
imagem daqui: czarownicasa.deviantart.com
The higher the fly, the longest the fall.
jpv

imagem daqui: czarownicasa.deviantart.com
The higher the fly, the longest the fall.
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Um texto de José Luís Peixoto a pairar sobre a neblina informativa dos dias que correm.

Sempre à procura de prestar um serviço público de qualidade, sempre na senda de dois dedos de prosa, MPMI apresenta conselhos práticos para cuidar da sua casa, do seu jardim, das suas plantas, da sua decoração de interior e exterior e, porque não, da sua saúde.
Frésias
As frésias são originárias de África, muito em particular da África do Sul.
São amplamente conhecidas pelas suas cores variadas e pelo seu intenso e duradouro perfume.
As cores dominantes são neutras. A frésia não gosta muito de assumir, prefere ficar na sombra e, sobretudo, no recato escondido do interior da habitação.

A frésia só gosta de apanhar sol de um lado pois prefere esconder uma das suas faces e nunca revelá-la.
É uma flor enganosamente frágil, uma vez que apesar da sua estrutura e constituição de aparente vulnerabilidade, a frésia é de essência cítrica e ácida o que pode provocar erupções cutâneas alastradas e mesmo alergias respiratórias que, não sendo curadas, podem tornar-se crónicas ou mesmo fatais para quem se expõe à frésia.
São muito usadas em França nos adornos florais das noivas. E a tradição já vem de muito longe. Na sua extensa e excelsa obra literária, Victor Hugo, que era francês, retratava essas noivas franzinas e macilentas, de olhos encovados e sorrisos enganadores, com os enormes ramos de frésias ao colo. Depois de umas quantas cópulas com seus gordurosos e brutos maridos, as noivas sucumbiam ao odor agradável, contudo, acidulento das frésias.
Quer pouca água, muita sombra. Podem ter-se em vaso, mas são particularmente belas em jarras de loiça da Companhia das Índias, mesmo das de imitação que a vida não está para luxos. Nunca colocar no quarto. Fazem uma ótima entrada, sobretudo, se houver uma escadaria para subir a pulso.
jpv

Sempre à procura de prestar um serviço público de qualidade, sempre na senda de dois dedos de prosa, MPMI apresenta, a partir de hoje, conselhos práticos para cuidar da sua casa, do seu jardim, das suas plantas, da sua decoração de interior e exterior e, porque não, da sua saúde.
Antúrios

São plantas enganadoras. Por trás de um aspeto apelativo, comportam ilusões e desilusões e carecem de um cuidado quotidiano e aprimorado, talvez mesmo, vigilância, para que não deteriorem qualquer ecossistema à sua volta.
O antúrio dá-se bem em ambientes húmidos e viscosos, pantanosos e lamacentos. Alimenta-se de nutrientes que resultam da putrefação do solo. A zona atraente e vermelha não é a sua flor. É de facto uma eflorescência, ou seja, uma espécie de anti-flor. A flor é aquela formação amarela. A parte vermelha atrai os insetos que são depois desiludidos porque o que parecia não era e sobra só o pauzinho amarelo.
Fica bem numa sala ampla ou numa entrada, mas atenção, o antúrio consome imenso oxigénio e a partir de um período curto de tempo em jarra, começa logo a poluir a água e larga um cheiro fétido. Em suma, o melhor, mesmo, é mantê-lo no exterior. Dentro de casa é ideal quando vêm visitas indesejadas e queremos despachá-las rapidamente.
Enfim, a beleza inquestionável do antúrio não compensa os riscos e as desvantagens que comporta.
jpv

Amor meu, que te expões na cama,
Sacrificado seja o teu corpo
À minha chama.
Venha a mim a tua carícia,
Seja feita a nossa vontade
Com luxúria e perícia,
Assim no leito como no chão.
Perdoa-me as minhas ausências
Assim como perdoo
A quem me tem cativo
Da mais doce tentação.
jpv


Não há maus alunos, nem alunos maus.
Há jovens que ainda não encontraram o seu caminho e o seu lugar.
E há jovens saudavelmente selvagens que recusam a formatação social e educativa que violentamente lhes queremos impor.
Onde não houver afeto significativo, não ocorrerá aprendizagem significativa.
De pouco importa saber o que é necessário saber para construir uma ponte sem que caia, se não soubermos, antes de mais, porque é que as pessoas querem atravessar pontes.
joão paulo videira

Gil Vicente
“Todo o Mundo é mentiroso e Ninguém diz a verdade.”
Berzebu in “Auto da Lusitânia”, Gil Vicente, 1531.

I still recall
Coming to this
Very same beach,
Seeing you
Lay down in the sand
Soaking the Sun,
And dying inside
From an absolute envy,
A silent anger,
Because you weren’t mine.
jpv

Quando quiseres saber uma verdade,
Não perguntes a quem a saiba.
Pergunta aos ignorantes,
Aos pobres de espírito,
E aos humildes de coração.
O seu olhar não tem cortinas.
É sempre uma genuína revelação.
jpv
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