Mails para a minha Irmã

"Era uma vez um jovem vigoroso, com a alma espantada todos os dias com cada dia."


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O Poder do Beijo

Já todos ouvimos falar do poder do beijo. Nomeadamente das suas propriedades analgésicas. Já todos ouvimos falar de beijos famosos e dados em locais e/ou circunstâncias pouco comuns.

O beijo de Alexandra Thomas e Scott Jones ficará para sempre na galeria dos mais extraordinários porque foi dado mesmo no meio de… violentos confrontos entre a população e a polícia de choque! Mai nada!

O motivo dos confrontos que ocorreram na cidade de Vancouver é absurdo e absolutamente desnecessário. Uma final de Hóquei no Gelo. Os adeptos incediaram carros, viraram carros, partiram montras, vandalizaram e a polícia de choque foi chamada ao local. O pacato casal estava no local errado, à hora errada e foi apanhado na onda de repressão da polícia. Quando Alexandra caiu, o seu namorado precipitou-se sobre ela e beijiou-a apaixonadamente. E, pasme-se, a polícia afastou-se. O casal foi deixado em tranquilidade.

Haverá sempre beijos inusitados, mas o de Alexandra Thomas e Scott Jones será sempre o beijo que resistiu à violência, o beijo que parou um motim! E depois venham-me cá acusar de ser um romântico sem cura… O Amor cresce, mesmo nas condições mais adversas!


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O Meu País

À J. e aos outros Amigos

Pegando na elegia do poema de Sophia,
E nas silvas cantadas ao acordar
Sinto a alegria da palavra de esperança
Da poesia cujos dias carecem do seu encantamento.
Agradeço a lembrança de mim.

Desejo que o calor do sol dos dias que ficam além dos vidros das nossas janelas
Nos faça aconchegar ao país que desejamos
E nos reste sempre
Sorrir.

SCL
————————————————

No dia em que começou o Verão, a J. lembrou-nos as palavras de Sophia:

“O meu país sabe às amoras bravas no Verão.
Ninguém ignora que não é grande,
Nem inteligente, nem elegante o meu país,
Mas tem esta voz doce
De quem acorda cedo para cantar nas silvas.”

E a SCL respondeu-lhe com as linhas que aqui se transcreveram.


