Mails para a minha Irmã

"Era uma vez um jovem vigoroso, com a alma espantada todos os dias com cada dia."


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Coisas Genuínas

Um dos leitores aqui do cantinho, neste caso uma leitora, escreveu-me dizendo que eu colocava música ali ao lado mas não comentava música.

Eu não comento música porque acho que não sei. E, normalmente, quando não sei fazer alguma coisa, não faço. É assim um género de prudência. Eu gosto de música. Muito. A música de que gosto, invocando uma formulação feita há muitos anos pela minha mãe, é “toda a boa música!”. Claro que nessa frase a valoração “boa” dá para tudo, mas eu percebi bem a mãezinha e tenho vivido assim. Ouço o que gosto quando me apetece e normalmente não é a música que me predispõe, sou eu que a escolho de acordo com a disposição em que se encontra o meu espírito. Aquilo a que os americanos chamam “mood”.

Enfim, para não comentar, posso de quando em vez colocar aqui uma músicas e dizer porque é que as coloco. Ou colocá-las de acordo com um princípio/tema.

Hoje, deixo aqui uns clips que algumas coisas que considero GENUÍNAS. São portuguesas e é pena que se tenha perdido um pouco, mentira, que se tenha perdido muito essa linha autêntica da batida que não soa a falso. Não tem de ser música boa, é só GENUÍNA. E saudosa!

Boas…


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Frases para Reflectir – 2 –

Uma frase que me deixou a pensar, não pelo seu significado intrínseco mas pelo facto de o princípio que ela enuncia se poder aplicar a uma vasta gama de situações nas nossas vidas.

Ouvi-a em contexto de trabalho e quem a proferiu fê-lo em tom jocoso:

“Tu deves querer ser o mais rico do cemitério!”


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Frases para Refectir – 1 –

Hoje, vou inaugurar um post temático, “Frases para Reflectir”. A razão? Só porque acho que há coisas na vida que devem ser retidas no tempo, partilhadas e saboreadas. Será um espaço para colocar frases sérias, humoradas, irónicas, satíricas sem constrangimentos temáticos, ou seja, qualquer frase serve desde que seja interessante.

Convido-vos a participar na reflexão usando os comentários.
Também podem enviar-me frases para mailsparaaminhairma@gmail.com

Hoje ouvi uma que parece inocente e sem consequências, mas o certo é que me deixou a pensar. Aqui fica.

“Assumindo que assumimos a mudança”


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A prova provadinha

Apesar da qualidade do som não ser a melhor e apesar de “ao vivo” ser sempre muito mais interessante, aqui fica a prova provadinha do extraordinário valor da nossa querida Liliana.

Fado do Búzios, Liliana Jordão, in Escola Secundária de Alcanena.


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Homenagem singela

Sou professor na Escola Secundária de Alcanena. Entendo, mesmo levando em linha de conta a parcialidade da análise, que é uma escola especial. Tem professores especiais. Alunos especiais. Funcionários especiais. Conseguimos na nossa escola, como em tantas outras, estou certo, manter-nos a par do que vai acontecendo no mundo, enfrentar os problemas que se nos deparam e, simultaneamente, manter a coesão e o espírito de Fazer Escola.
Um aluno nosso de um curso EFA, pessoa muito particular quis organizar uma noite de fados. Claro que apoiámos. O engraçado é que em meio de uma enorme discussão sobre mega-agrupamentos, o senhor Morgado organizou uma noite de vários megas. Mega-dedicação, mega-bom-gosto, mega-boa-gente, mega-lindíssimos fados, mega-amizade e mega-escola. Para esta extraordinária figura, a minha singela palavra de homenagem e reconhecimento. Caro amigo, tem as competências de CP todas reconhecidas. E faça lá a reflexão que não custa assim tanto.
E depois, houve uma mega-revelação. Por entre fadistas experimentados que encantam há muitos anos, emergiu uma professora contratada de informática que já tínhamos ouvido cantar rock e ligeira e sabíamos ter um grande vozeirão. O que não sabíamos é que era uma fadista de primeira água. Nem ela sabia! Houve quem dissesse “Se te pões com brincadeiras ainda acabas por ser fadista” e houve uma voz de um seu colega da canção, com muitos anos de fado, que gritou bem alto: “AH boca de incêndio!”.
Pois é Liliana, leva o fado a sério porque ontem foste a nossa estrelinha luminosa de encantar a noite. Muitos Parabéns!
Havia a solidão da prece no olhar triste
Como se os seus olhos fossem as portas do pranto
Sinal da cruz que persiste, os dedos contra o quebranto
E os búzios que a velha lançava sobre um velho manto

