pelo regresso do filho, foi ao seu encontro no largo da aldeia onde o autocarro o deixara e os amigos e conhecidos lhe perguntavam como era África e que tal estava a guerra, se era mesmo para ganhar, e abraçou-o num pranto que mais parecia que ele tinha morrido do que regressado são e salvo, tanto quanto se podia ver:

– Meu filho, meu querido filhinho, tu voltaste, meu filhinho!

– Sim, minha mãe, já cá estou e isso é que importa. Acalme-se, minha mãe.

– Ai a minha família reunida, os meus meninos juntos outra vez. Patrocínio! Chamem o meu Patrocínio! Que venha abraçar o Manuel que chegou vivo da guerra. Já chega de desgraças nesta família, já chega de esperas e lágrimas.

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[O presente texto constitui um excerto do Capítulo 21 de “A Paixão de Madalena” a publicar em breve em livro. Boas leituras!]


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A Paixão de Madalena – Capítulo 20 (Excerto)

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O presente texto constitui um excerto do capítulo 20 do Romance “A Paixão de Madalena” que publicaremos em breve.

A PAIXÃO DE MADALENA

LIVRO III – CAIM E ABEL

20. Quase sem saber, por certo sem querer, fora o próprio Lucílio da Conceição quem apressara os acontecimentos porquanto, certa tarde, na tasca do Quim da Barbuda, cruzou-se com Patrocínio Paixão e não resistiu a provocar o mancebo:

– Olha lá, ó miúdo, tu é que te podias fazer útil e ias lá àquilo meu, batias à porta, anunciavas-te em nome das saudades que hás de sentir pela minha filha, e estás por ali um bocado com elas, vês como estão a desenrascar-se sozinhas, sem um homem macho por perto, e depois vens-me fazer o relato da coisa. Que te parece, hã?

– Senhor Lucílio, quando eu quiser visitar a minha cunhada, hei de fazê-lo por meus próprios motivos e por minha própria conta, sejam eles matar as minhas saudades ou levar e trazer novas para meu irmão, que terá cometido os seus erros, por eles está a pagar, mas continua a ser o esposo da senhora sua filha e o pai da menina, sua neta. E agora, se me dá licença, até mais ver.

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[O presente texto constitui um excerto do Capítulo 20 de “A Paixão de Madalena” a publicar em breve em livro. Boas leituras!]


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Crónicas de África – Antes a Multa!

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Crónicas de África – Antes a Multa!

Maputo, 6 de outubro de 2014.

É comum encontrar nas ruas de Maputo, em particular, escrito em muros ou em vedações metálicas temporárias para realização de obras, inscrições que ameaçam com multas quem urinar no local. É verdade, também, que as multas variam e a amplitude do valor cobrado é muito grande. Já vi locais onde a multa é de 50 meticais, mas também já vi de 100, 200 e mesmo 500.

O que eu nunca tinha visto, e por isso registei, foi uma oferta diversificada. Uma coisa do tipo ‘à escolha do freguês’! A verdade é que, quem quer que seja que mora ali, trabalha ali ou passa ali, parece determinado a não ser incomodado com o mijar alheio.

Ora, a coisa cheira-me a discriminação mictória. Vejamos. Qual o critério que determina a diferenciação do valor a pagar? O volume da tiragem, o tempo de micção, o aspeto do infrator? É o infrator que escolhe o meio de pagamento? Assim, do género, ‘Não trago aqui dinheiro, posso, em vez disso, levar um enxerto de porrada?’  Enfim, seria útil esclarecer o critério. Mais útil e pertinente seria informar a população acerca dos critérios que implicam a coima mais agressiva. Simpaticamente designada de ‘PURADA’, mas, a meu ver, a anunciar maleitas físicas significativas no infrator porque, ou muito me engano ou, onde se lê ‘PURADA’, deve ler-se ‘PORRADA’.

Para os menos entendidos nestas matérias de índole legal eu transcrevo a inscrição:

‘NÃO MIJAR AQUI. MULTA 150-200MT OU PURADA’

E aproveito para a esclarecer porque as coisas em linguagem legal são sempre um pouco opacas. Sentido da inscrição:

‘NÃO URINAR AQUI. MULTA DE 150 A 200 METICAIS OU AINDA A POSSIBILIDADE DE TE PARTIRMOS A OSSADA TODA!’

E pronto, por hoje é tudo. Se me dão licença, vou ausentar-me, tenho de ir ali e já venho!

jpv


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A Paixão de Madalena – Capítulo 18 (Excerto)

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O presente texto constitui um excerto do Capítulo 18.

