Mails para a minha Irmã

"Era uma vez um jovem vigoroso, com a alma espantada todos os dias com cada dia."


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Crónicas de Maledicência – O Preço da Miséria


Crónicas de Maledicência – O Preço da Miséria

Eu não acho que Portugal seja um país miserável. Longe, muito longe disso. Por vezes, contudo, é um país miserabilista. E há quem saiba, de quando em vez, aproveitar-se disso. Foi o que fez a cadeia de supermercados Pingo Doce no passado dia 1 de maio.

O país vive uma crise profunda que tem, naturalmente, consequências devastadoras nas vidas das pessoas, nos seus orçamentos, nos seus hábitos e na forma como adquirem os bens mais básicos e elementares para a sua subsistência. No dia primeiro de maio, com uma promoção de 50% de desconto para compras superiores a 100€, o Pingo Doce arrasou a concorrência, arrasou as próprias regras da concorrência, pode ter perdido dinheiro, ganhou clientes, teve os seus trabalhadores a laborar no dia do ano que lhes é dedicado, destruiu por completo o 1º de maio, não só porque desviou as pessoas da reflexão e da participação em eventos inerentes à data, mas também porque retirou às comemorações do dia toda a centralidade e impacto que deveriam ter tido no âmbito das notícias.

Tudo isto é muito sério e muito grave. Mas, o mais grave, é um delito moral que importa não deixar impune. O Pingo Doce explorou o clima de crise, as dificuldades e a miséria alheios para fazer negócio, para esvaziar prateleiras. Podem agora vir com as explicações que quiserem. Muitas delas plausíveis, como por exemplo, o espírito e a mentalidade que levou as pessoas a aderirem e a maltratarem-se por um saco de pão, um pacote de detergente, uma caixa de morangos. Na minha opinião, que não é mais do que isso, tratou-se de uma ação de marketing absolutamente execrável. Fosse isto um país sério e a sério e alguém responderia pelo crime no tribunal dos valores. Mas não é. Impunes ficarão os prevaricadores. Outra vez!

Tenho dito!
jpv


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Tenho Verdes

Tenho Verdes

Tenho verdes
A marejar nos olhos.
Matizes de luz
E de sombra,
Um mar de cor
E de brilho
Na manhã cristalina.
E há melros
Brincando com a inconsciência,
Folhas sussurrando
Segredos ao vento
Sem tecnologia nem ciência.
Só a verdade antiga
E natural,
Simples e brutal,
Séria e contundente,
Que é ter amanhecido,
Hoje,
O mesmo dia de sempre!

jpv


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Crónicas de Maledicência – Cada uma na sua avenida

Crónicas de Maledicência – Cada uma na sua avenida

Hoje é o dia 1º de maio. É, internacionalmente, o dia do trabalhador. Não é o dia de um continente, não é o dia de uma federação de países, não é o dia de um país, não é o dia de um partido e, por certo, não é o dia de uma central sindical. Este dia pertence a todos os trabalhadores do mundo. Ponto.

Hoje, acordei com a notícia de que as duas centrais sindicais portuguesas, CGTP e UGT, fariam duas manifestações. Cada uma na sua avenida, dizia o senhor da rádio. Fui confirmar e é verdade. Acho vergonhoso. Acho patético e acho de uma burrice confrangedora. Numa altura tão difícil, numa altura em que os trabalhadores de todo o mundo e os portugueses, em particular, enfrentam tempos difíceis, de grande agressividade social, as duas centrais sindicais portuguesas não são capazes de pôr as suas diferenças de lado e unirem-se quanto a um princípio comum básico: a defesa dos trabalhadores. As condições de trabalho degradam-se, os cortes salariais são um facto crescente, há despedimentos por todo o lado, o desemprego cresce, e as duas centrais sindicais nacionais não são capazes de unir os trabalhadores no dia dos trabalhadores. Lamentável. Pobre exemplo do país que somos e não deveríamos  querer ser.

