Mails para a minha Irmã

"Era uma vez um jovem vigoroso, com a alma espantada todos os dias com cada dia."


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Mails para a minha Irmã no Facebook

MPMI fez há pouco tempo 4 anos. Todas as suas publicações era publicitadas no Facebook através da minha página pessoal naquela rede social. Ora, o autor e o Blogue do Costume começavam a confundir-se e, assim, desde o passado sábado que “Mails para a minha Irmã” tem uma identidade própria no Facebook, ou seja, o blogue tem a sua própria página: http://www.facebook.com/jpvideira
Convido-vos a visitá-la e, se a considerarem merecedora disso, a fazerem um “Gosto”.
Realço ainda que, desde o primeiro dia, 12 de maio de 2009, “Mails para minha Irmã” é um blogue gratuito, disponibiliza os seus conteúdos de forma totalmente livre ainda que, claro, a autoria de todos os textos esteja registada na IGAC.
Ou seja, a minha “competição” por “Gostos” é só mesmo para ver a família de amigos e leitores crescer. Não tem, por isso, qualquer outra motivação. Posso um dia publicar livros e esses, sim, venderei, mas gostava de manter sempre o conteúdo de “Mails para a minha Irmã” de acesso totalmente livre.
De resto, o Facebbok continuará a ser um meio de comunicação para manter os amigos e leitores informados, mas os textos integrais continuarão a ser publicados aqui no Blogue do Costume ou, como já lhe vão chamando carinhosamente, no MPMI.
Um forte abraço e um agradecimento a todos os amigos e leitores pela vossa dedicação e pelas vossas leituras.
jpv


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4º Aniversário

Caros Amigos e Leitores,

Mails para a minha Irmã fez ontem 4 anos.

Até ao final do dia de ontem, tínhamos 2153 mensagens publicadas, 1997 comentários, mais de 185400 visitas e um espólio muito significativo de textos.

Nos últimos 4 anos publicámos, em MPMI, 3 romances completos, temos um 4º romance em curso, publicámos mais de 300 poesias, dezenas de contos, centenas de histórias e crónicas e uma imensidão de pensamentos com muitas parvoíces pelo meio. Tudo começou com um texto chamado “O meu ET” e tudo evoluíu por amor à escrita e com o sentido da partilha. Não esqueço aqueles que me incentivaram a começar, como não esqueço todos os que me motivaram e se cumpliciaram comigo nestes longos quatro anos de escrita.
Temos leitores um pouco por todo o mundo, mas os dez países que mais nos visitam, por ordem decrescente, são:
Portugal
Brasil
Estados Unidos
França
Moçambique
Rússia
Alemanha
Reino Unido
Suíça
Holanda
Temos cerca de 200 visitas diárias e um total de 184 seguidores sendo que alguns de vós poderiam assumir esse estatuto e ajudar-nos a crescer.
Tendo sido sempre um prazer, sendo uma honra, manter o MPMI começa a ser também uma questão de compromisso para com todos estes leitores.
Tudo isto de forma 100% amadora, sem publicidade, sem patrocinadores e sem merchandising associado nem quaisquer colaboradores para além de uma ou outra ajuda voluntária de alguns amigos de MPMI.
E, por enquanto, continuaremos assim. Só a escrever. E a esperar de vós nada mais que a leitura interessada e o retorno que entenderem dar.
MPMI não é um dos blogues mais vistos da web, nem é para ser. É para ser lido por quem gosta de ler, é para ser seguido por quem se interessa pela narrativa, pela poesia, pela crónica social e pelo tipo de escrita que produzo.
MPMI é uma pequena tertúlia de amigos e leitores e está muito bem assim.
A todos vós, um obrigado do tamanho do mundo e até ao próximo… texto.
Até Sempre!
jpv


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Receba as Flores que lhe Dou

Querida Mana,

Por vezes, quando menos esperamos, de onde menos esperamos, emerge em nós uma memória que existia, viva, mas adormecida. Aconteceu-me esta semana. E o engraçado é que as memórias alimentam-se de outras memórias e nós relembramos uma coisinha e, se pensarmos nela, afinal havia um universo inteiro agarrado a ela.

Era noite tardia. Vagueava pela net à procura de quase nada, umas ideias para uns materiais e, às tantas, alguém tinha feito um vídeo sobre o assunto. Cliquei, mas o vídeo estava indisponível. Contudo, ali ao lado, naquela carreirinha de sugestões, estava um clip chamado “Receba as Flores que lhe Dou”.