A PAIXÃO DE MADALENA

LIVRO III – CAIM  E ABEL

18. Correu pela aldeia que, finalmente, nesse dia, a Deolinda do Madeireiro iria parir daquele barrigão que impressionara toda a gente e levara os homens a apostar, a copos de três, na tasca do Quim da Barbuda, quantas seriam as crias. E houve apostas bizarras. Desde quem dissesse que não havia ali nada, aquilo era uma barriga de ares, que bem a ouviam peidar-se alarvemente durante a noite os vizinhos, até aos que afiançavam que a pobre tinha a barriga e as tetas como a marrã do Tóino Manso quando, aqui há uns anos, trouxera a ver o sol deste mundo nada mais nada menos do que quinze crias. E a pobre escancarou-se na cama assistida pela Miquelina Mãozinhas e uma miúda que lhe fazia chegar alguidares de água a ferver. E gemia baixinho como que para não incomodar o pelotão de velhas que se plantara do lado de fora da porta do quarto em rezas, ladainhas e benzeduras diversas a pedir ao Grande Mestre desta orquestra de perdidos que tudo corresse bem. E correu. Nasceram dois. No mesmo dia, à mesma hora, com minutos de diferença, e logo ali se percebeu que outras diferenças havia entre eles. Sendo gémeos, não eram, sequer, parecidos. O primeiro veio rápido e sôfrego de ares, trazia os olhos abertos e espantados e chorou mesmo antes da sacramental palmada, no seu caso, inútil ritual, que o próprio já se havia anunciado ao Mundo num berro cristalino e agudo. E o segundo encolheu-se e deixou-se ficar no aconchego do que restava da placenta, assim como quem diz, Vai lá ver se isso é bom que eu logo te direi se saio daqui ou não. Ilusão sua, porquanto a ordem natural das coisas e a vontade primeira do Maestro é que nasçam as crias, vivas ou mortas, e venham a este mundo cumprir sua função. O tipo não chorou. Vinha roxo de medo, os olhos fechados e os lábios cerrados e só à terceira palmada, bem esticada de força e benzida por alguma impaciência da Miquelina Mãozinhas, é que sua excelência grunhiu que nem um porco ao dar-se ao gume da faca. António Paixão, o pai, mais conhecido por Tóino Madeireiro, desinteressou-se do assunto, bateu com a palma da mão no balcão do Quim da Barbuda, pediu uma amarelinha e quando instado a esclarecer como estavam a correr as coisas, disse que não sabia, tinha ido tratar do gado, servira para os fazer, haveria de criá-los, que o poupassem à parição que era isso função da sua Deolinda. E quando chegou a casa, ao final da tarde, e olhou os cachopos na cama, um de cada lado da mãe, estranhou:
– São estes?
– Quais haveriam de ser, homem? Nasceu mais alguém nesta casa hoje?
– E são os dois meus?
– Não sejas parvo!
– Sei lá, uma vez, a Nina, que é a cadela do Amílcar Batateiro, pariu duas crias do Trovão e outras duas do Maldoso duma barriga só e percebia-se bem de quem eram elas pela pinta da bicheza.

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[O presente texto constitui um excerto do Capítulo 18 de “A Paixão de Madalena” a publicar em breve em livro. Boas leituras!]


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A Paixão de Madalena – Capítulo 17

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[Aqui se apresenta o 17º de 35 capítulos do romance que publicaremos em breve em livro. A partir deste momento, publicaremos excertos dos próximos capítulos, um pouco de todos eles, mas nunca completos e, uma vez concluído o processo e negociados os termos da publicação, teremos muito gosto em convidá-los para a apresentação pública de “A Paixão de Madalena”.]

A PAIXÃO DE MADALENA

LIVRO III – CAIM E ABEL

17. Sempre assim fora. Vinham de longe os homens que visitavam Maria de Magdala, Madalena chamada por de Magdala ser. Eram viajantes, comerciantes abastados, criadores de gado, gente de trabalho e posses que aparecia em data marcada e só entrava estando na porta sinal que o permitisse. Ela acolhia-os, limpava-lhes o pó do corpo untando-os com óleo e raspando-lhes a pele depois com uma tabuinha polida, e mandava que lhes lavassem as roupas e lavava-lhes os pés como viria a fazer ao pregador errante a troco de nada ou, noutro olhar, como parca e insuficiente paga pela sua vida e pela lição do Amor. E também os alimentava e lhes dava de beber e terminavam o festim com as carícias que sabia preferidas de cada um deles. À sua medida, com seu modo e seu jeito, Maria de Magdala prosperava e só não crescia mais rápida e fulgurantemente porque apreciava mais a tranquilidade do que a posse. Limitou o número de visitantes, limitou os dias em que podia ser visitada e deixou-se ficar no conforto da vida literalmente conquistado com o suor do seu corpo.

