João Paulo Videira apresenta “Rumores de Tinta”. Histórias, reflexões, teorias, pormenores, curiosidades, religião, política, ciência, coerências e incoerências… uns minutos daquele não sei o quê que nos põe a pensar na vida só porque sim…
Iniciamos hoje a rubrica “Rumores de Tinta” no Youtube. Se gostarem, divulguem, subscrevam, ativem as notificações, deixem um comentário…
Há tantos aspetos com que me identifico. Na verdade, quase todos. Já propus tantas destas coisas em tantas instâncias diferentes. Quase sempre me dizem que ainda não é o tempo. Que ainda não estão reunidas as condições. Andamos a adiar o inadiável. Andamos a destruir gerações de criatividade e curiosidade.
Quão precisa está esta análise. Quão certeira!
Infelizmente, Ken Robinson deixou-nos em agosto de 2020. Vai fazer muita falta ao pensamento ocidental, e não só, sobre Educação.
Era de uma lucidez ímpar e de uma inteligência e sensibilidade inigualáveis.
E, ainda por cima, tinha o dom de dizer tudo de forma desassombrada e simples.
Mulher Moçambicana, Mulher de Moçambique, Mulher em Moçambique, Mulher moldada por Moçambique.
Como agem, como reagem, como se submetem, como submetem, como dão, como exigem, como pedem, como querem, como aceitam, como rejeitam, como estão, como obrigam a estar, como resistem, como sofrem, como riem, como choram, como amamentam, como maternizam, como eternizam, como maridam, como namoram, como iludem, como se desiludem, como acariciam, como amam… únicas… como as outras todas e como só cada uma é capaz.
Últimas palavras naquele recurso que usámos tantas vezes para falar um com o outro. Trocámos outras. No próprio dia em que partiste. Nesse dia, horas antes da tragédia, comentaste fotos minhas no Facebook. Com humor. Com carinho. Com amor.
Nunca ninguém me amou como tu, mãezinha. Nunca ninguém me amará como tu, mãezinha.
E é por isso que estou só e desamparado. É por isso que vivo esta imensa e eterna solidão. É por isso que todos os sentimentos me abandonam. É por isso que trago os braços caídos. É por isso, porque me deixaste só, que não vejo como continue esta caminhada. É tanta a dor. E fazes-me tanta falta.
Como tu e como o pai não há mais ninguém. A Humanidade está pútrida e fétida. Não vinga um só valor. A única coisa que medra nesta terra, mãezinha, é a ignorância e a fraqueza de caráter.
Como sinto a falta do teu abraço. Como sinto a falta do calor do teu corpo. Do teu sorriso. Da tua voz. Da tua mão penteando-me o cabelo. E como tudo isso está irremediavelmente perdido. Se pudesse trazer-te de volta, a ti e ao papá, anichava-me entre vós e morria de mansinho no conforto do vosso aconchego.
Na bruma da manhã Correu um boato torpe e vil. O lobo tinha saído do covil E capturado o cordeiro exangue. Na notícia de primeira página, Por entre cores de sangue, Não se mencionara, por pudor, Que o cordeiro havia saltado do redil. Com suas maneiras amaneiradas E o olhar raiado de fervor, O cordeiro, sob lãs envenenadas, Cometeu o crime perfeito. Impune e vaidoso, Caminha agora pelas ruas. As culpas não são suas E o lobo jaz apodrecido e desfeito. É o que acontece aos lobos Corajosos que perseguem Cordeiros inocentes. Mastiga mais, por vezes, Quem tem menos dentes.
Só, Sob o sol queimante do deserto, O caminhante avança lento, Pés nus e peito aberto. Não tem água, já. Não tem bússola Nem horizonte. Só o sangue nas passadas E o suor na fronte. Sem amparo nem resgate, Enfrenta o vento que o fustiga E a areia que o abate. E, enquanto a Natureza adversa o castiga, O caminhante avança, Crente, só, na Fé E no sentido que o orienta. Sob o imenso calor, Tudo pode, tudo aguenta, Se vir ao longe Uma centelha de amor. Sente, pesados, os pés E a vontade a soçobrar. Vislumbra um oásis, Verde, húmido e cristalino, Quando termina a violência do estio. O caminhante tomba sob a luz. E o seu corpo inerte Apodrece, na noite, ao frio.
Casas degradadas vibram de cor e alegram ruas de grande afluência na baixa de Maputo. Há música em cada esquina e há pessoas que dançam e há quem procure comprar afetos e satisfações junto das prostitutas que por ali estão sentadas. O ambiente parece “pesado”, mas as pessoas são afáveis e simpáticas.
A cidade reinventa-se e recria-se e constrói as suas marcas intrínsecas. A sua nova identidade.
A Rua da Gávea e a Rua da Arte são, para já, o centro do processo. Precisam-se visitantes!
Não tenho medo de morrer. Tenho medo de perder-te Que é outra forma de morrer. Cantam anjos no horizonte E banha a terra Uma luz divina. Caminha uma mulher na calçada. Passada de homem, Coração de menina. Juntam-se querubins, gnomos e fadas. Dançam no céu de mãos dadas E conjuram a felicidade dos amantes. Tocam-se duas almas errantes. Tombam dois corpos ofegantes. E há um rumor De sedas marinhas. A paisagem perfeita Acontece quando caminhas E sorris para mim. Só então, consigo aceitar o fim.