Mails para a minha Irmã

"Era uma vez um jovem vigoroso, com a alma espantada todos os dias com cada dia."


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Paradiso II

Duas cadeiras sós

Como se estivessem ali

Todo o tempo

A olhar o espaço

E, talvez, os anos.

Que histórias quentes

De amor têm para contar.

E um guarda-rios

Tão esguio

E tão doce,

Nem parece

O letal bico que tem

Para pescar.

Porque será

Que às coisas

Doces e meigas

Deus dá sempre

Um instrumento

Para matar?

O guarda-rios,

Um par de cadeiras

Abandonadas.

jpv


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Paradiso I

Há algas

A bordejar o mar.

De que são feitas?

Bordejam o mar

Com tanta beleza

E tanto carinho.

Eu segui as algas

E encontrei, lá longe,

Um pescador.

Daqui é como

Se estivesse parado,

Mas sabemos

Que hora a hora,

Traz o seu pescado.

E mais longe ainda

Um farol.

Não se vê a luz,

Agora,

Mas eu sei que existe.

Quando uma traineira

Passa longe

E uma garça

Desliza longínqua

E silenciosa,

Eu sei que

As janelas do paraíso

Foram abertas.

jpv


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Congresso “Os Lusíadas na Escola”

Quase a fazer dois anos, sempre cheio de atualidade. Como se ensinam “Os Lusíadas” fora de portas.

E, não sendo aquelas portas, alguns aspectos hão de ter em comum.


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Suavidade

Quando te vi,

Sentares-te assim,

Na cadeira,

Como quem se esconde,

Como quem não queria saber,

Eu soube que era

Livre.

jpv


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Águas – III

Lá longe,

Onde as águas brotam

Sozinhas

E soam vagos

Os cantos das aves que passam,

Lá onde a noite

Segue os dias

E todos sabem,

Lá onde não há humanos,

Eu fui lá

E gritei.

Gritei o teu nome

Como se as cordas vocais

Não soubessem

Mais nada.

Lá onde quebrei

O silêncio.

Foi lá

O princípio de todas as coisas.

jpv


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Água – II

No sorriso de ontem

Como no de hoje,

Cintilam vaga-lumes

Quando os outros dormem.

Nas mãos de outrora

Como nas de hoje,

O gesto é fugaz

E executado com limpidez.

Naqueles olhares de ontem

Como nos de agora

O brilho é constante,

O sorriso de criança

Traz junto a promessa de amor.

Tudo em ti é duplo,

Cheira ao que passou

E antecipa o que falta vir.

jpv


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Água

Quando não quero saber

Quanto te aproximas de mim

E trazes esse cheiro de cerejas

Pendurado na tua face.

Tu vais às cerejas

Quando já ninguém as vê

Quanto ninguém lhes chega.

É um ato de fingimento

Assim como quem se queixa.

Esta rota azul

Que me afasto

E de que me aproximo,

Enfim, como deixando correr,

Sentisse menos tranquilo.

jpv


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Participação na Universidade de Cabo Verde

O V Encontro Cabo Verdiano de Língua Portuguesa, promovido pela Universidade de Cabo Verde e pelo Camões – Instituto de Cooperação e da Língua, teve ontem, entre as 16h e as 17h, a palestra História e Memória(s) onde tive o prazer de estar presente.

O evento decorreu sob a presidência da Dr°.  Mariana Faria, e contou com a gestão de Nílton Pires e Neila Fonseca.

O quadro de convidados contou com o Senhor José de Pina e João Paulo Videira.

Foi possível relembrar o 25 de Abril, através de histórias verdadeiras e, no meu caso, ajudar a enquadrar os jovens de hoje face àquela revolução e como trazer-lhes luz, sempre polémica e com juízo crítico.

Momentos muito bem passados e um pouco de História viva para se ir relembrando.

João Paulo Videira

Praia, 13 de maio de 2024


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Aniversário muito Feliz

Em 12 de maio de 2009, começámos uma fase escrita que não mais viríamos a terminar. Por um lado, o vício e a dependência que subsistem até hoje, e por outro, a vossa inestimável companhia.

12/05/2009 | 12/05/2024

E como a vida não pára de nos surpreender, agora, temos mais uma conquista, esta custou a força de a enfrentar e a coragem de saber que estará sempre comigo!

Viva a Vida!

Viva o MPMI!

Obrigado.

João Paulo Videira


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Republicação – HAICAI

Sinopse Vida

Nascer e viver
Verdadeiro milagre
Vida a brotar

Crescer humano
Esmurrar os joelhos
Encher a alma

Aprender vida
Construir com o saber
Arte de viver

Casar por amor
Semear família
Amar os filhos

Trabalhar duro
Para um legado e
Criar futuro

Envelhecer e
Fazer percurso digno
Avô ou avó

Morrer no tempo
Certo e no momento
De voltar ao pó

jpv

título: 5 sílabas
vida: 7 fases como o verso
mais longo tem  7 sílabas

[Primeira publicação em 13/06/2012]