Mails para a minha Irmã

"Era uma vez um jovem vigoroso, com a alma espantada todos os dias com cada dia."


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Frutaria Original

O que está na imagem parece uma enorme árvore. E é. Mas não só. É uma frutaria sazonal que existe em Torres Novas e desde o final da Primavera até ao princípio do Outono nos oferece frutas e legumes caseiros, produzidos pelo próprio. A árvore foi plantada em 1982 e oferece uma sombra soberba. É lá que compro as melancias enormes que fazem a delícia de toda a família. Como dizia Manuel Laranjeira, “Portugal tem coisas dignas de muita simpatia.”


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Inquilinos

Eu tenho uns portões de garagem com automatismo de abertura. Nunca deixo os portões completamente fechados, ou seja, descidos até abaixo, para os cães poderem entrar e sair de noite. Pelos vistos não são só os cães a entrar. Há umas semanas reparei que um passarito se refugiava na garagem. Achei piada, mas não suspeitei que ele estivesse a fazer… família! Ontem ouvi um piar famélico, procurei o som e dei com um ninho cheio de passarinhos em cima, precisamente, do motor do portão!

Não sei como é que não caem porque, sempre que se abre ou fecha o portão e o motor trabalha, há uma trepidação forte no mesmo. Enfim, lá deixarei os inquilinos na sua paz sempre à espreita de os ver sair e tentar fazer uma foto… Por enquanto, decidi não cobrar renda!


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Publicidade – Mais Old Spice

Caros leitores,
ainda ontem fiz um post sobre a campanha publicitária da Old Spice, “Homem que é Homem”, e hoje, assim que entro no Metro, deparo-me com o jornal “metro” e uma nova e interessante frase daquela marca. Aqui fica a dita e o respectivo comentário.

Ora bem, em primeiro lugar não se diz cueca. Diz-se cuecas. Cueca é exactamente um termo do universo feminino muito usado na versão cuequinha. Em segundo lugar, os boxers são uma coisa de homem e não estão abrangidos. Em terceiro lugar foram lamentavelmente obliteradas as formas trusses e mesmo ceroulas que, sendo uma outra peça de roupa, é bem máscula. Ainda me lembro do meu avô…
Por fim, meus amigos, aquilo que está errado nesta publicidade… é que Homem que é Homem não usa roupa interior. Usa nada! Percebem? A verdadeira masculinidade está na coragem de enfrentar o universo em contacto directo com a fazenda, bombazina, sarja, ganga da calça!
Enfim, tragam lá de volta o Old Spice das ondas a rebentar, dos veleiros, do windsurf e do som inconfundível dos Carmina Burana… isso é que é de homem!


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Publicidade – Homem que é Homem

Os frequentadores deste blogue sabem do gosto que tenho por publicidade. Sobretudo quando é engenhosa, espirituosa, simples, interessante, eficaz… Nessas alturas, chamo a atenção para alguns anúncios, cartazes, o que quer que seja que tenha espírito criativo.


Pois, amigos, esta não tem nada disso. É só preconceituosa e sexista, mas, verdade, verdadinha, captou a minha atenção. Trata-se da campanha que a Old Spice colocou estes dias no jornal “metro” intitulada “HOMEM QUE É HOMEM”


Seguem uns comentariozinhos junto às fotos…

Primeira regra: sempre que quiseres vender um produto, conota-o com o consumo de bebidas alcoólicas! De resto, em termos de saúde e qualidade de vida, todos sabemos que vale mais uma cervejinha do que um sumo… digamos, natural!

Claro que apanhar fruta é para fraquinhos e mulheres frágeis e indefesas. Por exemplo, qualquer um consegue fazer nas calmas doze horas ao sol a apanhar fruta. Depois, sejamos honestos, é muito melhor fazer a linda figura de abanar uma árvore a ver se a fruta cai… Quem escreve isto já esteve no campo?

E, por fim, a cereja no topo do bolo. Toda a gente sabe que os gatos são TODOS uns fofinhos, nem arranham, nem se defendem, nem nada. São só FELINOS! E, claro, o Pit Bull é mesmo um malvado que não lambe as mãos do dono… De resto, cães para gajos e gatinhos para as meninas!!

