De Negro Vestida – 2ª Edição
Caros Amigos e Leitores,
Este será um fim de semana de muitas surpresas! Prometo!
A primeira delas é anunciar-vos a 2ª Edição do meu primeiro romance, “De Negro Vestida”
Dava uma boa prenda de Natal….
Os locais de compra física e online são os que estão anunciados na página do livro em https://www.facebook.com/denegrovestida/ e neste blogue, clicando na foto do livro mesmo aqui ao lado.
Boas leituras e muitos presentes no sapatinho!
João Paulo Videira
Limiar

Não há mais palavras
Nem vontade,
Nem desejo.
Há só a calma aceitação
Do que sinto
E do que vejo.
Era tão bom
Quando ainda me importava.
Quando havia luxúria no meu corpo.
Quando a energia me arrepiava as carnes
E o cheiro do teu corpo
Bloqueava os outros sentidos.
E o sentido era único.
Já não quero a eternidade.
Não me diz nada o tempo todo.
Tinha uma só vida…
E adiei-a.
Tinha uma só voz
E poupei-a.
Tinha um só corpo
E preservei-o.
E nada me resta mais
Que a condição miserável
De morrer conservado
E saudável.
Bebam o álcool todo!
Fumem todo o tabaco!
A vida é um barco
E não há terra.
Deleitem-se com todos os corpos,
Possuam todos os sexos!
E caminhem nus pela praia da vida
Na aurora de cada dia.
Nada mais existe do que o momento.
Cada momento
É todo o tempo
Que temos.
Cada dia é a hora de ser vivido.
Amanhã é tempo perdido.
E quando olhardes para trás,
Contemplai
Um lastro de vida vivida,
Um rasto de experiência
E desperdício.
Os verdadeiros despojos
Do exercício
De sentir-se único e vivo.
E pagai para ver!
Correi todos os riscos!
Só no limiar do azar
Abunda a sorte.
A vida inteira e única
Só se conhece nas fronteiras da morte.
jpv
Citação da Mudança
“Não, não foi a mudança que foi mágica, mas sim tudo o que aprendi com ela.”
MC, 14 anos.
Citação do Sexo Perfeito
De Rerum Natura
Sempre fui um tipo pacato. Já em criança cresci como um miúdo sereno. Sempre fui organizado, diligente e voluntarioso. E era mais duas coisas: Inteligente e ingénuo. Acho que era inteligente porque me diziam. A vida ensinou-me que era ingénuo. Estas caraterísticas foram fazendo de mim um homem exigente consigo próprio e com os outros. E foram, ao longo dos anos, tornando-me um pouco intolerante para com a ignorância e a incompetência. Ora, apesar de ser simpático e afável, à medida que fui ficando mais velho e assumindo mais responsabilidades, o meu gosto pelo rigor e pelas coisas bem feitas, ao contrário do que eu esperaria, não me trouxe facilidades nem amigos.
Percebi, com o tempo, que a maioria das pessoas que diz ser frontal ou gostar da frontalidade, nem é, nem gosta.
Claro que aprendi a fazer compromissos e muitas vezes a calar o que penso. Mas a frontalidade é uma espécie de segunda pele, um tipo de dignidade com que se trata os outros e de que se não deve abdicar. Arrependo-me pouco, mas se há momentos em que me arrependo de alguma coisa, foi de não ter dito ou feito algo clara e frontalmente.
Hoje fiz 48 anos. Várias centenas de pessoas vieram ao FB felicitar-me. Percebi que algumas o fizeram por ritual digital, o FB lembra e nós fazemos, mas também percebi que muitas pessoas foram genuínas e atenciosas. E isso foi reconfortante. Cometi a insanidade de tentar responder individualmente a cada um de vós. Espero ter conseguido!
E pronto, esta foi a minha retorcida forma de vos agradecer a todos por me terem dedicado algum do vosso tempo e atenção. Da vossa generosidade. De vos dizer que o meu dia foi mais especial graças às vossas palavras, laiques, flores, beijos e abraços.
Todos aqueles que não se esquecem de nós pertencem à comunidade dos nossos afetos, roubam-nos à definitiva morte do esquecimento e constituem uma constelação de emoções a que chamamos vida.
MUITO OBRIGADO!
João Paulo Videira
Texto publicado no Facebook no dia 4 de outubro de 2015.
Evidência
Aniversários
11 de setembro de 2015.
Tu estás, aqui, a meu lado, como acontece, já, desde o começo do Mundo. E o nosso menino, aniversariante como nós, está noutro continente. E nenhum de nós está em casa. Mas isso importa pouco. Importa que, faz hoje 27 anos, começámos juntos uma caminhada. E cá estamos, caminhando. Superando barreiras, calcorreando o Destino como se o nosso destino fosse um só. Queria fugir ao lugar comum dos momentos bons e maus e queria dizer-te o quanto significa para mim estares aqui: uma vida. Não sei, já, como era a vida antes de ti. E não consigo conceber no horizonte uma paisagem onde não estejas. Tens o amor em ti, aquele puro amor de que falava o poeta. E a generosidade. E a resiliência.
E o nosso menino faz anos hoje, também. 25! Ninguém tem vinte e cinco anos. Nem mesmo ele. Homem alto e grande e independente como no tempo em que se morria pela independência.
São dois aniversários num dia. A nossa vida toda num dia. Que se repita. Sempre!
jpv
Retrato Impreciso
A esperança tem o desenho
Do teu sorriso.
E o futuro nasce
Na doçura do teu olhar
Vago e impreciso.
As tuas formas
Imperfeitas
São a perfeita dimensão
Do meu desejo.
O meu mundo
Não vive para além
Do que vejo,
E o que vejo
Começa e acaba
Em tua diáfana
Figura.
E assim,
Como quem me tortura,
És meu chão
E meu horizonte.
A linha traçada,
A barricada,
E a ponte.
jpv
Ainda e Já.
Ainda amanhecem azuis,
Os céus.
Ainda doura o sol,
Pela manhã.
Ainda são verdejantes
As imensas copas das árvores.
Ainda cantam, as aves,
Em voos acrobáticos.
Ainda correm os rios,
Para o mar.
E esse mesmo mar,
Ainda fustiga a areia
Com estrondo.
Só o meu olhar mudou.
Já te não vejo como dantes,
Já me não queres
Como os amantes
Se querem na praia.
Já desisto.
Já me abandono aos dias.
E já morro.
jpv