Nem precisei começar a ouvir porque o que ecoou de imediato na minha mente não foi a voz do Nilton César. Foi a da nossa mãe. Fosse em casa, enquanto cozinhava, limpava, passava a ferro, fosse na loja enquanto fazia uns embrulhos ou marcava uns produtos, lembro-me de a ouvir entoar, como quem anuncia ao mundo que as coisas podem ser sempre feitas com boa disposição, esses dois versos iniciais:
Receba as flores que lhe dou
E em cada flor um beijo meu…

Eu acho que essa espontaneidade, essa natural tendência dos pais para mostrar aos filhos que o mundo é um lugar agradável para se estar e a vida é preciosa e deve viver-se cada minuto com ilusão e esperança, está, definitivamente, a perder-se. As nossas crianças crescem a ouvir falar de problemas, de crise, de competição, de numerus clausus, de impossibilidades e não ouvem os pais cantar ou declamar. A mãe não cantava só esta. Se bem te lembras, às vezes lá vinha com o “Ser marinheiro//Deste velho cacilheiro”, e aquilo despertava em mim a imaginação e a vontade de viver e ser feliz e conhecer esses fantásticos universos que as canções que a mãe trauteava refletiam. E sempre que alguém fazia anos, lá vinha ela, como às vezes ainda faz, Com que então, caiu na asneira…

É preciso alimentar as crianças de esperança, é fundamental semear nos jovens a alegria de viver e a vontade de ser feliz. É mais preciso isso do que qualquer outra coisa. Não interessa que formes muito bem uma pessoa, que a dotes de excelentes recursos financeiros, se não a ensinares a sonhar. São os sonhos que impelem o homem a mais, a melhor, a superar-se e os sonhos são livres e grátis. Eu sonhei. E, naturalmente, muitas vezes me desiludi, mas nunca baixei os braços porque os sonhos reproduzem-se e são fáceis e alimentam a capacidade de realização. 

Fiquei retido na letra. E, numa primeira reação, pensei que era um texto lírico de um exagero absurdo, e depois reparei que estava a cantá-la e a sabia de cor. Eu, que, momentos antes, nem me lembrava que a canção existia! E percebi que não era um exagero. Os nossos pais viveram aquelas palavras, personificaram aquele romance e, mesmo hoje, apesar da separação que a lei da vida impõe, ainda se pode dizer “Que seja assim por toda a vida…”

Acho, Mana, que somos filhos do sonho. O sonho dos nossos pais que era tão singelo e por isso se concretizou. E acho também que somos filhos da música. A música que a mãe trauteava, a música que o pai, às vezes, dançava… só um bocadinho…

Beijo,
Mano. 


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Agradecimento

Agradecimento

Há uns dias para cá, de forma impercetível para os leitores, mas bem visível para mim, que vou gerindo as entradas e saídas neste blogue e os comentários e e-mails que suscita, tem vindo aqui com uma regularidade diária um leitor, já feito amigo pelas palavras, com samba no sotaque. E lê os textos um a um e em cada um deixa seu comentário. Sempre respeitoso, sempre construtivo. Felizmente, temos muitos leitores, cerca de 300, que vêm aqui todos os dias, leem os textos e, quando se sentem motivados, deixam um comentário ou enviam um e-mail. Acontece que o Claudemir Geronazzo Mena tem feito questão de comentar cada um dos textos que lê numa dedicação extraordinária a este cantinho.

Assim, sem excluir nenhum outro dos muitos e atentos seguidores que vamos tendo, venho agradecer ao Men@ pela forma como nos tem acompanhado nos últimos dias e, a propósito, transcrevo
o último comentário que deixou neste post:

“Ourinhos-São Paulo-Brasil-02:54am-Horário Verão x Tomar-Portugal-04:54am Horário Normal – 09/11/2012

Já havia programado para hoje a leitura do cap.11 ao 20 para tecer meus comentários ao nobre amigo, ao Clã do Comboio, usuários e leitores.Jamais imaginei que ao encerrar minha leitura,iria me deparar como uma declaração de vida que muito nos assemelha. O gosto pela música desde a infância, sonhos e projetos, experiências,até fisico-facialmente falando,na forma arredondada da face,olhos pequenos e fundos, pele alva, de sorriso discreto e descontraido, diferenciando-nos um pouco os cabelos em seu volume “supra central”,onde os meus, ainda resistem um tico a mais,embora já prateados pelos efeitos das neves do tempo. A narração,sólidas amizades e em especial,a paixão pela escrita e a música. Se estendendo ainda mais,pelo seu estilo e intérpretes. Surpresa esta que muito me agrada meu amigo. Parece tratar-se de almas com um mesmo DNA, que como já pude observar por suas palvras, tem também muita semelhança na sensibilidade e caráter emocional. Portanto, este que vos dirige a palavra,que à partir de agosto de 2013, além do que já é, passará a ser ainda mais sexy , pois então será um Sex agenário, vem lhe agradecer a abertura das portas de seu espaço,de sua sala de visitas para o mundo, onde tenho sido recebido com respeito e afecto e desejar-lhe, infinitas alegrias, muita saúde, paz e realizações em todos os âmbitos, durante a sua longa existência.

