Mails para a minha Irmã

"Era uma vez um jovem vigoroso, com a alma espantada todos os dias com cada dia."


Deixe um comentário

Agradecimento

Por razões de ética profissional e para preservação da minha entidade profissional, bem como daqueles com que trabalho, não me refiro, nunca, neste espaço, ao meu trabalho. Nem à instituição, nem às pessoas nela.
Não o farei hoje, senão para um breve apontamento.
Quero manifestar aqui o meu mais profundo e sentido agradecimento pelo esforço, CONSEGUIDO, que fizeram para que hoje me sentisse especialmente bem.

A TODA A EQUIPA, porque esteve toda lá, o meu agradecimento por aquele momento tão singelo e, contudo, tão significativo.
João Paulo Videira


Deixe um comentário

Ao Menino Pedrinho e à Prima Nova – 2

O convite pedia que as senhoras fossem lindíssimas e os homens sem gravata.
As senhoras foram lindíssimas e os homens reinventaram a forma de vestir para um casamento e… foram formais/informais. Sem gravata!

O Menino Pedrinho levava um fato branco e uma camisa azul-céu. Sem gravata. Ela com um vestido branco de tules e pérolas cosidas a desenhar florinhas. Calçou umas sandálias altíssimas, em lilás, com o salto em acrílico transparente enfeitado com brilhantes.

O oceano esteve ali. Casaram-se de frente para o mar sob uma cobertura de colmo com passarinhos em origami suspensos a bailar na brisa. E foi ao som das ondas com o sol a pôr-se de frente para a festa, a emoldurá-la de tons vivos, primeiro, e depois com os seus laranjas de despedida, que disseram uma vida inteira em poucas palavras!

Correram acepipes diversos donde destaco um de que gosto em particular: cascas de batata fritas. Houve vinhos leves e frescos e, sobretudo, sumos de fruta. Limonada, sumo de laranja, de maracujá, de frutas tropicais… Todo o evento foi tranquilo, foi sereno e, sobretudo, muito descomplexado. Acho que a informalidade do espaço e das roupas desconstruiu as barreiras que, normalmente, pautam estas cerimónias. Eu diria que não foi uma cerimónia. Foi uma festa.

O jantar foi num museu! O Museu do Arroz. Bem servido. Num espaço temático marcado pelas luzes naturais trémulas a projetar sombras incertas nas paredes. Foi acolhedor e familiar. Não se serviu muito – nada faltou contudo – serviu-se bem.

O Menino Pedrinho e a Prima Nova organizaram um casamento-festa e enfeitaram-no com o brilho do seu olhar, com a felicidade dos seus sorrisos e o timbre das suas vozes apaixonadas. Estão de parabéns. E é preciso, agora, desejar-lhes as felicidades todas, a fortuna inteira, a ventura de uma vida partilhada em harmonia. Com simplicidade e cumplicidade. Tal como a festa do seu casamento.
jpv


Deixe um comentário

Ao Menino Pedrinho e à Prima Nova

Caros amigos,

hoje vou a um casamento. Casa-se o Menino Pedrinho com a Prima Nova. E não me lembro de nada melhor para dedicar-lhes que as palavras de Jean Gabin. São palavras de aprendizagem constante. De aprender o amor sempre, de ter-se como única certeza a certeza de que não há certezas e, assim, estar-se sempre aberto a aprender, a ouvir e… sobretudo, deixar-lhes esta pujante mensagem: a única coisa certa que temos na vida é que os dias em que alguém nos ama, são dias fantásticos, aqueles que vale a pena viver.

Menino Pedrinho e Prima Nova, desejo-vos muitos desses dias!
jpv

Quand j’étais gosse, haut comme trois pommes,
J’parlais bien fort pour être un homme
J’disais, JE SAIS, JE SAIS, JE SAIS, JE SAIS

C’était l’début, c’était l’printemps
Mais quand j’ai eu mes 18 ans
J’ai dit, JE SAIS, ça y est, cette fois JE SAIS

Et aujourd’hui, les jours où je m’retourne
J’regarde la terre où j’ai quand même fait les 100 pas
Et je n’sais toujours pas comment elle tourne !

Vers 25 ans, j’savais tout : l’amour, les roses, la vie, les sous
Tiens oui l’amour ! J’en avais fait tout le tour !

