Mails para a minha Irmã

"Era uma vez um jovem vigoroso, com a alma espantada todos os dias com cada dia."


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Dragões a Cuspir Fogo e Searas ao Vento

Não é possível descrever-te
Sem mencionar dragões a cuspir fogos
De entusiasmos imprevisíveis.
Não é possível evocar-te
Sem sentir na pele o sopro do vento
No sussurro de searas ondulantes.
Não é possível imaginar-te
Sem mares azuis e ilhas desertas
Sob bátegas de água
Galopando relâmpagos e trovoadas.


Universo de lágrimas fáceis e sentidas
Enamoradas de gargalhadas cristalinas.
Determinação de mulher.
Insegurança de menina.


Não é possível descrever-te
Sem mencionar incoerências lógicas
E a leveza do passar.
Não é possível evocar-te
Sem sentir o odor de mulheres sensuais
Bailando ao som de melodias exóticas.
Não é possível imaginar-te
Sem atitudes ousadas e desarmantes
Onde antes morava a impossibilidade.

Universo de Causas, de Amor e de Fé
Enamorada de silêncios longos
E espaços reclamados.
Obstáculos tombados,
Convicções erguidas.
Dar e receber sem tempo
Nem medidas.

Tu.

jpv


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Hora do Chá

Eu consumo chá “Dr. Oetker”.
Acho que, como chá, é igual aos outros todos!
Contudo, este chá começa a fazer bem mesmo antes de ser bebido…
Através de uma campanha intitulada #horadochá, o Dr. Oetker transmite umas mensagens motivacionais muito pertinentes.

Vejam só o que me calhou hoje?
Se todos, sempre, tivéssemos estes dois pensamentos em mente…

Fiquem bem, Amig@s!


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Carta ao meu Neto aos 10 meses

Olá, Jamesy Boy!

Já antes, muito antes de nasceres, celebrávamos o teu aniversário. Sentimos, primeiro, uma antecipação, depois uma alegria e depois um júbilo e uma felicidade que não mais nos largaram. Vieste e, pequenino ainda e inconsciente, felizmente inconsciente de tantas coisas deste mundo, trazias, já, uma força e uma resiliência ímpares. E celebrámos os teus segundos e os teus minutos e as tuas horas, e os dias, e as semanas e os meses e hoje, dia 10, fazes 10 meses e há nesta circularidade decimal da contagem do tempo algo de novo: é a primeira vez que fazes meses com dois algarismos. E estes pormenores são isso mesmo, pormenores. Para a maioria das pessoas do Mundo serão, até, insignificantes. Para nós, são o centro de tudo! Tu és o centro de tudo. Das atenções todas, dos afetos todos, de todos os cuidados e de todas as emoções e razões que preenchem os nossos dias. Num mundo tão cheio de agressividade, tu vieste ser a Paz. Meu querido James, meu netinho doce, tu fazes-nos ser o melhor que conseguimos, limpas as nossas mentes e pacificas os nossos corações. O teu olhar tem a luz e o brilho da alegria e da felicidade que é suposto os humanos perseguirem e viverem. O teu sorriso tem o espírito e a malandrice que dá sal e entusiasmo às nossas vidas. E cada pormenor da tua existência nos comove e nos reduz à insignificância de sabermos que, antes de ti, não existíamos, não tínhamos sentido porque ele veio contigo.

Sabes, o avô ainda não te abraçou… mas vai abraçar… em breve… e, depois disso, depois desse abraço, pode suceder-me tudo, até mesmo a morte. O ciclo estará completo. Todas as coisas terão um novo princípio e um novo fim. A minha vida deixará de ser minha…

Sabes, meu amado James… o avô João não é muito boa pessoa. Um dia vão dizer-te isso e terão razão, com certeza. Mas o avô ama-te com todas as suas forças e com todo o sentimento que consegue reunir… e esse amor que o avô te tem é puro e limpo e lindo e único e é mágico porque é intocável… persevera sobre todas as outras intenções e atos…

Hoje, completas 10 meses de maravilhosa vida… em tempos difíceis tens sido a exceção a tudo o que nos rodeia… tens sido a salvação das nossas existências. A nossa salvação.

Hoje, o avô agradece-te e abraça-te cá de longe e aperta-te bem apertadinho contra e seu peito e sorri… e, se, por ventura, uma lágrima brilhar, será de felicidade!

GDad.


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Órfão

No tempo de não haver culpas e todas as palavras serem verdadeiras e limpas, quando ainda era menino, ensinaram-me o que era um menino órfão. E, fosse por que ventura fosse, nunca mais atualizei o conceito. Para mim, um órfão sempre foi um menino sem pai nem mãe. Só quando ouvi esta canção do Abrunhosa me apercebi que já não vêm à minha mesa, nem o pai, nem a mãe, e o órfão sou eu… órfão aos 53…

Não herdei nada e, contudo, os meus pais deixaram-me tudo o que tenho precisado para a vida.

