Mails para a minha Irmã

"Era uma vez um jovem vigoroso, com a alma espantada todos os dias com cada dia."


2 comentários

Estatísticas de MPMI: Este Blogue Virou Brasileiro

stats mpmi Brazil Potugal United States[Clique para Ampliar]

 

Caros Leitores e Amigos,

São 23:30 do dia 27 de maio de 2014, em Maputo.

Ainda se registarão, hoje, mais algumas visitas em Mails para a minha Irmã.

Contudo, para já, as estatísticas do Blogue do Costume para a frequência do dia de hoje chamam a atenção por várias razões.

1) São muitas. Duzentas visitas é algo comum. Superar as trezentas é pouco frequente.
2) O Brasil lidera com uma vantagem avassaladora. Forneceu mais leitores sozinho que os outros países todos juntos.
3) A diversidade geográfica de leitores é entusiasmante. Leitores de treze países diferentes! Oman? Liechtenstein? Quem serão as almas que nos lêem nesses cantos do mundo? E demoraram-se…

Invade-nos um sentimento de gratidão em relação a todos os leitores. De todas as proveniências!

Uma palavra para a D que ajudou a edificar a nova casa de MPMI.

E agora, se me dão licença, tenho trabalho e ainda um extensíssimo capítulo de “A Paixão de Madalena” para acabar de passar para vós!

Até breve!
jpv


2 comentários

Citação da Palavra

O Poder da Palavra

A resposta calma desvia a fúria, mas a palavra ríspida desperta a ira.

Provérbios 15:1


Deixe um comentário

Brasiu no Comando!

stats-brazil-usa-portugal-canada-france-spain-netherlands-belgium(Clique para aumentar)

Brasiu no Comando!

É isso aí, galera. Pela primeira veis desdji a últchima, o Brasiu toma o comando do blogui do portuga!

Olha só, gentchi, são 23h em Moçambiqui, 22h em Portugau, não sei bem quantais no Brasiu, aí umas djizoito, e os leitores brasileiros tomaram o comando disso aqui… ó só… Dá prá intendê? Claro qui dá… isso daqui é frequentado por gentchi boa!

jpv


Deixe um comentário

Crónicas de Maledicência – Pouca Europa, Muitas Europas

European Election 2014Crónicas de Maledicência – Pouca Europa, Muitas Europas

Não sou politólogo, nem especialista em eleições. Não apareço na TV a comentar. A autoridade que me assiste é, somente, a de pensar.

A Europa, tal como a conhecemos nos últimos anos, a Europa do Euro, a Europa da União, virou autofágica e destruiu-se.  Essa Europa de faz de conta morreu.

É simples apurar isso. Houve eleições europeias em Portugal. Não se discutiu a Europa. Discutiram-se os problemazinhos de Portugal, que são sérios e merecem atenção, precisam dela, mas que, se fossem enquadrados num raciocínio mais abrangente de pensar o Velho Continente, talvez tivessem solução. Assim, não têm. Os políticos portugueses entretiveram-se, a pretexto destas eleições, com uma disputa interna a ver quem internamente ganhava. E o Destino foi traiçoeiro. Para todos. Nem o PSD perdeu tão pouco quanto queria, nem o PS ganhou tanto quanto pretendia, nem todos os outros deixaram de ser cruelmente esquecidos. O PSD correu junto com o CDS e os dois juntos contra um só partido não evitaram uma derrota com margem de 4%. Grave. Foram ao tapete. Contudo, o PS anteciparia, lá está, por via das questões internas, uma vitória mais robusta. Não a teve. Todos os outros só contam para quem votou neles. A maioria dos portugueses nem se lembra já da siglas.

Mas há mais. Todos, mas todos mesmo, sem exceção, saíram derrotados sob o peso de uma elevadíssima abstenção. Sessenta e seis por cento dos eleitores portugueses não votaram. Isto comporta duas mensagens inequívocas. A primeira é que o conceito de uma Europa unida diz pouco aos portugueses que, em jeito popular, vão dizendo que aquilo é mais uma maneira deles se amanharem. A segunda, mais séria e funda, é que o sistema eleitoral e o conceito de uma União Europeia estão postos em causa. Quando, num dos Estados-Membro, quase sete em cada dez eleitores não se dá ao trabalho de ir fazer a cruzinha, a verdade é que a eleição, em si, não diz muito ao eleitor. Ninguém assumirá esta derrota. Isso seria pôr em causa aspetos que se não podem pôr em causa. Porquê? Porque interessa, a quem usufrui financeiramente desta Europa, que ela exista.

