
Tuas cuecas
São como meu coração.
Umas vezes,
Estão no sítio certo.
Outras,
Andam espalhadas pelo chão.
jpv

Tuas cuecas
São como meu coração.
Umas vezes,
Estão no sítio certo.
Outras,
Andam espalhadas pelo chão.
jpv

“A frontalidade requer muita coragem, uma grande preparação mental, dá muito trabalho e não nos conquista amigos. É mais fácil e cómodo calarmo-nos do que enfrentar a vida, mas não é mais honesto, nem é mais digno. A generalidade das pessoas não é frontal. Quando uma pessoa diz que é frontal, normalmente, vai começar uma discussão. A frontalidade é serena e quotidiana. E é, na maioria dos casos, incompreendida.”
jpv

“Não há um mundo sem problemas, nem aborrecimentos, nem litígios. Não há. O litígio, nos seres humanos, é tão natural como a sua existência. Faz parte da sua humanidade. O que nos redime é a capacidade de olharmos uns para os outros com a consciência da nossa pequenez, com a humildade de reconhecer que não há, entre nós, seres isentos de erro. O que nos redime é a benevolência e a capacidade de amar o outro acima de todas as coisas… o que nos redime é a vontade suprema de querer o bem, mais do que o mal, de buscar o entendimento, mais do que o desentendimento, de viver em amor, mais do que em litigância. Precisamos desesperadamente de acreditar que o Amor nunca acaba e se sobrepõe a todas as coisas.”
jpv

Quero o amor contigo
Como bênção de Deus,
Como prémio e castigo
Por meus dias sem ti.
Tu vives em mim,
És o agora e o aqui.
E tudo o que possa pedir
Ou suplicar
Fica aquém e além
Dessa forma de amar
Tão intensa
E tão entregada.
Em teu corpo
Não há tudo
Nem nada.
Há essa ausência absoluta
De limite e medida.
Tu és a meta da chegada
E o porto da partida.
Meu amor,
Meu doce, suave e terno amor…
Vem dizer-me baixinho
Que o meu desejo
É só meio caminho
De tudo
O que tens para me dar.
Vem pedir-me mais.
Vem exigir meus afagos,
Minhas carícias tranquilas
E meus sôfregos ais.
Meu amor,
Aquieta este fulgor,
Vem ser a brisa
Na tarde de calor
E inaugurar
Meu corpo no teu.
Não sei
O que seja o futuro.
Sei que o tempo antes de ti
Morreu.
jpv

“O propósito de todo e qualquer trabalho, na verdade de toda e qualquer ocupação, deve ser a felicidade. Está enganado quem pensa que vai à Escola aprender matérias. O Português, O Inglês, a Matemática, as Ciências, o Desenho, a Música ou a Educação Física interessam muito pouco se não forem colocadas ao serviço do primeiro e mais significativo objetivo da Escola: ser feliz!”
jpv

“Quando nos sentimos ofendidos por alguém, antes de criticar o suposto ofensor, devemos pensar porque é que ele nos ofendeu.”
jpv

Diz-me, meu amor…
Como é que não se faz amor contigo?
Como resistir à tentação e ao perigo
De cair em teus braços?
Como posso evitar
Teus doces afagos
E os dolentes cansaços?
Diz-me, meu amor…
Como não deslizar nas tuas linhas?
Como fugir às carícias
E impedir que tuas mãos
Se fechem nas minhas?
Diz-me, meu amor…
Como resistir às palavras
Nascidas desse sorriso que se insinua?
Diz-me, como quem me salva,
Como pode a minha pele alva
Não colar-se à tua pele nua?
E, se encontrares resposta e solução
Para que eu não caia em tentação…
Vem, meu amor, ao meu ouvido dizer
Como se não faz o que só sei fazer,
Como se vive sem se morrer…
Estando vivo.
Vem meu, amor…
Libertar meu peito cativo
E obrigá-lo a ser quem é…
Não cai, jamais…
Um homem que ama de pé.
jpv