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A Resiliência do Terremoto

A Resiliência do Terremoto

Às vezes, por entre os poemas e as histórias de viagem e os capítulos dos romances, surgem-me umas crónicas sociais. Esta é mais do que isso. É uma crónica social, mas é também uma reflexão libertina e pouco rigorosa. Não se apressem a criticá-la. Seria tarefa demasiado fácil. Ora, conhecendo o seu autor as fraquezas dos fundamentos do texto, porque o publica? Porque quer. E razão mais genuína não há.
Tanto quanto me apercebi, na altura e nos anos subsequentes, a União Europeia foi criada por questões de segurança, coesão financeira e comunhão cultural. Ando com a sensação de que, nos últimos tempos, a comunhão cultural anda muito afastada do quotidiano da União Europeia. Os países membros respeitam as suas diversas culturas, mas não me parece que possa falar-se de comunhão. Visitarmos livremente os museus uns dos outros ao Domingo não é comunhão cultural, é turismo barato. Transitarmos livremente entre os países não é comunhão cultural, é livre circulação e termos países asiáticos no Euro Festival da Canção não é comunhão cultural, é só parvoíce sem sentido. A comunhão cultural pressupõe um pensamento identitário de base que não existe. Um francês é um francês, não é um europeu. Como é que eu sei? É simples. Nenhum francês se põe debaixo da Torre Eiffeil a dizer “Esta torre é da autoria de um europeu e está na Europa.” Se bem conheço os franceses, a Torre Eiffel, o croissant, o Molière, os crêpes Suzette e o champagne são franceses e não têm nada a ver com a Europa.
Quanto à coesão financeira, a coisa ainda é mais grave e gritante. Senão vejamos: a principal bandeira, o principal sinal e o elemento mais estruturante da tal coesão financeira é a moeda única. Ora, a União Europeia deve ser dos poucos casos de moeda única em que a moeda única não é única, ou melhor, não é para todos! E o mais engraçado é a razão que levou os ingleses a não aderirem à moeda única. Defendam as teorias que quiserem, mas a verdade, a verdadeira verdade, é que Sua Majestade, a Rainha, não pode ser súbdita do… Parlamento Europeu! E pronto. Aí está a coesão financeira refém de um capricho. Mas há mais. Eu posso estar enganado, mas a coesão financeira era suposto fazer com que as pessoas vivessem melhor. Pois bem, exceptuando a malta dos fiordes e dos Mercedes, o resto dos irmãos europeus, que é a maioria, não está nada bem. A França ardeu em protestos sociais, a Grécia está famélica e desempregada, a Itália a um passo da bancarrota e no caos financeiro, a Bélgica arruinada, a Espanha na falência, A Irlanda falida e Portugal… bem, Portugal, ao que parece, vai cumprir. Eu, pelo menos, ando a fazer a minha parte todos os meses. O engraçado é que esta ideia da coesão financeira até funciona, mas só funciona para alguns. É o caso daquele país que teve a genial ideia de vender fragatas e submarinos e armamento à Grécia com base no pressuposto da ameaça dos cipriotas que não têm onde cair mortos. E vai daí, vendeu o armamento e emprestou o dinheiro para a compra a juros elevadíssimos. Esse mesmo país faz parte dos países que participaram na “ajuda externa” e agora exige milhares de despedimentos, caso contrário não segue a próxima tranche. Esse mesmo país deve à Grécia, desde a Segunda Guerra Mundial, uma soma superior à dívida da Grécia que agora tão rigorosamente está a ser cobrada! Sobre coesão financeira estamos conversados! De resto, no âmbito da coesão financeira, o conceito de “ajuda” é o que mais me tem fascinado. Eu não sei bem se é ajuda ou extorsão! Quando uma ajuda leva o ajudado à fome, ao desemprego, à crise social e à bancarrota, então, meus amigos, com franqueza vos digo, não se trata de ajuda. Ainda assim, e no nosso caso, como somos gente cumpridora e de palavra, espero que a ajuda nunca venha a ser mais do que isso mesmo!