Mas há mais. Olhemos, de relance, os resultados em perspetiva europeia. Há pouca união, pouca coesão e, nesse sentido, há pouca Europa, muito pouca. Há uma difusão de orientações que vão, nos diversos países da UE, desde vitórias da Extrema Esquerda, a vitórias na Extrema Direita, com os sensaborões do centralão pelo meio. Ou seja, há demasiadas Europas para que a União Europeia aguente. Não sei, mesmo, se com uma tal composição, será possível governar a UE. Nunca percebi porque é que em cada Estado Membro votamos nos nossos partidos e não nos partidos europeus. Isso transviou a discussão em torno destas eleições para as questões internas de cada país e impediu uma discussão lata acerca dos destinos e do pensar a Europa no seu todo. Acredito, mesmo, que haja pouco portugueses capazes de nomear, nem que seja pela sigla, um único partido europeu. Os portugueses, na generalidade, não os conhecem, não sabem quais são e, pior do que isso, não sabem quem são as pessoas por trás deles. Creio firmemente que seja diminuto o número de eleitores portugueses que saibam, quando votam no PSD, no PS, no PCP, no BE, para as europeias, em que partido estão a votar para o Parlamento Europeu. Esse gigantesco parlamento de quase setecentos elementos que, isso sim, nós pagamos com os nossos impostos. De resto, todo o processo está viciado. Dos poucos eleitores que vão votar, daí a representatividade estar posta, seriamente, em causa, a maioria fá-lo por disciplina de voto. Fá-lo por seguidismo e tradição e di-lo. Ninguém olha para os programas eleitorais, os compara e vota neles. Quem é do PSD abomina por princípio tudo o que venha de outros partidos, em particular do PS. Quem é do PS abomina por princípio tudo o que venha de outro partidos, em particular do PSD. E assim sucessivamente. Ninguém do PCP ou do BE olha para um programa do PSD ou do PS à procura das suas eventuais virtudes. Nada disso. O que importa é encontrar as falhas naquilo que à partida se classifica como mau só porque vem de onde vem. E o inverso é igualmente verdade. Em Portugal, neste tipo de pensamento e processo, não há inocentes.

Ontem, não ganhou ninguém e perdeu toda a gente. E, sobretudo, perdeu a Europa, embora tenham ganhado as Europas.

Tenho dito!
jpv


1 Comentário

A Paixão de Madalena – Capítulo 13 para Breve

ee76c-capa-apm-3A Paixão de Madalena – O Capítulo 13 chega muito brevemente.

Caros amigos e leitores, muito em breve publicaremos o capítulo 13 de “A Paixão de Madalena”.

Por motivos que se prendem com o nosso volume de trabalho normal, este capítulo demorou muito mais tempo que o habitual a concluir. Por isso mesmo, atrevemo-nos a aconselhar os leitores de MPMI a darem uma vista de olhos no(s) capítulo(s) anterior(es) para relembrarem um pouco em que ponto da narrativa estávamos.

Muito Obrigado,
jpv


2 comentários

No manto escuro e brilhante

No manto escuro e brilhante

 

No manto escuro e brilhante
Situa-se um conjunto de afortunados
Quase nele encontra-se conforto e sossego

Naquele momento quando se desperta
Provoca um desejo de dar a volta
Sem a sua companhia
Nós não teríamos fantasia

Minutos, segundos ou mesmo horas
Perde-se naqueles breves momentos
Momentos trágicos e loucos
Que nos assombram para a vida

Sem eles a nossa vida estaria incompleta
Porque sem aquelas memórias e desejos
Nós seriámos humanos inférteis
Sem nada para ansiar ou sem nada para desejar…

Nádia Pinto
13 anos


2 comentários

Linha Indecisa

Endechas à Saia de Bárbara

Linha Indecisa

Há, na linha indecisa
Da tua saia,
Um fim
E um princípio.
É o tecido que termina
E desmaia,
É a perna que surge
E contra a minha vista
Insurge
Sua presença
E seu tom.
E eu não sei
Se isso é mau
Ou se é bom.
É que não a vejo toda,
Nem toda a quero ver.
Basta-me o suficiente
Para te não esquecer.