Mulher é mesmo assim,
Chega no teu peito,
Rasga ele
E rouba teu coração.
E, no fim,
Pergunta porque não palpitas de amor.
Mulher não percebe a dor
Para lá da dor.
Mulher é mesmo assim,
Chega no teu universo,
E vira tudo do avesso.
E, no fim,
Pergunta porque não arrumas a casa.
Mulher quer que tu voes
E quer ficar com a asa.
Mulher é mesmo assim,
Leva tua caneta
Para escrever receita de bolo de tâmara.
E, no fim,
Pergunta se és poeta
Porque não escreves-lhe
Um poema de arrebatar.
Mulher é mesmo assim,
Quer carinho a toda a hora,
Há de pedir passares mais tempo com ela.
E, no fim,
Exige que vás trabalhar
E faças um curso de vela
Para teu físico melhorar.
Mulher é mesmo assim,
Quer comprar sapato
Que vale um mês de trabalho.
E, no fim,
Baila na tua frente
Com os pés nus no soalho.
Mulher é mesmo assim,
Critica porque só pensas em sexo
E não conversas com ela de mansinho.
E, no fim,
Quer com vigor
E também devagarinho.
Mulher é mesmo assim,
Não tortura,
Mas quer loucura
E pede juízo sem fim.
Mulher é mesmo assim.
jpv

Vi, sim,
No escuro, as luzes.
Vi os movimentos
E os reflexos.
E vi os verbos que,
Parecendo complexos,
Eram simples e banais…
E traidores.
Vi as dores fingidas
E as verdadeiras dores
De ódio e inveja.
Vi-te na conjura
E na peleja
De me armares a cilada.
Teu gesto é nada
E tua intenção vazia.
O negrume da tua alma
Não vale a luz de um só dia,
Uma hora, um segundo…
Tu não és do meu mundo
E eu desaprendi
O caminho para o teu.
Foi um ato consciente e propositado.
Não volta ao breu
Quem conheceu o caminho iluminado.
Queres apagar-me.
Queres riscar dos mapas
Os trilhos que minha mão conduz.
Não se apagam, camarada,
Os caminhos desenhados com luz.
Não és nada. Nunca foste nada.
Nunca serás nada.
Não sou nada. Nunca fui nada.
Nunca serei nada.
E a única diferença
Nestes dois termos da Lei,
É que eu…
Eu sei!
jpv

Olá mãezinha.
Tu partiste de repente. Sem aviso. De consciência tranquila e sem remorsos. Enfrentavas as tuas dificuldades com um sorriso nos lábios e eras, no passado dia 23 de fevereiro, uma mulher autónoma, livre, absolutamente resolvida. Quer em termos da tua espiritualidade, quer em termos dos teus objetivos. Amavas e eras amada. Tinhas um círculo vasto de amigos. E era visível, na tua face e nas tuas palavras, a alegria pela antecipação de conheceres o teu bisneto. O James. O bisneto que não conheceste por meros 47 dias.
Hoje, farias 74 anos. Já tinhas casado, parido e criado dois filhos, sobrevivido a uma guerra, derrotado um cancro e estavas numa fase luminosa da tua vida. A beleza do teu sorriso espelhava isso mesmo. Uma curva, um acidente estúpido, um momento de infelicidade, levaram-te quando mais parecias querer viver.
Tu não deixaste só um vazio. Deixaste uma lição de vida. Um lastro de amor e resiliência.
Os teus gestos vivem em mim. As tuas palavras habitam em mim. A tua força guia-me. A tua presença é constante.
A vida não é a mesma coisa sem a tua presença. Mas continuamos honrando a tua herança de busca da felicidade, a tua determinação, o teu sorriso, a forma despachada e resoluta de enfrentares as dificuldades e de fazeres o que tinha de ser feito.
O teu bisneto tem os olhos azuis e é dinâmico. Ias amá-lo profundamente. O teu neto é um pai carinhoso e dedicado e tem uma esposa carinhosa e dedicada.
A mana está bem ou, pelo menos, está muito melhor do que seria de esperar. Levou tempo a cura das feridas do corpo. Levará mais ainda a cura das feridas da alma. Mas ela é forte e tem também, agora, a obrigação de sobreviver-te. De honrar-te.
Eu… tu sabes tudo sobre mim… tenho-te contado diariamente… amiudadamente…
Parabéns, mãezinha! Dou-te os parabéns. Darei sempre. Eu sei que tu gostas de fazer anos. Sempre gostaste. E, por mais perfumes que te ofereça, nunca serão de mais… era sempre uma escolha certa… afinal de contas, tu gostas de tomar um banho e arranjar-te e perfumar-te antes de… ires para a cama!
Do teu filho,
João Paulo.
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