E falta uma breve referência à segurança. Efectivamente, na Europa vive-se com assinalável segurança. Não há inimigos nem ameaças externos. O problema é que cresce internamente a insegurança. Não é a insegurança de quem vai ser invadido, mas é a insegurança decorrente dos preocupantes e crescentes níveis de marginalidade e criminalidade. A fome e a insuficiência levam os seres humanos, europeus neste caso, à prática dos mais condenáveis e sancionáveis actos. E aí temos dois problemas. As nossas polícias estão desautorizadas e têm pouca capacidade de acção neste combate e a causa do mal não está a ser atacada, pelo contrário, está a ser agravada e nos próximos tempos tudo indica se irá agravar ainda mais por essa União Europeia dentro.
Chegado aqui, só falta explicar a escolha do título desta crónica. Todos nós conhecemos e nos deparamos frequentemente com chavões. Frases feitas que ficam sempre bem num discurso ou numa conversa de café, que não querem dizer grande coisa, mas que toda a gente aceita sem questionar, talvez porque, afinal, queiram dizer alguma coisa. Alguma coisa universal. Uma delas é “A História repete-se.”
Sobre a repetição da História o raciocínio é simples. A História ensina-nos que o advento destes factores conjugados em clima de insatisfação e crispação social rapidamente se estende à esfera política e com facilidade desemboca em conflitos bélicos. Ou seja, as pessoas aguentam, mas não aguentam tudo. A destruição dessa tecitura social a que chamamos Classe Média é catastrófica. O aumento de impostos, a redução do poder de compra, a ausência de crescimento económico, o desemprego, a fome, a marginalidade acabam por estoirar na mão de quem pede sacrifícios quando os sacrifícios são incomportáveis. O interessante, ensina também a História, é que os momentos de pós-guerra são momentos de grande renascimento económico, de grandes forças laborais, de reestruturação política e de resiliência social. No fundo, em raciocínio arriscado, aquilo de que estamos a precisar é de uma guerra. Ora, aqui temos outro problema. A Europa está farta de guerras e Portugal está povoado de gente pacata e pouco dada a guerras. Já nos chegam as do passado. E isto, sendo bom, é muito mau porque funciona como bloqueio à tão ansiada resiliência social. Precisamos unir-nos em torno de uma motivação colectiva forte, em torno de um calamitoso motivo de união e regeneração social. Algo que nos faça reequacionar as prioridades e nos permita reerguer. Claro que, para tão ambicioso propósito, um campeonato europeu de futebol, mesmo com bandeirinhas nas janelas, já não é suficiente. Resta-nos, assim, outro grande impulsionador de regeneração político-financeiro-social: uma grande catástrofe natural. E quem pensa em Portugal e em catástrofe natural, pensa em quê? Pensa no terremoto que em 1755 assolou e devastou Lisboa e que, de resto, os cientistas prometeram se iria repetir…
Isto pode parecer-vos insensível, mas não é. E contra mim falo que trabalho ali à beirinha do Tejo e seria dos primeiros a ser engolido pelas águas furiosas do mar e do rio galgando cidade dentro. Como nos filmes de ficção, a ponte sobre o Tejo colapsaria, a água inundaria a cidade até ao Marquês de Pombal arrastando tudo consigo, o tremor derrubaria edifícios, ficaríamos sem transportes, sem luz eléctrica e sem abastecimento de água. Adeus computadores e redes sociais, adeus títulos e importâncias, adeus tudo. Olá vida nova! Três terríveis minutos depois, Portugal seria um país novo, uma nação em franca regeneração. Choravam-se as vítimas, “Coitado do Videira, era bom homem, isto é uma desgraça, uma grande desgraça!”, e depois seria precisa mão-de-obra, materiais, apoios civis e militares e… desde a indústria da habitação à banca, passando pelos serviços e pela organização política, teríamos de reinventar um país que é exactamente o que estamos a precisar de fazer agora.
É por isso, meus amigos, que Portugal vive uma encruzilhada, um duplo e ciclópico desafio: pagar ao FMI ou enfrentar a resiliência do terremoto. O único problema é que nenhum dos dois parece depender da nossa vontade!
jpv


