Mails para a minha Irmã

"Era uma vez um jovem vigoroso, com a alma espantada todos os dias com cada dia."


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Bucólica Viagem

Suspensa está a Natureza
dos raios de Sol exuberantes,
porque só um véu de cinza
cobre os céus circundantes.
Ouvem-se, porém, suaves
chilreios e sopros de frescura
e eu viajo até às águas
dos ribeiros, sua brandura…
Saltitantes, ondeantes,
nas montanhas, nos pinhais!
Mas sem a alegria do Sol
até eu me sinto mole,
sem vontade, sem reacção,
ouvindo esta doce canção
da rola, do cuco, tão musicais,
e ainda muitas mais notas
dos passarinhos às voltas,
nas suas verdes catedrais.
É tão suave o ar que se espraia
e dilata por toda a paisagem
que trocava, para ir à praia,
meus afazeres pela viagem!

CS


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Tu Destruíste-me a Vida

Tu Destruíste-me a Vida

A acusação soou
E trouxe no eco da sua entoação
Um grito de desespero
Um prenúncio de destruição.
Fugiram-me as ideias para longe
Para o tempo de não ouvir-te dizer isto,
Mas perdi-me no caminho do reverso.
Assalta-me a questão fatal,
O anúncio do final:
Será capaz de olhar em frente
Quem não vê o fim do passado?
Quem não tem memória que valha ser lembrada,
Ainda tem pernas para a caminhada?
Há coisas que se não pensam,
E há coisas que se não dizem,
Porque ditas,
Ou pior, pensadas,
São barreiras levantadas,
Fendas abertas nas estradas,
Cortes que não ardem nem sangram.
Apenas doem e secam.

Tu destruíste-me a vida!
Não há homem, nem mulher,
Capaz de viver
Com o peso desta acusação!
É demasiada a força,
É demasiado o peso,
Da destruição.

jpv


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Cidreira Bela

Esta manhã, eu colhi,
num vaso do meu jardim,
a cidreira fragrante e bela…
Havia tanta graça nela
um aroma doce e pungente,
do limão, o odor nascente,
que me apaixonei por ela!

Planta feliz, planta singela!

CS


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Abraço

em cada passo teu, um passo meu
a cada calafrio teu, um tremor meu
ao pulsar do teu coração, o meu compasso
a cada beijo teu, o meu abraço!

CS


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19000

É dia 1 de Abril, mas não é mentira!

Completamos hoje 19000 visitas e mais de 43600 visualizações.

Bem hajam!


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Breve História da Humanidade

Desde já informo que o trabalho que aqui se publica não é meu. Encontrei-o aqui e aqui. Desde já se avisa que é violento e explícito do ponto de vista imagético. É contudo, um retrato sintético daquilo que andamos a fazer no Universo desde que a ele viemos. E tem denominadores comuns: Sexo, Violência, Poder. Eis uma Breve História da Humanidade.

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O Clã do Comboio – Iago

Iago

Um destes dias, os três amigos que querem salvar o mundo iam na conversa com o escritor e a mulher vampiro e, a propósito do facto do RB ir ser pai, começou-se a falar em nomes para crianças. Quando o escritor disse que o filho se chamava Iago, lá veio a sacramental pergunta que oiço há vinte anos:
Tiago?
– Não, sem T.
Como os sobrolhos se franziram e as caras ficaram com um ar interrogado, lá se explicou a origem do nome. Que vinha de Iachus, Iagus, Iago e que o nome do santo se começou por escrever Sanctus Iagus, Sant’Iago e, finalmente, por corruptela, São Tiago sendo que o T não era do nome mas da palavra santo.
A malta desmobilizou. Foi ao trabalho e, no dia seguinte, quando os três amigos que querem salvar o mundo entraram no comboio, o RB disparou:
– Olha, aquela história do nome… a minha mulher adorou e já deu a sentença: Miguel Iago.
É engraçada a vida, são engraçadas as pessoas. Ainda há uns meses não sabíamos da existência uns dos outros e já andamos trocando destinos. Ora, acontece que há já uns dias que o RB não aparece, por isso impõe-se perguntar:
– Então RB, diz lá à malta se já nasceu o quarto amigo que quer salvar o mundo…


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Curvas Formas

Curvas Formas

A redonda curva
Que o teu seio fazia
Acompanhava a linha
Elegante da baía.

A prenhe forma
Que o teu peito traçava
Tinha a linha da areia
E do mar que a banhava.

jpv


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Muda a Hora

Muda a Hora

Muda a hora.
E onde estava o sol
Ainda agora,
Lá se mantém,
Que os relógios mudam
Pela humana mão,
Mas o sol não quer saber
De ninguém.

E mantêm-se os passarinhos
Aconchegados em seus ninhos,
E correm os rios desvairados
Por montes, cabeços e valados,
E ribomba com pujança o mar
Lavando as mágoas da areia,
E tece a aranha
Sua letal teia,
E zumbem no ar silvestre as abelhas
Reencontrando-se na colmeia,
E balem as ovelhas
Pela manhã,
E continua a crescer-lhes a lã.
E o galo anunciou
Orgulhoso e altivo
A aurora de mais um dia,
Enquanto passava furtivo
Um lagarto de figura esguia.
E as formigas fizeram seu carreiro,
E a Natureza reproduziu
Um dia por inteiro.

E meu coração
Continua a bater assim
Como se não soubesse
Que um dia terá fim.
E porquê?
Porque só tem aqui e agora
E não lhe interessa para nada
Se mudou, ou não, a hora!

jpv