Olhar
Fixo na paisagem que passa
O teu olhar pensativo e distante
Reflecte a alma na vidraça
Do comboio deslizante.
E é por isso,
Sei agora,
Que vive cá dentro
O olhar que vai lá fora.
Há um ponto no horizonte
Para onde olhas sem ver,
E é nesse ponto que está a ponte
Entre o que és
E o que queres ser.
Vivem figurinhas saltitantes
Em cada metro percorrido,
Vagueiam flutuantes
Pelo tempo perdido.
E és tu que vais aí,
Ou somente a imagem de ti?
És o que julguei ver,
Ou és mesmo o que vi?
Transportas nesse olhar
Todas as aventuras e toda a vida,
Que para a tua chegada
Não houve ainda partida.
Parte, menina, parte!
E faz da finita viagem
A tua forma de arte.
jpv

08/06/2011 às 23:45
Neste dia o poeta ia muito apaixonado ou será que era daqueles dias em que ia tarde e cheio de fome!! Era visão!!!!
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07/06/2011 às 00:36
Nem tudo o que se escreve tem de ser a partir de uma musa. Ou, se o caro anónimo quiser, pode haver musas em tudo. As musas não têm de forçosamente ser mulheres. Neste caso foi. Foi, sobretudo, um olhar reflectido. A pessoa ia em silêncio mas aquele olhar gritava vida!
Em todo o caso, muito obrigado pela simpática observação. jpv.
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07/06/2011 às 00:23
Não sei se há uma musa inspiradora. Mas, o poeta que assim escreve tem uma alma grande. É lindo
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