Mails para a minha Irmã

"Era uma vez um jovem vigoroso, com a alma espantada todos os dias com cada dia."


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Correcção

Caro senhor, sou humildemente a informá-lo de que se diz ALMOTOLIA e não como V. Exa, por lapsus linguae, estou certo, referiu: ALMENTOLIA!

– Óvistes, pá?!

O Explicador da Classe Operária


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Reincidência

Reincidência

Há um toque de doçura
No teu jeito
Desajeitado.
Assim, como quem procura
Domar o cabelo despenteado.
E há uma irreverência
Em certas coisas que dizes,
Emana do teu olhar a ciência
Que nos impede de ser felizes.
É um traço preocupado
Que nasce no teu sentir fundo
E nem o sorriso iluminado
Esconde esse peso do mundo.

Vieste e voltaste
Como quem não quer, mas vi
Que temos nas órbitas de nós
O que te faz falta a ti.

jpv


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Olhar

Olhar

Fixo na paisagem que passa
O teu olhar pensativo e distante
Reflecte a alma na vidraça
Do comboio deslizante.
E é por isso,
Sei agora,
Que vive cá dentro
O olhar que vai lá fora.
Há um ponto no horizonte
Para onde olhas sem ver,
E é nesse ponto que está a ponte
Entre o que és
E o que queres ser.
Vivem figurinhas saltitantes
Em cada metro percorrido,
Vagueiam flutuantes
Pelo tempo perdido.
E és tu que vais aí,
Ou somente a imagem de ti?
És o que julguei ver,
Ou és mesmo o que vi?
Transportas nesse olhar
Todas as aventuras e toda a vida,
Que para a tua chegada
Não houve ainda partida.

Parte, menina, parte!
E faz da finita viagem
A tua forma de arte.

jpv


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Publicidade – Engrossa onde?

Eu bem sei que por aqui se vão mostrando exemplos de boa publicidade ou, pelo menos, de publicidade interessante. Este pode não ser uma coisa nem outra, mas lá que chama a atenção, chama! A velhinha Maizena resolveu inovar e ENGROSSAR… Eu desafiava-vos a descobrir quantas vezes é que esse verbo aparece no cartaz…


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Publicidade – Com que cara é que acordas?

Por vezes publicam-se aqui alguns anúncios publicitários, sobretudo cartazes de exterior, que se consideram interessantes. Lisboa está invadida de caras ensonadas que… chamam a atenção!
É a campanha “Com que cara é que acordas?”


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O Clã do Comboio – Desnecessário Desfalecimento

Desnecessário Desfalecimento

Sexta-feira, 3 de Junho. Greve da CP.
Nos dias que precederam a greve, os passageiros foram sendo informados, com dados imprecisos e pelos mais diversos meios, de que o último comboio de regresso, a partir de Santa Apolónia, sai às 12:48h. Depois deste, só no dia seguinte.
O que acontece é que nesse comboio viajarão todas as pessoas que vão de fim-de-semana e todas as pessoas que foram para Lisboa nos diversos comboios da manhã e costumam regressar nos diversos comboios de fim de tarde e princípio de noite. A razão é simples. Muita gente, a maioria, decidiu trabalhar meio dia e regressar no último comboio do dia, o das 12:48h.
Chego à estação de Santa Apolónia às 12:40h. O comboio, que é regional e como tal vai meter gente em todas as paragens e apeadeiros, já está quase cheio. Consigo um lugar. Depois de duas paragens, Braço de Prata e Lisboa Oriente, o comboio está sobre-lotado. Todos os bancos estão ocupados, muitas pessoas vão em pé acotovelando-se junto às portas e ao longo dos corredores. Por uma inexplicável razão, a CP não aumentou o número de carruagens! As mesmas três de um dia normal e um dia normal tem cerca de 10 comboios de regresso com 3 a 6 carruagens cada, circulam atafulhadas de gente. Bastava adicionar uma tripla. Não foi feito. Por outra inexplicável razão, o ar condicionado não foi ligado. Com o calor de um dia primaveril de sol intenso e a respiração de tanta gente numa carruagem hermeticamente fechada, o ar torna-se irrespirável e escasso.
Um pouco antes de Santarém, o tom das queixas cresce, as pessoas abanam revistas e jornais, desapertam-se alguns botões de camisa e acontece um desnecessário desfalecer. Ali mesmo ao pé de mim, um homem cai com estrondo no chão! Está inanimado. As pessoas precipitam-se, depois recuam para não o sufocar ainda mais, alguém oferece uma garrafa de água, Não lhe dêem de beber, avisa alguém. É só para o molhar, respondem. Há quem lhe levante um pouco a cabeça, outro levanta-lhe as pernas. Minutos depois vem a si. Oferecem-lhe um lugar sentado. O homem está lívido e suado. Queixa-se de um braço. Aleijou-se na queda.
Não posso deixar de pensar que tudo isto era desnecessário. Isto não tem nada a ver com lutas e greves e direitos e contra-direitos. Isto tem a ver com uma lamentável falta de cuidado, uma indesculpável falta de atenção para com pessoas que, no início de cada mês, confiam na empresa e compram, adiantadamente, bilhete para todo o mês!
Não foi só o passageiro que desfaleceu. A CP, se continua por este caminho, envereda, também, por um desnecessário desfalecer!