É cruel o viajar das notícias. Maria de Magdala recebia alguns pobre e necessitados a quem oferecia uma refeição, uma peça de roupa, um pão para o caminho. Não consta que tivesse alguém vindo agradecer-lhe em nome daqueles que ajudou. Já quanto aos que vinham pelo prazer da carne, depressa as distâncias se encurtaram, depressa viajou a notícia de que havia em Magdala uma Maria que acolhia homens e os limpava e os massajava e se acoitava com eles satisfazendo-lhes todos os desejos, fossem solteiros ou casados, ricos ou remediados. E as mulheres ofendidas enviaram, pagando, quem lhe apedrejasse a porta e lhe escreve a carvão na parede caiada da casa, PUTA, VAI-TE EMBORA! Maria de Magdala, de Madalena chamada, saía pouco. Ainda assim, sempre chegava o dia em que se passeava pelas colinas circundantes, em que ia comprar sedas, em que se deslocava ao mercado a comprar mercearias. Numa dessas saídas, perseguiram-na. Pessoas de Magdala e outras que vieram de terras circundantes foram no seu encalço, atalharam-lhe o caminho, forçaram-na a fugir por esta e aquela rua até chegar a um largo e nele se viu cercada de população e encostou-se a uma parede, único lado de que ficaria protegida. E logo um semi-círculo se formou à sua volta, soaram impropérios e acusações e, céleres, como se quisessem expulsar os seus próprios pecados e demónios, surgiram sentenças e uma emergiu mais contundente e se fez um coro de gente gritando, Apredejem-na! Apedrejem-na! Matem à pedrada a bruxa que enfeitiça os nossos homens! As primeiras pedras voaram, algumas caíram bem perto de si, uma ou outra acertou-lhe no corpo e magoou-lhe a alma mais do que tudo. E uma voz, mais alta do que a multidão, mais grave do que o ruído da turba, silenciou as gentes:
– Parai! Aquele que nunca pecou que atire a primeira pedra!

As pedras que estavam nas mãos nelas ficaram, as mãos erguidas baixaram-se, os olhos voltaram-se para o chão e perderam a chama da violência, as suas mentes começaram a procurar pelos seus próprios pecados e rápido encontraram tantos e tão diversos que mais nenhuma pedra foi arremessada. E Cristo passou por entre eles, segurou Maria de Magdala pela mão e acompanhou-a a casa onde se confortaram e trataram um do outro como já aqui foi relatado.

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A Paixão de Madalena – Capítulo 16

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[Aqui se apresenta o 16º de 35 capítulos do romance que publicaremos em breve em livro. Neste blogue publicaremos ainda mais um capítulo e alguns excertos dos seguintes como forma de oferecer aos nossos leitores uma avaliação do mesmo. Depois… convidá-los-emos para a sua apresentação pública]

A Paixão de Madalena

Livro II – O Cordeiro de Deus

Foi já em dois mil e seis que regressou a Genebra. E a Pablo. E foi um reencontro feliz e harmonioso. Poucas perguntas. Cada um deles contou o que quis contar. Cada um ouvou o outro e percebeu-lhe os entusiasmos e pressentiu por onde não ir nas perguntas a fazer. Criaram rotinas. E criaram, também, uma forma de fugir-lhes. Sem sobressaltos. Em vertigem de sexo. A de Pablo. Em espiral de paixão. A de Madalena. E assim ficariam até que o ano de dois mil e dez trouxesse as reticências. Não falemos disso agora que ainda não é tempo.

Madalena reintegrou-se bem no trabalho. Foi saudada, foram feitas inúmeras perguntas sobre aqueles nove meses de aventura, de risco, de dádciva. O tempo de uma gestação. E foi-lhe dito que fora sentida a falta da sua eficiência. E foi revisto o contrato e subiu de posto no volume de trabalho, nas responsabilidades e na retribuição. Sentia-se uma mulher verdadeiramente livre. Bem sucedida. Sucesso assente em lágrimas e sorrisos, sacrifícios e conquistas. Sucesso de mulher desamparada a chefe de equipa em ambiente reputado.

Não tem uma família de ascendentes. Tem a avó Bá. E talvez Albertina e Madalena tenham sido uma família. Tenham dado uma à outra tudo o que uma família dá aos seus. O afeto. A atenção. O cuidado. A orientação. E a libertação. A sua família de ascendentes está adormecida. Há de reclamar por Madalena chegada a altura de precisar da sua ajuda, mas primeiro abandonou-a e ela não mendigou nada. Nem os afetos, nem a proteção e muito menos a ajuda. Construiu a sua família. Esta em que agora se recolhe e se acolhe. Relembra Maria da Luz. Relembra-a com saudade. Em breve perceberemos donde vem essa saudade e esse amor profundo. Relembra as suas brincadeiras juntas e sente-se pacificada nessa memória. E relembra Kyle. O seu irlandês teimoso. O homem que a ensinou a ser mulher. O seu primeiro libertador.

Tem agora o que sempre procurou. A família, os afetos, o filho e a filha, a estabilidade, a harmonia. Se pudesse, não mudaria nada. Mas desconfia. Já se habituou a ser surpreendida. E o certo é que a vida há de vir testá-la de novo. Há de revoltar-se de novo contra a sua existência, contra a sua vontade e a sua determinação. E só essa determinação lhe valerá. Isso e a sua infinita capacidade de amar. É sempre na sua força interior e no seu amor que se refugia e é com eles que emerge de todas as dificuldades.

Não se revelou até agora, porque têm os autores suas prerrogativas, a origem desta inusitada Madalena. Bem olhadas e reolhadas as páginas que ficaram para trás, nem mesmo o apelido de Madalena alguma vez foi revelado. Tudo começou numa aldeia pequenina e pacata do centro de Portugal.

Era uma vez dois irmãos gémeos…

——————————- Fim do Livro II ——————————-

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