Mails para a minha Irmã

"Era uma vez um jovem vigoroso, com a alma espantada todos os dias com cada dia."


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Três de três

Paz.
Sorriso genuíno e largo.
O amor amargo
Na doçura de um olhar.
Por testemunhas, as conchas do mar.
Jaz, inerte e frio,
O olhar desconfiado e esguio
Que a luz do sol apagou.
Que importam as feridas
E a dor e o sangue
Para quem tanto amou?

jpv


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Dois de três

Um barco impreciso,
Um movimento inseguro.
Um peito agreste e duro
A desejar a luz do Paraíso.
Um batismo azul
E um olhar perdido.
Um tempo sentido
E um fogo a arder.
Não fora a força do silêncio
E haveria tanto para dizer.

jpv


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Um de três

Um coração cheio
E um mar tranquilo.
Um peito revolto,
Uma palavra que mutila
E um olhar vermelho
E sagrado.
O mar como um chão parado.
Uma porta que bate,
Uma melodia que encanta,
Uma lágrima vadia.
Tudo,
Num só dia

jpv


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Amanhecer

No calor da tua mão
E no embalo da tua voz quente,
Sinto que sou outra gente,
Mais gente.
Na carícia que não pedi
E no beijo de volúpia sexual,
Vivo o que não vivi
Em estio virgem e inaugural.
Trazes tentações
E promessas de eternidade.
Trazes segredos sem idade
E inesperadas revelações.
E procuro no fundo do teu olhar
Essa floresta de amor,
Essa forma de amar.
Uma mão quente.
Uma voz a embalar.
Agora já sou gente.
Agora já sei navegar.

jpv


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King James IV

Por dentro
Do sentimento,
A um átomo
De distância.
No breu
Do lamento,
Na luz
Da infância.
Uma palavra,
Uma só palavra perdida
E o meu corpo anseia
Pelo sorriso
E pela mão estendida.

jpv


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King James III

Se a minha morte
Fosse a tua vida,
Não seria uma vida perdida,
Mas um singelo golpe de sorte.

Se a minha sorte
Fosse o teu sopro,
Morreria por gosto
E entregaria o corpo
Ao pó e ao abandono.
Se fosse o meu profundo sono
A luz dos olhos,
Enfrentaria criaturas medonhas,
Superaria barreiras e escolhos,
Só para morrer por ti.
O que tu és
Não tem fim.
O que tu és,
Seguimento de mim,
Na morte e na vida.
Palavra vivida,
Passada crente e firme,
Luz azul no sorriso,
Diáfana imagem
Antes de ir-me.

jpv


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King James II

Uma luz límpida,
Uma aura translúcida e fina.
Uma frágil força,
Uma água cristalina.

Um sorriso inocente
E um sorriso malandreco.
Teu nome é um eco
Constante
No coração da gente.

Um braço estendido,
Uma palavra imprecisa.
És um rei erguido
Reinando na era indecisa.

jpv


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King James I

O teu equilíbrio frágil
Desperta sonhos e ilusões,
Desenha sorrisos livres,
Prenhes de amor,
E todas as sensações.

Senhor inconsciente
Das nossas vontades,
Ainda mal és gente
E já reinas
Em todas as propriedades.

Tens um tal domínio
E uma tal força de Amor
Que sendo senhor dos servos
Sou servo de ti, senhor.

Reizinho James,
Comandante deste velho navio,
Aqueces e confortas a alma
No pico do Inverno,
No vórtex do frio.

jpv


2 comentários

Dentro da Pegada

Na areia da praia deserta
Ficou a sombra da pegada.
Onde estava uma porta aberta,
Jaz, inerte, uma porta fechada.

No côncavo da areia pisada
Ficou o bater de meu coração,
E lá vive a memória apagada
Do pé que marcou o chão.

Nas palavras não trocadas
E naquelas que troquei
Deixei abandonadas
As pegadas que desenhei.

Dói mais a dor ausente
Quando o sangue brota e corre.
Se for coração de gente,
A solidão dói mais
Do que quando a gente morre.

jpv


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Citação do Poeta