Curiosamente, hoje, 1º de maio de 2012, pela primeira vez, uma grande superfície nacional, o Continente, está de portas abertas. Tradicionalmente, esta empresa fechava em dois dias do ano. O 1º de janeiro e o 1º de maio. Este ano, a superfície vai estar aberta no dia do trabalhador. O que é que isto tem a ver com os dois parágrafos anteriores? Tudo! Não admira que o Continente consiga abrir as portas no dia 1º de maio. As centrais sindicais estavam ocupadas a organizar as suas manifestações. Cada uma na sua avenida!

Tenho dito
jpv


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Divulgar o Dote da Princesa

O Município de Torres Novas continua a surpreender-nos com a sua capacidade organizativa e de realização.
Este ano, não terá uma feira medieval, mas uma feira quinhentista. De novo, ancorada em factos históricos. Haverá representações sobre o Dote da Princesa, o Baile da Princesa, workshops de costura da época, teatro e banquetes. Tudo em torno de uma feira que valerá a pena visitar.

Não tem, não sabe o que fazer no próximo fim-de-semana? Venha ver o Dote da Princesa!


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Crónicas de Maledicência – Livre Arbitragem

Crónicas de Maledicência – Livre Arbitragem

Eu cá, sou benfiquista. E, nessa medida, quero que o Sporting perca sempre. Isto não é mau nem bom. É assim desde o princípio dos tempos, mais coisa, menos coisa. De resto, os sportinguistas querem o mesmo, mas ao contrário o que, a meu ver, está muito bem. Há exceções. Por exemplo, nos jogos internacionais, sou português e quando joga o Sporting sou sportinguista durante noventa minutos. Acontece que, para querer que o Sporting perca, é preciso, é mesmo fundamental, que o Sporting exista. Digo isto porque, de onde menos se esperaria, quando menos se esperaria, chegam notícias de auto-destruição.

Um dirigente do clube de Alvalade foi constituído arguido num processo de corrupção em torno da arbitragem. Segundo os jornais, está acusado de cinco crimes. Ressalve-se e realce-se que um arguido não é um culpado. Também é verdade que não é um simples suspeito. É verdade, ainda, que, em Portugal, há muito se fala de clubes que aliciam árbitros seja com dinheiro, seja com viagens ao Brasil. Nalguns casos a culpa morreu solteira.

O que penso é que a corrupção deve ser combatida e condenada independentemente do ambiente social em que aconteça e, no caso do futebol, independentemente dos clubes que envolva. É preciso ser célere e exemplar. Quando Vale e Azevedo foi condenado por ter usado em seu proveito verbas de transações de jogadores, achei muito bem que fosse punido. Vigarice, investigação, processo, condenação, é um alinhamento que faz sentido na minha cabeça.

Ora, este senhor dirigente do Sporting foi constituído arguido, logo, pende sobre si forte suspeita de falseamento da verdade desportiva. Não é difícil perceber que o Sporting merece melhor, merece não estar envolvido nestas trapalhadas. O que já é difícil perceber, é a atuação do clube em relação ao dito dirigente. Primeiro fez aquilo que me pareceu razoável. Afastou o senhor.  Depois fez o inimaginável. Aceitou-o de volta às funções de dirigente desportivo do clube. Quem está de fora fica a saber o quê? Que, para um dos maiores clubes portugueses, qualquer um pode ser dirigente, mesmo que penda sobre si forte suspeita de corrupção.

Acho que o Sporting merece melhor. Acho que a idoneidade do clube não pode ser beliscada nem confundida com a putativa, agora posta em causa pelos tribunais, idoneidade dos dirigentes.

Portugal é, infelizmente, um país onde se promove a ignorância e se premeia a desonestidade. E às vezes é só porque não tem o cuidado e a coragem de combatê-los. A meu ver, era imperioso que, enquanto o caso não estivesse resolvido, o senhor, por razões éticas, saía do clube e não continuava a ter poder de decisão numa esfera de ação em que está sob suspeita.

Se não vejamos, ele voltou, imaginemos que o processo demora seis meses ou um ano e o senhor é condenado. Que vai dizer o clube aos sócios, adeptos e portugueses em geral? Que esteve a ser dirigido por uma pessoa que não tinha idoneidade para o fazer?

