Venho pedinchar!
Como dizia a minha avó, “Quem não chora, não mama”. E, neste caso, nem se trata de mamar o que quer que seja, é só uma questão de promover um pouquinho mais o nosso blogue, “Mails para a minha Irmã”.
Conversas Vadias – Por causa do Sexo
– Tu amas-me?
– Não.
– Uf… que alívio… eu também não te amo…
– Sim, eu sei…
– Então, porque é que continuamos a fazer isto?
– Solidão, creio…
– Tens razão… por momentos achei que ias dizer que era por causa do sexo…
– Porque haveria de dizer isso? O sexo é péssimo…
jpv
Conversas Vadias – Universo
– Hum… é estranho.
– O quê? Eu estar aqui?
– Nunca ninguém trouxe malas!
– Não é uma mala, é um saco.
– Não é um saco, é um universo…
– É um problema?
– Não. É como se viesses para ficar, mas sei que não vais ficar…
– Posso tomar um duche?
– Claro…
– A seguir cozinho para ti.
– Trouxe coisas…
jpv
Conversas Vadias – O Departamento das Suspeições
– Gosto de falar contigo.
– Eu também, pode-se dizer tudo.
– Sim, é libertador.
– O sexo é uma consequência, não é o início da nossa relação.
– Tens razão. Já tenho pensado nisso e acho que é aí que reside o milagre do que há entre nós.
– Sim, mas isto é tudo muito confuso…
– Estás com dúvidas?
– Não, pelo menos em relação a nós, mas…
– Mas…
– Preocupa-me que se descubra. Achas que a tua mulher suspeita?
– Tenho a certeza de que não e, para ser franco… já que pegas no assunto…
– Diz…
– Acho sinceramente que, no departamento das suspeições, o perigo vem da tua mulher.
jpv

Há uma expressão popular que diz “A mulher quer-se pequenina como a sardinha”. Cá para mim, é reflexo do desejo português de compactação das mulheres, ou então, e mais provavelmente, emerge a expressão do facto das mulheres portuguesas serem, geralmente, pequeninas. Venha de onde onde vier, o curioso é cruzar essa expressão popular com uma outra que diz “Mulher pequenina, ou velhaca ou dançarina”.
Vem isto a propósito de andar há já algumas semanas a observar uma passageira que se senta sensivelmente no mesmo sítio e que é uma típica mulher portuguesa, pequenina, portanto. Tem a pele pintada de um moreno bronzeado, o cabelo liso pelas costas, os olhos muitos escuros e muito vivos. Dorme profundamente até Lisboa, veste de acordo com as exigências do trabalho porque alterna entre fatos muito formais e outros bem práticos. E sempre, rigorosamente sempre, com uns óculos de sol Ray Ban clássicos a lembrar o Tom Cruise no Top Gun. Em todo o caso, traz todos os dias a sua mochila e a sua lancheira onde, por certo, transporta o almoço.
E é precisamente no pormenor da lancheira que me quero deter. Quando entra no comboio, coloca, invariavelmente, a lancheira na prateleira superior. Uma vez em Santa Apolónia, não chega lá acima para a tirar. Nunca isso constituiu um problema. Põe um pé, com cuidadinho, na ponta de um banco, segura-se à prateleira superior onde está a lancheira, iça-se e saca-a de lá em menos de nada. Desce, recompõe-se e vai à sua vida.
O interessante nisto é que este gesto revela a determinação que também o seu olhar espelha. Mostra a atitude resoluta e determinada que se percebe pelas suas expressões faciais. É pequenina, sim, como a sardinha e a típica mulher portuguesa, mas isso não parece constituir para si um problema. Bem pelo contrário!
jpv
Conversas Vadias – Horário Zero
– Neste ano letivo que vai entrar, faço vinte anos ao serviço da mesma escola!
– Ena, ena, motivo para celebrar… devias receber um prémio.
– Já recebi.
– Não me digas, o que foi que te deram?
– No próximo ano sou “excedentária” e tenho um horário zero…
– Oops… e isso é assim?
– Sim. Parece que vinte e tal anos de carreira a educar e a instruir crianças e jovens e a servir o meu país, não valeram de grande coisa…
– Lamento.
– Também eu, também eu.
jpv
Conversas Vadias – Solidão
– Olá.
– Olá.
– Sabes qual é o expoente máximo da solidão?
– Não sei, mas suspeito que me vais dizer…
– É quando precisamos de uma pessoa em cujo ombro possamos chorar e não temos.
– Admito que sim. Acho que estás deprimido. Sabes que mais? Ofereço-te o meu.
– És uma querida. Sabes qual é a maior das tragédias?
– Mais uma vez, suspeito que me vais dizer…
– É quando precisamos de uma pessoa em cujo ombro possamos chorar e não temos, uma mulher linda, inteligente e sensível como tu nos oferece o seu ombro, mas, tragicamente, ela não é a pessoa em cujo ombro possamos chorar.
– Foda-se… hoje não estás para meiguices!
– Ou bem que queres um amigo, ou bem que queres um tipo que te trate com meiguices! Não sei se percebeste, mas o que te fiz, foi a manifestação maior de respeito, consideração e amizade.
– Sim, eu sei.
– É por saberes, que te disse!
jpv

