Mails para a minha Irmã

"Era uma vez um jovem vigoroso, com a alma espantada todos os dias com cada dia."


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A Diferença

A Diferença

O problema não é o que dizes.
É a diferença
Entre a promessa
E as palavras a arder
Nas cicatrizes.

Não temo que me digas Não
Sem razão, nem história, nem fim.
Incomoda-me, só,
Que me digas Não
Depois de teres dito Sim.

jpv


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ContraLuz

ContraLuz

Ardo
Desespero
Anseio
Quero.
Rejeito
Retomo
Amo
Odeio.
Revolto
Recaio
Anseio
Renuncio
Esvaio.
Enfraqueço
Fortaleço
Aceito
A sorte
Da puta da vida
Não ser mais
Que as entranhas da morte!

jpv


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Sem Surpresa

Pois é, caros leitores, não sei como reagiram à nova maioria absoluta de Alberto João Jardim. Para mim, não constituiu qualquer surpresa. De resto, não era a eleição que me preocupava. Era o dia seguinte… e esse só avaliaremos com o tempo. Eu espero que os portugueses, madeirenses e continentais, não venham a sofrer com a escolha agora feita, mas não vejo, no horizonte que as minhas curtas vistas alcançam, onde é que se vão buscar 6 mil milhões de euros… Esperemos…


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Agradável Surpresa

Esta semana, a empresa Castello Lopes Cinemas decidiu oferecer-me um bilhete para o cinema como forma de comemorar o meu aniversário. Acho que, por ter o cartão de membro, tenho direito a essa simpatia. E é mesmo uma simpatia. Ora, acontece que no cinema mais próximo de casa a oferta não era grande coisa. O único filme que me atreveria a ver, dos que estavam em exibição, era Crazy, Stupid, Love. Não gosto do Steve Carell, a imagem dele está muito colada àquelas comédias sem sentido, muito dependentes das carantonhas que ele faz. Mas o resto do elenco agradava-me. Além disso, algo me estava a atrair, a espicaçar a curiosidade: o título. O título era promissor. E fui.
E ainda bem que fui. O filme esteve quase a cair na comédia cliché, mas algo o salvou: o texto. Este filme é uma agradável surpresa. A simplicidade profunda do texto, o que fica por dizer, o que é dito pelas personagens mais jovens, a ideia de que o Amor não resolve tudo sozinho, pelo contrário, depende das nossas ações, está muito bem explorada. Sim, é um filmezinho leve, mas foge à banalidade em que estão a cair as comédias românticas. Se estava na dúvida entre este filme e O Regresso de Johnny English, não duvide, vá ver este e faça como eu: espere que o Rowan Atkinson se deixe de parvoíces e volte a fazer o que sabe, o Mr. Bean! Entretanto… Midnight in Paris espera por mim!


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O Clã do Comboio – Chocolates de Liège e Tripas à Moda do Porto

Chocolates de Liège e Tripas à Moda do Porto

Um dia destes, na sequência de uma conversa seriíssima e muito circunspecta, como são todas as do Clã, a Senhora da Revista de Culinária disse, e passo a citar para me desresponsabilizar, referindo-se ao VM, Ele pode escolher aquilo que ele quiser! Nós bem a aconselhámos a não lhe dar tanta liberdade, mas o certo é que estava dito o que dito foi. Nada havia a fazer. Ele replicou com aquela malandrice mal disfarçada de marialva ribatejano, Ela é o melhor chocolate que eu já degluti! Esta frase despertou um universo de questões que não aprofundámos por puro pudor. Eu, contudo, que gosto de ser o centro das atenções, reclamei que a Senhora da Revista de Culinária estava a ter muita atenção por parte do VM, ao que ele respondeu, Não te preocupes, eu sou um homem de uma careca só. Medo… muito medo. Nem a Senhora da Revista de Culinária é careca, nem a minha careca pertence, em qualquer sentido ou universo, ao VM…