À espreita está um grande amor mas guarda segredo
Vazio tens o teu coração na ponta do medo
Vê como os búzios caíram virados p’ra norte
Pois eu vou mexer o destino, vou mudar-te a sorte (bis)

Havia um desespero intenso na sua voz
O quarto cheirava a incenso, mais uns quantos pós
A velha agitava o lenço, dobrou-o, deu-lhe 2 nós
E o seu padre santo falou usando-lhe a voz

À espreita está um grande amor mas guarda segredo
Vazio tens o teu coração na ponta do medo
Vê como os búzios caíram virados p’ra norte
Pois eu vou mexer o destino, vou mudar-te a sorte (bis)

À espreita está um grande amor mas guarda segredo
Vazio tens o teu coração na ponta do medo
Vê como os búzios caíram virados p’ra norte
Pois eu vou mexer o destino, vou mudar-te a sorte!


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Sentes que um tempo acabou – 2

Ontem, ao colocar aqui um post sobre a Balada do ano em que fui finalista, gerei um reencontro com a Célia Mafalda como se pode ver pelos comentários ao dito e um despertar de saudades e vontades esquecidas de reviver alguns daqueles dias e daquelas pessoas que, naturalmente, marcaram umas das fases mais interessantes da minha vida.

Depois questionei-me “E será que no Youtube se encontra algo daquela época, por exemplo, de um cortejo da Queima das Fitas desse tempo? Sim, do tempo em que os concertos não eram megalómanos. Bastava a Pitagórica, a Estudantina e uns ranchos folclóricos e o pessoal divertia-se à brava.”

E não é que esta coisa da Internet tem surpresas. Encontrei dois filmes de 1988, há 22 anos portanto. Nesse ano estava no segundo ano da faculdade e os amigos que quiserem reviver alguns dos momentos que passámos juntos, avançam até aos 8m e 15s do filme. Estão lá o Andrade, a Fernanda, a Marta, A Florbela, A Hélia, a Rosário e eu mesmo vermelho que nem três cervejas!… pelo menos.

No segundo filme que encontrei, mesmo nos últimos segundos, há um rápido mas fabuloso EFE-ERRE-Á em cima de um carro alegórico de Letras. É o carro onde ia a Célia Mafalda e todo o pessoal do 3º ano. Reconheço a Paula (que casou comigo 4 meses depois desse cortejo e até hoje continua a aturar-me!), o Ramalheira, o João Paulo Matos, a Lena, A Isilda, a Susana e eles reconhecerão outros mais.

Aqui ficam, pois, a oficiar a saudade, a juventude, a irreverência e, fundamentalmente, a memória.


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Sentes que um tempo acabou

Estava aqui a fazer um trabalho para a minha escola que implicava seleccionar músicas. Uma puxa a outra e acabei dando de caras com a Balada de despedida do 5º Ano Jurídico de 1988/1989, ano em que fui finalista na FLUC. Mais uma buscazinha no Youtube e encontrei o vídeo da serenata em que a balada foi cantada. A imagem em muito mau estado mas, felizmente, com muito boa qualidade sonora. Eu estava entre aqueles milhares de estudantes e digo, com a falibilidade que a análise pode ter, que foi a mais extraordinária serenata de sempre. De ir às lágrimas esta revisitação!

Em homenagem aos colegas da Toada Coimbrã e num gesto de puro saudosismo aqui fica o vídeo e a letra que continua a dizer-me tanto.
Sentes que um tempo acabou
Primavera de flor adormecida,
Qualquer coisa que não volta que voou,
Que foi um rio, um ar, na tua vida.