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Dois anos de Mails para a minha Irmã

Caros leitores,
a numerologia estatística de “Mails para a minha Irmã” volta a surpreender. O mês de Maio quebrou, de novo, a barreira do mês mais visitado. Em Abril ultrapassámos as cinco mil visualizações tendo atingido as 5300, em Maio, o número de visitas subiu para 5906.
E assinalamos também o facto de, no início de Junho, termos ultrapassado as 25000 (vinte e cinco mil) visitas. Poucos dias depois de termos feito 2 anos de existência.
Esse é outro pormenor interessante: no dia 12 de Maio, “Mails para a minha Irmã” fez dois anos de vida. Dois anos de publicações. 67 Mails para a minha Irmã; 2 romances concluídos e um 3º em curso, 12 Histórias do Autocarro 28; 23 Curtas do Metro; 65 histórias do Clã do Comboio e mais de 80 poemas. Além de tudo isto, fizeram-se centenas de outras publicações num total de 954 posts até ao momento. É um acervo de escrita significativo que só existe porque vocês, os meus leitores, que começaram por ser cerca de 20 por dia e agora são mais ou menos 200, têm lido, acompanhado, comentado.
E de onde são os leitores de Mails para a minha Irmã? Eis a estatística global e a do mês de Maio de 2011.
Origem dos leitores desde sempre

Portugal
33 055
Brasil
3 819
França
1 265
Estados Unidos
778
Alemanha
226
Índia
109
Reino Unido
93
Rússia
87
Canadá
84
Holanda
76

Origem dos leitores em Maio de 2011

Portugal
4 624
Brasil
490
França
229
Estados Unidos
83
Alemanha
56
Canadá
14
Rússia
12
Suíça
10
Espanha
9
Reino Unido
9

Muito Obrigado a todos e até… ao próximo post!


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O Clã do Comboio foi de Carro

O Clã do Comboio foi de Carro

Como foi público e notório, no dia 30 de Maio houve greves na CP. É um direito que os trabalhadores têm e é um mecanismo de protesto que podem accionar quando entendem que os seus direitos estão a ser lesados. Emerge daqui, como quase sempre acontece, um conflito ou, se quiserem, um contra-direito. É que os direitos dos passageiros saem lesados. Não me refiro, claro está, aos direitos de quem compra bilhete no próprio dia ou mesmo momentos antes do comboio partir. Para esses a solução é simples, não há comboios, não compram bilhete. O problema, o efectivo e mais sério problema, são os milhares de passageiros que, por esse país fora, compram um passe no início de cada mês adquirindo o direito a viajar ao longo dos 30 ou 31 dias. Para esses, há o prejuízo directo de perderem esse dia de viagem e um dia de trabalho ou, para não perderem este último, terem de se deslocar de outra forma o que equivale a dizer pagarem a mesma viagem duas vezes.
No dia 30 foi assim. Acontece que nem tudo foi mau. O Clã do Comboio tem destas vantagens. As pessoas conhecem-se, conversam e são capazes de se unir em momentos de adversidade. Fomos de carro. Chegámos à estação, olhámos com desespero as linhas desertas, o trabalho era imperativo, não havia como faltar, como queimar aquele dia. E aí, nesse ponto da situação, o Escritor, o Aluno do Escritor e a Rapariga do Riso Fácil resolveram a questão em poucos segundos e com poucas palavras:
– Vamos de carro?
– Vamos!
– Também queres ir?
– Eu vou!
– Então vamos.
– Vamos. Dividimos a despesa.
– Ok.
E pronto. Mais nada. E o engraçado é que foi engraçado. Havia muita chuva, acidentes vários, filas intermináveis, e tudo pareceu passar-se rapidinho, sem sofrimento. Saímos às 7:30 e foi pouco depois, às 10:30, que chegámos! Todo o espírito do Clã viajou connosco, as conversas, as teorias, a boa disposição.
Contudo, o mais interessante do dia revelou-se à tarde. Combinámos encontrar-nos junto a Santa Apolónia entre as 18 e as 18:30. Quando parei o carro para eles entrarem, olhei para o relógio e não pude deixar de sorrir: 18:18. A hora do nosso comboio mais frequente de regresso. Quando chegámos ao Entroncamento eram 19:33. A hora de chegada do nosso comboio mais frequente de regresso. É evidente que houve um prejuízo financeiro para todos nós, mas isso acabou por esbater-se na companhia e na cumplicidade que vivemos. Como disse a Rapariga do Riso Fácil:
– Foi um dia diferente.
Afinal, o Clã do Comboio também anda de carro.


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Sem Medo das Alturas

Ainda na saga das cantoras menos divulgadas, mas cujo talento merece um pouco da nossa atenção, aqui fica o clip de “No Fear of Heights” da fantástica Katie Melua. A canção faz parte da banda sonora “The Tourist”. Um filme com o excelente Jonnhy Depp, a bela Angelina Jolie e a maravilhosa Veneza como pano de fundo. Só faltou mesmo que o filme fosse bom.


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Be My Baby

Ando nas cantoras alternativas. Vanessa Paradis canta em inglês mas é francesinha de gema. Este é um tema dos anos 90. Tem energia e uma letra interessante.

(Be my Baby – Vanessa Paradis)