Paragem do Autocarro 28. Estamos à espera e somos muitos. Uma fila de proporções intermináveis. Ao meu lado uma senhora baixinha, loirita, cabelo liso e pelo ombro, calças de ganga e blusa de algodão rosa.
E eis que eles chegam. Dois idosos. Daqueles alemães com o cabelo já branco, com pernas que começam no chão e terminam sabe-se lá onde, sandálias com meias, calções e a inevitável mochila às costas.
Não diziam uma palavra de português e falavam um inglês muito fraquinho. Qualquer aluno meu do ensino básico é mais fluente. A loirita, por sua vez, não dizia uma palavra de inglês e de alemão, então, é que nem deve saber que existe.
Conversa.
Começam eles, dirigindo-se para a senhora. Dobram-se como se fosse preciso encurtar distâncias para ela os conseguir ouvir:
– Please, to… Algés…
Claro que, para perceber que tinham dito “Algés”, foi precisa muita imaginação. Ainda assim, a senhora respondeu em português para alemães. E o que é isso? É português como todos nós falamos mas dito muito alto, muito lentamente e com a boca muito aberta. Ou seja, neste momento, temos dois gigantes alemães curvados sobre uma anã portuguesa que abre muito a boca, fala muito alto e diz:
– Quiiiiinzeeee… tem de aaapanhaaar o quiiiiinzeeee…
– What? Algés?
– Ai, valha-me Deus, o quiiiiinze… para Algés tem de aaapanhaaar o quiiiiinze…
E virou-se para a estrada à espera do autocarro. Os alemães voltaram a endireitar-se e a colocar a cabeça nas alturas e, claro, começaram a falar alemão. Consegui perceber que diziam que não tinham percebido nada e o melhor era verem o mapa.
Eu acho que é de uma incompetência atroz não conseguir decifrar uma palavra dita com tanta precisão, tanto cuidado e tanta hospitalidade. Afinal de contas quem é que não percebe quinze quando é tão bem traduzido para quiiiiinze?!
jpv

Não pensei que magoasse
Mas magoou.
Não pensei que doesse
Mas doeu.
Não chegou a começar
E terminou.
Não chegou a nascer
E morreu.
jpv
The world as I see it
We declare the world as our canvas
As featured in Olympus Passion Magazine and on The Art of Photography
Art Lesson Ideas, Plans, Free Resources, Project Plans, and Schemes of Work. An 'outstanding' art teacher in Greater Manchester. Teaching KS3 and KS4 art and design.
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