Hoje, à noite, teremos na RTP – ÁFRICA, uma entrevista que fala de literatura e outras coisas.
É a primeira aparição pública nesta nova era pós AVC. Espero não vos ter deixado mal. Além do mais, há uma ajudinha da Cláudia, que faz um recital maravilhoso.
Já escrevi Tantos poemas Sobre as mulheres. Já celebrei As suas curvas, E depois A sua graça Ao deslizar, A silhueta Num pôr-do-sol Mágico. Depois, Passei a celebrar Os seus líquidos E heróicos Alcances Que mudaram a existência. E houve, por fim, As questões laborais, As desigualdades E as dificuldades Que enfrentam Dia após dia.
E depois calei-me. Fiquei só Pelo olhar Quando passam. Quando estão, Quando partem, Ou quando ficam… E isto me basta.
Criam-se estrelas Que nos trazem milagres. Olhamos o cá E lá está ela: Vermelhão Como a terra africana. Nos pés dos elefantes Também se vê esse milagre. Na pele Dos leões, Nas chitas Em perseguição, Na fuga Tantas vezes em vão Das gazelas. Uma águia, De um porte enorme, Brilha lá no alto E o seu grito É um aviso. E todos os animais Pequenos Tem uma alma De coragem.
Não há como O sol africano.
Um outro Que brilhe Nas sombras Entrecortadas Do que anseio ser. Está, sozinho,y Aquele que comeu A Terra Vermelha.
Eu não sou mesmo As coisas que sinto, E a forma como as pressinto, Não se expressam como deviam. Não têm letras Nem palavras Com que devia temê-las. E talvez sejam de amizade, As palavras. E senão forem Passam em ti Uma digníssima esperança. Que tudo tenha sido um sonho, Tudo, tudo… Ou só sobre a… doença… A doença, claro. Tu queres saber Se és como eras Antes da doença. Se sofres as mesmas coisas, Se de ris com as mesmas coisas, Queres saber, enfim, Quem ficaste, Com que recursos, Ou se era algo comum a todos. Mas tu tinhas um AVC. Sim isso, Mesmo que não Tivesse nada, Era um nome Impronunciável, Querem provar Que nada digo. Um nada, Um quase nada Um todo Que era preciso Vencer. Porque, Porque sim, Porque o toque Da vida É mais capaz E mais válido Do que um raio. Basta que sim, Porque basta Um ai, Veemente adiado. Por fim, as roupas Rotas. As forças, As de juntarem Num só Grito.
Uma outra vez, A filha ali Exposta ao sabor Daquele “Mãe” Como se fosse A última coisa A gritar. Havia tanto A tratar, Mas o almoço dele, Acho que não chega, Acho que hoje tem tudo Por dar, Vamos lá, Primeiro fazê-lo. Depois há que entregá-lo… E o carro Por entre os roncos Indefinidos Também. Depois houve Que entregar Uma interrogada Teimosia. É o jogo do amor, Junto dele Convinha fingir Até o amor, Ou assumia O novo amor. E depois o brilho De menino. Por fim, Uns milagres Cartas ao acaso Já sem cor De torcer-se paralisado E morrer.
Eis-me no lixo, Sem que fizesse nada, Sem que soubesse nada, Tudo é uma rola estéril, Tudo é um nada. E mesmo assim, Donde que arranjei, Arranjei… À escuma amarga, E doce.
Venci, lá de baixo, Vi teu asno, E as tuas tripas, Mas ainda és minha, Ó vida.
Art Lesson Ideas, Plans, Free Resources, Project Plans, and Schemes of Work. An 'outstanding' art teacher in Greater Manchester. Teaching KS3 and KS4 art and design.