Amigos leitores, não levem nada disto a peito… eu achei muita piada às frases, a sério, e percebo que são metáforas que apelam ao espírito do Old Spice, blá, blá, blá… mas, aqui para nós, dá que pensar tanta testosterona embrutecida num anúncio só… quer dizer, em três anúncios! Eu cá acho que homem que é homem bebe o que quer, vai à fruta como lhe apetece e tem os animais de estimação de que gosta… sem rótulos. E, já agora, perfuma-se com o que lhe dá na gana, nem que seja Old Spice!


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A Quarta Folha do Trevo

A Quarta Folha do Trevo

Joguei a minha vida
Às sortes,
Entreguei-a ao capricho
Da Fortuna.
E por entre vivas de esperança
E traços de morte,
Descobri a miraculosa lacuna.
Tem o trevo
Três folhas
Que representam
As acertadas escolhas.
E tem aquele que me deste
Uma folha mais,
Uma falha da Natureza
Que sendo espúria e indesejada,
Pela brisa da Fortuna
Veio a ser bafejada.
É o quebrar da linha
E o infinito para além do horizonte.
É o sol nascendo
Por trás do elevado monte.
É a chuva regando
Em tempo e medida certa,
É a água jorrando na fonte
Quando o calor aperta.
E é o amor.
O encontrar-te na turba,
O desenhar da tua figura
Na multidão.
Em manhã clara
E em noite escura.
E é o sorriso de uma mulher que ama,
De um homem que é amado.
E é o canto do pássaro
Na frescura da tarde,
A criança que nasce,
O fogo que arde.

É o que faltava
E o que vem trazer sentido à ordem.
É o amanhecer da vida
Na neblina púrpura da alvorada.
É a perfeição contida
Na quarta folha do trevo,
Enjeitada.

jpv


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O Clã do Comboio – Jesus Esteve no Interregional das 18:18h

Jesus Esteve no Interregional das 18:18h

Já há algum tempo que não havia uma história do Clã do Comboio externa aos passageiros habituais do Clã. E não é por falta de atenção ou disponibilidade para a escrita deste vosso humilde escrevinhador. É só porque não se tem presenciado nenhum episódio digno de registo. Esta semana aconteceu.
Entrei com dois dos Três Amigos que Querem Salvar o Mundo, o RB e o JJ, no interregional das 18:18. O JA também vinha connosco. Nessa tarde, reparámos, as mulheres do Clã abandonaram-nos. O que até nem foi mau porque houve oportunidade para ter conversas mais… como é que hei-de dizer… mais técnicas!
Ora, em Santarém, saíram o RB e o JJ. E foi em Santarém que ele entrou. Nada o fazia prever, mas aquele jovem ia proporcionar-nos vinte interessantes minutos. Não tinha trinta anos. Era moreno. Muito moreno. Olhos castanhos, cabelo penteado a fazer uma espinha ao longo da cabeça, calças de ganga, uma t-shirt castanha e um pormenor inconfundível: uns óculos de lentes castanhas espelhadas que ele punha e tirava e colocava na cabeça e recolocava na vista como se não quisesse dar-lhes descanso. Tão inconfundível como os óculos, só mesmo o sotaque. Era um timbre brasileiro com aquele arrastar enrolado dos nordestinos. O revisor reparou que ele não tinha bilhete porque o rapaz não se apressou a mostrar-lho e perguntou-lhe o que a seguir se transcreve tendo obtido a resposta que também se relata:
– Então o senhor vai para onde?
– Santarém.
– Santarém?! Oh homem, em Santarém entrou você…
– Sim, mas eu quero ir para Santarém centro.
– Oh homem, isso não existe!
– Não ixisti? Como assim não ixisti? Tem trem prá lá?
– Não. Tem de ir de autocarro.
– Autocarro? Mas eu istou no comboio!
– Pois está, mas agora vai para o Entroncamento.
– E sê mi diz como é qui eu faço pá voltá?
– Sai no Entroncamento e apanha um de regresso.
– E si paga?
A conversa desenrolou-se em torno do paga e não paga. O rapaz pagou nas calmas e quando o revisor voltou as costas, ele disse:
– Esse daqui é cobardi. Isso é qui é são funcionários? Vamo acabar qui nem a Grécia!
Uma senhora de respeitosa idade tentou defender o revisor:
– O senhor entrou em Santarém, não podia sair em Santarém, e o senhor revisor não lhe pode vender um bilhete para um sítio que não existe.
Eu acho que a senhora se vai arrepender desta intervenção para todo o sempre. É que ela deu origem a um monólogo de mais de quinze minutos de que se relatam alguns momentos:
– Sê lê a Bíblia? Todo o mundo divia lê a Bíblia. Sê tem di lê o Apocalipissi. Está lá tudo. É a palavra di Deus. Está lá qui vai havê fomi, há fomi. Está lá qui vai havê guerra, há guerra. Está lá qui vai havê terremoto, há terremoto. E também vai vir as pragas. Deus é bom!
Houve uma pausa, alguma estupefacção, uns sorrisos, e eu pensei que também vai vir charters da China, mas não acrescentei para não interromper o rapaz e ele continuou:
– Eu falo a palavra di Deus em todo o lado. Jesuiz istá com a gentchi em todo o lado, Jesuiz istá comigo, Jesuiz vai aqui com a gentchi e eu cumpro a minha missão qui é falá a Sua palavra e não me fauta nada. Tenho uma cama, tenho roupa, tenho o qui comê e sou feliz porqui cumpri a minha missão. Si sê mi acha chato, sê mi chama di chato. Não faz mau não. Deus mi recompensa. Eu sou uma pissoa espirituau, não sou materiau. No Apocalipissi está escrito prá sê pagá dez por cento.
Aqui, eu indignei-me com a desvalorização de Deus. Dez por cento… isso não é nada. O Passos Coelho que não é Deus acabou de me levar cinquenta por cento do subsídio de Natal.
No fim, lá voltou a dizer à velhinha para ela ler a Bíblia e reforçou que Jesus ia ali connosco. A velhinha ficou lívida e viajou sempre em silêncio. O revisor não voltou à carruagem e eu… eu resolvi escrever esta história do Clã do Comboio. Afinal, não é todos os dias que se viaja no interregional das 18:18 com Jesus. Jesus e o seu porta-voz.