E poderia ver mais,
Além desse limite,
E desse precipício.
Mas isso seria inequívoco
E intolerável indício
De pairar no ar
Perigoso convite.
Serei prudente,
Fingirei que não vi,
Antes que a visão do abismo
Me precipite!

Leva lá a saia
E sua sinuosa linha
Antes que me descaia,
De novo,
O olhar para a perninha!

jpv


6 comentários

Antes do Tempo

523d2-manos-2

Antes do Tempo

Antes da memória.
Antes da penumbra no olhar.
Antes da história
E de termos de explicar.
Antes de morrer a inocência.
Antes de termos cuidado.
Antes do nosso futuro
Não ter passado.
Antes de um dia aziago.
Antes de uma lágrima corrida.
Antes do ritual fúnebre
Que marcou a nossa vida.
Antes do tempo
Em que não havia tempo
Antes de quase tudo
Ser só um momento.
Antes desse tempo,
Tu eras menina
E bailava no teu olhar
O brilho de um sorriso.
Antes desse tempo,
Era um gesto conciso.
E absoluto.
Era das tuas palavras
Que eu bebia a vida,
Era da tua vida
Que eu marcava a partida.
E a chegada.
Antes desse tempo,
O tempo era tudo
E a fortuna era nada!

jpv
À minha Mana


2 comentários

Vermelho Direto – Duas Épocas de Sonho

66284-red-card-sexy

Vermelho Direto – Duas Épocas de Sonho

Ao contrário da maioria, eu não acho que o Benfica tenha feito uma época de sonho. Penso, e já escrevi, que o Benfica fez duas épocas de sonho. A do ano passado e aquela que terminou hoje. O ano passado não se trouxeram os troféus para a Luz, mas ganharam-se quase todos os jogos e os adeptos passaram o ano em festa. Este ano foi tudo isso mais os três troféus numa sequência inédita! E ainda com direito a fazer uma perninha bem digna nas competições europeias estando em duas finais consecutivas.

Todos aqueles que o ano passado gozaram com o Glorioso e fizeram aquelas piadas dos melões e aquele gozo do quase e do ajoelhar, este ano tiveram de engolir os melões todos e da pior forma. Ficaram todos longe do quase e todos ajoelharam para que se erguesse, em triunfo, a nação benfiquista! É que não só o Benfica ganhou os troféus como derrotou os seus mais diretos adversários em todas as competições. No campeonato, ganhou ao Porto quando foi preciso e fê-lo de forma inequívoca. Empatou em Alvalade e ganhou de forma arrasadora ao Sporting na Luz, naquela que foi uma das piores exibições dos leões na temporada. Por causa da falta do William Carvalho? Claro que sim, mas os grandes clubes, aqueles que conquistam títulos, têm plantéis para a época inteira e não vergam às primeiras contrariedades. Na Taça da Liga, O Benfica eliminou o Porto nas Antas! Na Taça de Portugal eliminou o Sporting, depois o Porto e por fim ganhou à segunda melhor equipa deste ano a jogar em Portugal: o Rio Ave. O Benfica aprendeu. E fez das derrotas vitórias. Mas em bom. Se o ano passado tinha discutido até ao fim três competições, este ano discutiu quatro e dessas ganhou três. Não houve, em Portugal, um rival à altura. Soçobraram perante a superioridade do SLB. E, na Liga Europa, é verdade que não trouxe a Taça, mas saiu da competição sem perder um único jogo!

