Mails para a minha Irmã

"Era uma vez um jovem vigoroso, com a alma espantada todos os dias com cada dia."


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Náufrago

Estão vazias as mãos
E esgotadas as palavras.
Secaram os rios
Fustigados por ventos quentes
De bonança e abandono.
Não é triste este lamento,
É seguro e isento.
Fúnebre tormento
Da pena exangue
E imóvel.
Não oiço,  já, o arranhar
Bailado e fiel.
E não sinto o odor
Suave desse papel
De milagres.
Os dias correm alegres e cinzentos
E guardo no peito os momentos
Que antes escrevia.
Não é uma maré vazia.
E cheia também não é.
Uma onda plana e calma,
Uma embarcação fundeada.
Um poeta lívido.
Morto. De pé.

jpv


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“O Desafio de Perdoar” por Leandro Karnal

Imperdível.
Leandro Karnal, não só é um grande pensador e um homem culto, como é, também, um excelente orador.
Esta reflexão teológica e psicanalítica sobre o perdão é exímia.


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Shiluana

Shiluana faz arte de muitas formas. Pinta loiças, barro, faz bolos decorativos, pinta sobre tela e agora também pinta sacos de linho.

As imagens são de três das suas últimas criações: pintura sobre pano para sacos de compras.

Se quiser o contacto peça-o pelos comentários deixando o seu mail. O seu comentário não será publicado para preservar os seus dados.

jpv


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Birds by jpvideira

Brown Snake Eagle; Águia-cobreira-castanha (Circaetus cinereus)
Ndzaka Tented Camp, Manyeleti Game Reserve, Hoedspruit, Limpopo, South Africa.


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Birds by jpvideira

Lilac-breasted Roller; Rolieiro de peito lilás (Coracias caudatus)

Ndzaka Tented Camp, Manyeleti Game Reserve, Hoedspruit, Limpopo, South Africa

02/02/2020


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Birds by jpvideira

White-fronted Bee-eater; Abelharuco de garganta branca (Merops bullockoides)
Reserva Especial de Maputo, Maputo, Moçambique.
06/03/2021


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Mamã!

Olá Mamã!
Tu não morreste. Seguiste outro caminho.
As saudades são imensas e, contudo, a vida continuou a explodir-nos nas mãos e no coração.
Fazes-nos falta. Muita falta. Agora nos apercebemos de forma ainda mais nítida e sentida e sofrida da importância que tinhas nas nossas vidas. E continuas a ter.
Nasceu o teu bisneto. Não o viste por poucas semanas… já tinha de ser assim… ias ter um imenso orgulho no teu neto e ias estragar o bisneto com mimos. Já te estou a ver a tirar-lhe fotografias e a dizer como é que se devia fazer para cuidar bem dele.
A mana está bem. Não tanto quanto estaria se tivesse a tua companhia. Mas está bem. Sobreviveu ao acidente e a tudo o que se lhe seguiu e está bem. Trabalha. Conduz. E faz mais coisas…
Já não assististe a esta coisa do vírus… não te ia incomodar… ias encher toda a gente à tua volta de sumo de beterraba e trarias contigo para aí umas cinquenta máscaras! Uma para cada situação.

Tenho saudades do teu sorriso. Tenho saudades de quando me abraçavas e davas conselhos para a vida e tenho saudades de quando me davas lições de vida e tenho saudades de quando me penteavas e tenho saudades de quando me acalmavas mesmo que isso implicasse prometeres-me o impossível. Eu descobriria depois que o impossível era impossível, mas já sem medo! Tenho saudades do desvelo com que cozinhavas para nós e do cuidado com que punhas a mesa em todos os seus pormenores. Tenho saudades da tua voz e do teu olhar. Sinto esta impotência absurda de não poder contar-te tudo, de não podermos tomar um xiripiti juntos.

Só passou um ano. Parece tão pouco e é já uma eternidade de ausências.
Está tudo tão diferente, mamã… está tudo tão despido…

Queria tanto que conhecesses uma pessoa que teria amado conhecer-te. Uma pessoa muito especial… Queria…

Pouco depois de nos deixares, quando a mana acordou do coma e começou a entender o que lhe dizíamos, eu disse-lhe que a tua morte não seria uma tragédia, mas antes uma revolução. Faz hoje um ano que partiste e a revolução continua, Mamã!

Teu Rapaz,
João Paulo


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ICOR – AGRADECIMENTO

Uma mais do que justa e merecida palavra de agradecimento a todos os profissionais do ICOR, Maputo.
Desde técnicos administrativos, gestores, médicos, enfermeiros, auxiliares, todos com grande profissionalismo, ternura, atenção e dedicação fizeram com que tudo corresse pelo melhor.
Um grande serviço, de grande humanidade e competência.

OBRIGADO!


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Céus de Fogo

O marinheiro na proa sentado
De um navio sem préstimo
Há muito naufragado.
Apoia-se na amurada
E vem espreitar.
O marinheiro não vê nada
A não ser o mar revolto.
Há muito que perdeu o balanço.
Já não pode,
Já não vai a jogo.
Encolhe-se e reza, perdido,
Sob os céus de fogo.

jpv