Afastá-lo agora seria uma atitude do mais elementar bom-senso. O Sporting e os sportinguistas mereciam isso. Mas não. Que interessa lá isso?! Vivemos num país de livre arbitragem. Cada um apita por si!
Tenho dito
jpv


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O Clã do Comboio – Reencontro

Reencontro

O Escritor reencontrou-se com o Clã do Comboio numa noite memorável.
O convite apareceu quase de surpresa, Na sexta-feira vamos jantar juntos, queres vir? Claro, deixa ver se posso. E podia.

Encontrámo-nos no restaurante “O Constantino das Enguias” em Foros de Benfica e comemos… claro, enguias. Fritas e ensopado. Ambos muito bem servidos, muito bem regados e o Clã fez-lhes as honras com apetite voraz!

Estiveram o Escritor e sua esposa, a Senhora da Revista de Culinária, a Rapariga com Brinco de Pérola, o Rapaz do Fato Cinzento, a Rapariga do Riso Fácil, a Generosa Lili, a Senhora das Caralhotas e seu esposo,  e um moço muito simpático que, ao que parece, acompanhava a Generosa Lili não obstante esta se ter demonstrado muito atenciosa para com o Rapaz do Fato Cinzento.

O primeiro momento do reencontro foi muito interessante. Foi um abrir sincero de sorrisos, de saudades, de perguntas a reatar laços e a garantir que tudo estava bem para todos. Apertos de mão, abraços, graçolas e uma boa disposição contagiante. Houve brindes, histórias, anedotas e episódios recordados e houve um comer voraz… não posso esquecer-me de que deixei de contar travessas de enguias fritas para aí à sexta, correram pelo menos quatro tachos de ensopado. A Senhora das Caralhotas é de um apetite de fazer inveja ao Astérix. Tudo o que vier morre. Já todos tinham comido e ela diz, Não fica aqui nada! E pimba atira-se ao ensopado e quando a malta ia nas sobremesas, ela contra-atacou, Hum… vou comer mais uma enguiazinha e diz para o Rapaz do fato Cinzento, Bebe pá, que esta malta está a pagar para a gente beber! Gargalhada geral. O tempo voou. Foi um reencontro intenso e interessante. A Calma da Rapariga com Brinco de Pérola, o sorriso malandro da Senhora da Revista de Culinária, a loucura desbocada da Senhora das Caralhotas e seu simpático marido, a simpatia da Rapariga do Riso Fácil, a saudade do Escritor…E não excluímos, nunca, ninguém. Desta vez, por exemplo, percorremos os nossos amigos ausentes um a um e falámos deles como se estivessem connosco. A todos aqui deixo uma saudação em nome dos que foram às enguias do Constantino.

No regresso, o Escritor, sua esposa, a Rapariga do Riso Fácil, o Rapaz do Fato Cinzento e a Rapariga com Brinco de Pérola vieram juntos no mesmo carro falando de livros. De um pormenor em particular: dos títulos dos livros. Do seu poder. Como nos conquistam. Os mais memoráveis e, depois, falávamos dos livros propriamente ditos.

Já me lembro porque é que o Clã do Comboio veio a ser o Clã do Comboio. Porque se encontraram pessoas fantásticas no espaço de rituais idênticos. Até breve!

Escritor


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Por causa dA Dívida – IX

Por causa dA Dívida – IX

Ai meu Deus, estou tramada. Agora tirou-me o carro. Diz que o vendeu. O meu maridão enlouqueceu. Então como é que eu me desloco para todo o lado? Ai vai ouvi-las, vai… o pior é que já usei os argumentos quase todos e ele não cedeu. Aliás, o tipo parece determinado como nunca. O que será que ele fez ao dinheiro do desfalque? Havia um desfalque, acho eu… lá vem ele… tenho de fazer uma choradeira primeiro e falar-lhe ao coração depois…

