Mails para a minha Irmã

"Era uma vez um jovem vigoroso, com a alma espantada todos os dias com cada dia."


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Prenhe Vazio

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No vazio das palavras,
O ato.
No vazio do tempo,
O momento exato.
No terreno estéril
E árido
De meu peito
Cresce uma esperança
Sem jeito
Nem destino.
Fenómeno inexplicável,
Como mão grande e afável
Percorrendo o cabelo do menino.

No vazio da cama
Um homem que ama.
No vazio de um peito de mulher,
Um homem que quer.
Numa folha branca
Uma palavra que grita
E deseja,
Uma linha sensual,
Uma vírgula que beija
A hesitação,
E de novo a mão.
Agora suave e sedosa
Em provocante e prazerosa
Provocação.

No vazio de tudo…
A reinvenção!

jpv

 


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O Testador de Piscinas

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Esta manhã, de soalheiro domingo, tive uma ideia para um negócio promissor e de grande rentabilidade. Vou abrir uma empresa de uma pessoa só como “Testador de Piscinas”.

Qual o grande medo de quem possui piscinas? Não, não é a manutenção. É a possibilidade aterradora de chegarem amigos para uma churrascada e um mergulho e a piscina não estar em condições.

A coisa funciona assim. O cliente convida-me para um churrasco ou um belo de um cocktail. Entre dois goles de sangria de champanhe, elemento fundamental para que corra tudo bem, eu dou uns mergulhos, umas braçadas, avalio a qualidade e a limpeza da água, a decoração e os recursos adjacentes, como chuveiros, lavabos, camas de rede,etc.

No imbatível prazo de 24 horas produzo um relatório com conselhos de manutenção e cuidados da piscina bem como dicas sobre como melhorar o churrasco ou a caipirinha.

A foto que encima este texto testemunha o meu primeiro serviço. Eu contratei-me a mim mesmo e posso garantir que estou satisfeitíssimo com a qualidade do serviço.

Se vives em Maputo e queres dar um mergulho nesta piscina contacta-me pelas mensagens privadas. É que o condomínio tem uma casa vaga e andamos à procura de inquilino… quem sabe… de resto, o preço do aluguer é convidativo e a vizinhança é 5 estrelas!

jpv


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Olhar

Essa pose serena,
Essa magia encantada,
Essa intenção não revelada
Por essa boca pequena.
Mas o olhar… o olhar, meu Deus, como te trai!
Olhas-me como quem despe o pudor.
Não. Não é amor,
É esse desejo, essa luxúria dos corpos suados,
Olhas-me, e a minha roupa cai
No chão do teu quarto.
E fazes, em gestos suaves e delicados,
A via sacra do meu corpo oferecido.
E antes mesmo de tocar-te,
Antes de me percorreres com o fogo da excitação,
Sou já um homem vencido.

jpv


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Retrato de Moça

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O olhar húmido
E inseguro.
Olhos pequeninos
Que brilham no escuro…
E suplicam.
Lábios finos
E gentilmente recortados
Ameaçam um sorriso
Que fica…
Na intenção.
Os dedos frágeis
E longilíneos
A explicarem-me as palavras.
Seios redondos,
Bem definidos,
E pequeninos,
Insinuam-se no teu peito
Ao peito que lavras…
De amor.
Tens a cintura da donzela
E o sexo da mulher.
Tens no corpo,
Sem saberes,
As obras do desejo
Que o homem quer.

Estás sentada
À porta do meu coração.
Sempre nua
Como a Thétis
Que o monstro petrificou.
Não estou mudo, eu,
Nem quedo.
Debato-me com a ânsia e o medo
De possuir-te,
De ter-te em meus braços,
E haver nisso
Um funesto e terrível feitiço.
Que estender-te a mão
E tocar-te
E prender-te minha
Desfaça a ilusão
E morra a esperança
E a melodia.

Ficarás sentada,
Em pose ténue e fugidia,
À porta de meu coração.

jpv


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Paradoxo Parental

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Tu não és só o filho.
És a luz no caminho de breu.
És a pegada no trilho.
És o amor que venceu.
És a minha vida noutro corpo.
És o desejo insano de estar morto…
Para que vivas.
És o querer estar vivo
Para ver-te viver.
És o paradoxo em mim.
A prisão e a libertação.
O abraço e a distância.
A lágrima e o riso,
A dor e o prazer,
A loucura e o juízo.

Tu, filho,
És tudo o que preciso
Para saber que estou vivo
E és a vida além de mim.
Meu princípio,
Meu fim.