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Estranha (3)

Estranha (3)

Olá estranha!
Adivinha-se
Nesse sorriso matinal
A forma dos teus gestos,
Uma sensatez sempre igual.
E percebe-se
No teu bom-dia sussurrado
O desenho da companhia
No tempo partilhado.

Passam os dias
Na estranheza das manhãs,
E cresce este nada
E vive esta esperança
De não sei quê,
Um adiar constante,
Um eterno logo se vê.

Olá estranha!
Dou-te quase nada
E é como se me desses tanto
Que, mesmo sem saber quanto,
Me empolga
E satisfaz.
Podes tão pouco, estranha,
E, no entanto,
Se soubesses
Do quanto és capaz,
Talvez viesses
Inundar-me com a tua paz
Desenhada nesse breve aceno,
Nesse gesto efémero
E sereno
Que me acorda o dia.

jpv


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Chiclete

Chiclete

Sabes,
Quando te ofereci
A chiclete,
Não foi
Como quem se mete
E tenta arrancar um sorriso.
O teu sorriso é livre
E voa com facilidade.
Nasce nos teus olhos
De amêndoa
E desenha-se
Com sensualidade
E natural alegria.
Os teus cabelos
Contam-me histórias distantes
De mares revoltos
E cavaleiros andantes.

Vês?
És uma pessoa que promete,
E continuo a jurar
Que, quando te ofereci
A chiclete,
Não foi
Como quem se mete!

jpv


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Um Passo Por Dar

Um Passo Por Dar

Uma passada por dar,
Meia passada vencida.
Tenho um pé no ar
E trago suspensa a vida.
E vagueio pela mente arrebatada,
Procuro o sentido
Da caminhada
E ando sozinho
Procurando
No além
Tudo e nada,
Todos e ninguém.

E há em mim este mistério
Indecifrável,
Esta linha da vida
Que a cigana perdeu
Que é querer viver todas vidas
Menos a que o Destino me deu.
Há em mim esta errância,
Este sentir do certo e do errado,
E saber que nada disso influi
No passo a dar,
No passo dado.

Andarei.
Andarei sempre à procura.
E já não quero saber
Do que acharei
E do que deixarei por achar.
A única vida possível
Habita neste procurar,
Neste passo por dar.

jpv


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O Clã do Comboio – Citações Imperdíveis

Citações Imperdíveis


Eu podia limitar-me a fazer as citações, mas não seria suficiente. É preciso dizer que o Clã do Comboio nos fins de tarde de sexta-feira vem muito mais agitado. E cansado! Ora, seja pelo cansaço, seja pela antecipação de fim-de-semana, a conversa é trepidante, consecutiva, contínua e a viagem transforma-se num interminável desfiar de saudáveis disparates.
Os membros do Clã não se calam, falam uns com os outros e interpelam inocentes e incautos estranhos que começam por abrir os computadores e os livros, mas depressa desistem de tais intenções. São tardes memoráveis de companheirismo espirituoso. Fala-se de tudo. Das compras que se fizeram no intervalo do almoço ou ao fim da tarde, de política, dos problemas do trabalho, dos hábitos de cada um no comboio, da vida, dos homens e das mulheres e, claro, há disputas discursivas e desafios com tentativas de simulação de discórdias, desdém ou simples gozo com o carácter uns dos outros. Os finais de tarde de sexta-feira são electrizantes no Clã do Comboio e hoje não foi excepção. Para que os amigos leitores tenham uma ideia do que por lá se diz, hoje fiz uma colecção de citações a percorrer quase todos os elementos do Clã. Qual delas a melhor. Deixemo-nos de rodeios e vamos ao que interessa:
(1)
“Cuidado com a minha carne!”
Rapariga do Riso Fácil
(2)
“A tua carne nunca me estorva!”
Escritor
(3)
“Um país onde é tradicional NÃO cumprir prazos.”
Mulher Vampiro
(4)
“Fazer falcatruas é comigo!”
Mulher Vampiro
(5)
“Até eu ia a ouvir e sou surda.”
PL
(6)
O objectivo da vida dela é manter os 44 quartos.”
RB
(7)
“Eu hoje até me pus a jeito.”
RB
(8)
“Houve ali um desfibrilhar qualquer.”
RB
(9)
“9, só falta uma para 7!”
Escritor
(10)
“Acho que a carne dela não apodrece.”
JJ

(11)
“Os homens não fazem falta, só mesmo naquelas alturas cruciais em que não há hipótese nem substituição possível!”
Mulher Vampiro


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SMS

SMS

Sempre Muita Simpatia
Sabes, Mesmo Sinceramente,
Seria Magnífico Seguires
Sendo Mulher Sorridente.

Sei Muito Seguramente
Sobre Mesma Sedução,
Sinto, Mulher Sorridente,
Seres Maravilhosa Sensação

jpv
(Dedicado à Rapariga do Riso Fácil do
Clã do Comboio que passa as viagens
nas SMS com o namorado!)