O Benfica foi a melhor equipa portuguesa logo seguido do Rio Ave e, depois, do Sporting que parece querer reerguer-se e nós, benfiquistas, queremos que o faça porque preferimos ganhar ao Sporting quando está bem do que quando se encontra envolto em problemas. No reino do leão, de resto, a época foi fraquinha, à exceção de dois aspetos relevantes: a construção de uma equipa jovem e com futuro e o regresso às competições europeias, que se saúda. As deceções foram, sem sombra de dúvida, três. O Sporting de Braga, o Porto e… o primeiro treinador do Porto, esta temporada, Paulo Fonseca.

E porque a memória não pode ser curta, uma breve palavra para Paulo Fonseca. O ano passado, após a vitória do Porto sobre o Benfica na penúltima jornada, o campeonato não ficou logo entregue. O Porto precisava de ganhar a um surpreendente Paços de Ferreira que tinha garantido a participação na Liga dos Campeões com um inédito 3º lugar no campeonato nacional. Logo, a deslocação do Porto a Paços de Ferreira seria difícil. Se houvesse dignidade e honestidade por parte de ambas as equipas. Mas não houve. O Paços foi macio, não defendeu, não atacou, ofereceu a vitória ao FCP de mão beijada que nem teve de esforçar-se muito. Bastou marcar um penalti inexistente sem que os jogadores do Paços reclamassem. No fim do jogo, estranhou-se que o treinador do Porto, Vítor Pereira, beijasse e abraçasse o treinador do Paços: Paulo Ferreira. O mesmo Paulo Ferreira que dias depois foi anunciado como novo treinador dos azuis e brancos. Pode ser tudo uma carrada de coincidências, mas porque se daria Deus Nosso Senhor, que tem mais o que fazer, ao trabalho de humilhar Paulo Fonseca se tudo tivesse sido uma inocente coincidência? Como diz o Povo: cá se fazem…

Por fim, enaltecer o trabalho do presidente do Benfica e do seu treinador, Jorge Jesus. O tal que dá pontapés na gramática e acardita sempre! E foi de tanto acarditar que conseguiu a proeza inédita de limpar os três troféus internos no mesmo ano.

 E agora que a segunda época de sonho consecutiva acabou, a nação benfiquista pode descansar e usufruir. Para o ano há mais. Que ganhe o melhor. Este ano, o melhor, equipou de águia ao peito!

Tenho dito!
jpv


9 comentários

Crónicas de Maledicência – O Linchamento da Copa

logo-copa-2014

Crónicas de Maledicência – O Linchamento da Copa

Eu nunca estive no Brasil. Não tenho qualquer conhecimento profundo do funcionamento quotidiano da sociedade brasileira nas suas diversas vertentes. Cultural, social, política e económica. Logo, não me assiste qualquer autoridade para escrever estas linhas que não seja a de um cidadão interessado naquilo que o rodeia. Nihil humanun alienum mihi est.

Acontece, entretanto, que os mais recentes acontecimentos de teor político-social me trazem preocupado. Porque o povo brasileiro me parece revoltado e em revolta, porque me parece desmandado, completamente desorientado, mais à procura de culpados do que de soluções, porque me parece estar a ser alvo de diversos tipos de manipulação e, finalmente, porque me parece que sofre e se vira contra si próprio.

Não sendo eu uma pessoa que atribua ao futebol uma importância extrema, nem lá perto, encaro-o como uma forma de diversão e tenho pelo jogo o interesse que se atribui a um espetáculo de entretenimento diversificado, também não ignoro tratar-se de um desporto que arrasta milhões de adeptos e assume a dimensão de um fenómeno cultural a que quase ninguém fica indiferente. Além do aspeto cultural, o futebol tem um peso significativo ao nível dos média, ao nivel industrial, comercial e, naturalmente, financeiro. E até do ponto de vista da imagem que se projeta de uma determinada nação. E isto acontece quer através das seleções, quer através dos clubes. Uma coisa é certa, trata-se de um fenómeno de dimensão global. Não ignorável, portanto.