Não me sinto triste por ser órfão. Sinto-me só. Abandonado. Sinto-me à deriva no mar de decisões que cada dia me traz. Nunca passa. Quando temos o nosso pai e a nossa mãe, mesmo que não os vejamos muito, mesmo que estejam longe, sabemos que existem e estão lá para nós e isso fortalece-nos e dá-nos coragem para todas as batalhas. Depois de morrerem, há um vazio que se instala e nunca deixará de o ser. Não é tristeza, nem desespero. É vazio. Sozinhês. É um sentimento do mais absoluto desamparo porque nos falta quem dizia a palavra certa, quem nos passava a mão pelo cabelo, quem representava a confiança absoluta. Só um pai ou uma mãe têm o poder de dizer algo e esse algo ser lei só porque foi dito por eles.

Há muitas mesas, já, que o meu pai não está presente. Demasiadas. E a minha mãe… é como se ainda estivesse à mesa, mas a verdade é que à mesa só já está a sua imagem, a imagem do seu sorriso. Não sei se sou menino… creio que não… mas sei que sou órfão e sei agora, e tragicamente, o que é um órfão. Um órfão é um homem a uma mesa vazia, um desamparado trágico, um sozinho deambulante pelas memórias que são só isso mesmo.

jpv


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Simplicidade

De Rerum Natura
Simplicidade

A letra desta canção, um belíssimo poema de Agepê, nome artístico de Antônio Gilson Porfírio, um belíssimo letrista brasileiro, sempre me impressionou pela sua simplicidade. São palavras comuns, do quotidiano, despojadas da ambição de outros vocabulários envoltos em dissimulação, cagança imperial sem sustento intelectual e ético. O poema é tão singelo e, sobretudo, tão despojado que se torna intenso precisamente por isso. A simplicidade, não o simplismo, do pensamento e da atitude é, hoje em dia, uma surpresa, quase um choque. Transporta consigo a limpidez de raciocínio e a clareza de caráter próprias dos justos e serenos. Vivemos num mundo de rodeios e supostas importâncias, de justificação do injustificável, de licitação do crime que é o triunfo da ignorância sobre todos os valores, sobre todo o mérito e nobreza. Vivemos num universo de valorização do zero, de coisa nenhuma, da insignificância e parecemos esquecer a nossa igualdade e equidade supremas: somos todos um pouco de pó, somos todos pateticamente perecíveis, somos todos pouco mais do que nada. Parecemos esquecer que o que nos define não é o ter, mas o ser. Parecemos esquecer que não somos definidos pelo carro que temos, o modelo do telemóvel, a casa onde vivemos, o cargo que ocupamos, o título que ostentamos. Aquilo que nos define são os pequenos gestos. A compaixão, a nobreza de caráter, a frontalidade, a capacidade de sermos felizes e fazermos alguém feliz. O que nos define é a tenacidade e a determinação em sermos melhor do que somos. E tudo isto se oblitera numa nuvem de argumentos e razões e justificações que mais não são do que a criação de uma confusão generalizada e lamacenta da qual os nobres de caráter se afastam para poderem respirar e na qual a ignorância maledicente e mal intencionada triunfa. Vivemos uma gigantesca e universal batalha de palavras de complexidade porque não somos capazes da simplicidade desarmante com que Agepê nos brinda neste poema tão sublimemente interpretado pela inimitável Simone. “Na beleza desse teu olhar, eu quero estar o tempo inteiro.” O problema é que há já muito poucos olhares de beleza genuína e verdadeira e há, menos ainda, quem reconheça essa simplicidade e saiba viver nela como quem navega em águas calmas. Se todos conseguíssemos ser assim tão simples… seríamos todos tão mais profundos… e felizes! Tenho dito.


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Carrossel

“A minha mente é como mil carrosséis sempre em movimento, cada um girando à sua própria velocidade e na sua própria direção.”

jpv


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Salvadora das Manhãs

Já não amanheces comigo, meu amor.
Pela madrugada, ouves um clamor
De fadas e querubins,
De criaturas da floresta e princesas.
Um pedido de ajuda e resgate
De todas as crianças desamparadas e indefesas
Que o Universo pariu.
E lá vais tu,
Enfrentando o calor e o frio
Das almas desertas,
Socorrer as pobres crianças
E revelar os tesouros e as descobertas
De mil segredos por desvendar.
Nunca amanheceste comigo.
As tuas manhãs são dedicadas a salvar
Todas as crianças em perigo.

jpv


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Dancing Dragons

Thy dragons don’t spit fire
Nor do they loose their balance.
They fly higher and higher
And, in the skies,
They dance.

jpv


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Todas as Tochas

Todas as fadas da noite
Se reúnem em laborioso conselho,
Olham o manto negro que cobre a terra
E decidem que chegou a hora de erguê-lo.
E a luz rompe, devagar, com esforço.
No horizonte nasce uma promessa avermelhada.
As ruas da cidade espreguiçam-se
E contorce-se pela marginal uma carrinha estremunhada.
O padeiro tende a última massa
E um homem, na cama, abre um olho sem graça,
E fere-se com a luz enquanto dormia.
Não há como voltar atrás,
Já rompe, inexorável, o novo dia.
Daqui a pouco, a paz dos justos
Dará lugar à azáfama dos distraídos.
A cidade luta contra a noite
E, ao longe, ardem as tochas de mil anjos caídos.

jpv