Et heureusement, comme les copains, j’avais pas mangé tout mon pain :
Au milieu de ma vie, j’ai encore appris.
C’que j’ai appris, ça tient en trois, quatre mots :

“Le jour où quelqu’un vous aime, il fait très beau,
j’peux pas mieux dire, il fait très beau !

C’est encore ce qui m’étonne dans la vie,
Moi qui suis à l’automne de ma vie
On oublie tant de soirs de tristesse
Mais jamais un matin de tendresse !

Toute ma jeunesse, j’ai voulu dire JE SAIS
Seulement, plus je cherchais, et puis moins j’ savais

Il y a 60 coups qui ont sonné à l’horloge
Je suis encore à ma fenêtre, je regarde, et j’m’interroge ?

Maintenant JE SAIS, JE SAIS QU’ON NE SAIT JAMAIS !

La vie, l’amour, l’argent, les amis et les roses
On ne sait jamais le bruit ni la couleur des choses
C’est tout c’que j’sais ! Mais ça, j’le SAIS… !


1 Comentário

O Clã do Comboio – A Senhora das Laranjas Frescas

A Senhora das Laranjas Frescas
Fim de tarde quente em dia de emoções diversas a terminar num misto de realização e cansaço. Quando subo as escadas rolantes para o interregional das 18:18, o RB surpreende-me com uma simulação de assalto por esticão. Rimos e começamos a converseta mesmo antes de entrarmos na grande lagarta metálica.
Assim que entrámos na carruagem, o odor foi inconfundível, refrescante e agradável. Como que ajudou a recentrar a tranquilidade da alma. Cheirava a laranjas frescas. A Senhora das Laranjas Frescas tinha acabado de as comer, a Rapariga do Riso Fácil estava sentada ao lado dela e o odor do citrino perfumava o espaço.
Naturalmente, como já vai sendo hábito e com a humildade que nos carateriza, o Escritor e o RB deram avisados conselhos à Rapariga do Riso Fácil sobre como gerir a sua vida, particularmente, no campo dos afetos. Ela, como é simpática, vai fingindo que nos dá atenção. A Senhora das Laranjas Frescas estava claramente entre a tentação de ouvir até onde iriam as nossas parvoíces e a de nos atirar comboio fora. Ficou. Riu-se connosco. Baixou um pouco a guarda e quando se despediu de nós em Vila Franca de Xira, disse-nos que fazia aquele trajeto todas as quartas-feiras e teria muito gosto em usufruir da nossa companhia. Enfim, esta segunda parte não estou certo que ela a tenha dito, mas juro que lhe ouvi as palavras bailar no olhar e no timbre cristalino com que se despediu. Se é verdade que pode ter-nos achado um caso perdido de tolice, também é verdade que o Clã do Comboio tem um charme irresistível e uma contagiante alegria de estar.
Quem era esta Senhora das Laranjas Frescas? Para além de uma pessoa paciente, deixou uma sensação de simpatia e elegância no nosso cantinho. A pele tinha um tom de bronze suave, lábios finos e delicados num rosto magro de olhos rasgados e doces. Magra. Alta. Um porte quotidiano, mas a fugir à banalidade. Calçava sandálias, vestia calças de ganga e uma blusa de seda verde a cair-lhe com leveza pelo tronco onde, quase jurámos, O Escritor, o RB e o Rapaz do Fato Cinzento, não pontificava sutiã. E é por isso que ela tem de voltar. Só ela pode revelar este facto e desfazer a lancinante dúvida com que nos deixou. Tinha o cabelo apanhado atrás e um pescoço esguio e alto. Mas foi a doçura dos olhos que nos cativou, isso e a sugestão e, claro, aquele perfume de laranjas frescas com que nos brindou à entrada e muito depois de já ter saído.
É claro que o RB, como sempre faz, tentou logo incluí-la no Clã, fazê-la membro honorário das quartas-feiras. É um simpático o RB. Ou isso ou então ficou toldado com… as laranjas!
Bem-vinda ao Clã do Comboio, Senhora das Laranjas Frescas. E volte sempre. Com ou sem… laranjas.


1 Comentário

Acho Estranho – Poupar para… Empobrecer!

Não percebo nada de economia, mas acho estranho, juro que acho muito estranho que poupar possa levar ao empobrecimento das famílias, das sociedades, das nações. Um dia destes, na sequência da preparação de um texto expositivo-argumentativo, um aluno do Ensino Secundário fez uma investigação que, com orgulho e preocupação, apresentou à turma.
A historieta rezava mais ou menos assim…

Naturalmente, as famílias precisam de consumir.

