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De Porto em Porto – Lisboa
16 de maio – Aeroporto de Lisboa – 8:40
ErotiKa – O Corpo da Ideia

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jpv
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O Corpo da Ideia
Caras leitoras,
Este, é um homem de que não ides gostar. Quero dizer, talvez não vos importásseis de amá-lo por uma tarde, uma noite, um dia, um fim-de-semana, mas esse conceito de um amar efémero e carnal não é para vós o conceito de amar, pelo menos, aquele que acarinhais mais e melhor. Não quero com isto dizer que sejais contrárias à ideia dos prazeres do corpo. Não. De todo. Acontece que, para vós, mulheres, os prazeres do corpo são uma extensão de outro amor. O amor alicerçado na dedicação, no carinho, no compromisso e na felicidade. E é quando uma tal sintonia no plano afetivo se atinge que a vossa mente e o vosso corpo despertam para os prazeres da carne. E é por isso que não ides gostar deste homem. É que, para ele, a carne vem primeiro. Acontece que, no seu caso, há uma arte, uma generosidade, uma envolvência e uma cortesia que mulher alguma pode ignorar. E caímos, assim, num paradoxo. Querei-lo, mas querei-lo só para vós. Para cada uma de vós. E isso é contra a sua natureza pois há muito que se assumiu como sendo de todas vós. Ao mesmo tempo!
Caros leitores,
Esta, é uma mulher de que não ides gostar. Quero dizer, talvez não vos importásseis de amá-la por uma tarde, uma noite, um dia, um fim-de-semana, mas esse conceito de amor não é para ela aceitável. Possuí-la pela carne implica um caminho de provações e compromissos que, na maioria dos casos, não estais prontos para aceitar. De resto, respondeis a um impulso básico e primário de cobrição em que amor e sexo se confundem e onde o primeiro pontua sempre desde que aconteça o segundo. É para vós o amor algo de imediato e jactante e, em abono da verdade, diverso e múltiplo. Podeis bem amar uma mulher, dedicar-lhe uma vida inteira, sem que isso vos impeça de ter outras em vosso leito. Tendes um coração largo, generoso e espaçoso onde todas caberão e onde cada uma terá seu quartinho para não misturar-se com as outras. Ora, isso é contra a natureza desta mulher que aceitará em si um só homem. Aquele que provar merecê-la. Sempre. Única e exclusivamente.
Vai ele chamar-se Carlos que outro nome não pode ter um tal coração. E foi com ele que a desposou. E quando o Padre lhe perguntou se era de sua livre vontade que a aceitava em matrimónio, ele respondeu Sim. E estava a ser honesto. Aquela era a mulher da sua vida. A primeira nas suas prioridades. Aquela a quem amava. Descobriria mais tarde que era capaz de amar outras, mas isso teve de esperar. Seis anos se passaram. De felicidade. De sintonia e genuína exclusividade. Carlos tinha os olhos fechados para o Mundo e as mulheres nele. No decurso desse sexto ano, contudo, coisas houve que o fizeram mudar de perspetiva. Olhar o Universo com os olhos abertos. Ver e observar as coisas, os acontecimentos e as pessoas à sua volta. E amou. Amou outra mulher. Uma paixão tórrida e consumidora que escondeu a custo da sua própria mulher. Quis dizer-lhe, mas conteve-se. Preferiu esperar. Ser prudente. E, menos de um ano volvido, começava a encontrar as falhas nesta mulher perfeita que aparecera na sua vida. E fechou esse capítulo. Tentou esquecê-lo. Nunca conseguiu. Por fim, decidiu guardá-lo como uma memória grata. Só isso. Tudo isso. E refugiou-se de novo no seu porto seguro, no seu lar, na sua amada de todos os momentos. Aquela que escolhera para casar e viver a vida inteira. Viu um documentário na TV sobre as crises matrimoniais onde se falava insistentemente no fenómeno da crise dos sete anos. Atribuiu o que acontecera a isso e fechou sobre o seu peito esse capítulo entusiasmante e efémero da sua vida. Durante três anos voltou a ser o Carlos que sempre fora. Quando perfez dez anos de casamento, voltou a sentir-se atraído por outra mulher. Desta vez estava preparado para o evento e sabia como resistir-lhe. Não resistiu. E não resistiu ao seguinte e ao outro e ao próximo que seria o último e ao que veio depois dele e ainda a mais uns quantos de circunstância. Hoje, está casado há dezasseis anos, tem um historial de relações extra-conjugais paralelas a um casamento feliz. Quase sempre. Já se percebeu. Já aprendeu a conhecer-se. E, o mais difícil de tudo, já aprendeu a aceitar-se como é. Mantém-se fiel ao seu amor primeiro, fiel aos sentimentos que nutre pela sua mulher, tem com ela uma relação estável e bonita e, contudo, decidiu deixar de fingir que não gosta da atração inicial, do enamoramento, da sedução e depois da entrega total, do sexo sem complexos e, por vezes, sem sexo. Percebeu que na vida há pouco mais do que aquilo que sentimos e experienciamos e percebeu, também, que há muito pouca coisa de real e verdadeiro interesse em todo o espectro do Universo conhecido para além das pessoas. As pessoas são o verdadeiro milagre da vida e as mulheres são as melhores das pessoas. A graça e a graciosidade, a elegância e a sensibilidade, as formas, o espírito, a amplitude do seu olhar, as suas inseguranças e as forças, a generosidade e a compreensão, fazem deste complexo ser, na opinião de Carlos, a mais extraordinária das criações de Deus e da Natureza que é Deus junto dos homens. É um hotel concebido para receber os amantes do sexo. Cama redonda, varão de inox, luzes néon encarnadas, muitos espelhos e uns desenhos alusivos às práticas que aí se espera aconteçam. Carlos está de joelhos ao centro da cama, à sua frente uma mulher está de quatro oferecendo-lhe o sexo e as nádegas. É generosa nas formas, libidinosa nos gestos e insaciável no desejo. Carlos incita-a com palmadas que lhe desenham as mãos na carne alva das nádegas, ambos gemem em sintonia e quando se dá a explosão das explosões, os dois estão preparados para mais. Ele vira-a e tomba sobre ela. Ela abraça-o, aceita-o em si e crava-lhe as unhas nas costas. Não foi propositado. Foi um impulso. Deixou uma marca. E a marca originou uma conversa.
