Não. Não é um som que fui buscar à NET. É um som gravado onde moro. Na paz absoluta.
É um som que vem dos pássaros e do galo com a natural alegria de ver nascer mais um dia. E não houve mais nada a não ser a companhia da minha vida e um café.
A vida aqui é assim, tantas coisas a deixar saudades. Tanta alegria pelo nascer de mais um dia. Isto não estava incluído no preço da casa!
E havia tantas coisas sobre que falar. O último resultado do Benfica. As últimas parvoíces do Trump. A Guerra. A que é. E a que faz de conta… Nada. Nada mesmo interrompeu esta Sinfonia Matinal.
Sou. Mas um benfiquista que não precisa de mais ninguém para ferver, como um sonhador, ao mais pequeno passe, a mais um excêntrico golo.
Não sou como aqueles benfiquistas que ficam muito alegres e depois muito tristes. Ser benfiquista, neste caso, é ver sempre as coisas positivas. O Benfica pode estar a apanhar 3-0 e eu estar alegre por ver as camisolas vermelhas a rolar sobre o relvado.
Eu sou benfiquista. E isso não é contra nada nem contra ninguém. É a favor da melhor jogada ou da pior. Não é comparar nada com ninguém.
Tanto me interessa que o treinador seja A ou B. Não me interessa. Os treinadores são só pessoas. E os jogadores do Benfica são deuses na Terra.
Por exemplo, não gosto quando o Benfica não usa o equipamento principal. Não é a mesma coisa. E não gosto quando joga fora. Eu sei que é obrigatório, mas não gosto.
Eu sou daqueles que põem os comandos numa certa posição, e faço sinais místicos durante o jogo e não atendo o telefone.
Ser do Benfica não é só por um jogo. Pode ser uma final, ou um jogo de um campeonato improvavelmente perdido. Tenho de sofrer da mesma forma.
Nunca sei quem é o próximo adversário e respeito-os sempre. Só tenho pena que não sejam do Benfica.
Ir ao Estádio da Luz é como ir estar com a família. É como ver ao vivo uma comunhão.
Isto, ser benfiquista, começou muito cedo. O meu avô ligava o rádio, eu riscava num papel o nome dos dois e a assinalava o evoluir do resultado. Nesse tempo meu avô tinha um galo benfiquista por cima de outro sportinguista e o irmão também tinha um, com as cores ao contrário. E eu celebrava cada vez que o meu avô colocava o galo por cima do irmão sportinguista.
Ver um jogo ao pé de mim, é preciso ter os ouvidos preparados. Pelo volume. E pelo conteúdo.
Nunca participei numa briga, porque para mim o futebol e o Benfica em particular, não era sobre brigas. Era uma festa. E é.
Costumo dizer que quando for dormir, o sono profundo, ponham-me uma bandeira do Benfica e um cachecol e uma camisola das minhas sobre o caixão…
Está muito perto a data de publicação do próximo romance. Não é um romance. É uma AUTOBIOGRAFIA que vai pôr a nu as desgraças e as virtudes de uma família.
Como se depois do AVC tivesse sido tomado pela verdade e tudo o que é vida estará presente.
Este não é o meu gato. Aliás, tolero os gatos, sei como fazer-lhe festas, mas não são os meus animais favoritos. Primeiro vêm os cães e depois os pássaros. Estes segundos ao ar livre.
Este é um gato especial, que se apaixonou à primeira vista, e soube cativar o objeto da sua paixão. Íamos quatro no caminho e ele escolheu-me. Tive de me sentar dada a sua insistência para que o fizesse. E sentei-me. E ele ficou ali encostado a mim o tempo que quis. Tenho a sensação, a inexperiência a isso obriga, que foi mamar. Mais não posso que especular.
Nunca me disse o nome. Se é que o tinha. E a nossa relação não foi além daqueles trinta minutos. Depois foi-se embora muito calmamente. Tinha estado a beber calma. Mas marcou-me. Lembro-me dele amiúde. Da sua calma. Da sua insistência e por fim como se foi embora. Parece que sabia que eu era um colo temporário. E isso apaixonou -me. Ficou para sempre o meu gato…
Essa coisa indefenível Como as coisas Que se chamam coisas. Essa impressão Que fica no ar Mesmo quando já não se nota O teu passar. Essa coisa que me traz preocupado Com as simples tarefas Do universo. Essa coisa que deixa um perfume Em prosa, Ou em verso. Essa coisa a que não quero chamar Amor E que rodeio com perífrases Do mesmo tipo. Esse longo amar Na cabana do Tofo, Ou um beijo trocado No Dhow ao chegar. Passou continentes E olhou-te de surpresa Após o AVC. Essa coisa que ainda Ontem fizemos, Sem vergonha nem pudor. Essa coisa, Assim pura, Chama-se Amor.
Um ano. Um incrível ano. Sabes, estou agora a escrever sobre o teu Pai. É uma coisa que faço. Escrever. Assim como tu te entreténs com os brinquedos, eu escrevo. Hoje apetece-me dizer que é o dia mais fantástico de sempre. Porque tu fazes anos. É assim como se rebentassem todos os fogos de artifício do mundo no meu coração. A tua música, como um xá-xá-xá perfeito, inunda o meu cérebro. Quando cresceres, hás-de aprender que não sou muito normal, mas amo-te acima de todas as coisas. Tu agora és tão pequenino, que tudo te parece grande, os manos, James e Julia, parecem-te domar o mundo, que em breve será teu. Sabes, o avô não tem medo de morrer, mas tenho pena de não continuar a vida ao pé de vós. Espero ter tempo para que me conheças, para que faças, tu, os juízos de valor. Até já!