Mails para a minha Irmã

"Era uma vez um jovem vigoroso, com a alma espantada todos os dias com cada dia."


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A Paixão de Madalena – Lançamento.

Mais uma surpresa!
 
Caros Amigos e Leitores, a apresentação pública de “A Paixão de Madalena” será já no próximo dia 20 de dezembro, em Lisboa. Por favor, leiam cartaz e convite. Vamos estrear o Clube Literário da Chiado Editora​!
 
Em breve vos trarei o convite para a apresentação que decorrerá no Porto, a 9 de janeiro de 2016, na Casa de Allen.
 
Convido-vos a estarem presentes nas apresentações e espero que a leitura vos agrade!
 
Visitem a página do livro em https://www.facebook.com/apaixaodemadalena/
 
Uma cordial saudação,
 
João Paulo Videira


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De Negro Vestida – 2ª Edição

Caros Amigos e Leitores,
Este será um fim de semana de muitas surpresas! Prometo!

A primeira delas é anunciar-vos a 2ª Edição do meu primeiro romance, “De Negro Vestida”

Dava uma boa prenda de Natal….

Os locais de compra física e online são os que estão anunciados na página do livro em https://www.facebook.com/denegrovestida/ e neste blogue, clicando na foto do livro mesmo aqui ao lado.

Boas leituras e muitos presentes no sapatinho!

João Paulo Videira


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Limiar

Limiar

Não há mais palavras
Nem vontade,
Nem desejo.
Há só a calma aceitação
Do que sinto
E do que vejo.

Era tão bom
Quando ainda me importava.
Quando havia luxúria no meu corpo.
Quando a energia me arrepiava as carnes
E o cheiro do teu corpo
Bloqueava os outros sentidos.
E o sentido era único.

Já não quero a eternidade.
Não me diz nada o tempo todo.
Tinha uma só vida…
E adiei-a.

Tinha uma só voz
E poupei-a.

Tinha um só corpo
E preservei-o.

E nada me resta mais
Que a condição miserável
De morrer conservado
E saudável.

Bebam o álcool todo!
Fumem todo o tabaco!
A vida é um barco
E não há terra.
Deleitem-se com todos os corpos,
Possuam todos os sexos!
E caminhem nus pela praia da vida
Na aurora de cada dia.
Nada mais existe do que o momento.
Cada momento
É todo o tempo
Que temos.
Cada dia é a hora de ser vivido.
Amanhã é tempo perdido.

E quando olhardes para trás,
Contemplai
Um lastro de vida vivida,
Um rasto de experiência
E desperdício.
Os verdadeiros despojos
Do exercício
De sentir-se único e vivo.

E pagai para ver!
Correi todos os riscos!
Só no limiar do azar
Abunda a sorte.
A vida inteira e única
Só se conhece nas fronteiras da morte.

jpv


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Citação da Mudança

Mudanças“Não, não foi a mudança que foi mágica, mas sim tudo o que aprendi com ela.”

MC, 14 anos.


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Citação do Sexo Perfeito

Sexo Perfeito

“Vamos os dois para a cama e sentamo-nos, eu com o meu livrinho e ele com o laptop. No fim, eu pergunto-lhe: Foi tão bom, não foi, meu querido?!”

LQ


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De Rerum Natura

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Sempre fui um tipo pacato. Já em criança cresci como um miúdo sereno. Sempre fui organizado, diligente e voluntarioso. E era mais duas coisas: Inteligente e ingénuo. Acho que era inteligente porque me diziam. A vida ensinou-me que era ingénuo. Estas caraterísticas foram fazendo de mim um homem exigente consigo próprio e com os outros. E foram, ao longo dos anos, tornando-me um pouco intolerante para com a ignorância e a incompetência. Ora, apesar de ser simpático e afável, à medida que fui ficando mais velho e assumindo mais responsabilidades, o meu gosto pelo rigor e pelas coisas bem feitas, ao contrário do que eu esperaria, não me trouxe facilidades nem amigos.