O Brasil, por sua vez, diga-se e pense-se o que se quiser, é, por razões de ordem diversa, uma nação poderosíssima. É “só” o maior produtor mundial de hardware informático, tem cento e setenta milhões de habitantes e falantes da Língua Portuguesa, acolhe a floresta amazónica, justamente chamada de “Pulmão da Terra”, desenvolveu um poderio agrícola e industrial muito significativo, a sua produção cinematográfica e, em particular, a sua produção musical, chegam aos quatro cantos do Mundo, sendo incontornáveis, no âmbito da CPLP, autores como Carlos Drummond de Andrade, Machado de Assis, Jorge Amado…

Este país tem símbolos, ícones e manifestações culturais que o marcam e o caracterizam e, mais do que tudo isso, fazem parte da sua identidade enquanto nação. Brasil é café, Brasil é samba e bossa nova, Brasil é Carnaval e Brasil é… futebol.

E ninguém impôs isso ao povo brasileiro. Foram os brasileiros, enquanto povo, que se afirmaram com essas características, que construíram e assumiram essas manifestações culturais, donde negá-las parece assumir contornos de uma macro-negação da sua própria identidade.

Ora, os brasileiros votam. E quando votaram, da última vez, quero acreditar que escolheram, em consciência, quem consideravam melhor para os governar. Isto não significa, tout court, que os eleitos façam um bom trabalho, ou façam o que prometeram, mas significa que têm legitimidade democrática para governar.

Junta-se a este raciocínio um outro fator. A grande nação brasileira está a atravessar graves problemas sociais e políticos. Altíssimos níveis de pobreza extrema, assimetrias financeiras muito acentuadas, o problema da marginalidade e da criminalidade, a falência do sistema público de saúde e sérias dificuldades em manter um sistema nacional de educação público e de qualidade. E há um outro, pelo que leio, pelo que vejo na televisão e na Internet, que é transversal a todos os outros e não só está na sua génese como constitui um sério obstáculo à sua solução: a corrupção.

Chegados aqui, olhando para a nação que o Brasil é, olhando para as fortíssimas marcas culturais que transporta, olhando para os graves problemas que atravessa, olhando para o universo faustoso que a organização da Copa 2014 comporta, estão criadas as condições para fazer do certame o bode expiatório de todos os problemas e insuficiências e promover o seu linchamento. Como escreveu Camões, tão amado no Brasil, “Mísera sorte, estranha condição”.

Como quase sempre acontece nestes casos, geram-se dicotomias e antagonias que dividem a população. Há os que são a favor da resolução dos problemas e, como tal, contra a realização do certame e há os que são a favor da Copa e a seguir pensa-se de novo nos problemas. Pois, eu penso que, quer um posicionamento, quer outro, são pouco ambiciosos. Na minha humilde, imperfeita e inabilitada visão, os brasileiros deveriam exigir aos seus governantes, nada mais, nada menos, que a realização da melhor Copa de sempre e a resolução dos problemas que assolam a nação. O Brasil tem potencial e gente para solucionar os problemas que enfrenta sem descaracterizar-se culturalmente. Atrevo-me a colocar, por ousadia, duas questões aos meus irmãos brasileiros. Primeira, os problemas existiam ou não existiam muito antes do Brasil assumir a organização da Copa 2014? Segunda, se lincharem a copa e suspenderem a sua realização, os problemas ficam resolvidos? Pois, como se diz por aqui, uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa.

A solução dos problemas sociais tem de ser prioritária, mas não pode levar o país a negar a sua própria identidade nem aquilo que o povo chamou a si como sendo as suas manifestações culturais. Por essa ordem de ideias, a do linchamento da Copa, enquanto houver um problema social por resolver, não pode haver Carnaval, não pode haver um concerto de música, não pode haver uma peça de teatro e, em boa verdade, também não deveria haver festas de anos nem churrascos em família.

Assustam-me os problemas, mas assusta-me mais, e dói-me, assistir a uma nação virar-se contra si mesma, mutilar-se da sua cultura e da sua identidade e linchar-se na rua. O que é efetivamente necessário é ser exigente para com o corpo político, cobrar-lhe a restituição da paz social, da qualidade de vida, dos serviços públicos de qualidade, e, simultaneamente, cobrar-lhes a garantia das manifestações culturais que são intrínsecas ao Povo. o que é preciso, é acabar com a corrupção, com a fome, com a pobreza. Isso é que é preciso. Não é linchar a Copa!

Tenho dito!
jpv