– Olá Marinho, olhe, eu continuo a dizer que está a ir longe de mais com essa história do carro. Se não cumpre a sua palavra nesse aspeto, eu também posso não cumprir a minha… sei lá… na cama! Já viu que aborrecido que era?
– Não seja patética, Belinha, deixe-se de parvoíces.
– Parvoíces, Marinho, mas que linguagem é essa? Não estou a reconhecê-lo.
– E se não muda de atitude vai é deixar de ver-me!
– Ah! A ameaçar com o divórcio. Não seja baixo! Os homens não prestam mesmo.
– Não, não estou a ameaçá-la com o divórcio. Se as minhas suspeitas se confirmarem, o divórcio será o menor dos nossos problemas.
– Ai, Mário, está a assustar-me…
– Pois é, Belinha, estamos perto do fim…
– Não me diga que é por causa do desfalque?
– Qual desfalque? Não há desfalque nenhum!
– Ai Mário, comece a fazer sentido! O que se passa?
– É o João e a Dulce!
– Ai querido, agora estou mesmo assustada, quem são esses? Alguém que eu deva conhecer?
– Sua tonta! Sua burra! São os nossos autores!
– Os nossos autores? Ai querido, cada vez percebo menos…
– Eu explico… nós não somos pessoas a sério, somos personagens numa história. E o nosso Deus… são dois! O João e a Dulce. Eles é que determinam os nossos atos e o nosso destino.
– E…
– E eu ouvi uma conversa entre eles, estava eu aqui no caderno e eles iam no comboio a falar de nós… estão zangadíssimos connosco. Dizem que somos uns interesseiros, desonestos, só sabemos é mentir um ao outro, trairmo-nos mutuamente e gastar acima das nossas possibilidades. Parece que estão a considerar…
– Matar-nos?
– Acho que não iriam tão longe, mas suspeito que querem que deixemos de existir…
– E qual é a diferença?
– É que assim nem precisam de inventar a nossa morte! Desaparecemos para sempre e pronto.
– Ai, Mário, não! Isso não! Ser suprimida da existência para todo o sempre, isso não!
– Pois, mas, ou mudamos de atitude, ou… não temos saída…
– Marinho…
– Sim…
– Há uma coisa que eu não percebo…
– Sim…
– Se esse João e essa Dulce são os nossos autores e determinam os nossos atos e o nosso destino, então não são eles os responsáveis primeiros por sermos como somos?!
– Aparentemente sim, Belinha. Acontece que há duas coisas que os autores têm e de que nunca abdicam…
– Então? O quê?
– Pancada e prerrogativa!
– Isso quer dizer que nos criam, nos guiam e depois têm o direito de não gostar de nós?
– Tal e qual!
– Miseráveis! Ouviram, senhores autores? Senhor João e senhora Dulce, sois uns miseráveis!
– Cala-te, sua delambida imoral!
– Sim, cala-te sua perversa mentirosa!
– Foi você que falou, Mário?
– Eu não, Belinha, estava a ouvi-la com atenção…
Fomos nós, os autores, calem-se, mudem de atitude e vejam lá se dão algum interesse a esta história!
– Eu não lhe disse que eles estavam zangados, Belinha?! É a tal coisa… pancada e prerrogativa.
– Olhe, Mário, eu acho que os nossos autores são uns imbecis, em todo o caso, como estamos num beco sem saída, faço-lhe uma proposta…
– Diga, minha querida.
– Façamos um pacto de honestidade.
– Então e não é preciso ser honesto para isso?
– É!
– Mas nós não somos!
– Mas podemos começar a ser.
– Ó Belinha, eu não sei se sei ser honesto…
– Também eu não sei se sei viver sem mentir, mas temos de tentar…
– E como é que fazíamos isso?
– Veja lá se gosta desta ideia… eu conto-lhe toda a verdade sobre as minhas patranhas e mentiras e o Mário conta-me toda a verdade sobre as suas… assim, como se começássemos do zero e depois íamos ser boas pessoas, com princípios.
– Isso é muito arrojado, mas podemos tentar… comece a Belinha…
– Muito bem, começo eu. Olhe, eu tenho um cartão de crédito às escondidas e farto-me de gastar com ele, às vezes por pura vingança. Compro tudo o que me apetece. Para mim e até para umas amigas. Estou sempre a ignorar as suas preocupações com dinheiro e faço chantagem com a nossa vida íntima… o sexo! E… e… e eu sei que deu um desfalque  num negócio que propôs ao nosso cunhado, mas fingi que não sabia para poder gastar o dinheiro. E uma vez, há muitos anos, tive um caso com um colega seu, o Eduardo, mas agora já acabou. Pronto, já está. Agora é a sua vez.
– Olhe, Belinha, eu podia dizer que estou espantado, mas a verdade é que fiz pior. Eu fui para a cama com a Marlene, somos amantes, e às vezes a Belinha está a falar e eu só penso nela. E, sim, é verdade, enganei o nosso cunhado, paguei umas contas, mas comprei a viagem às Maldivas e fiquei com uma pipa de massa para os meus luxos e vícios. Antes tivesse estado quieto, a PJ anda atrás de mim e está a um passo de descobrir tudo.