– És um canalha, Carlos, um canalha sem vergonha! O que eu te amei, meu Deus!
– Tem calma.
– Calma? Como podes pedir-me calma? Tu destruíste as nossas vidas. Eu nunca te pedi nada, Carlos, nunca! A não ser que me amasses…
– E amo!
– Mentiroso! És um mentiroso sem emenda!
– Sim, sou. Não nego. Mas não quanto a amar-te…
– Como podes amar-me Carlos? Como pode isso ser verdade? Acabaste de assumir que dormiste com essa galdéria.
– Por isso mesmo. Porque assumi. Ela não significou nada…
– Quantas foram? Diz-me! Quem mente uma vez…
– Isso não é importante.
– Como não? Claro que é importante.
– Não é não. Não interessa quantas foram, interessa que não significaram nada. Tenta compreender-me. Eu vivi até aos dez anos do nosso casamento sem que nada disto acontecesse e nessa altura percebi a efemeridade da vida, percebi que eram importantes para mim os prazeres da carne… e essas mulheres, as diversas mulheres com quem me deitei, foram só isso, prazeres do corpo. Mas foste tu a ideia. A ideia do amor. Sim, eram os corpos delas, a sua graça, a sua variedade, mas foi sempre a tua ideia. Tu foste uma ideia em muitos corpos.
– Sai daqui Carlos, sai! Sai! Metes-me nojo! És asqueroso! És a negação de tudo o que eu pensava que éramos um para o outro. Sai daqui…
– Tem calma. Eu sei o que sentes…
– Não sabes, não. Não sabes, Carlos… mas… sabes que mais? Vais saber!
Vai ela chamar-se Joana, Joaninha entre as amigas, que outro nome não pode ter uma tal capacidade de amar, uma tal dedicação. E foi com ele que o desposou. E quando o ouviu dizer Sim ao Padre, seu coração tremeu e precipitou-se empurrando o seu Sim não fosse o momento perder-se. Aquele era o homem da sua vida. O primeiro nas suas prioridades. O escolhido. Aquele que quer para as manhãs de Primavera, as tardes de Verão e as noites de Inverno até que cheguem ambos ao Outono da vida. Será este o homem das suas alegrias, das suas tristezas e dos seus prazeres íntimos. Os mesmos que farão dele o pai de seus filhos. Dedicou-lhe o seu coração, dedicou-lhe a sua mente, dedicou-lhe a sua atenção e o seu tempo e teve dele os filhos que só dele queria. E sorveu-o para si. Acompanhou-o para todo o lado, sofreu com as dores dele, alegrou-se com as alegrias dele, ajudou-o no trabalho, poupou-o às preocupações que poderia ter partilhado. Fez do seu casamento a sua obra de arte e colocou-o a ele e aos filhos no centro dela. E confiou. Por volta dos seis anos de casamento sentiu-o mais distante, menos entusiasmado com a sua vida a dois. Organizou umas férias, tentou percebê-lo, não foi capaz. O homem era um bloco granítico. Não se revelava. Deu-lhe tempo. Refugiou-se na leitura. Gostava de ler, mas, desde que se casara, colocara esse hábito de parte como tanta coisa na sua vida. Agora voltava a ele. Lia os romances, uns atrás dos outros, os franceses, os ingleses, os alemães, os portugueses e os russos. Adorava os russos. Mergulhava naquela dor e esquecia a sua. Lia clássicos e contemporâneos com a mesma avidez. Sofria com eles. Entusiasmava-se com eles. Deixava-se abraçar e beijar e possuir pelos seus encantos. Quando Carlos acordou do desinteresse em que mergulhara, Joaninha continuou a ler, mas percebeu a sua mudança e deu-lhe atenção e a sua relação viu de novo nascer dias de luz e alegria. Ela nunca deixou de ler e, três anos mais tarde, quando ele voltou a emigrar para a indiferença, ela soube de novo onde refugiar-se. Cuidava dos filhos, cuidava dele, amava-o quando ele lhe pedia, mas quase sem sair do universo que os livros lhe criavam. As escapadelas começaram por ser para as páginas impressas e terminaram sendo das páginas impressas. O tempo foi passando e Joaninha sofria porque não fora aquela a vida com que sonhara, mas não se sentia com forças para suportar o fardo do casamento sozinha. E assim coabitavam, quase cordiais, quase indiferentes. Até ao dia em que ele saiu do banho, estava sozinho e não contava que ela entrasse, mas ela entrou como tanta vez fizera na intimidade do casal, e surpreendeu-lhe as costas marcadas pelas unhas de outra que as suas não haviam desenhado aquele êxtase. E aconteceu a conversa que ouvimos há pouco e agora se retoma.
