
O Senhor é meu pastor: nada me falta.
Leva-me a descansar em verdes prados,
conduz-me às águas refrescantes e reconforta a minha alma.
Ele me guia por sendas direitas por amor do seu nome.
Ainda que tenha de andar por vales tenebrosos,
nada temerei, porque Vós estais comigo:
O Vosso cajado e o vosso báculo me enchem de confiança.
Para mim preparais a mesa à vista dos meus adversários;
Com óleo me perfumais a cabeça, e o meu cálice transborda.
A bondade e a graça hão-de acompanhar-me todos os dias da minha vida,
E habitarei na casa do Senhor para todo o sempre.
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Saudade
Hoje é um dia de Académica-Benfica.
À Flor da Pele
Ouvir, escutar e compreender
Saborear
O doce, o acre, o sal…
Cheirar, inalar o perfume
O odor
Das flores, do mar, da terra
Tocar, sentir
Os cinco sentidos
Sentidos…à flor da pele.
Bola de Fogo
Bola de Fogo
A bola laranja
Com o fogo a rebentar
Nasceu para me acordar
A esperança e o desejo.
Está prenhe e gorda,
Está farta e enchida,
E traz mais coisas do que calor,
Vê-se bem que vai parir a vida.
E aquece o corpo,
Que é o menos,
E traz luz a esta alma que temos,
E fecunda a terra e o chão,
Emprenha o engenho do Homem.
Enche de luz cada coração.
Estás aí, bola de fogo,
A provocar-me a consciência.
Começas e terminas o jogo
De fecundar e adormecer a existência.
Estavas rasteirinha, ainda agora
E teus laranjas floresceram em amarelo vivo
E em segundos foi-se a aurora
E vivemos, já, um dia de luz festivo.
jpv
Palavras

Palavras
Não sei como se alivia a dor
Com palavras.
Não sei como se fortalece a alma
Com palavras.
Não sei como se ama um corpo
Com palavras.
Sei só que me resta
Esta vontade de curar-te,
Este impulso de fortalecer-te,
Este desejo de amar-te,
E palavras são só o que tenho.
Não sei.
E esta ignorância
É meu abismo
E minha ponte
E as palavras são meu fim
E minha fonte.
Não sei como faça
Sei só como diga,
Mas dizer-te não basta.
Tenho só estas palavras
Que me não chegam para tocar-te
E é com a impotência das palavras
Que cumprirei o Destino
E o Destino é amar-te.
jpv
Presidenciais 2011 – Escolha aqui o seu Candidato
Red Nails

Red Nails
As tuas unhas, hoje,
Querem arranhar-me.
Não, não é para aleijar-me.
É só para me marcar a carne
E a alma.
Para me roubar o sossego
E a calma.
Sim, hoje trazes mensagens
Nas unhas de carmim.
Unhas impecáveis
Que devoram a carne de mim.
E os teus lábios têm hoje
Um fino recorte
Onde apetece abandonar à sorte
Esta vida inteira.
Quero passear-me nessa curva suave e fina
Que são teus lábios de mulher e menina.
jpv
Envelhecer
Entra pela velhice com cuidado,
Pé ante pé, sem provocar rumores
Que despertem lembranças do passado,
Sonhos de glória, ilusões de amores.
Do que tiveres no pomar plantado,
Apanha os frutos e recolhe as flores
Mas lavra ainda e planta o teu eirado
Que outros virão colher quando te fores.
Não te seja a velhice enfermidade!
Alimenta no espírito a saúde!
Luta contra as tibiezas da vontade!
Que a neve caia! o teu ardor não mude!
Mantém-te jovem, pouco importa a idade!
Tem cada idade a sua juventude.
Bastos Tigre
Nota Mental
O Duelo
Era uma vez um lorde que se zangou com outro. Já não sei bem a propósito de quê. Acho que tinha a ver com umas questões de terrenos e extremas e medidas e violações das ditas. E esse problema invocou querelas antigas. E o lorde, ferido no seu orgulho, certo de que estava coberto de razão, senhor da sua verdade, manipulador dos seus juízos de valor, marcou a sua posição e fez as suas exigências. O outro, assim lhe chamaremos, não cedeu. Não concordou. E não lhe satisfez as exigências. Tinha razões que só a ele assistiam e assistia compreender. Ora, não fosse o caso ficar em impasse e a honra manchada, o lorde esbofeteou o outro com a luva branca da palavra e desafiou-o para um duelo que, por duelo ser, acabaria com a morte de um e poria fim à querela. O outro revoltou-se todo por dentro. Não lhe parecia necessária tão radical solução, mas aceitou. Preparou a alma para o durante e o depois. Rearranjou e perspectivou a sua vida de acordo com todas as consequências possíveis do duelo. E treinou-se. Treinou a posição de partida com o braço levantado e a pistola na mão virada ao céu, treinou os passos a dar, quando virar-se, quando esperar o disparo do outro, como encarar a bala dele, quando fazer o seu, a firmeza da mão, a força no premir do gatilho, a pólvora a salpicar a vista, o que fazer se sobrevivesse, como tratar a viúva do adversário, os filhos, como apoderar-se das terras e dar-lhe amanho e cultivo. E, nos poucos dias que decorreram entre ser desafiado e apresentar-se a duelo, o outro mudou por dentro, fez-se um homem diferente e olhou para o mundo de diferente forma. Aparelhou o coração e fortaleceu a mente para apresentar-se a duelo.Quando os padrinhos exibiram as pistolas numa caixa de madeira exótica forrada a veludo no interior, o lorde exclamou:
– Afinal, já não quero o duelo, não foi nada assim tão grave, vamos ser vizinhos e amigos como sempre fomos.
O outro ficou parado, especado, à espera do duelo que não pedira mas para o qual aparelhara o coração e fortalecera a mente. E ficou ali. Perdido. Sem saber o que fazer com a pistola que tinha na mão nem com a vida que tinha nas veias. Fizera-se um homem diferente para travar o duelo e já não havia duelo. E foi estranho o que depois aconteceu. O outro tirou uma pistola da caixa. Encolheu o braço e virou-a ao céu. Virou-se de costas para o local onde ainda agora estava o lorde. Fingiu que estava de costas para ele. Foi caminhando e contando os passos. Quando terminou, virou-se tranquilo, esperou o tempo que o lorde levaria para dar o tiro que não deu. Estendeu o braço. E disparou no vazio.
Soube sempre que o lorde lá não estava. Não soube nunca porque travou o duelo sozinho. Soube só que algo em si o obrigara a terminar aquilo para que se preparara. Um homem não aparelha o coração nem fortalece a mente em vão.