Percebi, com o tempo, que a maioria das pessoas que diz ser frontal ou gostar da frontalidade, nem é, nem gosta.

Claro que aprendi a fazer compromissos e muitas vezes a calar o que penso. Mas a frontalidade é uma espécie de segunda pele, um tipo de dignidade com que se trata os outros e de que se não deve abdicar. Arrependo-me pouco, mas se há momentos em que me arrependo de alguma coisa, foi de não ter dito ou feito algo clara e frontalmente.

Hoje fiz 48 anos. Várias centenas de pessoas vieram ao FB felicitar-me. Percebi que algumas o fizeram por ritual digital, o FB lembra e nós fazemos, mas também percebi que muitas pessoas foram genuínas e atenciosas. E isso foi reconfortante. Cometi a insanidade de tentar responder individualmente a cada um de vós. Espero ter conseguido!

E pronto, esta foi a minha retorcida forma de vos agradecer a todos por me terem dedicado algum do vosso tempo e atenção. Da vossa generosidade. De vos dizer que o meu dia foi mais especial graças às vossas palavras, laiques, flores, beijos e abraços.

Todos aqueles que não se esquecem de nós pertencem à comunidade dos nossos afetos, roubam-nos à definitiva morte do esquecimento e constituem uma constelação de emoções a que chamamos vida.

MUITO OBRIGADO!

João Paulo Videira
Texto publicado no Facebook no dia 4 de outubro de 2015.


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Evidência

Evidência

Vieste, sorrindo,
E desconsertaste
Meu conserto
Mesmo antes
Da primeira palavra.
Teu olhar
É um arado
Que lavra
O chão do meu peito.
E a tua mão
No meu ombro
É um sonho desfeito
E uma ilusão acabada.
Melhor do que tu, aqui,
Só a evidência do nada.

jpv


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Aniversários

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11 de setembro de 2015.

Tu estás, aqui, a meu lado, como acontece, já, desde o começo do Mundo. E o nosso menino, aniversariante como nós, está noutro continente. E nenhum de nós está em casa. Mas isso importa pouco. Importa que, faz hoje 27 anos, começámos juntos uma caminhada. E cá estamos, caminhando. Superando barreiras, calcorreando o Destino como se o nosso destino fosse um só. Queria fugir ao lugar comum dos momentos bons e maus e queria dizer-te o quanto significa para mim estares aqui: uma vida. Não sei, já, como era a vida antes de ti. E não consigo conceber no horizonte uma paisagem onde não estejas. Tens o amor em ti, aquele puro amor de que falava o poeta. E a generosidade. E a resiliência.

E o nosso menino faz anos hoje, também. 25! Ninguém tem vinte e cinco anos. Nem mesmo ele. Homem alto e grande e independente como no tempo em que se morria pela independência.

São dois aniversários num dia. A nossa vida toda num dia. Que se repita. Sempre!

jpv


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Retrato Impreciso

Retrato Impreciso

A esperança tem o desenho
Do teu sorriso.
E o futuro nasce
Na doçura do teu olhar
Vago e impreciso.
As tuas formas
Imperfeitas
São a perfeita dimensão
Do meu desejo.
O meu mundo
Não vive para além
Do que vejo,
E o que vejo
Começa e acaba
Em tua diáfana
Figura.
E assim,
Como quem me tortura,
És meu chão
E meu horizonte.
A linha traçada,
A barricada,
E a ponte.

jpv


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Ainda e Já.

Ainda e Já.

Ainda amanhecem azuis,
Os céus.
Ainda doura o sol,
Pela manhã.
Ainda são verdejantes
As imensas copas das árvores.
Ainda cantam, as aves,
Em voos acrobáticos.
Ainda correm os rios,
Para o mar.
E esse mesmo mar,
Ainda fustiga a areia
Com estrondo.
Só o meu olhar mudou.
Já te não vejo como dantes,
Já me não queres
Como os amantes
Se querem na praia.
Já desisto.
Já me abandono aos dias.
E já morro.

jpv