Contudo, porque precisam de poupar por via da sua gritante perda de poder de compra, cortam em todas as áreas de consumo.

Para poderem consumir precisam de ter trabalho para produzir e ganhar dinheiro.
Para terem trabalho e receber dinheiro por ele, a empresa onde trabalham tem de vender o produto.
Como os trabalhadores não consomem porque não podem, a empresa não vende!
Não vendendo, a empresa não tem dinheiro para pagar salários.
Como não tem dinheiro para pagar salários, a empresa despede trabalhadores.
Sem outros rendimentos, os trabalhadores recorrem ao subsídio de desemprego…
Que o Estado paga para… poupar!
Logo, quanto mais o estado poupa, mais se endivida!
Estes miúdos do Secundário são uns chatos quando se põem a estudar, não são?


Deixe um comentário

Acho Estranho – 2

Não percebo nada de economia, mas acho estranho, juro que acho muito estranho que Portugal seja o ÚNICO produtor mundial de porco preto e o maior exportador mundial deste suíno e seus derivados seja a… Espanha!

Cá para mim, alguém está a levar olés!


1 Comentário

Acho Estranho – 1

Não percebo nada de economia, mas acho estranho, juro que acho muito estranho que a Pera Rocha seja um produto português da região do Oeste e os supermercados portugueses se abasteçam dela em… Espanha!!!

Cá para mim, alguém está a levar olés!


Deixe um comentário

Zorro

ZORRO


Eu quero marcar um Z dentro do teu decote
Ser o teu Zorro de espada e capote
P’ra te salvar à beirinha do fim
Depois, num volte face vestir os calções
Acreditar de novo nos papões
E adormecer contigo ao pé de mim

Eu quero ser para ti o camisola dez
Ter o Benfica todo nos meus pés
Marcar um ponto na tua atenção
Se assim faltar a festa na tua bancada
Eu faço a minha ultima jogada
E marco um golo com a minha mão

Eu quero passar contigo de braço dado
E a rua toda de olho arregalado
A perguntar como é que conseguiu
Eu puxo da humildade da minha pessoa
Digo da forma que menos magoa
«Foi fácil. Ela é que pediu!»


João Gil/João Monge


Deixe um comentário

Antologia do Piropo – 3

“Ó febra, chega aqui à brasa!”


Deixe um comentário

O Clã do Comboio – Deve Ser Engano!

Deve Ser Engano!

São 6:55 quando estaciono o carro no Entroncamento. Gosto do fresco da manhã na face enquanto me dirijo para a estação de caminho-de-ferro. Na ponte aérea contemplo a quietude da estação de luzes ainda acesas. Quando chego, vou ao bar, peço um café cheio, aspiro-o profundamente e saboreio-o. Vejo algumas caras conhecidas e começo a entrar no dia. Mais um dia. Será especial, por certo. Todos os dias vividos são especiais.
Alguns companheiros de viagem vão chegando e saudamo-nos com sorrisos matinais e olhares predispostos a mais uma corrida. Estamos nestas primeiras trocas de impressões quando, pelo altifalante, uma voz masculina anuncia:
– Vai dar entrada na linha nº 3 o comboio regional procedente de Coimbra. Termina nesta a sua marcha.
Tudo normal. Não é o nosso, mas traz gente para o nosso. Pouco depois deu-se o episódio que originou estas linhas. A mesma voz masculina no altifalante anunciou o nosso comboio:
– Vai dar entrada na linha nº5 o comboio interregional procedente de Tomar, com destino a Lisboa, St.ª Apolónia. Efetua paragem em Santarém, Setil, Vila Franca de Xira e Lisboa Oriente.
O anúncio estava correto. Nada a dizer. O mundo no seu sítio. Estranhámos, contudo, um fenómeno. Apesar de já se ter terminado o anúncio do interregional das 7:18, continuou a ouvir-se um restolhar, um ruído de fundo no altifalante como se não tivesse sido desligado e alguém se movimentasse na sala. Até que se ouviu, em voz límpida e clara, por toda a estação:
– Fooooda-se!
Olhámos uns para os outros como que a confirmar se tinha sido verdade, entre o interrogativos e o embaraçados, quando, um pouco mais à frente, um velhote exclamou:
– Deve ser engano, não conheço nenhuma terra com aquele nome!