Mails para a minha Irmã

"Era uma vez um jovem vigoroso, com a alma espantada todos os dias com cada dia."


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O Clã do Comboio – Água Fria

Miguel Iago*
Água Fria
Foi uma manhã diversificada. Igual a todas as outras em tudo, excepto no ritmo.
Comecei por ler. Ler às 7:18 faz bem ao espírito. Ia tranquilamente a devorar “A Tia Júlia e o Escrevedor” quando entraram, em Santarém, os três amigos que querem salvar o mundo. Vinham perfeitamente desinquietos e dispostos a arruinar a tranquilidade da carruagem. E conseguiram. Quer dizer, o VM e o RB conseguiram. O J limitou-se a dormir. É engraçado porque o VM e o RB conseguem que ninguém durma menos o J que vai ao lado deles e ferra o galho na mesma. O RB, cujo regresso se assinala com alegria após o nascimento do Miguel Iago, começou por conceder-me autorização para publicar a foto do já célebre quarto amigo que quer salvar o mundo. É uma preciosidade, como se vê. O RB, que é um babado, merece! O pequeno Iago talvez merecesse um pai com mais juízo, mas não era a mesma coisa, o RB vai ser um pai espectacular. De resto, o tipo tem provas dadas: este é o terceiro! Eh valente!
Depois o VM lembrou-se de contar uma anedota em que cita um tipo que cita Shakespeare: “O sono é a antecâmara da morte.” E daqui para a frente não conto mais porque é impronunciável e há crianças que visitam este blogue, um lugar de frequência séria e distinta! Depois, fizeram várias e jocosas tentativas para me envergonhar junto dos outros passageiros. Sem resultados, claro, porque já toda a gente percebeu que o único tipo idóneo naquela conjugação é o reputado escritor. “Do alto da sua ignorância”, o VM distribuiu boa disposição e um humor de fino recorte… qualquer coisa!
Isto já ia animado e desassossegado e motivos de conversa não faltavam. Talvez por isso, o maquinista resolveu fornecer mais um e esqueceu-se de parar numa estação. A malta a pensar, “Boa, poupam-se uns minutos! A malta a pensar mal. O comboio parou. Fez marcha atrás até à estação e lá embarcaram os tipos que deviam ter perdido o comboio. É claro que nasceram logo ali teorias diversas. E o J a dormir!
Até que chegou o momento da viagem. O RB começou a gabar-se de que passava melhor a ferro do que eu, o que duvido, mas concedo. E é nesse momento que o J acorda e remata desta forma a sessão de tagarelice gratuita:
– Um dia, ainda o vemos a passar a ferro e a cantar “Água fria…”
Gargalhada geral. Ficou o livro por ler, mas não faz mal até porque, pelo meio, dissemos mal à fartazana dos tipos do FMI. E isso, meus amigos, não tem preço!
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*Excepcionalmente, a foto que acompanha todas as histórias do Clã do Comboio foi substituída por esta. Acho que a razão é suficientemente forte: é o esplendor da vida! A sua publicação foi, feliz e simpaticamente, autorizada pelos papás babados!


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Lisboa

Hoje decidi andar um pouco à hora do almoço. Meti-me no eléctrico, saí no Terreiro do Paço e andei pela enorme praça sorvendo o sol, bebendo a luz, extasiando com o azul intenso do rio, admirando o porte elegante e longínquo da ponte. Estava sem ar. Esta cidade continua a maravilhar-me. Renovadamente.
Caminhei sem qualquer destino, seguindo o impulso das passadas entre a praça e o rio e o arco e a praça outra vez, até que consegui dizer alto para me ouvir a mim mesmo:
– Quem viva nesta cidade não vai querer viver em mais lado nenhum. Lisboa é assim!



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Vamos ter uma Criança

Não, amigos, não é nada do que estão a pensar!

É só mesmo este blogue a prestar um Serviço Público!


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ALERTA DE ROUBO

Foi roubado esta noite no Feijó um Opel Corsa Branco, de quatro portas, com a matrícula

54-09-QC

A quem o possa avistar, solicita-se contacte com toda a urgência a Susana Carvalho para o nº 967098961. Trata-se do seu único e indispensável meio de transporte.

Muito Obrigado!


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Sir Ken Robinson: Façamos a revolução da aprendizagem!

Vale a pena perder um quarto de hora a ouvir este senhor. Concorde-se ou não, é instigador de reflexão e pensamento crítico. Uma visão bem disposta e muito séria da Educação, do que ela é e do que poderia ser


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Indiferença

Há pessoas de que nos afastamos quase sem dar por isso. Não se trata de querer-lhes mal ou bem, não se trata de gostar ou não delas. Trata-se, só, de deixarem de estar no nosso coração e na nossa lembrança. Trata-se de não nos interessar nada o que digam ou façam, trata-se da mais absoluta indiferença em relação aos seus gestos, pensamentos, palavras e mesmo à sua existência. Há pessoas de que nos afastamos e pronto. Morrem para nós mesmo que continuem vivas nesta terra. Isto é triste. Há uma tristeza funda, uma morte anunciada nesta forma de sentir. E, contudo, isto é importante. Sobretudo se o sentidor é um tipo emotivo e emocional e dinâmico e pouco dado à indiferença como é o meu caso. É triste, sim. E, no entanto, é verdade. Há pessoas que morrem para nós a pior das mortes: a da indiferença!
jpv


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Almoçar Fora

Alperce

Dandy

Sesta a três!

O Bronco

No sábado fui almoçar fora!

E levei mui ilustre companhia!
O Alperce, o Dandy e o… Bronco das 4 rodas.
Iluminou o sol o dia
Tanto, que não queria vir embora.


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Má Morte

Má Morte

Morro.

E subsiste neste morrer
Uma força,
Uma ânsia de viver.
Cada gesto adiado,
Cada sentimento suspenso,
Trazem-me vivo e prostrado
Neste morrer intenso.
Morro.
E vejo-me morrer.
E sinto que há na minha morte
Um desperdício de viver
Um acaso, uma má sorte…
Morro.
Mas nada faço.
Vejo apagar-se o traço
Da vida
E fico só a ver.
Morro entre mim e os outros
E todos os gestos são poucos
Para acelerar esta morte.

jpv


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Bom de Ouvir

“És das pessoas que trago no coração.”
Primo Sopas