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O Clã do Comboio – O RB trouxe Celestes

O RB trouxe Celestes

Este Clã está a ficar mágico. O RB trouxe Celestes. Ele tinha prometido e fez questão de cumprir logo na primeira oportunidade.
O Celeste é um doce pequenino, mas muitíssimo saboroso. É feito de ovos, amêndoa e, claro, açúcar. O RB trouxe uma caixa. A Mulher Vampiro, cuja rabugice matinal não passa nem a poder de Celestes, recusou e fez um ar muito enjoado. Não era nada com o RB nem com os Celestes dele. O problema é mesmo dela que, antes do primeiro café, tem esta peculiar má disposição. Deixa lá, Mulher Vampiro, nós gostamos de ti na mesma. O Ceguinho ia a dormir, logo, não comeu. O Aluno do Escritor morfou o dele, tal como o Escritor, o VM e a Rapariga do Riso Fácil. A Rapariga com Brinco de Pérola também não quis. Ia a ler, claro. Agora anda a ler um livro do Salman Rushdie que diz que é uma fábula. Sim querida, espera lá que já acredito em ti!
A malta ficou bem disposta com a generosidade do RB e com o pretexto para se conversar até Lisboa. Oferecemos à Stôra, mas ela não quis porque ia dormir e a malta não insistiu porque ela tem lá as razões dela e um Celeste a mais não é um Celeste a menos.
O curioso, hoje, foi a afirmação de dois novos elementos no Clã. A primeira é a Mamã das Duas Crianças que já tem vindo com a malta. Tem andado dividida entre a vontade de andar connosco e o desejo de nos apertar o pescoço. Um dia, perguntou-nos, como quem intimida:
– Vocês não têm vida própria?!
A resposta foi pronta e em coro:
– Não!
E pronto. Se estava iludida, desiludiu-se. Mas fomos mais longe. Começámos a integrá-la nas nossas brincadeiras. De resto, ela dá-nos motivos. Eu, pelo menos, acho que adormecer no ombro do Aluno do Escritor é motivo para a integrar. O que é certo é que abriu um sorriso e agora quem quer vê-la é a viajar com o Clã. E tem uma vantagem, é desinibida o que sempre proporciona uns momentos interessantes. Hoje, por exemplo, disse a frase “Umas voltinhas de bicicleta durante o dia e à noite dormem melhor!” e julgou que passava despercebida. Não passou! Estou a referir-me a ela porque gostei de ver a naturalidade com que morfou vários Celestes do RB. Todos esperamos que a Mamã das Duas Crianças continue a resistir à nossa presença. Assim seja que sejamos mais difíceis de aturar do que duas crianças com mau dormir!
A outra personagem que anda a namorar o Clã e já está em avançado grau de integração é a PL. A PL é uma mulher baixinha com o ouvido muito atento e o olhar muito vivo como se quisesse ver a vida toda num instante. Sorri com simpatia ao dia que começa e percebeu-se imediatamente que não ia deixar-se intimidar pelo Clã e as suas piadas matinais. No primeiro dia que veio, atirou-se à caixa dos Celestes do RB como se não houvesse amanhã e aguentou umas histórias de violência física, agressões e coisas do género, que o VM ia a contar. Como voltou no dia seguinte, pensámos que tinha tido o seu baptismo de fogo.
Não sei se repararam, mas há aqui um ritual de iniciação que é novo no Clã. De facto, parece que quem quiser entrar para esta maravilhosa e espontânea família tudo o que tem a fazer é comer Celestes ao RB.
Isto até acabou por ser engraçado. Foi como se o RB tivesse duas festas de anos. Uma que nós lhe fizemos de surpresa e outra que ele patrocinou com Celestes. É o Clã no seu melhor!


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Pediste-me Versos

Pediste-me Versos

Pediste-me versos
E versos te dei
Sangrando meus excessos
No peito que rasguei.
E houve palavras soltas
A cantar sentimentos,
Notas esvoaçando
baloiçadas pelos ventos.
São de mudança,
Diz o profeta,
Mas no profeta vive a criança
E morre o poeta.
Pediste-me versos
E versos te dei
E neles foram impressos
Os hinos que te cantei.
Ah… musa minha!
Musa de minha solidão,
Vagueias pelo mundo sozinha
Sem castigo nem perdão.
E tens-me preso neste pulsar
E tens-me amarrado a este sentir,
Sem ti não sei amar,
Contigo não consigo fugir.

jpv