– Dulce…
– Sim, JP…
– Estes tipos não têm emenda, Dulce.
– Pois não, JP.
– Ainda agora fizeram um pacto de honestidade e já estão a mentir um ao outro.
– É verdade, JP, ela não revelou os encontros com o miúdo, o Hugo. Aquilo ainda vai dar chatice.
– Pois é, Dulce, e ele não revelou que também vai para a cama com a Andreia e Sandra e… nem sequer contou a história do anel que deu à Marlene.
– Pois é, JP, mas em relação a isso ela também foi desonesta porque sabe da história do anel e não abriu o jogo…
– Olha, Dulce, cá para mim, estes dois não têm emenda.
– Pois não, JP.
– Dulce…
– Sim, JP…
– Vê lá se endireitas isto no próximo capítulo!
– JP, tu não vais ficar por aqui e deixar isto tudo em suspenso. Tu não te vais embora e deixar-me com esta baralhada nas mãos, pois não?
– Ai vou, vou…
– JP! Vem cá! Anda escrever o resto!
– Bye, bye, Dulce…

jpv


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Crónicas de Maledicência – Cuspir para o Ar

Crónicas de Maledicência – Cuspir para o Ar

Não sei se os leitores se lembram, mas eu recordo, há pouco tempo foi discutido, debatido e votado pelos países da UE se a Grécia e Portugal deveriam, ou não, ter direito a um pacote financeiro de Ajuda Externa. O segundo no caso da Grécia, o primeiro no nosso caso.

Na altura, houve dois países que mostraram grande relutância em ajudar os mediterrânicos. A Finlândia e a Holanda. O Governo holandês foi, de resto, o mais violento na forma como se expressou. Acusou os dois países parceiros de laxismo e irresponsabilidade e posicionou-se claramente contra a ajuda.

O Governo holandês é um Governo de Direita apoiado, para governar, por um partido de extrema-direita. Esta semana surgiu a notícia de que o Primeiro-Ministro da laranja mecânica, das socas, dos moinhos e das tulipas iria apresentar a sua demissão à rainha Beatriz porque não tinha chegado a acordo com o líder do partido que apoia o seu na governação a propósito de um assunto considerado vital para a nação laranja: um empréstimo, no âmbito da Ajuda Externa, de 16 mil milhões de Euros.

Eu acho que deveriam emprestar-lhes o dinheiro. E acho que Portugal deveria votar a favor, mas também acho que, quando o fizesse, deveria relembrar o recente episódio da arrogância holandesa. É como a malta dizia, quando éramos cachopos: não cuspas para o ar…

Tenho dito
jpv


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Sexo

Sexo

A minha pele na tua pele.
A minha língua no teu corpo.
Paira um odor de flores e de mel,
O mundo parou
E eu estou tomado e absorto.
Não sei onde acabo,
Nem tão pouco onde começas.
Sei que chegámos aqui
Sem ânsias nem pressas.
O teu calor
Nas minhas mãos.
A minha vontade sobre ti,
Um momento trepidante,
Um arrepio que senti.

E quando estamos
Nesse cume
Do desejo,
Cada toque
É como lume
Ardendo num beijo.
E quanto mais me incitas,
Mais gritas que pare,
Mais te possuo e quero.
Há coisas que ficam mais bonitas
Quando te contrario
No vórtex do desvario.
E não paro!
Retomo com energia,
Sem medida nem nexo.
É que isto não é amor,
É ardente e descontrolado sexo!

jpv