Mails para a minha Irmã

"Era uma vez um jovem vigoroso, com a alma espantada todos os dias com cada dia."


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Do AVC – 1/9

Foto por Ângela. Livraria Arquivo. Leiria.

INTRODUÇÃO

Dois anos e sete meses passaram desde que tive o AVC.

Tenho alguns poemas escritos sobre o assunto. E tenho um texto em prosa. Fadas e Gnomos.

Agora, resolvo abrir-vos as portas para vos aperceberdes do que passa uma vítima de um AVC. As esperanças de recuperação, a violência do que não é para recuperar, os saltos que se tenta dar e as vezes que se tem de andar para trás, e a autossuperação. Sem avisos. Umas vezes recupera-se, e julgamo-nos heróis, outras vezes parece que o problema veio para ficar. Estas coisas têm maior rigor do que pensávamos. Nem somos heróis numas, nem uns desgraçados noutras.

O meu AVC foi em Cabo Verde. Com as consequências que isso traz. As pessoas foram muito simpáticas, mas não podiam fazer mais. As máquinas estavam aqui, em Portugal, e também a medicação. Esperei os dez dias. E finalmente voei. Estive, então, seis dias internado, e quatro dias à espera. Um doente de AVC deve ser atendido até um máximo de três horas. Em Cabo Verde esperei dez horas e em Portugal esperaram onze dias por mim.

Fiquei com uma afasia total. Não era capaz de dizer nada. Nem mesmo o meu nome. Eu sabia-o, mas quando mo perguntavam saía nada. Fiquei com o lado esquerdo da cara parado. Daí aquela coisa estúpida de estar a comer e a babar-me. E por dentro, o cérebro, teve mais umas quantas coisas. Tomo sete medicamentos por dia. E sou um homem feliz.

O que agora retiro desta experiência, e que publicarei, são só impressões, coisas do dia. Para ciências, falem com um médico.

  1. Introdução.
  2. Nunca mais se é o mesmo.
  3. Diz-se o que se pensa.
  4. Percebemos que os outros mudam em relação a nós.
  5. Nunca mais somos dignos de confiança.
  6. Estamos para sempre doentes.
  7. Pensamos a vida numa outra perspetiva .
  8. Mudamos o nosso olhar sobre os outros.
  9. O que um AVC pode ter de bom.

jpv


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Sobre o AVC…


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Papoilas

Foto por Cláudia. Coimbrão.

Chegou o tempo da papoilas.

Nascem em qualquer recanto.

Trazem beleza aos mais recônditos

Locais.

Não são agradáveis ao toque.

Quer pelo caule,

Quer mesmo a estrutura.

Mas deixam-se ficar, ali,

Como se alguém fosse

Colhê-las.

Anunciam a Primavera,

Com luz, uma cor,

Algo que as torna evidentes.

E estão ligadas a nova estação.

Olha, papoilas, está aí a Primavera.

Ontem, vi muitas.

É a sorte de viver junto a elas.

É uma sorte

Viver onde há papoilas

E alguém para Amar!

jpv


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Liberdade a dois

Foto por Cláudia. Coimbrão.

jpv


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Eu amo-te

Foto por jpv. Pedrógão.

Eu amo-te
Mais do que tu pensas.
Eu amo-te
Indiscritivelmente.
Eu amo-te
Por formas que as palavras não cobrem.
Eu amo-te
De amores que tu não sonhas que existem.
Eu amo-te
De paixões que ainda estão por inventar.
Mas eu amo-te.
E eu amo-te dessas formas todas
Que os homens ainda não inventaram
E que andam aqui no meu cérebro
À procura de uma existência.
Eu amo-te
Mas quando digo “Eu amo-te”,
Tu tens de imaginar
Sentimentos que não existem
Ainda hoje.
Tu tens de imaginar
Mundos impossíveis,
E mundos permeáveis.
Por isso, eu só te posso dizer
Que eu amo-te!

jpv


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FOTOBIOGRAFIA… O ROMANCE

Se um romance pudesse acabar-se assim, num dia, hoje seria o dia em que acabei de escrever a autobiografia, romance de dentro, FOTOBIOGRAFIA.

Agora, vem a fase de o passar para o computador, que é também, a fase da primeira revisão.

Depois, escolherei uma editora, e uma segunda revisão de segue. Por fim, todo o trabalho gráfico.

É um afã, um trabalho miudinho… Até que chegue o grande momento. O lançamento.

Para já. Estamos nesta fase. Felizes.

jpv


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Sinfonia Matinal

Som gravado por jpv. Coimbrão.

Não. Não é um som que fui buscar à NET. É um som gravado onde moro. Na paz absoluta.

É um som que vem dos pássaros e do galo com a natural alegria de ver nascer mais um dia. E não houve mais nada a não ser a companhia da minha vida e um café.

A vida aqui é assim, tantas coisas a deixar saudades. Tanta alegria pelo nascer de mais um dia. Isto não estava incluído no preço da casa!

E havia tantas coisas sobre que falar. O último resultado do Benfica. As últimas parvoíces do Trump. A Guerra. A que é. E a que faz de conta… Nada. Nada mesmo interrompeu esta Sinfonia Matinal.

jpv


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Benfiquista

Foto por Cláudia. Maputo.

Sou. Mas um benfiquista que não precisa de mais ninguém para ferver, como um sonhador, ao mais pequeno passe, a mais um excêntrico golo.

Não sou como aqueles benfiquistas que ficam muito alegres e depois muito tristes. Ser benfiquista, neste caso, é ver sempre as coisas positivas. O Benfica pode estar a apanhar 3-0 e eu estar alegre por ver as camisolas vermelhas a rolar sobre o relvado.

Eu sou benfiquista. E isso não é contra nada nem contra  ninguém. É a favor da melhor jogada ou da pior. Não é comparar nada com ninguém.

Tanto me interessa que o treinador seja A ou B. Não me interessa. Os treinadores são só pessoas. E os jogadores do Benfica são deuses na Terra.

Por exemplo, não gosto quando o Benfica não usa o equipamento principal. Não é a mesma coisa. E não gosto quando joga fora. Eu sei que é obrigatório, mas não gosto.

Eu sou daqueles que põem os comandos numa certa posição, e faço sinais místicos durante o jogo e não atendo o telefone.

Ser do Benfica não é só por um jogo. Pode ser uma final, ou um jogo de um campeonato improvavelmente perdido. Tenho de sofrer da mesma forma.

Nunca sei quem é o próximo adversário e respeito-os sempre. Só tenho pena que não sejam do Benfica.

Ir ao Estádio da Luz é como ir estar com a família. É como ver ao vivo uma comunhão.

Isto, ser benfiquista, começou muito cedo. O meu avô ligava o rádio, eu riscava num papel o nome dos dois e a assinalava o evoluir do resultado. Nesse tempo meu avô tinha um galo benfiquista por cima de outro sportinguista e o irmão também tinha um, com as cores ao contrário. E eu celebrava cada vez que o meu avô colocava o galo por cima do irmão sportinguista.

Ver um jogo ao pé de mim, é preciso ter os ouvidos preparados. Pelo volume. E pelo conteúdo.

Nunca participei numa briga, porque para mim o futebol e o Benfica em particular, não era sobre brigas. Era uma festa. E é.

Costumo dizer que quando for dormir, o sono profundo, ponham-me uma bandeira do Benfica e um cachecol  e uma camisola das minhas sobre o caixão…

Viva o BENFICA.

jpv


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Fotobiografia de Ti

Foto por jpv. Hydra

“O vento trocou-me as voltas, trouxe-me depois, quem amo imensamente. Indefinidamente.”

jpv