Abraço Transatlânticos
azul, imenso, rico em vida
por onde navegou e ainda navega
nossos laços de consanguinidade
eterna e salutar amizade


jpv


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Uma Carinhosa Distinção

Caros Leitores e Amigos, Leila dos Reis atribui-me um selo de reconhecimento e carinho entre blogueiros que eu agradeço publicamente aproveitando para aconselhar uma visita ao seu blogue, Coisas do meu Coração.


Boas Leituras!
PS: Obrigado, minha querida!

jpv


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MPMI em Ritmo de Cruzeiro e Semi-Férias

Caros Leitores e Amigos,

como já devem ter reparado, desde o início de agosto,
Mails para a minha Irmã tem andado em ritmo de cruzeiro e semi-férias. Quer isto dizer que, não tendo ido definitivamente de férias, MPMI está com as publicações mais ligeiras e espaçadas.

É assim que vai ser durante este mês. Continuaremos a postar, mas a um ritmo mais pausado e coisas mais ligeirinhas.


Haverá, a partir de setembro, algumas novidades. E posso avançar quais serão duas delas. Uma nova coluna de histórias, com temática completamente diferente das que temos apresentado, e uma publicação de fundo, ou seja, uma história mais longa a publicar em capítulos.


Boas Leituras e Até Já!

jpv


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Pedido: Vá lá… ‘facem-ma’ vontade!

Caros Amigos e Leitores,

Venho pedinchar!

Como dizia a minha avó, “Quem não chora, não mama”. E, neste caso, nem se trata de mamar o que quer que seja, é só uma questão de promover um pouquinho mais o nosso blogue, “Mails para a minha Irmã”.


Efetivamente, já temos uma afluência muito interessante, ou seja, mais de duzentas leituras por dia, um público muito assíduo e alguma presença na Web.


Ora, para as coisas melhorarem um bocadinho, dava jeito aumentarmos o número de “Seguidores” que, neste blogue, é baixo em relação ao úmero de leituras que apresenta.

É gratuito e não custa nada são só dois ou três cliques. Começam aqui à direita onde diz “Aderir a este site”, abrem a vossa sessão de e-mail e já está…

As vantagens para o blogue é que “Mails para a minha Irmã” torna-se potencialmente mais visitado.

As vantagens para os leitores são as seguintes:

1) Pode ler textos fantásticos como já fazia antes.
2) Pode não ligar nenhuma às parvoíces como já fazia antes.
3) Recebe um vale de descontos nos serviços que não prestamos.
4) Habilita-se a ganhar uma semana de férias um dia qualquer num sítio paradisíaco à nossa escolha num concurso com um representante do Governo Civil das Ilhas Caimão.
5) Agora podia fazer aqui uma piada com licenciaturas, mas o assunto está muito batido…
6) Ganha de imediato, sem concursos, a nossa gratidão e apreço.
7) Fica a fazer parte do excelso e exclusivo clube de seguidores de MPMI.
8) Faz uma boa ação e isso é contabilizado pelo seu Deus nas contas que, de acordo com o seu credo, Ele fará, quando o fizer.
8) Se for ateu isso não é contabilizado o que é fantástico para si porque não acredita em nada disso.

Abraços, beijinhos e muito obrigado!

ps: divulguem!
ps2: a meta é chegar aos 100 até à meia-noite de um dia destes
jpv