E foi então que o VM prometeu trazer da Bélgica, onde, segundo o próprio, ia em trabalho, os maravilhosos chocolates de Liège. E, assim que se falou em chocolates, a Rapariga com Brinco de Pérola começou a babar-se e a corar. Ora, se corar é normal nela, já babar-se é menos comum. Confessou que era viciada em chocolates e explicou que tinha sempre o frigorífico cheio deles. Anda a desabrochar esta Rapariga com Brinco de Pérola. Hoje, por exemplo, quando em meio de uma conversa muito séria e científica, o Escritor usou a expressão strap on, que é usada em inglês de Inglaterra para nos referirmos a objetos em cabedal usados em práticas sexuais ousadas, ela corou imenso e largou-se a rir. Até às lágrimas! Todos concordámos em dois aspetos. Que aquele riso cheirava a confissão e que queríamos ver uma foto do interior da gaveta da mesa de cabeceira dela.

Quando chegou o Picas, estávamos a recordar o dia em que os homens do Clã deram os seus passes para as mãos das mulheres e vice-versa. Nesse dia, o Picas viu-nos a todos com o sexo trocado… no passe! Hoje, oferecemos-lhe chocolates de Liège. Ele não quis. A Rapariga do Riso Fácil e a Senhora da Revista de Culinária ficaram contes: mais sobra!

Foi um gesto muito simpático do VM, ter trazido os chocolates. Mas não foi o único do dia. Viajou connosco, pela primeira vez no interregional das 7:18, a Menina-Senhora. É uma moça jovem, de sorriso largo e luminoso, dentição alva e alinhada, roliça, muito simpática e… apreciadora de chocolates de Liège! Vive em Santarém, mas, ao que parece, é do Porto. Talvez por isso, o VM foi sentar-se de frente para ela a catrapiscar o decote e a contar anedotas dos tipos do Porto. Não percebi porquê, mas ela adorou-nos. Costuma vir num comboio mais cedo, mas admitiu que ficou de tal forma fascinada connosco que vai passar a vir à nossa hora. Não sei se alguém lhe disse que o VM não traz chocolates todos os dias, mas devia ter dito… O que sei é que ela se comprometeu a trazer uma marmita com tripas à moda do Porto para nós provarmos. Eu não sei se a Menina-Senhora sabe onde é que se meteu, mas dei-lhe o endereço do blogue. Assim, se voltar, não vem enganada. O certo é que ficamos todos à espera das tripas! Das tripas e da Menina-Senhora que promete…

Daí em diante todos serenámos um bocadinho. Todos, menos a Rapariga com Brinco de Pérola que fixou o olhar num ponto indefinido, com um ar semi-saciado e nunca mais descorou. Foi vermelhinha até ao fim. Vá-se lá saber em que é que ia a pensar…

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PS: Quando li o rascunho deste texto ao Clã, às vezes faço isso, a Rapariga com Brinco de Pérola apressou-se a dizer que não encontraríamos nada na gaveta da mesa de cabeceira dela porque “aquilo é muito grande para lá caber”. E corou outra vez…. Mais medo… muito medo…


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Legado

Legado. É a palavra que me ocorre quando penso no recente falecimento de Steve Jobs. É um importante legado aquele que nos deixa. Um legado de comunicação que, todos os dias, estará entre nós a influenciar os nossos passos. Morreu o homem. Fica uma obra de proporções ainda não previsíveis.
Paz à sua Alma!


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Trinta e três mil…

…e três!

Muito obrigado, muito obrigado, muito obrigado…


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Cinema do Bom…

Passa no Cineclube de Santarém, esta sexta-feira, pelas 21:30!
Mais informação aqui.