Tu és o milagre
E a fantasia.
A verdade,
Certa e única,
De cada dia.

No teu olhar,
No teu sorriso,
Nos caracóis da tua barba
E na tua saudável loucura,
Vivem meu ímpeto
E minha doçura.

Tu és o meu errado
E o teu certo.
A minha imperfeição
E o teu gesto perfeito.
Tu és estar tudo feito
E haver tanto para fazer.
Tu és o passado nostálgico
E o futuro promissor,
Minha poesia…
Minha balada de amor.

jpv


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2ª edição!

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Vejam só o que aconteceu: A SEGUNDA EDIÇÃO DE ” A Paixão de Madalena”!
Não espere mais para ler bons livros: este compra-se aqui: https://www.chiadoeditora.com/livraria/a-paixao-de-madalena
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“A Paixão de Madalena” esteve no Porto

Foi hoje a apresentação de “A Paixão de Madalena” no Porto. Uma tarde soberba. Um ambiente evocativo num espaço esplêndido, a Casa de Allen, e uma atmosfera intimista.

Foi uma tarde de amena cavaqueira acerca de livros, leitura, literatura, escrita, romances, homens, mulheres e… sexo! Nem mais. Um grupo heterogéneo e super-simpático acolheu-me no Porto.

A Tecas Corte-Real (https://www.facebook.com/tecas.cortereal) foi uma Amiga insuperável e organizou o evento que teve direito a Porto de honra e tudo. Um profundo e sentido agradecimento à Tecas e um obrigado imenso a todos os que estiveram presentes.

Até breve!

João Paulo Videira

——————- fotos do evento ——————-


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“A Paixão de Madalena” apresenta-se no Porto

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Caros Amigos e Leitores,
 
É já amanhã, no Porto, pelas 15h, na Casa de Allen, rua António Cardoso, nº175, a apresentação de “A Paixão de Madalena”.
 
Quisemos dar uma oportunidade aos amigos do norte do país de poderem adquirir a obra em primeiríssima mão.
 
Contamos convosco!
 
Uma cordial saudação,
 
João Paulo Videira


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O Virtuosismo do Cinema Português

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Mesmo quando tenta ser comercial, o cinema português não escapa à alma poetisa do nosso povo. Nem todo o nosso cinema é bom, mas, mesmo quando as produções deixam a desejar, há (quase) sempre um traço lírico, uma moral, uma mensagem, algo para dizer… como se, mesmo sucumbindo à vertigem comercial, o cinema português lutasse sempre por ser arte.

Depende dos produtores, claro. E dos realizadores. E dos elencos. António-Pedro Vasconcelos é um excelente realizador. Um contador de histórias. Um romântico e um indefetível apaixonado pelos finais felizes. Mas fica das suas películas o perfume de uma história contada ao borralho. Fica, sempre, uma incontornável esperança no melhor que a Humanidade consegue ser…

Recentemente vi o filme de 2013 “Os gatos não têm vertigens”. E considero, arriscando aqui a minha morte social, que é melhor do que o Star Wars e o 007 e o Senhor dos  Anéis e tanto outro lixo tóxico que consumimos frequentemente…

Aí ficam umas citações a ver se ides vê-lo…

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“Escrever é o melhor remédio contra a solidão e o desespero.”
Joaquim citado por Rosa em “Os gatos não têm vertigens” de António-Pedro Vasconcelos.

“O problema de hoje é que há cada vez mais putas e cada vez menos clientes.”
Mãe do Fintas citada por Rosa em “Os gatos não têm vertigens” de António-Pedro Vasconcelos.

“-Demoraste tanto tempo.
– Foi só um instante.
– Um instante sem ti é uma eternidade.”
Diálogo de Joaquim e Rosa em “Os gatos não têm vertigens” de António-Pedro Vasconcelos.


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“A Paixão de Madalena” – Recensão de Marisa Luna

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A bloguer Marisa Luna leu “A Paixão de Madalena” e redigiu uma recensão que podemos ler na íntegra no seu blogue. Aqui fica o endereço:

http://simplesmentemarisa.blogspot.pt/2015/12/a-paixao-de-madalena-de-joao-paulo.html

Só um cheirinho:

“Confesso-vos já que há muito que não devorava um livro em tão pouco tempo. As diversas histórias que vão sendo contadas em torno de Madalena constituem um enredo absolutamente cativante, arrebatador e absorvente, de uma grande riqueza cénica e com personagens diversificadas e  marcantes.”