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Momento Divino

Un bel di vedremo – Madame Butterfly, Giacomo Puccini
Se esta música não te fizer sentir nada, então não és humano!


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A Escola de Amar

A Escola de Amar

Tempos houve
Em que a minha pele era lisa.
Tempos houve
Em que a minha voz era cristalina.
E foi nesses tempos
Que meu corpo parecia
Tocado pela graça divina.
Tempos houve
Em que era perfeita a visão
E me não falhava o olfacto.
Tempos houve
Em que tinha a exacta dimensão
Traçada do mundo pelo meu tacto.

E houve tempos
Em que fui pleno.
Em que possuí
O momento sereno
De ter-te entre
Os meus braços.
Foi no tempo
Dos dias escassos
Para tanta vida,
Para tanto amor.
Foi no tempo
Da insensibilidade
Ao frio e ao calor.

Eu sei que passaram os dias
E os meses
E os anos com eles.
Eu sei que me nasceram estrias
E se me enrugaram as peles.
E sei também,
Com essa natural
E empírica ciência,
Que não há no mundo equivalência
Para o que sou capaz de amar,
Para a minha inesgotável experiência
Deste caminho
A que chamam vida.
Deste amor e deste carinho,
Desta entrega,
Deste sal e deste vinho,
Desta tentativa de não acabar sozinho…
De não morrer…

E sei que,
Para o tempo que me resta,
A solução
E o segredo
É aprender!
É limar a aresta da vida,
A linha incerta e indefinida
Da minha existência.
Para tão grandiosa vida,
É tão pouca a ciência
Que me diz
E me vem sussurrar:
A longevidade,
E o segredo da vida
Resumem-se a AMAR.

jpv


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Maphee

Maphee…

é o novo membro da família. Mais um! Isto aqui para estas bandas começa a parecer um canil municipal!!
Em todo o caso, com estes olhinhos, resta desejar muitas felicidades ao Maphee, aos papás babados e que dê um bocadinho de luta ao Torrão que não pára de destruir propriedade móvel e imóvel!!!
Natacha, estás feita! Agora são dois para de dar cabo da paciência. E este, a avaliar pelos olhinhos, também vai ser mexedito… nunca mais descansas rapariga!
Para quem está de fora, os primos caninos da família são (por ordem alfabética):
Alperce
Dandy
Maphee
Natacha
Nuca
Torrão
Ui, que tropa!