Não te custava nada Emprestares-me essa almofada. Não precisava ser dada, dada. Bastava que fosse emprestada.
É que lhe fica tão bem assente O que resta da minha mente Que anda neste mundo perdida Desde que te viu poisada Nessa macieza adormecida.
Não te custava nada Deixar misturar teus sonhos com os meus Para que se encontrassem na noite escura. Dormirem nossos sonhos separados É torpe e vil tortura Indigna de tua posição. Basta que te chegues para lá Metade de certa porção Equidistante entre o teu E o meu coração. E, a meio da noite, Por sinuosos e sonhados caminhos, Encontram-se os sonhos alados Na almofada emprestada… Enquanto nós dormimos juntinhos.