E levas em ti guardado
O choro de uma balada
Recordações do passado
O bater da velha cabra.

Capa negra de saudade
No momento da partida
Segredos desta cidade
Levo comigo p’rá vida.

Sabes que o desenho do adeus
É fogo que nos queima devagar,
E no lento cerrar dos olhos teus
Fica a esperança de um dia aqui voltar.

E levas em ti guardado
O choro de uma balada
Recordações do passado
O bater da velha cabra.

Capa negra de saudade
No momento da partida
Segredos desta cidade
Levo comigo p’rá vida.

Letra/Música: António Vicente // João Paulo Sousa / Rui Pedro Lucas


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Álbum para o meu primo Gabriel

Link ou ligação… para um álbum de fotos que coloquei no facebook. Trata-se de uma dedicatória a um primo meu que partilha comigo um gosto. E trata-se, também, de uma singela homenagem ao meu pai. Em breve colocarei aqui um texto mais elaborado sobre o assunto.
para já fica o link ou a ligação:


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"A Maior Flor do Mundo" por José Saramago

Agradeço, desde já, a uma leitora deste cantinho e muito especial amiga, o ter-me revelado esta pérola.
De toda a narração realço uma frase genial:
“E se as histórias para crianças passassem a ser de leitura obrigatória para os adultos?”


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A prima nova

Eu habito um clã. Tem as características de qualquer clã. Para mim só é especial porque é o meu. São as minhas pessoas. E não fujo a esse sentido de posse.
Este fim-de-semana recebemos uma prima nova. Não, não é dessas primas novas que usam fralda e choram e fazem ó-ó em vez de dormir e chegaram numa chegonha que as trouxe de Paris de França. É mais velha. Sendo nova. Enamorou-se por um simpático e garboso encalhado do clã cujo principal mistério era, até ao momento, o de estar encalhado. E chegou. E é nova para nós. Não sei bem se é prima. Acho que não. Acontece, porém, que em Portugal os primos não são os únicos primos. Há este saudável hábito de chamar primo a pessoas que tenham uma relação familiar difusa, próxima mas distante, e quando não sabemos muito bem como as classificar, e vai disto, é prima. Ou primo. Para perceberem a coisa, esta prima nova, em abono da verdade, é namorada do filho dos pais do marido da irmã da minha mulher. Mais coisa, menos coisa.
É corajosa. No mesmo fim-de-semana conheceu 10 de nós mais o encalhado que ela já conhecia, mas fora de contexto. Chegou com graciosidade no olhar, simpatia no sorriso, delicadeza no andar, e uma fragilidade feita força que lhe atravessa o timbre feminino da voz. Chegou sabendo que quem chega há-de ocupar espaços e ter lugares e há-de passar a contar e chegou sabendo, também, que a olharíamos, que falaríamos com ela, perguntas, muitas perguntas, e que brincaríamos com ela, pequenas provocações, palavras ousadas a tentear a fibra da prima. E teve-a. A fibra. Aliás, estou a dar-me ao trabalho de escrever umas linhas sobre a prima nova por uma rzão simples. Quando acontecem estes momentos iniciáticos, estas primeiras fusões de afectos, as coisas podem correr melhor ou pior, mas, normalmente, perde-se a naturalidade. Ora, esta prima nova foi sempre singela e natural. Nunca se defendeu. Não quis marcar terrenos porque marcados estavam. E não ensaiou medições inúteis do que não é mensurável: o como estamos uns com os outros.
Esteve tão natural e tão integrada que nos arrancou a nossa naturalidade e genuinidade sem grande esforço. Quando se depediu de mim disse “Gostei muito de vos conhecer” e foi-lhe respondido “Nós também gostámos muito de te conhecer” mas o interessante é que não era bem isto o que eu estava sentindo. Era algo para além disto. Era algo mais parecido com “Ainda agora te conhecemos e parece que já te conhecemos há muito”. E foi esta harmonia a mais interessante de todas as coisas. Isso e o desencalhar do primo!
Eu, que percebo pouco de pessoas, arriscaria, acerca desta prima, uma paráfrase de um anúncio velhinho: veio para ficar e ficou mesmo!
Bem-vinda, prima.