– Tem calma. Eu sei o que sentes…
– Não sabes, não. Não sabes, Carlos… mas… sabes que mais? Vais saber!
– Acho que sei, Joana.
– Não sabes, não. Há coisas que não imaginas. Sabes, há pouco disseste, tentando ser agradável no meio de toda a trapalhada que fizeste, que eu fora uma ideia em muitos corpos… e foi essa frase tua que me provocou. Eu vou dizer-te a verdade…
– Qual verdade, Joana?
– A verdade, Carlos, é que eu te traio há muitos anos, com muitos homens. Diferentes nos seus corpos e nos seus desejos e uníssonos num só facto. Todos queriam possuir-me. E eu deixei. Mais do que isso, gozei os prazeres da carne com cada um deles.
– Mas que raio dizes tu, Joana? Há anos que não sais de dentro desses livros.
– Saio. Saio, Carlos… saio de dentro dos livros para trair-te com o teu próprio corpo. Há muitos anos, Carlos, que não faço amor contigo. Há muitos anos que não me entrego a ti. Tu, pobre Carlos, não foste mais do que um corpo para muitas ideias.
jpv
Não se Faz
Não se Faz
Tinha a blusa
Um tom doirado
E, por baixo dela,
Um seio perfeitamente desenhado.
Era um prazer
E um espetáculo deleitoso.
Uma impertinência
De teu seio generoso.
Acordou-me emoções.
Despertou-me sentidos.
E vi na displicência
De teu seio
O fim e o meio,
Os homens felizes e os perdidos.
Provocavas e não sabias
Ou, sabendo, não querias
Ser ostensiva
Na ostentação.
Tinha o teu seio, por forma,
O côncavo da minha mão.
E olhou para meus olhos
Que lhe retribuíram o olhar.
Bailou no brilho deles
Enquanto lhe foi permitido bailar.
Vá lá,
Não me provoques
Que sou fraco
E facilmente me tento.
Guarda, com jeitinho, o teu seio.
Arrecada-o,
Mete-o para dentro.
E deixa meus olhos em paz
Que um seio tentado-me,
Assim, a alma,
É coisa que não se faz!
jpv
MANUTENÇÃO TERMINADA
MANUTENÇÃO
Caros Amigos e Leitores,
Se notarem algumas alterações no aspeto do Blogue nas próximas horas, não estranhem. O Blogger arranjou-me um probleminha de formatação que estou a resolver… Os textos continuam disponíveis para leitura.
Amanhã deverá estar tudo normalizado. Deve ter sido uma prenda pelo nosso terceiro aniversário!
Até já!
Parabéns a Você!
Voz
Fábula da Cigarra Enquanto a Formiga Dormia
Fábula da Cigarra Enquanto a Formiga Dormia
Make Up Sex
Make Up Sex
Na ira absurda das palavras,
Nos gestos descontrolados da discórdia,
Nas acusações que cuspimos exaltadas,
Nas portas que batem,
Nos murros na mesa,
Reside a verdade
E a certeza
De uma exaltação,
De uma dádiva
E de uma louca paixão
Onde não cabe a indiferença.
E depois da tempestade
Cai, célere e excitada,
A sentença.
Tenho de amar-te.
Tens de ser minha.
E, sobre a discussão e a refrega
Cai o doce e diáfano véu
Da entrega.
E sobre uma coisa dura
Tomba outra coisa dura.
E desse louco desentendimento
Nasce um momento
E é esse que quero para mim.
Sim, sou teu.
Serás minha, sim.
Para sempre.
Entre combates
E pazes feitas,
Emerge uma vida
De almas eleitas
Para amar.
E não me digas
Que é tudo demasiado complexo.
Depois de irar-me contigo,
É muito melhor o sexo!
jpv