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O Clã do Comboio – Elegia para um Aniversário

Elegia para um Aniversário

Eu tenho uma particularidade. Quer dizer, hei de ter várias, esta é a que invoco hoje. Independentemente da fase da vida em que me encontre, das alegrias, das tristezas, das facilidades e das dificuldades, encaro todos os dias como uma promessa de vida, uma esperança renovada, um crer intrínseco de que algo de bom me vai acontecer nesse dia. Eu sou assim todos os dias.
No dia do meu aniversário, o sentimento é igualzinho, crescem um pouco a expectativa e a esperança, mas na essência, o sentimento é o mesmo.
Quando cheguei à estação de caminho de ferro do Entroncamento, era noite ainda. Estava calor. Por trás do fresco da manhã que se anunciava, despertava a canícula do verão em outubro. Esperei sossegado junto ao relógio e, pouco depois, foram chegando os companheiros de viagem. O Rapaz do Fato Cinzento, que está de férias, apareceu também. Inventou uma desculpa para ir a Lisboa e veio ajudar à festa de anos do Escritor. Eu sei que era uma desculpa porque bailava nos olhos dele uma genuína satisfação. A de contribuir. Beijos, abraços e saudações. Em Santarém entrou a Senhora da Revista de Culinária e, misteriosamente, o Rapaz do Fato Cinzento enfiou-se na casa-de-banho de onde surgiria pouco depois com bolo de chocolate negro e branco, cortado aos pedacinhos, os brownies. Diversas sombrinhas de papel vinham espetadas nos deliciosos pedacinhos de bolo e uma vela com um 4 orgulhoso luzia trémula e feliz. Cantaram-se ruidosos “Parabéns a Você”, distribuiu-se em copinhos de plástico, um aromático chá de ervas que a Rapariga do Riso Fácil trouxe aquecido num termo. Houve palmas e urras, um discurso breve e emocionado do Escritor e a Rapariga do Riso Fácil a comer brownies e a repetir vezes sem conta, Deliro com os teus brownies! O Senhor da Mala Térmica resolveu aparecer neste dia, acho que não foi coincidência inocente, e trouxe o seu inevitável jornal, o sorriso largo e acolhedor e, claro, para marcar o evento deixou cair um brownie e, na ânsia de o apanhar, entornou o chá pelo chão. A malta rebentou numa gargalhada. Seguiram-se felicitações, abraços e beijos, piadas enviesadas de fazer corar a Rapariga com Brinco de Pérola que continua a desabrochar e a corar. É um dois em um! Tentou ensinar-nos mais algum francês decente em troca de português indecente. Por fim, obrigaram o Escritor a apagar a vela três vezes. Ele não estava farto de a apagar, mas acho que ela estava farta de ser apagada. Da última vez tentou apagar a vela da forma mais erótica possível enquanto a Rapariga com Brinco de Pérola e a PL tiravam fotos. E claro que a mala térmica fez o inevitável papel de mesa enquanto, a bordo do interregional das 7:18, o Clã do Comboio se divertia solidário. Desta vez, o pretexto foi o aniversário do Escritor, mas poderia ter sido outro qualquer.
E houve um presente. Um caderninho para o Escritor escrever. E ele fez uma promessa que está a cumprir neste preciso momento: usar o caderno para escrever mais uma história do Clã do Comboio. Por fim, foram a votos para ver quem ficava com o resto dos brownies. As gulosas premiadas foram a Rapariga do Riso Fácil e a PL.
Sucedeu-se, então, o inusitado. Com o saco do presente e os papéis dos diversos embrulhos do presente e da comida, o Rapaz do Fato Cinzento improvisou uma bola e o Clã, quer acreditem, quer não, foi até Santa Apolónia a jogar à bola! Uma espécie de vólei de comboio improvisado com os trapos dos tempos modernos. Sem regras, só com a diversão do toma lá e não deixes cair. Até a Senhora da Provecta Idade jogou! Houve passes arrojados, momentos irrequietos, gargalhadas cristalinas, adultos no auge da infância que é a melhor idade. A idade que todos devemos preservar. A idade que um de nós celebrava nesse momento. E não estava só!


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Outro Agradecimento

O Sábio Tirésias disse um dia que a felicidade de um homem só poderia medir-se quando morresse pelos amigos e familiares que manifestassem afeto por ele. Quem dera poder antecipar a contagem!
A todos os que me cumprimentaram pessoalmente, me telefonaram, me enviaram sms, me escreveram via Facebook, me enviaram e-mails, o meu reconhecido agradecimento.
Convosco, com todos vós, tenho sido um homem feliz. Quer o Tirésias queira, quer não.
OBRIGADO!

jpvideira