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A noite mais longa

Mails para a minha Irmã
A noite mais longa

Olá mana,
há já muito que te não escrevia. Sabes como é, as coisas urgentes vão-se fazendo primeiro que as importantes. Hoje, no início de uma reunião de trabalho, agarrei no meu caderno, escrevi com quem era a sessão de trabalho e coloquei a data. E, o que de imediato me veio à mente, foi a tua face com o aspecto reguila dos seus três anitos ainda plenos de esperança. Essa mesma esperança que estava prestes a sofrer uma contrariedade. Mas não só, porque a vida, felizmente, não é homogénea.
Faz hoje 36 anos que embarcámos. Sozinhos. Eu com 8 anos e tu com 3. E viajámos um oceano de desespero e solidão. E sobrevivemos. E houve uma desesperança e uma desentrega e uma sensação de estar tudo a desmoronar-se e a fugir por entre a impotência do nosso querer. Era uma espécie de fim. Mas, como disse, a vida não é homogénea. Eu acho, mana, que nós sempre gostámos muito um do outro. Acho mesmo que sempre fomos unidos porque nunca soubemos ser de outra forma, mas a violência daquela noite e dos dias infinitos e infindáveis que se lhe seguiram constituíram para nós um teste, uma provação. E o elo reforçou-se. Tornou-se inquebrantável. E as coisas que viríamos a viver daí para a frente, boas ou más, haveriam de estar para sempre eivadas dessa superação conjunta. Eu acredito, mana, que as pessoas que sofrem juntas, nunca mais se separam. O sofrimento é uma cola da alma.
Faz hoje 36 anos, os homens quiseram-nos fazer mal. Muitos morreram, entretanto. Outros ficaram sozinhos, outros perderam-se nas multidões, a maioria está esquecida e nós, da fragilidade e da vulnerabilidade das nossas vivências, crescemos irmãos, fortalecemo-nos e viemos a viver este dia olhando para trás no vácuo do tempo e sorrindo aos homens esquecidos com a ternura do nosso amor irmão. Nós, mana, estamos aqui. Companheiros de vida, com alegria e com sofrimento. Ainda bem.
Beijo,
Mano.


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o culto e o oculto

Querida Mana,
enredados que estamos no nosso próprio culto, no culto das nossas pequenas e efémeras existências, desmultiplicamo-nos em estatísticas e planos de emergência e casos reais e notícias mais ou menos desinteressantes sobre a percentagem de aviões que pode ou não descolar e aterrar e jogamos para o oculto esquecimento dos dias aquilo que é a maior evidência de todas: a nossa patética fragilidade. Um vulcão adormecido tossiu e toda a maravilhosa tecnologia humana ruiu. A Natureza enfadou-se de estar dormitando e bocejou e toda a sapiência acumulada em milhares de anos de estudo e investimento serviu de nada. E toda a robusta estrutura social colapsou. Fica-me, mana, desta breve mas poderosa manifestação de força por parte da Mãe Natureza, a sensação de que devíamos olhar em volta com mais atenção. Admirar o oculto e desenvolver menos o umbilical e patético culto de nós. Nem radares, nem GPS, nem jacto, nem piloto automático, nem era digital, nem afirmação computacional, nem nano nadas, nem mega tudos, nem gigas, nem teras, nem bites, nem ecrãs tácteis, nem sem fios, nem coisa nenhuma pôde nenhuma coisa contra um sussurro do vulcão voltando-se no tempo como eu na cama. Fica-me o respeito. Fica-me o olhar preso nas cinzas magnânimas para me lembrar da próxima vez que um humano se mostrar grande ou grandioso. Fica-me a humildade de reconhecer-me o meu lugar de bicho da terra tão pequeno.
Mano


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O acordar de Domingo

Olá mana,
hoje, quando acordei, já éramos três na cama. Vindo da penumbra do seu território, o miúdo enfiou-se no nosso ninho.

E dei comigo a recordar os momentos em que fazíamos exactamente o mesmo. Ao longo da semana afirmávamos a nossa independência juvenil, íamos às lutas todas, desafiávamos a figuras paternas e, depois, assim que desconfiávamos que estivessem acordados, como que descansando das guerras e das máscaras, havia um diamante bruto, um sentir insubstituível, uma pulsão de carinho e ternura que nos fazia trepar pela cama dos pais acima até ao centro e ali ficávamos entre o seu calor e o seu amor contando as aventuras, as estórias, rindo, usufruindo do correr aconchegante do tempo. Era como o sono depois de um dia de trabalho: o momento de aprender, de tirar partido, de amar.

Fundiam-se os territórios, esbatiam-se as fronteiras e as barreiras, não havia conflito de gerações nem qualquer outro porque o momento era de magia. A minha mulher tem uma imagem terna do assunto: diz que gosta de imaginar que vamos os três voando juntos, isolados do resto do universo e que a nossa cama seria assim uma jangada de percorrer os mundos todos…

Às vezes penso que a magia do acordar ao Domingo de manhã na comunhão dos espaços, dos risos, das aventuras e das desventuras podia bem ser uma forma de refundar a nossa sociedade.

Beijo,
mano.