Mails para a minha Irmã

"Era uma vez um jovem vigoroso, com a alma espantada todos os dias com cada dia."


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Mar Vespertino

Mar Vespertino

Uma prata ondulante
Em água marinha espelhada
Acorda-me o tempo distante
Da vida em alvorada.
E sinto-te a força
Que seduz,
A pujança do bramir
E o intenso brilho da luz.
E quero voltar,
Ir à procura do meu mar,
Errante e perdido,
Ecoando meu próprio bramido.
Só ir. Sem voltar.
E sinto neste mar
O prenúncio das minhas passadas
Nas suas ondas brutais.
Não sendo todas diferentes
Nenhumas são iguais.

jpv


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Pescador

Pescador

Anda um pescador atarefado
Atirando e estendendo a linha,
Parece um homem condenado
A ter a alma sozinha.
E há nos seus gestos banais
Um sentido global,
Como os grãos pequeninos nos areais
A comporem o quadro universal.
Interessa-lhe que tudo seja feito
E desde que o Universo o deixe,
Há-de chegar o dia
Em que até lhe interessa o peixe!

Já te percebi, ó pescador.
Pertences a uma casta de audazes,
Em cada gesto tens a dedicação e o amor
E não importa tanto o que pescas como o que fazes.

jpv


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Escultor de Sonhos

Escultor de Sonhos

Era o mar que observavas
Ou era ele que te esculpia
Os sonhos?
Era a brisa que saboreavas
Ou era ela que te embalava
A imaginação?
Entregavas-lhe o que és
E pedias de volta
O que querias ser,
Olhaste-o sem temer
E enviaste-lhe uma mensagem
Perfeita e concisa
Envolta no sussurro da brisa:
Realiza-me os sonhos!
E por cada desejo,
E por cada pedido,
Recebias a força e o ensejo
De um sonho apetecido.
E ali estiveste ondulando o pensamento
No mar brilhante e encapelado
E quando chegou o momento
Julgaste ter vivido
O que havias sonhado.

jpv



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Ao Sol

Ao Sol

Que mais ingredientes serão precisos,
Que os teus lábios nos meus?
O Mar em estrondosa exaltação,
O teu corpo no meu corpo,
O sol brilhante queimando a paixão?
Que mais primavera,
Que outro Universo?
Que gloriosos dias mais
Que perder-me em ti
No calor alvo dos areais?

jpv


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Somewhere Over the Rainbow

Todos os dias, caros leitores, deveriam começar com esta sonoridade!
Bom dia e bom fim-de-semana!


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O Clã do Comboio – Felicitações!

Felicitações!
Um dos três amigos que querem salvar o mundo, o RB, vai ser pai por estes dias!

Ao escritor cabem-lhe duas tarefas. Uma é desejar que tudo corra bem, que todas as coisas resultem numa criança saudável, numa mãe sem complicações de saúde e num pai que, apesar de feio (ora toma que é para não me chamares retrógrado!!! hahaha), seja muito babado!
A outra é desejar as maiores felicidades para os pais e para a criança, um percurso de vida longo e bonito para todos!
Por fim, dizer que estes votos não são só em nome do escritor mas de todo o Clã do Comboio com particular ênfase para algumas personagens mais próximas do RB, os outros dois amigos que querem salvar o mundo, a mulher vampiro, o aluno do escritor, o músico, o ceguinho, a stôra, e todos os outros que tu não deixas dormir quando te pões a dizer que o MV é um tipo muito atraente e jovem!!! Hahahaha…
Amigo, com ou sem comboio, que a vida te sorria, a ti e à tua família!
O Escritor


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Retoma

Andar por Lisboa, nos dias de hoje, e, em particular, pelo Metro, significa cruzarmo-nos com publicidade a cada instante. Acontece que, por vezes, por entre a amálgama de lugares comuns e anúncios sem imaginação, aparecem algumas pérolas de imaginação e criatividade. É o que acontece com este programa de “retomas” da Triumph.


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Daybreak

Se esta música não te fizer sentir nada, o problema é teu, não do resto do Universo.


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Procura-se!

Procura-se!

Esgueira-se um rumor
Sussurrado
Por entre as gentes
Que passam.
Dizem
Que há um homem culpado
De gestos que enlaçam.

E carrega na culpa
Esse traço impreciso
Que é viver a loucura
Em seu perfeito juízo.

E há cartazes
E procuras insanas.
Contratam-se os audazes
Para tarefas mundanas.
Procurem-no!
E encontrem-no!
Tragam-no à presença dos responsáveis.
Façam dele um exemplo
Um caso de estudo
Das loucuras saudáveis.

Não sabes,
Homem que passas,
Que não interessa
Nada do que faças
Enquanto não fores louco,
Não ousares
Quebrar a barreira do pouco
E viver a plenitude
Do que sentes e pensas.

Essa ousadia tamanha
Que encerra a coragem
E a vida
Num olhar,
Numa mão perdida,
Num corpo abandonado
Ao amor,
Só está ao alcance
De quem ousar a loucura e for.

Ficar.
Ficamos todos!

jpv


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Pão com Queijo

Pão com Queijo

Ela tinha um desejo
Adequado e muito são.
Colocar duas fatias de queijo
Dentro de um pão.

Mas a vida dá voltas
À volta com o Destino
E colocou no pãozinho
Fatias de fiambre fino.

E foi essa a merenda
Do carinho e do amor.
Ela deu-lhe uma prenda
Ele arfou com folgor.

E acaba aqui a história
Com final como convém.
E assim se fará memória
Entre quem se quer bem.

jpv